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21/06/2011

A influência do western americano sobre o western-spaghetti: Rio Bravo (1959 / Realizador: Howard Hawks)


Todos aqueles que seguem atentamente o mundo dos westerns-spaghetti sabem que as ideias que inspiraram muitos cineastas italianos não surgiram do nada. Sabemos também que o western americano era adorado pelos europeus, que chegava ao público através das salas de cinema e da televisão.

Os westerns-spaghetti tiveram o mérito de reinventar o género e toda a sua ideologia. Contudo, a visão romântica americana foi substituída pela visão pragmática europeia, adicionando violência nunca antes vista, sadismo, sexo e muito tiroteio! Eu partilho da visão europeia, obviamente, mas há que dar o seu a seu dono. O western europeu nunca teria existido se os EUA não tivessem produzido westerns.

Para celebrar o 2º aniversário do blogue POR UM PUNHADO DE EUROS decidimos fazer uma homenagem a westerns americanos que serviram de inspiração aos westerns-spaghetti ou que posteriormente se inspiraram no modelo europeu. Para já, eis um texto sobre aquele que considero o melhor western americano da História e verão a importância que este filme teve não só no seu país de origem como na Europa.


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Rio Bravo (1959 / Realizador: Howard Hawks)


O western sempre foi o género americano por excelência. É talvez o género cinematográfico mais antigo da História do Cinema. Howard Hawks defendia que só os americanos é que deviam fazer westerns e John Wayne tinha a mesma opinião. Mas não foram apenas os seus compatriotas que imitaram este modelo de western. Do outro lado do oceano, o velho continente não perdeu tempo e foi beber tanta inspiração da fonte americana até que secou!

“Rio Bravo” foi, inevitavelmente, um enorme sucesso de bilheteira na Europa e no Japão e tudo se resume a esta premissa: O xerife John T. Chance prendeu o assassino Joe Burdette, irmão de um rico rancheiro da região. Para que o prisioneiro seja levado à justiça há que esperar alguns dias pelas autoridades competentes. Chance conta apenas como ajudantes um velho coxo muito chato, um tipo que se desgraçou com o trotil e um jovem pistoleiro com um penteado à Elvis Presley. A cidade de Rio Bravo está encurralada pelos pistoleiros contratados pela família Burdette e a única hipótese é aguentar o cerco o máximo possível!

Vários westerns-spaghetti copiaram este filme ou tiraram diretamente algumas cenas: Em “Johnny Oro” temos o velho ajudante do xerife que nunca se cala; em “Il ritorno di Ringo” o xerife verte a bebida para dentro da garrafa sem que as mãos tremam; a célebre espingarda Winchester de John Wayne faz lembrar a arma que um dos pistoleiros usa na estação de comboios em “C’era una volta il west”; a canção mexicana “Deguello”, que soa ameaçadoramente no ar e que tem a simbologia de canção de morte, inspirou muitas partituras musicais, especialmente as de Ennio Morricone durante os duelos decisivos dos filmes de Sergio Leone.

É, portanto, mais do que justo esta humilde homenagem a um western tipicamente americano mas que involuntariamente ajudou a despoletar uma máquina infernal que produziu centenas de westerns na Europa. Contudo, por mais infernal que a máquina fosse, não podia durar para sempre. Mas não há dúvida que deixou um rico legado! A partir de agora, “Rio Bravo” figura neste blogue porque é importante homenagear a nascente da abundante fonte dos westerns europeus. Há que dar a César o que é de César…

Trailer: