2013/08/20

W Django! (1971 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Eis o típico western-spaghetti de baixo orçamento que aposta tudo o que tem (e não é muito) na fórmula mais popular de sempre: Django e a sua vingança! Apesar dos westerns italianos estarem em rápida decadência, a produção ainda arriscou fazer mais um filme, no meio de dezenas, protagonizado pelo carismático Django. 

Vedetas como Franco Nero ou Terence Hill eram cartas fora do baralho. Mas o inconfundível Anthony Steffen estava ali mesmo à mão de semear e foi o escolhido. O tema deste filme vai ao encontro do filme original, isto é, Django chega a uma cidade com o intuito de vingar o assassinato da sua mulher. Sabe que o homicídio foi executado por três homens e não descansará enquanto não arrumar o assunto com muitas doses de chumbo no lombo dos adversários! 


A pouco e pouco consegue eliminar todos os obstáculos mas quando Django pensava que a sua vingança estava consumada eis que surge uma terrível revelação! Anthony Steffen encarna o personagem na perfeição. Provavelmente ninguém melhor do que ele consegue transmitir a imagem de um homem misterioso, de poucas palavras, angustiado pelo seu passado conturbado e, mais importante que tudo, disposto a mandar balázios a tudo o que mexe! 


Atrevo-me a dizer que este filme sem Anthony Steffen estava condenado ao fracasso e ao esquecimento (quase) total. Mas, por mais incrível que possa parecer, este western surpreende pela positiva e, tendo em conta que estávamos em 1971 e o auge do subgénero já tinha acabado, o resultado é positivo. Se procuram um western-spaghetti simples e violento vejam este filme. Se procuram algo mais profundo fujam antes que Anthony Steffen saque da pistola e despache toda a gente com uma chuva de balas (sem recarregar, obviamente)!



Mais exemplos do expressionismo típico de Anthony Steffen:




Trailer:

14 comentários:

  1. Realmente este filme é muito bom. Um filme pouco lembrado em meio aos fãs mas ressalto ainda a grande atuação de Stelio Candelli superando-se no personagem Carranza.
    No Brasil esse filme deveria ter outra grande importância por terem no elenco dois brasileiros em uma rara aparição juntos em um Espaghetti Western. Refiro-me à mulata baiana Esmeralda Barros no personagem "Lola". Essas descobertas foram feitas através de pesquisas feitas para o blog www.bangbangitaliana.blogspot.com
    no Brasil.
    Bem relembrado nesse post.
    Parabéns

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  2. Eu não sabia que a Esmeralda Barros era brasileira. Com o amigo Edelzio estamos sempre a aprender!

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  3. Não acho que tenha sido o melhor "Django" de Mulargia mas safa-se no meio de tantos outros.

    Parece que em Portugal estreou sob o titulo "A Vingança de Django".

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://destilo-odio.tumblr.com/

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    1. Vá lá, ao menos deram um título decente a este filme. Em Portugal ainda hoje têm a mania de dar nomes completamente ridículos e que nada têm a ver com o original.

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  4. El spaghetti para mí no pasa de correcto ya que su guión es prácticamente nulo. No obstante se salva por la cantidad de escenas de acción (tiroteos y peleas) bien filmadas por el director, por lo que su visión me resultó agradable.

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    1. También estoy de acuerdo con eso. En Julio estuve algunos días en España de vacaciones y lo estaban pasando en televisión. En Portugal es casi imposible asistir a un western-spaghetti. Una lástima...

      --
      Pedro Pereira

      http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
      http://destilo-odio.tumblr.com/

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  5. Hola Pedro. En Madrid además de en 8Madrid, canal de Enrique Cerezo, se pueden ver spaghettis con regularidad en 13TV e Intereconomía, de tal forma que hay días en los que emiten hasta cuatro o cinco. Un saludo.

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  6. ...Y en Portugal con suerte pasaran los de Leone una vez al año. En las décadas de 80 y 90 existían menos canales de TV pero con bastante regularidad le ponían uno o otro western europeo.

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://destilo-odio.tumblr.com/

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  7. UM HOMEM CHAMADO DJANGO (1971)


    Um verdadeiro abismo de qualidade separa a primeira aventura não-oficial de Django dirigida por Edoardo Mulargia (o péssimo "Django Não Espera... Mata", 1967) de sua segunda incursão por essas veredas, UM HOMEM CHAMADO DJANGO. Apenas quatro anos se passaram, mas é como se as duas obras fossem dirigidas por pessoas completamente diferentes; ou isso, ou Mulargia aprendeu muito sobre técnica cinematográfica e narrativa no período (aliás, neste curto espaço de tempo entre um Django e outro, o sujeito dirigiu mais seis obras diferentes!).

    Não estou dizendo que UM HOMEM CHAMADO DJANGO seja um filmaço, muito menos que figura entre os melhores "sotto-Djangos" daquele áureo período do western spaghetti. O que mais salta aos olhos ao final do filme é a notável evolução no trabalho do diretor Mulargia em comparação a "Django Não Espera... Mata", já que esta sua segunda aventura do personagem é muito mais movimentada, violenta e principalmente DIVERTIDA do que a anterior.



    Se lá em 1967 Mulargia havia desperdiçado um adequado Ivan Rassimov numa trama soporífera e cheia de reviravoltas, personagens e complicações desnecessárias, dessa vez ele se atém ao básico: o roteiro de Nino Stresa requenta aquela velha e manjada trama de vingança, inclusive retomando as origens do personagem no "Django" de Sergio Corbucci: aqui também o herói está em busca dos assassinos da sua esposa.

    A diferença é que enquanto no filme original havia um único assassino (o Major Jackson), aqui são quatro os homens responsáveis pela morte da pobre mulher - apenas morte, mas sem estupro, ao contrário do que informam algumas fontes desavisadas. Esta é a cena que abre o filme, e há um mistério envolvendo a atriz não-creditada que aparece rapidamente interpretando a esposa do herói (há quem jure que trata-se de Ida Galli, famosa mocinha dos westerns de Giuliano Gemma, mas tudo não passa de especulação).



    Como Django estava fora de casa no momento do crime (na guerra?), ele agora precisa resgatar um ladrão mexicano de quinta categoria, Carranza (Glauco Onorato), o único que conhece a identidade dos assassinos. Juntos, eles partem em busca da vingança, este tema tão comum no universo do western spaghetti.

    É claro que não será nada fácil: aqueles bandidos pé-de-chinelo e assassinos de esposas de um ano atrás agora viraram militares corruptos, poderosos traficantes de armas ou grandes reis do crime como Jeff (Chris Avram, o arquiteto do clássico "Banho de Sangue", de Mario Bava), que controla uma cidade inteira com sua quadrilha. E embora Django busque vingança contra apenas quatro homens, o filme ironicamente termina com uma contagem de corpos estratosférica!

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  8. UM HOMEM CHAMADO DJANGO não é apenas o segundo "sotto-Django" do diretor Mulargia (novamente assinando com seu tradicional pseudônimo americanizado, "Edward G. Muller"), mas também a segunda vez que o astro mezzo italiano, mezzo brasileiro Anthony Steffen interpreta o anti-herói do título, depois do superior "Django, O Bastardo" (1969), de Sergio Garrone.

    Pouca gente se dá conta, mas, depois de Franco Nero, Steffen foi o ator que mais ficou marcado como Django, mesmo que um não-oficial. Além destes dois filmes em que ele encarnou personagens que efetivamente são chamados de Django em algum momento da narrativa, Steffen também estrelou vários outros westerns cujos títulos foram posteriormente alterados (principalmente na Alemanha) para se transformar em aventuras de Django, mesmo que os personagens principais tivessem outros nomes. Logo, se contabilizarmos também esses "falsos Djangos", o astro com sangue brasileiro interpretou o famoso pistoleiro em nada mais nada menos de sete filmes! Nada mau...



    Se em "Django, O Bastardo" o velho Antonio De Teffé (nome de batismo de Steffen) compôs um personagem calado, misterioso e fantasmagórico, aqui em UM HOMEM CHAMADO DJANGO ele mostra que também pode ser versátil (apesar de notório canastrão), interpretando seu segundo Django de uma forma completamente diferente, dessa vez fanfarrão e engraçadinho, inclusive usando divertidos artifícios para despachar seus desafetos.

    Perceba que o filme de Mulargia é de 1971, época em que o western spaghetti tentava se reinventar apelando para o cômico, o burlesco e o absurdo. No ano anterior, "Trinity é o Meu Nome", de Enzo Barboni, foi um grande sucesso de bilheteria apresentando as palhaçadas de Terence Hill e Bud Spencer no Velho Oeste (eles já tinham feito outros filmes antes, mas sem a mesma repercussão). E diretores como Giuliano Carnimeo passaram a explorar esta fórmula até cansar, criando personagens cada vez mais cartunescos e absurdos, tipo o Aleluia vivido por George Hilton em dois filmes.





    Esse contexto da época talvez explique as fanfarronices e gracinhas de UM HOMEM CHAMADO DJANGO, que nunca se decide entre ser uma história séria sobre busca de vingança ou uma comédia escrachada.

    Algumas cenas até parecem ter saído de um desenho animado, como aquela em que um sujeito joga uma banana de dinamite em Django. Calmamente, nosso herói pega a bomba e usa a chama do pavio para acender seu cigarro. Depois, quando ela está para explodir, ele atira de volta contra seu agressor, explodindo-o, mas não em pedacinhos: no momento seguinte vemos a vítima inteirinha, apenas meio atordoada, soltando fumaça e com o rosto e as roupas chamuscadas pela explosão! Só faltava escrever "Indústrias Acme" na banana de dinamite para ficar mais cartunesco...





    Django também usa uma série de truques sujos e cômicos dignos de Trinity, Aleluia, Espírito Santo ou Trissete (os principais pistoleiros engraçadinhos do western spaghetti), e bem diferentes de esconder uma metralhadora num caixão, como fez no original. Para salvar Carranza da forca, por exemplo, ele se veste de monge e pede para um dos seus inimigos segurar uma vela - na verdade, uma banana de dinamite!

    Mais além, o herói se esconde atrás de um cadáver para atirar nos companheiros do finado (colocando um dos seus braços no lugar do braço do desencarnado!), e até usa um braço falso para fingir que está desarmado, quando na verdade esconde o verdadeiro, com a arma em punho, por baixo do casaco! Coincidência ou não, Johnny Depp usa o mesmo artifício em "Era Uma Vez no México", de Robert Rodriguez, feito mais de 30 anos depois.

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  9. Steffen não é o único nome conhecido para os fãs de western spaghetti. Seu parceiro em cena, Glauco Onorato, foi um grande dublador nas versões em italiano de filmes gravados em inglês, e bastante conhecido como a "voz italiana" do grandalhão Bud Spencer nas primeiras obras do ator.

    Também aparecem Benito Stefanelli, figurante em quase todos os westerns mais importantes do período ("Por um Punhado de Dólares", "O Dólar Furado", "Três Homens em Conflito", "Era Uma Vez no Oeste", "Quando Explode a Vingança"...), Riccardo Pizzuti (um habitué nas aventuras de Terence Hill e Bud Spencer) e a linda Simonetta Vitelli, filha do diretor Demofilo Fidani, novamente usando seu pseudônimo americanizado "Simone Blondel". Momento Nelson Rubens: consta que Simonetta se apaixonou por Steffen em meio às filmagens, mas o galã pulou fora porque ela era muito jovem (uma famigerada "chave de cadeia").



    Como já acontecera com várias outras imitações anteriores de "Django", esta também reaproveita mais elementos da "Trilogia do Dólar", de Sergio Leone, do que do filme original de Corbucci. Por exemplo, o herói leva uma caixinha de música com a foto da esposa assassinada, que lembra muito o relógio com a foto da irmã morto de Lee Van Cleef em "Por uns Dólares a Mais". E Django salva Carranza de ser enforcado no último segundo, atirando na corda estendida, como Clint Eastwood fez com Eli Wallach em "Três Homens em Conflito".

    O próprio relacionamento de amor e ódio entre Django e Carranza lembra uma versão podreira dos personagens de Eastwood e Wallach naquele clássico de Leone, e os créditos iniciais são com vinhetas coloridas à la Leone, embora aqui o diretor use imagens do filme em negativo, ao invés de desenhos, como nas aberturas da "Trilogia do Dólar".




    O engraçado é que tanto o diretor Mulargia quanto o roteirista Stresa parecem ter um mínimo de conhecimento do filme de Corbucci, já que volta-e-meia também o citam: Steffen entra na cidade a pé e carregando sua sela numa longa cena inicial que lembra Franco Nero caminhando e arrastando seu caixão na abertura de "Django" (ou seja, em nenhum dos filmes o herói conta sequer com um cavalo), e um dos assassinos procurados pelo herói também é major, como o Major Jackson do original.

    Mas a inspiração em Leone é tão mais evidente que, ao gravar a versão em inglês dos diálogos de UM HOMEM CHAMADO DJANGO, os dubladores não resistiram e fizeram uma brincadeira de cinéfilo: na já citada cena em que Django joga a dinamite num inimigo, o herói depois comenta "Este truque vale um punhado de dólares", em diálogo inexistente na versão original em italiano!

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  10. Mas, apesar das piadinhas e absurdos, não se engane: em número total de mortos, esse é um dos títulos mais violentos da "série"! Franco Nero matava 95 inimigos em "Django", que tinha uma contagem de cadáveres geral entre 138 e 163 vítimas (as fontes variam e eu que não sou louco para contar).

    Em comparação com Nero, nosso representante "quase brasileiro" no universo do personagem faz bonito: entre os mais de 90 exterminados em UM HOMEM CHAMADO DJANGO, significativos 57 desencarnam graças ao implacável Django - exato, aquele que só queria se vingar de QUATRO HOMENS! Não perca as contas: ele matou "apenas" 15 vezes isso! Menos mal que Mulargia nos relembra da verdadeira missão do protagonista ao fazê-lo abrir a caixinha de música da esposa diante dos cadáveres dos seus assassinos...




    O roteiro de Stresa tenta uma reviravolta bem batida no ato final, quando descobrimos que Carranza na verdade era o quarto homem entre os assassinos da mulher de Django, obrigando o herói a duelar contra seu próprio companheiro. Na verdade não é nenhuma surpresa, pois há evidências nada discretas disso ao longo do filme (como quando Carranza mata um dos seus ex-cúmplices antes que ele possa revelar toda a verdade a Django).

    Felizmente, o conflito é resolvido de maneira eficiente e sem frescura: (SPOILER) sem sequer dar uma chance para que o ex-parceiro se defenda, Django dispara quatro tiros contra ele após pronunciar um melancólico "Adios, amigo", esquecendo que ambos passaram por diversas aventuras juntos ao longo do filme! A cena é bem legal, usando freeze-frames do bandido se contorcendo a cada disparo. (FIM DO SPOILER)




    Mas não se engane: Mulargia não é um Leone, nem sequer um Corbucci, e UM HOMEM CHAMADO DJANGO sofre, em diversos momentos, com as bobagens típicas do diretor. Além da indefinição entre ser comédia ou filme sério, há problemas técnicos graves - embora nada tão absurdo quanto a casa sem telhado do anterior "Django Não Espera... Mata", lembra?

    Repare, por exemplo, no bonecão vagabundo que se estatela no chão, e que deveria ser uma pessoa (foto abaixo). Ou na cena em que Carranza amarra diversas bananas de dinamite numa roda de carruagem e põe a dita cuja para girar, mas ela simplesmente explode a alguns metros sem atingir nada de importante ou matar nenhum inimigo!

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  11. E mesmo que não tenha todas aquelas incompreensíveis tramas secundárias do anterior "Django Não Espera... Mata", a narrativa acaba perdendo tempo com personagens e situações completamente desnecessárias, como aquela envolvendo o dono do saloon e sua esposa infiel (interpretada pela brasileira Esmeralda Barros, em pequena e apagada participação, depois de ter sido uma vilão com bastante tempo em cena no anterior "Django Contra 4 Irmãos").

    Felizmente, essas bobagens não comprometem a diversão, já que Mulargia dirige o filme com o pé no acelerador, saltando rapidamente de uma cena de ação para outra, e colocando até um velho calhambeque numa cena para fazer o contraste entre o "Velho Oeste" e o "Novo Oeste" (como Sam Peckinpah já havia feito, de forma bem mais eficiente, no clássico "Meu Ódio Será Sua Herança").



    Agora, uma coisa que eu até hoje não consigo entender - e nenhum site ou fórum de discussão sobre western spaghetti se preocupou em explicar - é o título original do filme, "W Django!". O que diabos significa esse "W"? Será que ficaram sem inspiração para títulos genéricos e colocaram simplesmente uma letra qualquer para diferenciar do "Django" de Corbucci? Por que não "A Vingança de Django"?

    Em outros países, como o Brasil, a obra foi sabiamente rebatizada como "A Man Called Django". Mas, para aumentar a confusão, algumas distribuidoras novamente o rebatizaram como "Viva Django!", ignorando que por esse título já era conhecido o anterior "Preparati la Bara", de Ferdinando Baldi (estrelado por Terence Hill). Por isso, é muito fácil baixar um filme e descobrir que na verdade é o outro!



    É curioso constatar que UM HOMEM CHAMADO DJANGO é o último "sotto-Django" da chamada Era de Ouro do western spaghetti. Tudo bem, Demofilo Fidani lançou "Uma Balada para Django" no ano seguinte, mas esta é basicamente uma colagem de filmes antigos; e a única sequência oficial do clássico de Corbucci, "Django, A Volta do Vingador", foi feita nos anos 80, quando o sub-gênero já estava morto e enterrado.

    Ao longo dos anos 70, a injeção de humor e exagero nos westerns da Terra da Bota acabou espantando uma boa parte do público que gostava daqueles filmes mais sérios e violentos. Em suma: não havia mais espaço para Djangos, oficiais ou imitadores. A partir de 1971, piadistas como Trinity e Aleluia tomaram conta do western spaghetti, mas felizmente os produtores tiveram a decência de aposentar Django antes de também transformá-lo em herói engraçadinho.

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  12. fonte:
    texto do Felipe Guerra
    in:[ http://filmesparadoidos.blogspot.com.br/2013/04/um-homem-chamado-django-1971.html ]

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