Mostrar mensagens com a etiqueta Philippe Leroy. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Philippe Leroy. Mostrar todas as mensagens

22/08/2016

Yankee (1966 / Realizador: Tinto Brass)


O realizador italiano Tinto Brass (Giovanni Brass) não deixou marca relevante nos westerns-spaghetti. Os seus trabalhos mais conhecidos estão ligados ao cinema erótico, com destaque para os filmes “Salon Kitty” e “Calígula”, ambos ricos em orgias que simbolizam a decadência do regime Nazi e do Império Romano, respetivamente. 

Mas antes destes registos, Tinto Brass conseguiu manter o pessoal com as roupas vestidas e fez um western protagonizado por um francês (Philippe Leroy) e por um italiano (Adolfo Celi, uma espécie de Fernando Sancho dos pobres). Visualmente, o filme tem aspetos bem interessantes. A saber: belas cenas noturnas, igrejas com vitrais coloridos cheias de pinturas na parede (além de esculturas e outras obras de arte), ambientes pesados e soturnos, etc.

Yankee aguarda pacientemente pelas suas presas.

O filme, propriamente dito, fala-nos de um pistoleiro norte-americano (ianque = Yankee) que atravessa o Rio Grande e dirige-se para o México, um país onde se resolve tudo à bruta. Chega a uma localidade mexicana cujo cartão de visita é ter homens enforcados nas ruas. 

Yankee, assíduo frequentador de barbearias, senta-se na cadeira e fala com o barbeiro / agente funerário. O barbeiro diz-lhe que quem manda naquilo tudo é o Grande Concho, o chefe das bestas quadradas lá do sítio.

O bigodudo Adolfo Celi empunha o chicote.

Yankee procura Concho e propõe-lhe uma sociedade que envolve muito ouro. Concho é manhoso, engana Yankee e este rapta Rosita, uma cartomante bem jeitosa e mulher do bandido mexicano. O jogo do gato e do rato entre herói e vilão é inevitável e trocam tiros nas ruínas de um povoado abandonado sob um ambiente tenebroso (eco de vozes, gargalhadas lúgubres e arrepiantes). 

O duelo final acontece na margem do rio, pobre em peixes mas rico em cadáveres. Resta saber se valeu a pena Yankee ter atravessado a fronteira ou se o Grande Concho levou a melhor…

03/11/2015

...e alla fine lo chiamarono Jerusalem l'implacabile (1972 / Realizador: Antonio Secchi)

Este é o primeiro e único filme de Antonio Secchi, Genovês responsável pela fotografia de uma mão cheia de westerns-spaghetti de belo efeito, incluindo os muito recomendáveis “Un dollaro bucato”, “Quién sabe?” e “Sentenza di morte”. Mas para azar de todos a perícia de Seccchi com a câmara não acompanhou as necessidades da realização, não admirando por isso que não tenha voltado a sentar o «próio» na cadeira de realizador. Situemo-nos: estamos já nos anos setenta e não há muito dinheiro nem tempo a perder nas rodagens. A acção do filme gravita em redor de um tipo chamado Jerusalém, uma versão muito desinspirada de um Aleluia (George Hilton) ou de um Trinitá (Terence Hill), um lugar-comum nestas paródias dos anos setenta.

 Anos setenta, tempo de dizer adeus aquelas belas paisagens de Almeria (Espanha).

O papel de Jerusalém coube a outro «desaparecido em combate» do cinema: Scott Holden, filho de William Holden, esse sim estrela maior de filmes como o super clássico “The Wild Bunch” de Sam Peckinpah. Jerusalém e o pai, um velho bandido agora reformado e desacreditado, aceitam a arriscada tarefa de transportar um carregamento de ouro até ao Fort Edward, chefiado pelo general confederado Briscott (mais uma breve participação do francês Philippe Leroy). Mas nessa arriscada aventura não serão poucos os que lhes tentarão rapinar o soldo.

Ainda que o título original do filme seja “… e alla fine lo chiamarono Jerusalem l'implacabile”, artifício pomposo e claramente decalcado de um sem número de outros westerns europeus que o precederam. Este é conhecido internacionalmente por algo que poderemos livremente traduzir como “Frigideira calibre 38”, o que diz bastante sobre qual a arma de eleição do nosso herói de ocasião. Esperem por isso muita galhofa idiota e pouco tiroteio! 

 Giorgio Trestini interpreta Bobo, uma brutamontes claramente influenciado por Bud Spencer.

Dizem por aí que não devemos julgar os livros pelas capas, mas seria estúpido se não tivesse feito neste caso. Não, não fui ao engano e só acabei por confirmar aquilo que já desconfiava, é mais um western de fim de época, mal feito, sem piada e ideal para nos embalar no sono. Comigo funcionou… Zzz!

20/10/2015

Mannaja (1977 / Realizador: Sergio Martino)


Em 1977 os westerns italianos já tinham o seu funeral agendado com um sobretudo de madeira bem à medida. Os poucos westerns que viam a luz do dia tentavam revitalizar (sem sucesso) um género cada vez mais moribundo e saturado. Esta fase de descrédito, apelidada de “crepuscular”, foi o golpe de misericórdia neste tipo de produções. Por ironia do destino alguns cineastas como Enzo G. Castellari ou Michele Lupo deram uma nova vida (ainda que muito breve) a este tipo de filmes no final dos anos 70. Sergio Martino também deu um bom contributo com “Mannaja”. Apesar de ter deixado um legado importante noutros géneros cinematográficos, Sergio e o seu irmão Luciano (produtor) conseguiram fazer um western rude, melancólico e violento com muita chuva, muita lama, muita sujidade, muito frio e muito nevoeiro.

Maurizio Merli pronto a disparar

O empresário McGowan é o dono das minas de prata perto de Suttonville, cidade que também controla. McGowan aparenta ser um magnata poderoso mas na realidade é um gigante com pés de barro porque é Voller, o capataz, que mexe todos os cordelinhos. É neste contexto que surge Mannaja, um homem hábil no gatilho e principalmente no uso da machadinha, como o próprio nome indica. Mannaja é um indivíduo com um passado traumático, tal como sugerem os vários “flashbacks” ao longo do filme.

Mannaja também sabe usar os punhos

Os temas principais são a vingança, a traição, a exploração abusiva dos patrões sobre os empregados e o puritanismo radical / fanatismo religioso que culmina em atos violentos contra mulheres. Os irmãos Guido e Maurizio de Angelis dão o ambiente certo ao filme com uma partitura musical muito interessante. Infelizmente esta foi a única aventura do ator Maurizio Merli em westerns porque uma fatalidade não lhe permitiu uma vida longa. Este western-spaghetti crepuscular tem uma aura misteriosa cheia de sombras e escuridão mas também emana luz porque tem qualidade. Não é contraditório; é mesmo assim!



Trailer: