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16/02/2016

Comanche blanco (1968 / Realizador: José Briz Méndez)

Num dos interregnos entre gravações de “Star Trek”, o canadiano Willian Shatner deixou a Enterprise e rumou até Espanha onde participou nas rodagens deste desconhecido paella western. Shatner interpreta dois gémeos mestiços, Johnny Moon e Notah Moon. O primeiro vive pacificamente entre o «homem branco», já Notah é um bísaro mau como as cobras. Dá-lhe forte no peyote e aparentemente isso fritou-lhe a marmita, atiçando frequentemente a sua tribo comanche contra tudo e todos. Ora, como facilmente se entenderá, as consequências dos seus actos sobram quase sempre para Johnny, que é invariavelmente confundido com o irmão. Um grupo de homens deita-lhe mesmo a mão e oferece-lhe o «aconchego» da corda, mas Johnny escapa de apertos por uma unha negra. Como se percebe a coisa chegou longe demais e o confronto de irmãos torna-se inevitável. Venha então molho!

Joseph Cotten e William Shatner emborcam um caneco para acalmar os nervos.

Se já pesquisaram por “Comanche Blanco” no Google, leram provavelmente coisas como “pior western-spaghetti de todos os tempos” e comentários que tais. Ora, pessoalmente não o achei assim tão mau como isso, ainda que concorde que é um filme imperfeito e chatinho. O que me parece é que a fama de Shatner levou (e leva) a que muito curioso procure e comente o filme. Gente que, na sua maioria, do género pouco mais conhece do que os filmes dos três Sergios, que em caso algum devem ser comparados com esta muito modesta produção.

Beam me up Scottie!

Localizemo-nos então. O filme data de sessenta e oito, um ano em que os grandes westerns europeus ou já estavam feitos ou estavam prestes a ser lançados. Paralelamente eram colocados no mercado dezenas de westerns com pistoleiros trombudos e implacáveis. Mas aqui e ali, ainda surgiam alguns westerns mais limpinhos, tirados a papel químico do western americano. É neste segundo grupo que se encaixará melhor este “Comanche Blanco”, deixemo-nos por isso de comparações idiotas com Sergio Leone e afins.

Comanches, rixas entre latifundiários. Muito trabalho para o xerife Logan.

Suponho que a fama alcançada por Clint Eastwood com os westerns-spaghetti tenha desbloqueado também a vinda do Capitão James T. Kirk para Madrid, mas quem é que queremos enganar? O andaluz José Briz Méndez, nada tem de Leone e Shatner tem tanta pinta de cowboy como eu tenho de vocalista de uma qualquer banda de glam-rock, argh! O andaluz dirige como pode e sabe mas a coisa não resulta em pleno. A acção é polarizada em torno do «comanche bonzinho», ao ponto de ficar difícil lembrar que existe por ali uma tribo selvagem. Mas o pior pareceu-me mesmo aquela maldita trilha sonora de tom jazzístico! Uma espécie de “Birdman”, versão paella western de 1968. Mas nem tudo é mau, o trabalho de câmara é decente e a raposa velha, Joseph Cotten (Os cruéis), está impecável enquanto xerife de Rio Hondo.

Cotten não desilude no seu último western-spaghetti.

Estranhamente este filme encontra-se à venda em Portugal, esbarrei com ele numa loja da Fnac e como estava a preço de amigo esqueci-me da má fama e decidi traze-lo para casa. A edição é espanhola mas tem áudio em Inglês e legendas em Português, mais um abre-olhos para as editoras portuguesas que ainda não perceberam que estes nichos podem não ter impacto local mas o mercado pode e deve ser encarado como ibérico.

02/07/2012

Dos mil dólares por Coyote (1966 / Realizador: León Klimovsky)

Não conheço em profundeza a filmografia western do realizador León Klimovsky, mas do que já vi, têm sido cada tiro cada melro. Neste euro-western, o realizador argentino parece ter tentado mesclar elementos do western clássico americano (com a inclusão do dualismo entre homem branco/índio) e as influências leónicas (com a introdução da figura do caçador de recompensas, omnipresente na vertente europeia do género). Mas deu-se mal, muito mal!

Sam Foster (James Philbrook) fora outrora capitão do exército confederado, mas o pós-guerra tornou-o em mais um caçador de recompensas. A sua feroz profissão levá-lo-á a caçar o irmão da mulher que ama, Jimmy Patterson (Sam Alston). Jimmy não passa de um rapazito idiota que se deixa envolver no assalto ao banco da cidade. O assalto não corre como esperado e ele é reconhecido como integrante do bando de gatunos. A perseguição liderada pelo xerife local é imediata e são os seus associados os primeiros a tentarem passar-lhe a perna. O inexperiente pistoleiro acaba encurralado pelos seus perseguidores, mas Foster surge do nada e abre caminho para a fuga de Jimmy, retendo os homens do xerife. Já no México, Foster captura o rapazote e abate um dos bandidos. Obrigado, Jimmy conduz o caçador de recompensas até ao esconderijo dos bandidos, porém Jimmy lança o alerta aos seus parceiros e é Foster que fica momentaneamente em sarilhos. Mas o rato velho safasse fortuitamente e assim captura o grupo completo. 


O dinheiro do assalto permanece ainda assim refundido, por isso à que procurá-lo. Na sua senda os bandidos acabam por levar Foster para o território de Águia Branca, rebelde índio com quem Foster tivera um breve encontro logo no início da nossa aventura e que mostra laços de associativismo para com o líder da matilha. E é este evento que levará ao “grande” êxtase do filme, o cerco índio! Uma bela lição de como não se devem filmar cenas de acção e de onde sobressai pela negativa, a utilização de uns irritantes e repetitivos gritos indígenas. 

É certo que o argumento do filme é do mais banal que já se viu num western mas nem foi isso que mais me custou engolir nos cerca de 90 minutos de “Dos mil dólares por coyote”. Realmente gritante é a falta de astúcia mostrada por aqueles que empenharam a câmara nesta produção. Os movimentos desta e respectivo posicionamento dos actores são nalguns casos completamente descabidos. Uma coisa de um tal amadorismo que acaba com a veracidade de qualquer cena de acção aqui mostrada. Temos também algumas (muitas) interpretações de nível medíocre, como dizia o outro estes actores são tão beras que nem sabem como morrer. Acreditem que é verdade! 


Outra das coisas que muito me chocou neste filme foi a incapacidade demonstrada no aproveitamento dos cenários naturais espanhóis, que aqui são capturados de uma forma tão penosa que retira todo o realismo que estes habitualmente conferem a este tipo de produção. Na verdade foram bastantes as vezes em que pensei premir a tecla stop e assistir a outra coisa qualquer, mas fui resistindo qual Cristo na cruz e lá cheguei ao fim da coisa. Quem já assistiu a umas dezenas de spaghettis saberá que a maioria dos filmes do género não conseguem superar a classificação de razoável mas até esses têm a competência de conseguirem distrair, noutros casos a soma de todos os podres não conseguem mais do que aborrecer. Conselho de amigo: evitem isto!


Clip: