27/02/2012

Sette pistole per i MacGregor (1966 / Realizador: Franco Giraldi)

Um grupo de bandidos mexicanos rodeia o rancho dos MacGregor com intenção de lhes roubar a manada de cavalos. Apenas quatro idosos se encontram no rancho pelo que o golpe parece fácil, mas a ladroagem não podia estar mais enganada. Os velhos pioneiros escoceses têm pelo na venta e recebem o bando a tiro. A saraivada de balas que se gera não chega para demover os assaltantes o que leva os velhos MacGregor a utilizar o meios mais estrondosos, um canhão que carinhosamente chamam de Rainha Ana.

Alertados pelo estrondo dos tiros de canhão, os sete MacGregors mais novos apressam-se a regressar ao rancho em auxílio dos velhotes, acabando por espantar os bandidos. Decidem então levar o gado para Las Mesas, onde o tentarão vender ao melhor preço. Aí encontrarão Crawford (Chris Huerta) que os tentará enganar no negócio. A coisa acaba com toda a gente do saloon à pancadaria e os sete escoceses acabam na cadeia do Xerife John F. Mason (Antonio Molino Rojo), um escroque escondido por detrás da estrela da lei.


Gregor MacGregor (Robert Woods) que age como líder da família engendra um mecanismo com as esporas das botas que lhes permitirá destruir a parede da cela e assim conseguem escapar. Mas para seu infortúnio também os cavalos desapareceram dos currais. Para reavê-los Gregor infiltra-se no bando de Santillana (Leo Anchoriz), responsável pelo furto assumindo para tal a falsa identidade de um foragido procurado pela lei. Depois de aceite no bando, toma partido da informação privilegiada para sabotar todos os actos de Santillana e seu braço direito, Miguel (Fernando Sancho). À boa moda do western europeu, Gregor acaba por ser desmascarado e por consequência espancado pelos fora-da-lei. Mas escapa eventualmente de modo a poder voltar e aniquilar o bando.

Franco Giraldi que anteriormente havia sido responsável pela segunda unidade de Sergio Leone em “Por Um Punhado de Dólares” estreia-se na cadeira de realizador neste aventuroso “Sete pistolas para os Macgregor”. Para o efeito usou inclusive alguns dos cenários do primeiro nomeadamente a vila de San Miguel que para aqui renomearia como El Rojo, numa clara homenagem para com o filme de Leone. Mas o filme de Giraldi privilegia os elementos cómicos em detrimento da violência mais visceral e gratuita. Em geral poderia-se dizer que é um filme interessante mas que vive longe da perfeição, sendo pejado de lugares comuns e muitos erros de raccord a que se lhe possa apontar o dedo. Apesar disso tornar-se-ia um dos primeiros westerns-spaghetti cómicos a atingir o sucesso comercial tendo mesmo sido mote para uma sequela – “7 Mulheres Para os MacGregor” – também realizado por Giraldi.


Infelizmente a passagem dos anos fez com que o filme se ressinta, sendo necessária alguma predisposição para vê-lo de fio a pavio. Eu já conto com uma versão DVD do filme na minha colecção há alguns anos e por duas ou três vezes tinha tentado vê-lo, mas tanta palhaçada nos primeiros 10 minutos levaram-me sempre a carregar no botão «stop» e voltar a colocar o DVD na prateleira. Apesar disso na recente quadra natalícia, em que se toleram opções mais leves e descontraídas, decidi voltar a tentar. E desta vez até ao fim!

O DVD de que falo é uma edição da Divisa, editora espanhola que tem um bom punhado de westerns-spaghetti editados na terra de nuestros hermanos. Por regra as suas edições contém os filmes em formato widescreen, áudio em espanhol e sem extras de destaque. Tenho encontrado ocasionalmente parte desse catálogo em lojas especializadas espanholas e sempre me ficaram em conta. Actualmente, como já abriu a sucursal espanhola da Amazon, viver a meia-dúzia de quilómetros da fronteira espanhola já não se pode considerar uma vantagem para o coleccionador destes nichos. A facilidade de acesso a filmes destas editoras espanholas ficam ainda mais acessíveis aos fãs do género, o que naturalmente se louva.


Mais algumas fotos de família:


Trailer:

Posters | Giù la testa... hombre (1971)

20/02/2012

Fora de tópico | Lançamento "Der Tod ritt dienstags"


O grande clássico do western-spaghetti, "I giorni dell'ira", está desde 16 de Fevereiro disponível em mais uma edição DVD. Trata-se de um lançamento da dependência alemã do Studio Canal/Arthaus. O DVD conta com áudio em alemão e italiano, e as características de tela devem respeitar os 16:9 - 2.35:1.

Será no entanto mais uma edição com a duração do filme incompleta. Ainda assim pelo preço low-cost que a editora está a fazer nesta fase de lançamento, vale o destaque.

Posters | Quien sabe? (1966)

13/02/2012

Os spaghettis da minha vida | Caio de Freitas Paes @ HQ Subversiva


Poder-se-ia dizer que a vigésima participação nesta rubrica foi sacada a ferros. Pois é, o nosso amigo Caio de Freitas Paes, blogger responsável pelo HQ Subversiva, baldou-se durante algum tempo mas a introspecção vê agora a luz. Sigam o blogue do Caio em http://hqsubversiva.wordpress.com e fiquem então a conhecer quais os seus westerns-spaghetti favoritos:

Bem, depois de uma demora de mais de um ano, finalmente criei vergonha na cara e decidi elencar os spaghettis da minha vida. Em primeiro lugar, claro, ressalto que é uma honra ter sido convidado a fazer minha singela lista de filmes essenciais do gênero – que vocês verão, logo abaixo, que é dominada pela trinca de Sergios (Leone, Corbucci e Sollima).

Meu primeiro contato com o spaghetti western foi nos áureos tempos de Sessão da Tarde, aqui no Brasil, na primeira metade dos anos 90: a dupla Terence Hill e Bud Spencer dominava as tardes da molecada, recheando a tela com bom humor e belos sopapos aqui e acolá. Não tinha como não gostar! Já muitos anos depois, na metade dos anos 2000, já acompanhava com mais afinco a sétima arte. Gostava muito dos filmes de ação, e não me lembrava em particular de nenhum western. Eis que meu pai chega, ostentando uma cópia em DVD de "Por Uns Dólares a Mais", me dizendo que era um ótimo filme, que eu precisava ver. Minha vida, a partir dali, nunca mais seria a mesma.

Depois de "Per Qualche...", procurei outras obras de Leone, e depois vieram os de Corbucci, Castellari, Sollima, Barboni... sei que ainda tenho muitos spaghettis a ver. E muitos para rever, com certeza, por toda a minha vida. Espero que gostem da minha lista e que, claro, me perdoem por deixar tantas obras-primas de fora, porque apenas 10 filmes são pouco pra traduzir meu amor pelos spaghetti!



Os 10 favoritos:

01 | Il buono, il brutto, il cattivo | Sergio Leone | 1966

Não o considero a obra suprema do mestre Leone, mas este filme tem um valor sentimental inestimável para mim. Inúmeras sequências inesquecíveis, a melhor trilha sonora de Morricone (na minha opinião), uma trinca de peso com Wallach-Eastwood-Cleef, diálogos memoráveis e, para mim, a melhor sequência da história do cinema: o final apoteótico.


02 | C'era una volta il West | Sergio Leone | 1968

Racionalmente, não hesito em afirmar que este é um dos filmes mais perfeitos de toda a história do cinema. Personagens bem desenvolvidos, narrativa cativante, trilha sonora soberba e nenhuma, repito, nenhuma cena “gratuita”. O filme é redondo, extenso e maravilhoso. Não à toa ficou por mais de dois anos em cartaz em um cinema francês à época de seu lançamento. Quisera eu ter tido a oportunidade de vê-lo na telona...


03 | Keoma | Enzo G. Castellari | 1976

Da extensa e variada filmografia de Enzo Castellari, Keoma é dos seus melhores filmes. Uma história extremamente poderosa condensada num filme que marcaria o gran finale do western spaghetti – não que os filmes do gênero tivessem sido encerrados, mas já estavam em uma curva descendente de qualidade e sucesso de público. Castellari fulmina o espectador com diversas cenas memoráveis, com câmeras lentas dignas de Sam Peckinpah e um clímax sensacional. Destaque também para o elenco estelar, com William Berger, Olga Karlatos, o veterano Woody Strode e, claro, o inigualável Franco Nero.


04 | Faccia a faccia | Sergio Sollima | 1967

Encabeçado pela trinca Tomas Milian, Gian Maria Volonté e William Berger, Sergio Sollima realiza um western politicamente engajado e sensacional. A história do professor pacifista e do revolucionário violento que são colocados no mesmo rumo e alteram um ao outro é maravilhosa! E, como não poderia deixar de ser, o final também é memorável.


05 | Il grande silenzio | Sergio Corbucci | 1968

Corbucci foi, sem sombra de dúvidas, um dos diretores mais sombrios, pessimistas e engajados do spaghetti. E Il Grande Silenzio é, talvez, seu conto mais triste, cru e poderoso. As gélidas montanhas, Klaus Kinski personificando um dos piores vilões que já vi no cinema, um protagonista calado pela violência e brutalidade do mundo personificado por Jean-Louis Trintignant e um dos finais mais poderosos do gênero. Genial.


06 | Un Dollaro Bucato | Giorgio Ferroni | 1965

Giuliano Gemma é, aqui no Brasil, um dos ícones para os fãs do “bangue-bangue à italiana”, como o spaghetti é conhecido por estas bandas. Pra mim, este é o seu melhor filme, com certeza: uma trilha inesquecível de Morricone, e uma grande história de vingança. Sem, claro, deixar de lado a crítica às aparências que a sociedade cria. Filmaço!


07 | Per qualche dollaro in più | Sergio Leone | 1965

Outro filmaço na conta de Leone. Depois de “fundar” o gênero, o italiano experimenta mais, ousa mais e o faz com maestria! Cleef, Volonté e Eastwood encabeçam o elenco poderoso do filme, que mostra uma grande história e ainda contém o “ensaio” do triello visto em "Good Bad Ugly". E, além disso, tem valor inestimável para mim: por causa dele que amo o spaghetti.


08 | Il Mercenario | Sergio Corbucci | 1968

Sou dividido entre este filme e "Vamos a Matar, Compañeros". Há muitas semelhanças entre ambos, mas acho os personagens deste aqui mais bem criados e desenvolvidos por Corbucci. É dos filmes essências do chamado Zapata western, claro, tão típico de Corbucci. Destaque para o duelo na arena de touradas, e a trilha (mais uma vez) magistral de Morricone.


09 | La resa dei conti | Sergio Sollima | 1966

Numa terra tão vasta, onde as aparências falam por si só, como descobrir a verdade, quando ela escapa do óbvio ululante? Sollima trabalha com estas questões de forma sensacional neste western, encabeçado por ninguém menos que Milian e Van Cleef. A trilha de Bruno Nicolai e Morricone é das melhores que já ouvi, e o filme tem sequências sufocantes e inesquecíveis, como a perseguição nas áridas montanhas do Oeste e, claro, os duelos. Cuchillo é, com certeza, o personagem mais esguio do cinema!


10 | I giorni dell'ira | Tonino Valerii | 1967

Lee Van Cleef e Giuliano Gemma protagonizam uma grande história que envolve não apenas vingança, como também a relação mentor-aprendiz. Com uma trilha sonora sensacional feita por Riz Ortolani, e ótimas sequências – como o duelo a cavalo -, "Giorni dell’ira" é outro filmaço! Valerii, que fora diretor de segunda unidade de Leone em "Por um Punhado de Dólares" e "Por uns Dólares a Mais", mostrou que aprendeu bem com o mestre.



Joker: O super-herói do Velho Oeste!

Ehi amico... c'è Sabata, hai chiuso! | Gianfranco Parolini | 1969

O grande Lee Van Cleef que, em Hollywood, sempre fora ator coadjuvante, encontrou nos faroestes italianos seu oásis. Teve o destaque que lhe era merecido e, para mim, "Sabata" é dos seus filmes mais divertidos. O personagem que dá nome ao filme, vivido por Cleef, é praticamente um super-herói do Oeste! Inteligente, esguio e certeiro com suas inúmeras pistolas, Sabata é dos personagens mais legais do spaghetti western, com certeza.



A evitar: Nem sempre grandes nomes garantem bons filmes...


Los Amigos | Paolo Cavara | 1972

Um spaghetti encabeçado por nomes do quilate de Franco Nero e Anthony Quinn não pode ser ruim, certo? Errado! O filme tem uma narrativa completamente sem-pé-nem-cabeça, os personagens são extremamente mal trabalhados, o “humor” da obra é sem graça e nem a ação compensa! Tive que vê-lo em duas ocasiões diferentes para tentar gostar do filme: não consegui. Péssimo!



Menções especiais: Mesmo sem caber na lista, aqui vai minha menção especial a outros grandes spaghettis que merecem atenção!

...E per tetto un cielo di stelle | Giulio Petroni | 1968

Das sequências iniciais mais lindas e poderosas do spaghetti
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Per un pugno di dollari | Sergio Leone | 1964

Por dar início ao gênero, e, de quebra, mostrar ao mundo quem eram Leone, Morricone e Eastwood.




Lo chiamavano Trinità | Enzo Barboni | 1970

Deu início ao spaghetti mais cômico; mesmo que este possa ter sido o “início do fim” da época áurea dos faroestes italianos, é uma bela comédia, e a dupla Spencer-Hill é hilária!



Da uomo a uomo | Giulio Petroni | 1967

Vingança, bruta, poderosa, à cavalo!

Posters | Una ragione per vivere e una per morire (1972)

06/02/2012

Per qualche dollaro in più (1965 / Realizador: Sergio Leone)


Com o seu primeiro western, Sergio Leone deu início a uma nova fase do cinema italiano mas agora sentia na pele as desvantagens de ter assinado de forma precipitada um contrato pouco vantajoso com a Jolly Films. O contrato dizia que Leone era forçado a fazer outro filme e sucediam-se os conflitos com os produtores Arrigo Colombo e Giorgio Papi. O cineasta sentia-se injustiçado na divisão dos lucros e antes de cortar o mal pela raiz e rescindir unilateralmente disse aos produtores da Jolly Films: “Vou processá-los em tribunal! Eu nem sabia se queria fazer outro western mas agora vou mesmo fazer, só para vos chatear! E o título vai ser… Por Mais Alguns Dólares!” O advogado que se ocupou do processo foi um tal Alberto Grimaldi. Grimaldi também tinha ambições no cinema, já tinha produzido três westerns de Joaquin Romero Marchent, mas aguardava por uma grande oportunidade. Viu em Sergio Leone o homem certo para apostar e fez-lhe uma proposta irrecusável: Para o novo filme, a produção garantia as despesas, os salários e 50% do lucro das bilheteiras ia diretamente para o bolso do realizador! Mas a guerra de bastidores continuava e, numa jogada cínica, Colombo e Papi contactaram Clint Eastwood e tentaram convencê-lo para protagonizar uma sequela produzida pela Jolly Films, desviando-o do caminho de Leone. Contudo, Eastwood não aceitou e pouco tempo depois Leone viajou de propósito aos Estados Unidos para resgatar o ator para uma segunda aventura juntos. Mas “Por Mais Alguns Dólares” não podia ter apenas um protagonista. Henry Fonda, Charles Bronson, Lee Marvin e Robert Ryan recusaram categoricamente. Em Los Angeles, um dos assistentes de Leone facultou-lhe um documento com uma fotografia de um ator de segunda linha e que agora tinha desaparecido misteriosamente após um grave acidente de viação. Ao ver a foto, Leone decidiu instantaneamente: Lee Van Cleef era o homem certo e nada mais interessava! Com uma mala cheia de dinheiro, Leone apresentou o contrato ao ator e 10 000 dólares. Foi mais do que suficiente… O filme gira em torno de dois caçadores de prémios que perseguem o psicopata / assassino / ladrão / drogado / violador El Índio. Enquanto um quer o dinheiro da recompensa o outro parece ter outras razões. Alguns momentos do filme ficam para sempre na memória dos cinéfilos, nomeadamente o duelo final dentro de uma área circular, a “arena da vida”, como Sergio Leone lhe chamava, “o momento da verdade na hora da morte”, tudo isto acompanhado pela genial partitura musical do mestre Ennio Morricone. O filme estreou no outono de 1965 e foi um sucesso gigantesco, tornando-se no filme mais rentável em Itália durante vários anos. Lee Van Cleef ascendeu ao estatuto de estrela, Clint Eastwood confirmou as suas credenciais de super vedeta e Sergio Leone matou dois coelhos com uma cajadada só: conseguiu mais um extraordinário marco da História do Cinema e vergou definitivamente as intenções malévolas dos seus inimigos de estimação.
Galeria: Trailer:

Posters | Il ritorno di Ringo (1965)