Num dos interregnos entre gravações de “Star Trek”, o canadiano Willian Shatner deixou a Enterprise e rumou até Espanha onde participou nas rodagens deste desconhecido paella western. Shatner interpreta dois gémeos mestiços, Johnny Moon e Notah Moon. O primeiro vive pacificamente entre o «homem branco», já Notah é um bísaro mau como as cobras. Dá-lhe forte no peyote e aparentemente isso fritou-lhe a marmita, atiçando frequentemente a sua tribo comanche contra tudo e todos. Ora, como facilmente se entenderá, as consequências dos seus actos sobram quase sempre para Johnny, que é invariavelmente confundido com o irmão. Um grupo de homens deita-lhe mesmo a mão e oferece-lhe o «aconchego» da corda, mas Johnny escapa de apertos por uma unha negra. Como se percebe a coisa chegou longe demais e o confronto de irmãos torna-se inevitável. Venha então molho!
Se já pesquisaram por “Comanche Blanco” no Google, leram provavelmente coisas como “pior western-spaghetti de todos os tempos” e comentários que tais. Ora, pessoalmente não o achei assim tão mau como isso, ainda que concorde que é um filme imperfeito e chatinho. O que me parece é que a fama de Shatner levou (e leva) a que muito curioso procure e comente o filme. Gente que, na sua maioria, do género pouco mais conhece do que os filmes dos três Sergios, que em caso algum devem ser comparados com esta muito modesta produção.
Localizemo-nos então. O filme data de sessenta e oito, um ano em que os grandes westerns europeus ou já estavam feitos ou estavam prestes a ser lançados. Paralelamente eram colocados no mercado dezenas de westerns com pistoleiros trombudos e implacáveis. Mas aqui e ali, ainda surgiam alguns westerns mais limpinhos, tirados a papel químico do western americano. É neste segundo grupo que se encaixará melhor este “Comanche Blanco”, deixemo-nos por isso de comparações idiotas com Sergio Leone e afins.
Suponho que a fama alcançada por Clint Eastwood com os westerns-spaghetti tenha desbloqueado também a vinda do Capitão James T. Kirk para Madrid, mas quem é que queremos enganar? O andaluz José Briz Méndez, nada tem de Leone e Shatner tem tanta pinta de cowboy como eu tenho de vocalista de uma qualquer banda de glam-rock, argh! O andaluz dirige como pode e sabe mas a coisa não resulta em pleno. A acção é polarizada em torno do «comanche bonzinho», ao ponto de ficar difícil lembrar que existe por ali uma tribo selvagem. Mas o pior pareceu-me mesmo aquela maldita trilha sonora de tom jazzístico! Uma espécie de “Birdman”, versão paella western de 1968. Mas nem tudo é mau, o trabalho de câmara é decente e a raposa velha, Joseph Cotten (Os cruéis), está impecável enquanto xerife de Rio Hondo.
Estranhamente este filme encontra-se à venda em Portugal, esbarrei com ele numa loja da Fnac e como estava a preço de amigo esqueci-me da má fama e decidi traze-lo para casa. A edição é espanhola mas tem áudio em Inglês e legendas em Português, mais um abre-olhos para as editoras portuguesas que ainda não perceberam que estes nichos podem não ter impacto local mas o mercado pode e deve ser encarado como ibérico.
Joseph Cotten e William Shatner emborcam um caneco para acalmar os nervos.
Se já pesquisaram por “Comanche Blanco” no Google, leram provavelmente coisas como “pior western-spaghetti de todos os tempos” e comentários que tais. Ora, pessoalmente não o achei assim tão mau como isso, ainda que concorde que é um filme imperfeito e chatinho. O que me parece é que a fama de Shatner levou (e leva) a que muito curioso procure e comente o filme. Gente que, na sua maioria, do género pouco mais conhece do que os filmes dos três Sergios, que em caso algum devem ser comparados com esta muito modesta produção.
Beam me up Scottie!
Localizemo-nos então. O filme data de sessenta e oito, um ano em que os grandes westerns europeus ou já estavam feitos ou estavam prestes a ser lançados. Paralelamente eram colocados no mercado dezenas de westerns com pistoleiros trombudos e implacáveis. Mas aqui e ali, ainda surgiam alguns westerns mais limpinhos, tirados a papel químico do western americano. É neste segundo grupo que se encaixará melhor este “Comanche Blanco”, deixemo-nos por isso de comparações idiotas com Sergio Leone e afins.
Comanches, rixas entre latifundiários. Muito trabalho para o xerife Logan.
Suponho que a fama alcançada por Clint Eastwood com os westerns-spaghetti tenha desbloqueado também a vinda do Capitão James T. Kirk para Madrid, mas quem é que queremos enganar? O andaluz José Briz Méndez, nada tem de Leone e Shatner tem tanta pinta de cowboy como eu tenho de vocalista de uma qualquer banda de glam-rock, argh! O andaluz dirige como pode e sabe mas a coisa não resulta em pleno. A acção é polarizada em torno do «comanche bonzinho», ao ponto de ficar difícil lembrar que existe por ali uma tribo selvagem. Mas o pior pareceu-me mesmo aquela maldita trilha sonora de tom jazzístico! Uma espécie de “Birdman”, versão paella western de 1968. Mas nem tudo é mau, o trabalho de câmara é decente e a raposa velha, Joseph Cotten (Os cruéis), está impecável enquanto xerife de Rio Hondo.
Cotten não desilude no seu último western-spaghetti.