17/12/2009

Il figlio di Django (1967 / Realizador: Osvaldo Civirani)

Il figlio di Django é mais um filme que explora o longo e proveitoso filão de “Django”, aqui com um mote algo diferente do comum, passando a habitual usurpação da famosa personagem para a sua descendência. O argumento do filme resume-se de uma forma simples: Django é baleado pelas costas em frente de seu filho - Tracy. Este ainda que não tenha conseguido ver a cara do assassino consegue ouvir um nome: “Thompson”! O miúdo acaba então por ser resgatado por um velho amigo de Django, que o deixa ao cuidado de uns seus familiares. Os anos passam e a criança torna-se num temível pistoleiro, partindo eventualmente em busca de vingança – condição mínima necessária para o regozijo da maioria dos fãs do género. A busca leva-o à cidade de Topeka, onde acaba por se envolver nas rixas entre duas facções lideradas por ex-companheiros do seu pai. Mas quem será afinal o homem que apertou o gatilho?

A modesta realização de Il figlio di Django ficou a cargo de Osvaldo Civirani, nome responsável por um punhado de westerns-spaghetti de qualidade quase sempre sofrível, tais como Uno sceriffo tutto d'oro ou I due figli di Trinità. E a coisa não começa bem, Civirani arrepia caminho e entrega todos os trunfos nas sequências iniciais, colocando em fundo um revelador tema cuja letra descreve grande parte da intriga do filme. Não existe por aí muita gente que tenha tentado isso, e percebe-se porquê. Toda e qualquer expectativa inicial que se poderia ter é defraudada num momento em que ainda nem sequer aquecemos o sofá! Curiosamente Demofilo Fidani - outro nome também conhecido pelas suas produções despreocupadas - esteve também ligado ao projecto, aqui enquanto responsável pela decoração.


De facto, de um modo geral não há muito que se possa escrever em abono de Il figlio di Django. Desde o fraco argumento (responsabilidade do próprio Civirani em pareceria com Alessandro Ferraù e Tito Carpi), extremamente atabalhoado e confuso nos 30 minutos iniciais do filme; passando pelas intermináveis sequências de tiroteio e terminando na interpretação mediana da generalidade do elenco da coisa, nada de memorável há que registar. No campo das interpretações reconheça-se ainda assim alguns pontos acima da média para Gabriele Tinti (Tracy) que até parece ter sido talhado para este tipo de papel, mas que infelizmente não se voltou a dedicar ao género. Já a estrela da companhia, Guy Madison (protagonista de filmes como Sette winchester per un massacro ou Reverendo Colt), tem aqui uma presença rotineira e sem brilho, o que acaba por ser desculpável tal a curta dimensão do papel que lhe foi entregue - muito pouco aprofundado pela direcção de Civirani.


Apesar de Il figlio di Django ser facilmente metido no saco daqueles filmes absolutamente esquecíveis, serve no entanto como exemplo da quantidade de adaptações que a marca Django teve durante os anos áureos dos "westerns all'italiana"! O filme está disponível em formato DVD através da “subterrânea” X-Rated, o que por si só serve de indicação para qual o público-alvo do filme: Fãs hardcore do género!


Mais duas imagens para vossa consideração:

08/12/2009

Arrivano Django e Sartana... è la fine (1970 / Realizador: Demofilo Fidani)

Em 1970, o imenso balão de oxigénio da indústria cinematográfica italiana proporcionado pelos westerns estava a começar o seu ponto de declínio. Os grandes realizadores do género já tinham lançado as suas obras-primas, as fórmulas estavam mais do que gastas, os orçamentos já não eram tão generosos como anteriormente e, deste modo, o inesgotável filão era afinal esgotável! Surgiu uma nova fórmula apadrinhada por Enzo Barboni, Terence Hill e Bud Spencer, dando origem ao western cómico. Após o enorme sucesso dos filmes da dupla “Trinitá e Bambino” choveram várias cópias mal amanhadas para também encaixar mais dinheiro.

Sartana à espreita!

No entanto, Demofilo Fidani seguiu um caminho distinto. Este realizador tornou-se especialista em westerns de orçamento muito baixo, quase ridículo e inexistente! Assinava as suas obras sob diversos pseudónimos (neste filme foi Dick Spitfire), recorria essencialmente a duplos mas mesmo assim ainda cativou nomes como Klaus Kinski, Gordon Mitchell ou Ettore Manni.

Django e as suas muchachas.

Este Chegam Django e Sartana… e é o fim! é claramente uma produção inferior em termos técnicos. Eu próprio tive uma reacção negativa, quando o vi pela primeira vez em formato VHS há mais de 10 anos, porque estava habituado a produções mais cuidadas. Fidani tentou jogar com a junção de duas personagens carismáticas (e em declínio) do western italiano (Django e Sartana) e talvez isso tenha feito com que os seus filmes não tenham caído no esquecimento total. A história do filme não tem nada de novo: A filha de um rico rancheiro é raptada pelos larápios de Burt Keller (Gordon Mitchell), usando-a como refém para conseguir escapar para o México. Uma grande recompensa é oferecida pela captura dos malfeitores e os caçadores de prémios Django (Hunt Powers) e Sartana (Chet Davis) fazem o que lhes compete, vulgo despachar a vilanagem!

Gordon Mitchell quer papar a bela Simone Blondell.

Na minha opinião, as obras de Demofilo Fidani (Giù la testa... hombre, Era Sam Wallash... lo chiamavano 'Così Sia', Per una bara piena di dollari, etc.) nunca podem ser vistas como material topo de gama mas a intenção nunca foi rivalizar com Leone ou Corbucci. Se o fizesse seria inevitavelmente derrotado. Mas, apesar de tudo, consigo ver alguma magia e humildade neste filme. Eu defendo que os westerns-spaghetti não se resumem única e exclusivamente às obras mais carismáticas e aos orçamentos gordos. Aliás, um fã deve sempre procurar mais informação além da que facilmente lhe é oferecida!

O brasileiro Celso Faria armado em mexicano!

O elenco deste filme é composto por Hunt Powers, Chet Davis, Gordon Mitchell, Ettore Manni, Krista Nell, Simone Blondell e Dennis Colt. A música e a fotografia merecem ser destacados pela positiva. Há edições DVD à venda na Alemanha e na Espanha. Perdi o amor ao dinheiro e comprei a versão espanhola que é simples, agradável e contém o filme no formato 1.85:1. Este western é apenas para pessoal menos exigente ou para quem gosta de produções de série B, como eu. Dir-se-ia que foi uma de muitas tentativas que se fez naquela altura de reacender o entusiasmo pelo sub-género mas, naturalmente, falhou! Quem ficou a ganhar fomos nós porque a obra persiste, independentemente de ser série B, A ou Z.