Recordamos que amanhã passa um dos melhores filmes de sempre na sala de cinema mais bonita de Lisboa. Os bilhetes estão à venda no local e aqui. E tu, vais perder esta oportunidade?
Este mês de Março a Explosive Media adiciona o terceiro e último capitulo da saga «Sabata» ao seu cardápio, "È tornato Sabata... hai chiuso un'altra volta". Será mais uma edição com a opção DVD e blu-ray, audio original italiano, inglês e alemão.
Aproveitando o sucesso de "Se incontri Sartana prega per la tua morte" de Gianfranco Parolini, o espanhol Alfonso Balcázar lançou-se de unhas e dentes à personagem, mesmo sem ter Gianni Garko ou um enredo relacionável com a personagem. Usou antes a prata da casa, George Martin, presença habitual nas produções da família catalã e cozinhou mais uma história de vingança. Sartana (Uriah, na dobragem inglesa/espanhola) é um caçador de recompensas, a sua presa mais apetecida é Slim Kovaks, um calhorda que lhe vale muito mais do que o valor da recompensa, é que Kovaks abusou e assassinou a esposa de Sartana. Não é propriamente o tipo de enredo que esperaríamos de um western catalogado como parte da franquia Sartana, mas lembremos-nos que não se tratando de uma sequela oficial, vale tudo menos arrancar olhos!
George Martin veste a capa de Django, perdão, Sartana.
Em bom nome da verdade diga-se que o filme não foi sequer planeado com esse propósito e o titulo italiano "Sartana non perdona" - que foi traduzido à letra em quase todo o lado - é a única coisa que faz paralelo com o pistoleiro de Parolini. E ao contrário do que eu próprio desconfiaria, a maior influência do filme nem sequer foi Parolini, mas sim Sergio Leone. Sendo especialmente reminiscente dos dois primeiros filmes da saga do «homem sem nome». Sem qualquer vergonha na cara, Balcázar copia mesmo algumas das situações usadas nesses dois filmes. Fá-lo ainda assim com algum bom gosto e com suporte de uma fotografia muito sólida. E a malandrice resultou, gorando até as minhas expectativas, que admito serem por regra fracas quando de produções da Balcázar Producciones Cinematográficas se trata.
Kirchner, um pistoleiro de traços ambíguos, lugar comum na carreira do mexicano Gilbert Roland.
Para além de Martin temos ainda interpretações eficazes de dois veteranos do western americano, Gilbert Roland, presença habitual nas produções deste lado do atlântico. Ele que volta aqui a aplicar a sua muito característica postura de pistoleiro romântico. O outro é Jack Elam (no papel de Kovacs), o actor de olhar diabólico que tantas vezes vimos nos westerns americanos faz aqui a sua segunda participação no western europeu, logo após a perninha que fez no supremo "C'era una volta il West". O autor Jasper P. Morgan desanca a interpretação de Elam no seu "Spaghetti Heroes: Django - Sartana - Ringo", mas pergunto-me se ele terá visto o mesmo filme que eu ou alguma dobragem alemã maluca? É que pessoalmente fiquei muito bem impressionado e até orgulhoso por vê-lo num papel maior do que habitualmente lhe cabia. Aquele olhar diabólico, que fazia a sua imagem de marca, mescla-se aqui francamente bem com este protótipo de vilão de aspecto nojento, trapaceiro e cobardolas.
Jack Elam (Kovacs) lança «aquele olhar» sobre Martin (Sartana/Uriah). Que é como quem diz: Hora de surra!
Não esperem uma obra original mas no meio de tanta porcaria, encontrarão divertimento nestes 92 minutos de película. O filme esteve até recentemente disponível apenas em velhas cassetes de VHS mas os italianos da Quinto Piano deram-se ao trabalho de o editar em formato digital (e outra alemã está já a a caminho). É uma edição fraca mas também não vos vai ferir os olhinhos habituados aos 1080p.
E porque hoje há eclipse do sol, fiquem com esta recomendação. O único western-spaghetti em que os velhacos são cravados de chumbo com a ajuda de um eclipse. Esta é "A justiça de Gringo"!
Este ano, o 8 ½ Festa do Cinema Italiano em colaboração com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema organiza uma retrospetiva de Sergio Leone - cineasta que popularizou em todo o mundo o género Spaghetti Western. Com atores célebres como Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Gian Maria Volonté, Eli Wallach e Charles Bronson, que se tornaram verdadeiros ícones do género, músicas que fizeram a história das bandas sonoras do cinema graças ao génio do maestro Ennio Morricone, juntamente com um talento cinematográfico único fazem das películas de Leone verdadeiras obras-primas da sétima arte, amadas pelo público de todo o mundo. Nesta retrospetiva, o 8 ½ apresenta, pela primeira vez em Portugal, algumas das suas obras em novas versões restauradas em formato digital, entre as quais a antestreia do director’s cut do célebre Era uma vez na América e a versão em 4K de O Bom, Mau e o Vilão. Em Abril, na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema:
O Colosso de Rodes (Il Colosso di Rodi)
Por um Punhado de Dólares (Per un Pugno di Dollari)
Por uns Dólares a Mais (Per Qualche Dollaro in Più)
O Bom, o Mau e o Vilão (Il buono, brutto e cattivo)
Era uma Vez no Oeste (C’era una volta il West)
Quando Explode a Vingança (Giù la testa)
Era uma Vez na América (C’era una volta in America)
“Ser ou não ser, eis a questão!”. Assim começa o mais célebre monólogo de “Hamlet”. Joe Clifford é um ator apaixonado pelas obras de William Shakespeare. Viaja por todo o Oeste Americano disposto a interpretar no palco as peças do velho dramaturgo inglês. Além dos seus dotes de ator Joe Clifford também sabe manejar a pistola e isso garante-lhe vários problemas com as autoridades.
Um dia é informado que herdou uma mina de ouro do seu falecido tio. Joe dirige-se à cidade par a tomar posse da mina mas depressa percebe que as coisas não vão ser assim tão fáceis porque Berg, um poderoso homem de negócios e cabecilha de um bando de pistoleiros, já tomou posse da mina de forma (aparentemente) legal. Joe desconfia, entra em conflito com Berg e está o caldo entornado!
O trio Leopoldo Savona, Anthony Steffen e Eduardo Fajardo trabalharam juntos várias vezes neste registo. Talvez até demasiadas vezes porque as coisas já estavam a ser repetitivas e mais do que óbvias. Para desenjoar a bela música da autoria de Bruno Nicolai é um dos trunfos do filme bem como breves referências às obras mais conhecidas de Shakespeare (Hamlet, Macbeth).
Anthony Steffen a gastar pólvora e munições em dose industrial, Eduardo Fajardo no típico papel de vilão mau como as cobras e Leopoldo Savona assina um western banal, que não surpreende e que é minimamente decente mas sem qualquer hipótese de se aproximar do panteão onde residem os melhores do subgénero!
A Explosive Media anuncia para meados de Março a edição de mais um filme da saga «Sabata», desta será o explosivo "Adios Sabata" a ver a luz do dia. Filme em como se sabe Lee Van Cleef foi substituído pelo careca Yul Brynner. Como é apanágio da editora, também esta edição aparecerá com a vertente DVD e blu-ray. A não perder!