2014/04/01

Djurado (1966 / Realizador: Giovanni Narzisi)

Um forasteiro chega à cidade de Silvermine. Cavalga lentamente pela zona gringa mas sem que se perceba porquê, só pára ao chegar à aldeia mexicana, situada na periferia da cidade. Ao entrar no saloon local é rasteirado por dois gringos de maus fígados, e como se não bastasse do lado de dentro do saloon recebe uma saraivada de chumbo quente, que uma francesa jeitosa disfere. Não estamos perante um grande marco do cinema italiano, e assim sem perder muito tempo, rapidamente nos explicam a existência de uma querela entre a rapariga e o facínora local, Tuncan (Luis Induni). Tuncan para além de estar envolvido numa série de esquemas ilícitos pretende deitar as mãos aos terrenos da francesa - Barbara Donovan - onde hipoteticamente existirá um filão de ouro. E tenta por isso criar um clima de medo que afugente a freguesia do saloon mexicano. 


Inexplicavelmente o forasteiro - que se apresenta como Djurado mas também como "golden poker" - oferece os seus préstimos à garota e rapidamente encena uma cena de pancadaria com os pilantras de Tuncan. O cabecilha não gosta da brincadeira e responde ás provocações com um banho de sangue no rancho dos amigos de Barbara Donovan. Djurado, que demonstra igual habilidade com o baralho de cartas e com o colt, confronta então o malvado Tuncan num ... patético jogo de poker. Tristes ideias a desta gente meus amigos! E enfim, finalmente um xerife é destacado para a cidade e o forasteiro parte para outra. Para azar dele e sorte do agora sonâmbulo espectador, as coisas apimentam-se finalmente e o "golden poker" leva um enxerto de porrada a mando de Tuncan. Não contente, o safado engendra ainda um assalto ao banco da cidade de Dallas, em que convenientemente plantam provas que incriminem Djurado. 


A maior parte dos nossos leitores não se terão provavelmente cruzado nunca com este triste exemplar do western all´italiana, mas se reparem nos fotobustas com que ilustramos esta resenha, notarão algumas parecenças físicas entre este Dante Posani e o malogrado Giuliano Gemma. Razão que desconfio ter sido factor preponderante na sua contratação. Aliás até o pseudónimo usado pelo actor - Montgomery Clark - parece ter sido clonado do «pistolero nazionale» que como se sabe usava também na fase inicial da sua carreira o alias Montgomery Wood. 


Também a história do filme como se entende pelos quiçá demasiado extensos parágrafos anteriores, bebe descaradamente de alguns dos filmes protagonizados por Gemma. É a velha história de um pistoleiro bem intencionado que depois de tramado vai ter de correr a via sacra para se provar inocente. Coisa que vimos fazer muito melhor em "Adios Gringo", lançado um ano antes. Infelizmente para todos nós este "Djurado" é um exemplar bastante pobre, falhando na construção da trama, personagens e afins. Não almejando sequer ter uma fotografia razoável que o fizesse menos penoso ao olhar. E Giovanni Narzisi que chegou a trabalhar como câmara de Mario Bava só voltaria a sentar-se na cadeira de realizador onze anos depois. Sorte a nossa, que provavelmente nos livrámos de mais um quinhão de westerns manhosos!

5 comentários:

  1. Para mim, o realizador é um ilustre desconhecido, o protagonista também (é mais do que óbvio o plágio do nome Montgomery) da mesma maneira que o nome "Djurado" é naturalmente inspirado no inevitável "Django".
    Dir-se-ia que este é o típico western-spaghetti para encher chouriços!

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  2. Saudações companeros

    Realmente um spaghetti de embrulhar o estômago.. Rsrs..o pior que eu já vi.Uma clara tentativa de fazer um spaghetti ingênuo,como a maioria dos estrelados por Giuliano Gemma,e nem o próprio salvaria esse filme de ser um fiasco.Não há nada que se aproveite.E não é o caso de ser um filme de baixo orçamento não,por que Demófilo Fidani com os mesmos recursos teria realizado um filme pelo menos divertido.

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    1. É verdade. O senhor Fidani conseguiu fazer alguns westerns bem mais interessantes que isto.

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  3. Por falar em westerns muito maus há alguns dias revi na RTP Memória a mini-série "Alentejo Sem Lei" e o meu primeiro pensamento foi: "Comparado com estes indivíduos Demofilo Fidani era um génio!"

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