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26/07/2026

Per un pugno nell’occhio (1965 / Realizador: Michele Lupo)


Muitos anos antes da avalanche de spoofs americanos que exploravam comercialmente o sucesso dos grandes êxitos de bilheteira, os italianos já dominavam essa arte. Os principais responsáveis por transformar este tipo de paródia num modelo de negócio rentável foram Franco Franchi e Ciccio Ingrassia (que já passaram por cá). Dois bardamerdas que, apesar do ar de completos palermas, faziam as delícias do público da época.

A lógica era simples: se um filme rebentava nas bilheteiras, tratava-se de filmar uma paródia o mais depressa possível. Muitas vezes bastava aproveitar o título e pouco mais. Estes spoofs eram produzidos à velocidade da luz e chegavam às salas poucas semanas depois da estreia do original. Foi assim que nasceu “Per un pugno nell'occhio”, uma resposta quase instantânea ao enorme sucesso de “Por um Punhado de Dólares”, que tinha conquistado o público italiano no final do ano anterior.

A chegada dos dois palermas.

Franco e Ciccio chegam à cidade fronteiriça mexicana de Santa Genoviefa, ambos de poncho envergado. Um cavalga uma mula pequena, o outro uma bem maior, e apresentam-se de imediato como vendedores de armas. A chegada reproduz quase plano por plano a icónica entrada de Clint Eastwood em Agua Caliente. A diferença é que, em vez de encontrarem uma vila mergulhada no caos, descobrem um lugar tão pacato que tanto o agente funerário como os comerciantes de armas locais estão às moscas.

Filmes como este eram leves como uma pena e conquistaram facilmente o público europeu. Curiosamente, também ajudaram a consolidar um modelo de produção que, nas duas décadas seguintes, transformaria a indústria italiana numa verdadeira fábrica de cinema exploitation. 

Hey putos! Não quererão substituir essas fisgas por colts?!

Tanto as paródias como o exploitation obedeciam à mesma lógica: seguir as modas sem perder tempo. Se um western de Sergio Leone fazia sucesso, surgia rapidamente uma paródia. Mas quando o público se cansou dos westerns, a indústria mudou de rumo e apostou no choque, no erotismo e na violência gráfica, alimentando os grindhouses e drive-ins dos anos 70. Era o fim de linha para a dupla Franco e Ciccio.

Foi assim que sagas como «Mad Max», «Tubarão» ou «Alien» acabaram por ganhar imitações, plágios descarados e sequelas não oficiais. Tudo isto, claro, sem pagar uma lira em direitos de autor.

O duelo vai começar, que vençam os piores!

Na realização deste “Per un pugno nell'occhio” esteve Michele Lupo, cineasta que iniciou a carreira na esteira dos épicos mitológicos italianos. Acompanhando a evolução dos gostos do público, transitou precisamente com este filme para o western, género onde viria a realizar obras muito superiores a esta palhaçada. A minha recomendação continua a ser “California”, um magnífico western crepuscular sobre o qual o Emanuel já escreveu aqui no blogue.

Mas quem quiser mergulhar na filmografia de Lupo deve preparar-se para encontrar mais galhofa do que drama. Grande parte da sua carreira foi dedicada ao lado mais cómico e satírico do western, alinhando-se com a tendência do chamado «fagioli western». E quando o spaghetti western perdeu fôlego, reinventou-se uma vez mais e entrou numa fase comercialmente muito bem-sucedida graças à parceria com Bud Spencer, o incontestado rei do sopapo. Juntos assinaram uma mão-cheia de comédias de ação para toda a família que encheram salas por toda a Europa.

Foda-se.

Se, ainda assim, forem completamente tantãs - ou simplesmente masoquistas - e decidirem iniciar a descoberta do cinema de Michele Lupo por este filme, fiquem a saber que ele está disponível no YouTube. Eu vi-o numa noite de insónia, no tablet, na versão espanhola intitulada “Dos caraduras en Texas”. Só mais tarde reparei que a versão italiana, também disponível na plataforma, tem mais alguns minutos. Não se preocupem: não estão a perder rigorosamente nada. Aliás, façam antes um favor a vocês próprios. Toca mas é a desandar. Não há nada para ver aqui!

07/03/2017

El proscrito del río Colorado (1965 / Realizador: Maury Dexter)


Algures no norte do México coabitam duas poderosas famílias, de um lado temos o general Miguel Camargo e do outro o magnata Cristóbal Riaño. Camargo está comprometido com Francisca, filha de Riaño, mas o irmãozinho desta não está nada convencido com o casório e promete armar confusão à primeira oportunidade. 

Quem vai amenizando as coisas é O'Brien (George Montgomery), pistoleiro americano proscrito no seu país por um crime que não cometeu e que agora vai ganhado a vida do outro lado da fronteira como braço direito do tal general Camargo. A ameaçar o enfadonho clima de romance surge um tal de Espada e o seu bando de pistoleiros, que a páginas tantas, coage O'Brien - de forma não muito fofinha - a juntar-se ao bando e rebelar-se contra Camargo, que se tornará em breve governador do território apesar do seu passado criminoso.

George Montgomery numa das poucas cenas de acção do filme.

Estranhamente em Itália, na França e mais alguns países, a personagem de O'Brien seria alterada para Django (em Itália: Django killer per onore), mesmo sem existir a mais leve parecença física ou outra, com homem do caixão. Quando muito compararia a trama deste “O Foragido do Rio Colorado” com o primeiro western de Sergio Leone (Por Um Punhado de Dólares) e ainda assim sinto que com esta estrambólica comparação ofendo a memória deste último, tal a disparidade de qualidade entre ambos.

Na verdade, ainda que realizado em Espanha e com um elenco quase totalmente local (a excepção é apenas a presença de George Montgomery), nota-se que o filme  alinha claramente pela veia clássica, bem evidente quer pela trama entediada, quer pelo ritmo lento de morte, em completo desalinho com os motes do western-spaghetti então em voga por estes lados.

Quem matou, quem matou?

Para tal terá pesado a mão de Maury Dexter, realizador americano que fez esta ofensiva única no filão e que anos mais tarde labutaria em diversas produções da AIP e até na não menos fastidiosa série “Uma Casa na Pradaria”. Não vos quero enganar, este é sem dúvida um dos filmes mais «tanto faz» que vi deste que me propus dissecar o western europeu. Se procuram uns tortilha-westerns para desenjoar, vão a outra cantina que nesta a comida não leva sal!

05/04/2016

Uno straniero a Paso Bravo (1968 / Realizador: Salvatore Rosso)

Dentro de uma diligência viaja um tal Gary Hamilton. Desce a meio da viagem, um velho que vive no deserto vende-lhe uma mula (não a preço de amigo) e dirige-se à cidade. Paso Bravo é uma localidade sob domínio do poderoso Acombar e dos seus esbirros. O xerife não passa de um banana, os homens de Acombar fazem o que querem e, mesmo a propósito, embirram com Gary porque este não bebe álcool e não anda armado. A moça que trabalha no saloon, Rosie, põe-no ao corrente da situação. A cunhada de Gary, Anna, vai regularmente ao cemitério visitar duas campas. Gary descobre que a sua esposa e a sua filha morreram num incêndio suspeito mas ninguém pia porque todos têm medo de Acombar. Aconselham-no a pisgar-se o mais depressa possível mas o gajo é teimoso, anda a meter o nariz onde não deve e, naturalmente, não se livra da costumeira dose de sopapada. Os vilões estão cada vez mais confiantes na sua invulnerabilidade. Até ao momento em que Gary Hamilton mete as mãos numa espingarda… 


Anthony Steffen aperta o fagote a um malandro.

“Uno Straniero a Paso Bravo”, cujo título em Portugal é “Justa Vingança”, é um filme que passaria despercebido pelos pingos da chuva se, no ano seguinte, Antonio Margheriti não tivesse feito o “remake” intitulado “E Dio Disse a Caino”, Ainda hoje não é clara a razão porque o fez e continua uma incógnita. É uma história que nunca foi bem explicada. 

Eduardo Fajardo está com um ar acagaçado.

Tanto o filme de Salvatore Rosso como o filme de Antonio Margheriti são westerns de baixo orçamento mas há grandes diferenças de qualidade entre ambos: o primeiro é rasco, o segundo é excelente. Tal como num jogo de futebol houve direito a três substituições. Anthony Steffen foi substituído por Klaus Kinski, Eduardo Fajardo deu o lugar a Peter Carsten e Salvatore Rosso saiu para entrar Antonio Margheriti. Estes três novos jogadores decidiram o jogo e tudo se tornou melhor!