
Poder-se-ia dizer que a vigésima participação nesta rubrica foi sacada a ferros. Pois é, o nosso amigo Caio de Freitas Paes, blogger responsável pelo HQ Subversiva, baldou-se durante algum tempo mas a introspecção vê agora a luz. Sigam o blogue do Caio em http://hqsubversiva.wordpress.com e fiquem então a conhecer quais os seus westerns-spaghetti favoritos: Bem, depois de uma demora de mais de um ano, finalmente criei vergonha na cara e decidi elencar os spaghettis da minha vida. Em primeiro lugar, claro, ressalto que é uma honra ter sido convidado a fazer minha singela lista de filmes essenciais do gênero – que vocês verão, logo abaixo, que é dominada pela trinca de Sergios (Leone, Corbucci e Sollima).
Meu primeiro contato com o spaghetti western foi nos áureos tempos de Sessão da Tarde, aqui no Brasil, na primeira metade dos anos 90: a dupla Terence Hill e Bud Spencer dominava as tardes da molecada, recheando a tela com bom humor e belos sopapos aqui e acolá. Não tinha como não gostar! Já muitos anos depois, na metade dos anos 2000, já acompanhava com mais afinco a sétima arte. Gostava muito dos filmes de ação, e não me lembrava em particular de nenhum western. Eis que meu pai chega, ostentando uma cópia em DVD de "Por Uns Dólares a Mais", me dizendo que era um ótimo filme, que eu precisava ver. Minha vida, a partir dali, nunca mais seria a mesma.
Depois de "Per Qualche...", procurei outras obras de Leone, e depois vieram os de Corbucci, Castellari, Sollima, Barboni... sei que ainda tenho muitos spaghettis a ver. E muitos para rever, com certeza, por toda a minha vida. Espero que gostem da minha lista e que, claro, me perdoem por deixar tantas obras-primas de fora, porque apenas 10 filmes são pouco pra traduzir meu amor pelos spaghetti!
Os 10 favoritos:
01 | Il buono, il brutto, il cattivo | Sergio Leone | 1966 Não o considero a obra suprema do mestre Leone, mas este filme tem um valor sentimental inestimável para mim. Inúmeras sequências inesquecíveis, a melhor trilha sonora de Morricone (na minha opinião), uma trinca de peso com Wallach-Eastwood-Cleef, diálogos memoráveis e, para mim, a melhor sequência da história do cinema: o final apoteótico.
02 | C'era una volta il West | Sergio Leone | 1968Racionalmente, não hesito em afirmar que este é um dos filmes mais perfeitos de toda a história do cinema. Personagens bem desenvolvidos, narrativa cativante, trilha sonora soberba e nenhuma, repito, nenhuma cena “gratuita”. O filme é redondo, extenso e maravilhoso. Não à toa ficou por mais de dois anos em cartaz em um cinema francês à época de seu lançamento. Quisera eu ter tido a oportunidade de vê-lo na telona...
03 | Keoma | Enzo G. Castellari | 1976Da extensa e variada filmografia de Enzo Castellari, Keoma é dos seus melhores filmes. Uma história extremamente poderosa condensada num filme que marcaria o gran finale do western spaghetti – não que os filmes do gênero tivessem sido encerrados, mas já estavam em uma curva descendente de qualidade e sucesso de público. Castellari fulmina o espectador com diversas cenas memoráveis, com câmeras lentas dignas de Sam Peckinpah e um clímax sensacional. Destaque também para o elenco estelar, com William Berger, Olga Karlatos, o veterano Woody Strode e, claro, o inigualável Franco Nero.
04 | Faccia a faccia | Sergio Sollima | 1967Encabeçado pela trinca Tomas Milian, Gian Maria Volonté e William Berger, Sergio Sollima realiza um western politicamente engajado e sensacional. A história do professor pacifista e do revolucionário violento que são colocados no mesmo rumo e alteram um ao outro é maravilhosa! E, como não poderia deixar de ser, o final também é memorável.
05 | Il grande silenzio | Sergio Corbucci | 1968Corbucci foi, sem sombra de dúvidas, um dos diretores mais sombrios, pessimistas e engajados do spaghetti. E Il Grande Silenzio é, talvez, seu conto mais triste, cru e poderoso. As gélidas montanhas, Klaus Kinski personificando um dos piores vilões que já vi no cinema, um protagonista calado pela violência e brutalidade do mundo personificado por Jean-Louis Trintignant e um dos finais mais poderosos do gênero. Genial.
06 | Un Dollaro Bucato | Giorgio Ferroni | 1965Giuliano Gemma é, aqui no Brasil, um dos ícones para os fãs do “bangue-bangue à italiana”, como o spaghetti é conhecido por estas bandas. Pra mim, este é o seu melhor filme, com certeza: uma trilha inesquecível de Morricone, e uma grande história de vingança. Sem, claro, deixar de lado a crítica às aparências que a sociedade cria. Filmaço!
07 | Per qualche dollaro in più | Sergio Leone | 1965Outro filmaço na conta de Leone. Depois de “fundar” o gênero, o italiano experimenta mais, ousa mais e o faz com maestria! Cleef, Volonté e Eastwood encabeçam o elenco poderoso do filme, que mostra uma grande história e ainda contém o “ensaio” do triello visto em "Good Bad Ugly". E, além disso, tem valor inestimável para mim: por causa dele que amo o spaghetti.
08 | Il Mercenario | Sergio Corbucci | 1968Sou dividido entre este filme e "Vamos a Matar, Compañeros". Há muitas semelhanças entre ambos, mas acho os personagens deste aqui mais bem criados e desenvolvidos por Corbucci. É dos filmes essências do chamado Zapata western, claro, tão típico de Corbucci. Destaque para o duelo na arena de touradas, e a trilha (mais uma vez) magistral de Morricone.
09 | La resa dei conti | Sergio Sollima | 1966
Numa terra tão vasta, onde as aparências falam por si só, como descobrir a verdade, quando ela escapa do óbvio ululante? Sollima trabalha com estas questões de forma sensacional neste western, encabeçado por ninguém menos que Milian e Van Cleef. A trilha de Bruno Nicolai e Morricone é das melhores que já ouvi, e o filme tem sequências sufocantes e inesquecíveis, como a perseguição nas áridas montanhas do Oeste e, claro, os duelos. Cuchillo é, com certeza, o personagem mais esguio do cinema!
10 | I giorni dell'ira | Tonino Valerii | 1967Lee Van Cleef e Giuliano Gemma protagonizam uma grande história que envolve não apenas vingança, como também a relação mentor-aprendiz. Com uma trilha sonora sensacional feita por Riz Ortolani, e ótimas sequências – como o duelo a cavalo -, "Giorni dell’ira" é outro filmaço! Valerii, que fora diretor de segunda unidade de Leone em "Por um Punhado de Dólares" e "Por uns Dólares a Mais", mostrou que aprendeu bem com o mestre.
Joker: O super-herói do Velho Oeste!
Ehi amico... c'è Sabata, hai chiuso! | Gianfranco Parolini | 1969 O grande Lee Van Cleef que, em Hollywood, sempre fora ator coadjuvante, encontrou nos faroestes italianos seu oásis. Teve o destaque que lhe era merecido e, para mim, "Sabata" é dos seus filmes mais divertidos. O personagem que dá nome ao filme, vivido por Cleef, é praticamente um super-herói do Oeste! Inteligente, esguio e certeiro com suas inúmeras pistolas, Sabata é dos personagens mais legais do spaghetti western, com certeza.
A evitar: Nem sempre grandes nomes garantem bons filmes...
Los Amigos | Paolo Cavara | 1972Um spaghetti encabeçado por nomes do quilate de Franco Nero e Anthony Quinn não pode ser ruim, certo? Errado! O filme tem uma narrativa completamente sem-pé-nem-cabeça, os personagens são extremamente mal trabalhados, o “humor” da obra é sem graça e nem a ação compensa! Tive que vê-lo em duas ocasiões diferentes para tentar gostar do filme: não consegui. Péssimo!
Menções especiais: Mesmo sem caber na lista, aqui vai minha menção especial a outros grandes spaghettis que merecem atenção!
...E per tetto un cielo di stelle | Giulio Petroni | 1968
Das sequências iniciais mais lindas e poderosas do spaghetti.
Per un pugno di dollari | Sergio Leone | 1964
Por dar início ao gênero, e, de quebra, mostrar ao mundo quem eram Leone, Morricone e Eastwood.
Lo chiamavano Trinità | Enzo Barboni | 1970
Deu início ao spaghetti mais cômico; mesmo que este possa ter sido o “início do fim” da época áurea dos faroestes italianos, é uma bela comédia, e a dupla Spencer-Hill é hilária!
Da uomo a uomo | Giulio Petroni | 1967
Vingança, bruta, poderosa, à cavalo!