2011/11/08

Os spaghettis da minha vida | LeMarc @ Sarrabulhada Cult


Mais um mês e mais uma participação na rubrica mais democrática do nosso cantinho. Desta vez lançamos o retpo ao amigo brasileiro LeMarc do blogue Sarrabulhada Cult, que agora partilha connosco a lista dos seus eurowesterns favoritos!

Quando o Por Um Punhado de Euros me fez o convite para participar da rubrica os Spaghetti da minha Vida, confesso que fiquei, ao mesmo tempo que feliz, um pouco vacilante se respondia positivamente a tão ilustre chamado. É que, diferentemente do Pedro e do Emanuel, e de alguns outros competentíssimos amigos do ciberespaço que discutem os eurowesterns, meu conhecimento sobre o assunto é bem modesto, coisa de cinéfilo iniciante. Em que pese, entretanto, meu conhecimento razoavelmente limitado do assunto, não podia desperdiçar tamanha honra de figurar ao lado de tanta gente boa no tema, amigos com quem tenho aprendido muito acerca do assunto, e, ainda, num site de que sou grande admirador.

Minha história com o eurowestern (sempre o chamei assim, pois não gosto muito do termo spaghetti western) é bem diferente da de alguns dos amigos que já participaram da rubrica, mas minha afeição por ele também é demasiado grande. Ela começa quando, na década de 80, após o ocaso do subgênero, quando eu, em muito tenra idade morava em uma cidade bem interiorana mesmo. Cinema lá era por temporada, durava uns dias e depois arribava ou acabava. Os filmes que lá se exibiam eram basicamente de ação (western, artes marciais, além dos “clássicos” pornográficos); ora, com a pouquíssima idade, eu não tinha a menor chance de frequentar aquele ambiente que me parecia mágico, e naqueles horários. Meus irmãos de mais idade e seus amigos é que frequentavam e chegavam contando muitas histórias. Os westerns italianos duravam semanas nas conversas, e eu ali, acompanhando e louquinho pra ir ver na telona.

Eram histórias de caixões sendo arrastados pela cidade, de padres exímios pistoleiros, entre muitas outras. O cinema da cidade fechou, o eurowestern praticamente acabou e eu, enfim, perdi aquelas exibições tardias do que viria a ser, posteriormente, a minha maior paixão no cinema, em se tratando de gênero. Perdia então as exibições, mas nunca esqueceria de que precisava um dia ver tudo aquilo de perto, tudo que apenas imaginava, regado àquelas maravilhosas músicas que eu ouvia nas volantes e do lado de fora do cinema. Enfim, o tempo passou e quando surgiu a mídia DVD eu pude finalmente realizar, com alguma qualidade, meu desejo de conhecer aqueles filmes da minha infância. Não deu outra: me apaixonei pelo estilo, pela criatividade, pela música, por aquelas personagens exóticas e suas histórias extraordinárias.

Continuo vendo tudo que posso do gênero, apesar de ser difícil encontrar no Brasil edições dignas dos filmes, fruto de desconhecimento e preconceito de muita gente ignara. Portanto, diante do carinho que eu tenho com esses filmes, não é tarefa nem um pouco fácil escolher alguns que se sobressaem por algum motivo. De qualquer modo, como a tarefa é mesmo essa, vamos a ela. A minha escolha segue a proposta da rubrica, e não se baseia unicamente em critérios de qualidade técnica ou artística, o que daria algumas posições importantes ao mestre Leone. É, portanto uma seleção dos filmes que quando assisti me reportaram por alguma razão, às vezes inexplicável, a momentos muito queridos da minha infância, com pessoas e coisas muito representativas. Vamos a ela:


Os 10 favoritos:

01 | Per un pugno di dollari | Sergio Leone | 1964

Este é muito conhecido, não há muito a dizer. Onde e quando tudo começou. Leone define aí as linhas básicas da nova estética que nascia. Era a renovação do western, que já se acreditava, à época, sem qualquer fôlego. Os italianos, em especial, provaram o contrário. Personagem que mais gosto no gênero: o homem sem nome, sem destino, desolado, vagando pelo mundo e tendo como única regra a sobrevivência a qualquer custo. É clássico!


02 | Il grande silenzio | Sergio Corbucci | 1968

Amoral. Extraordinariamente realista. Crítico e revoltante. Não há dúvida: nunca Trintignant fez outro filme tão maravilhosamente. A cena do bar em que ele “cospe” no copo de Klaus Kinski é fenomenal. O mundo funciona por outros caminhos. As linhas que se cruzam não obedecem a um traçado predefinido. Vêm de toda e qualquer direção. O ambiente desolador, espetacularmente branco, e frio como a morte, coadjuvam para tornar este um dos maiores clássicos do cinema western mundial. Seguramente.


03 | Django | Sergio Corbucci | 1966

Este é outro filme obrigatório do gênero. Franco Nero interpreta o pistoleiro solitário, que entra arrastando um simbólico caixão, em uma cidade literalmente mergulhada na lama, seja a do barro, seja a do racismo. Sem deixar muito claras suas motivações, Django investe contra o bando dos lenços vermelhos e dos mexicanos, libertando a cidade da opressão. As interpretações são excelentes, com destaque para Franco Nero. O filme consegue manter o ritmo numa crescente, tendo apenas uma pequena variação no episódio com os mexicanos, chegando, por fim, ao clímax, com o espectador vidrado na tela. Sucesso merecido!


04 | Il mio nome ès Nessuno | Tonino Valerii | 1973

“Você conhece alguém mais rápido do que ele? Ninguém!”. "Il mio nome è Nessuno" conta a história do fascínio de um jovem pelas lendas do oeste, e do western, especialmente materializado na figura de Jack Beauregard, vivido pelo lendário Henry Fonda. O filme é um réquiem em forma de comédia; algo inusitado, que nos mostra com ternura o fim de uma época, e que é preciso seguir em frente. A mistura perfeita entre o cômico e a doçura, exposta sobretudo na relação entre seus protagonistas. Me lembra Chaplin, o artesão maior desta peripécia. Este merece uma edição de alto nível, que nunca apareceu em solo brasileiro.


05 | Keoma | Enzo G. Castellari | 1976

Outro filme obrigatório do gênero. Keoma é o mestiço que se vê perseguido pelos próprios irmãos de criação, que invejam suas qualidades e habilidades. Ao som de uma belíssima trilha sonora dos irmãos De Angelis, esta aventura faz referências ao sobrenatural, a questões cristãs, ao racismo e à família. O personagem também é tipificado como uma espécie de pistoleiro hippie, que usa cabelos longos e mostra a barriga. Como disse antes, gosto ainda porque Keoma é mais um do time dos pistoleiros solitários e soturnos a vagar, mas positivamente lutando contra as injustiças.


06 | Una Pistola per Ringo | Duccio Tessari | 1965

Falar de eurowestern é falar obrigatoriamente de um capítulo chamado Giuliano Gemma. Gosto muito dos seus filmes, sobretudo porque são bons para assistir em família. Não há quem não simpatize com aquele sujeito boa pinta, carismático, acrobático, com suas intermináveis lutas, que às vezes me tiram um pouco a paciência, mas, das quais não ouso fugir, por esperar sempre algo inusitado. "Un Dollaro Bucato", "I Giorni Dell 'Ira", a pistola e o retorno de "Ringo", é muita coisa legal a dificultar o tirar um. Mas esse "A pistola de Ringo" tem algo que me toca em especial. O fato de o diretor ter construído praticamente toda a história, partindo da reunião forçada de um grupo de pessoas num ambiente um tanto claustrofóbico, o que me recorda Hangman's Knot, com Randolph Scott, criando uma espécie de thriller western; a música deliciosa, o duelo final; enfim, é um filme capaz de ser popular sem deixar de ser muito bom.


07 | Django il bastardo | Sergio Garrone | 1969

Um ator cujos filmes me agradam muito, e que não poderia faltar nessa lista, é o ítalo-brasileiro... Anthony Steffen. Talvez, entre seus filmes o mais interessante seja esse Django, o bastardo. Confesso que, se tem algo que não gosto nesse filme, é o título. Deveria ser outro. Filme com tom sobrenatural. Django surge como um fantasma a assombrar um grupo de combatentes de guerra que o traiu. O ritmo da ação de Django, o simbolismo empregado, a performance do insano Luke (...) e todo o requinte do trabalho de câmera e de luz, ou de sombras, para ser mais preciso, fazem deste Django um filme de terror/western diferenciado.


08 | Da uomo a uomo | Giulio Petroni | 1967

Um destino traçado de muito cedo. Ainda garoto, Bill, assiste a uma cena que vai mudar toda a sua vida: a violação e o extermínio de sua família. Anos mais tarde, Bill conhece um experiente pistoleiro, Ryan, vivido, com a costumeira competência, por Lee Van Cleef, e ambos saem à caça do bando que assassinara a família daquele. Vivendo atormentado pelas lembranças Bill vai aos poucos conseguindo descobrir os autores do massacre. Mas o que ele não suspeita é que Ryan fora do mesmo bando facínora. A história então caminha pondo-os de frente, "Da Uomo a Uomo". Entre outros motivos, gosto deste filme especialmente pelo que explora a relação entre os dois protagonistas. Em certo momento, tomando consciência da sua condição, Ryan diz: “Eu estava pensando. Queria ter um filho como você.”. Enfim, uma relação cheia de intempéries, que fecha o ciclo perfeitamente no último instante da película.


09 | Blindman | Ferdinando Baldi | 1971

Para um amante do eurowestern, nada supera essas gostosas invencionices que o gênero se permitiu criar. Um exímio pistoleiro: cego. Movendo-se pelo oeste. Conversando com seu inseparável companheiro: o cavalo, e pra completar, para resgatar um grupo de belíssimas mulheres. Coisas assim fazem do eurowestern um, nada convencional e divertido, modo de misturar ficção e realidade.



10 | I vigliacchi non pregano | Mario Siciliano | 1968

Acho também este "I vigliachi non pregano" muito pouco reconhecido. Trata-se de um pequeno ensaio sobre a lei e a justiça. Com uma excelente trilha sonora, e visualmente muito bem realizado, ele conta a história de Bryan, que tem a esposa violentada e sua casa incendiada pelo exército da União. Após ser resgatado por Daniel, ele se torna um bandido impiedoso. Daniel, por sua vez, segue outro caminho, o da legalidade. Entretanto, eventos conduzem ambos para posições opostas. No final, Daniel, que defendia a lei e a justiça, abandona-as, após Bryam oferecer-lhe dor comparável à sua. O final, com a fuga pelo deserto e o duelo estilizado dentro do túnel abandonado, fecha o filme com chave de ouro.



Joker: O encontro de duas lendas do western. Já vale ver.

Diamante Lobo | Gianfranco Parolini | 1976

Dizem que, ao realizar "Diamante Lobo", Lee Van Cleef já estava cansado, e, em suma, não convenceu. Bem, à margem disso, tenho certa atração pela película; Johnny, o garoto, é uma história à parte. Filho de um bastardo que lhe legou apenas a coragem, mas não o caráter; a história dos irmãos gêmeos; o fascínio do garoto por seu preceptor, lembrando Shane, e por aí vai.



A evitar:
Nem roteiro, nem humor. Patético!

Lo chiamavano Tresette... giocava sempre col morto | Giuliano Carnimeo | 1973

Para mim, agora vem a parte mais difícil: escolher um eurowestern de que não goste mesmo. Talvez Fidani fosse a escolha mais natural para ocupar este posto, entretanto, embora tenha visto pouco do seu trabalho, diferentemente da grande maioria, gosto do seu gênio criador. Para mim, há algo em Demofilo que só se encontra em Leone, e em ninguém mais. Outro ponto é que sendo eurowestern eu consigo assistir até filmes que não considero bons. Vai aí, pois, um tipo de conselho que, creio, nenhum aficionado do gênero costuma seguir. Dos eurowesterns que vi, é o de que menos gostei, embora seja até bom tecnicamente. Ele embarca na onda do cômico, mas resulta num fracasso, de onde só se salvam a música e uma ou outra graça.

28 comentários:

  1. Queria apenas fazer notar que o LeMarc foi o primeiríssimo dos nossos convidados a fazer notar o valor de "I vigliacchi non pregano", um western bastante interessante. Se calhar até é o meu favorito de todos os que Gianni Garko protagonizou, um grande vilão.

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://auto-cadaver.posterous.com

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  2. A sua história referente ao cinema na sua cidade aqui no Brasil, não é muito diferente da minha e tão pouco de muitos outros amigos nossos, que mal tinham dinheiro para assistir uma sessão mensal.
    Mas graças a Deus ainda temos tempo, saúde e podemos recompensar ainda hoje podendo assisti-los realizando os nossos sonhos de infancia e adolescencia pobre.
    Diga-se de passagem muito bom gosto para o Top 10 do Emanuel e Pedro do Euro-Western.
    No filme "A evitar" como é conhecido aqui você indicou (Um Homem Chamado Invencível)“LO CHIAMAVANO TRESETTE... GIOCAVA SEMPRE COL MORTO”
    Será que o Emanuel não ficou bravo com você?
    Pois este filme mesmo sendo ruim tem a presença de George Hilton e do ator português Chris Huerta, memorável nos Espaghettis Comédia.
    Brincadeira...
    Parabéns LeMarc
    www.bangbangitaliana.blogspot.com

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  3. Esta é, sem dúvida, uma lista de filmes excepcionais. Porém, não acho que "Lo chiamavano Tresette... giocava sempre col morto" seja um filme "a evitar". Apesar de seus exageros, o filme tem seus trunfos. Por exemplo, sua trilha sonora, que mesmo sendo um pouco animada, é muitíssimo agradável. Sobre a atuação de George Hilton não é preciso nem comentar (adoro aquele ar cínico). Como já faz algum tempo que eu assisti esse filme não me lembro de muitos detalhes, mas uma coisa da qual não me esqueço é de uma caixinha que, se não me engano, tinha algumas funções, e em um certo momento tocava uma musiquinha. Encantador. "Lo chiamavano Tresette... giocava sempre col morto" talvez seja um tanto ridículo, mas merece ser visto.

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  4. Edelzio, depois de toda a discussão sobre a opção do Barrenha, no mês passado, só faltava eu começar dando um fora com os meninos do Punhado. Mas, tranquilo, claro que eles sabem que eu falei do filme, não do Huerta, que, inclusive, é um ator inesquecível no ciclo. Quanto ao George Hilton, uma coisa que sempre me chamou atenção: gosto muito dele como ator, tem filmes maravilhosos, e acho que ele tinha tudo para ser maior do que foi no ciclo western europeu, mas tem uns filmes abaixo da média, como o citado, embora ele não se saia mal.
    Essa também foi pra mim a escolha mais difícil. Acho que vou reassistir o filme, pois talvez eu tenha prestado menos atenção a ele do que deveria; talvez tenha faltado mais boa vontade de minha parte com ele.
    Abraço!

    LeMarc

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  5. O amigo LeMarc contribuiu com uma bela lista com opiniões muito bem fundamentadas. Conheço todos os filmes exceto o Joker e o filme a evitar. Aproveito para dizer que a ideia de BLINDMAN não foi original. Trata-se de uma adaptação de um filme japonês em que o protagonista é um samurai e também é um exímio lutador cego.

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  6. Tenho lido muitos comentários de fãs brasileiros que falam sobre a má qualidade dos DVD no Brasil, especialmente nos westerns. Muitos deles com má qualidade de imagem e no formato incorreto. Acredito que os fãs se sintam frustrados com isso.
    Os DVD de westerns-spaghetti em Portugal são escassos e muito caros.
    Contudo, eu tenho a possibilidade de encomendar DVD de outros países europeus, que editam muito mais, com melhor qualidade e muito mais baratos!

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  7. Com certeza. O eurowestern e o filme de samurai têm muita ligação e semelhanças, e o Kurosawa, p.e., aparece até a contragosto no western por meio de outras mãos.
    Elmanuel, aqui no Brasil, para ser justo, aparecem edições muito boas desses filmes modernos, cheios de CGI, entre outros, mas quanto o assunto é clássicos, ou um gênero bem específico como o western, a coisa muda. Oferecem-se, na maioria, edições ruins. Isso prejudica que novas pessoas descubram o gênero. Imagine alguém assistir pela primeira vez um eurowestern com imagem embaçada, cortada (nos dois sentidos), com o colorido totalmente esmaecido e trilha sonora incompleta ou modificada. Quando isso acontece, a primeira impressão é devastadora e talvez esse alguém chegue a uma conclusão precipitada sobre o gênero e o abandone. Eu, particularmente, chamo a esse tipo de DVD de DVD Pirata, mas com a anuência das autoridades. Mesmo assim, agradecemos os esforços de algumas empresas um pouco melhores que pelo menos têm publicado no setor.

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  8. Na verdade acho que a escolha do filme a evitar é bastante acertada. Não nego que sou grande fã do George Hilton, mas alguns dos filmes apalhaçados que fez com o realizador Giuliano Carnimeo são completamente idiotas. Falo sobretudo dessa saga dedicada a "Tresette". E neste aqui acho que nem a presença do nosso portuga Crisanto Huerta (esse grande balofo do western europeu) safa a coisa!

    Por outro lado a personagem "Aleluia" - da mesma equipa Hilton/Carnimeo - é para mim um dos grandes momentos do género. Mesmo com toda aquela paródia, a vilanagem vai provando chumbo quente. Prefiro essa miscelânea de sátira e morte que o modelo "Trinità", em que as pistolas raramente são disparadas com intenção de matar.

    Quanto a essa questão dos lançamentos de fraca qualidade, estou com o Emanuel. A única hipótese é informar-se previamente do material que está disponível e comprar via internet. Algumas editoras europeias como a Koch (alemã) ou a Impulso (espanhola) têm catálogos impressionantes, que se conseguem encontrar a bons preços em sites como a Amazon.de/.it/.es/.com/.fr ou até no HMV.co.uk.

    --
    Pedro Pereira

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  9. Rapaz, eu gostei da lista, bastante alternativa, em alguns pontos; mas não gostei do primeiro lugar. Nossa, você gostou mais de Per un pugno di dollari que de C'era una volta Il West? Estou impressionado!

    Abs! o/

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  10. Gostei da lista muito boa, ms curiosamente até achei piada ao "Tresette" é daquelas coisas va-se lá saber.
    Como o LeMarc também eu fiquei fascinado pelo SW quando criança, mas eu tive mais sorte e cheguei mesmo a ver alguns filmes.
    Não sei mas com boa ou má qualidade, agora é tão facil ter acesso a muitos filmes, por isso eu ainda valorizo muito a minha colecção de VHS e alguns Betamsx, não era facil adquiri os mesmos, muito sacrificio nessa colecção de que muito me orgulho.

    Abraço

    Vitor Louçã

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  11. O leitor de VHS lá de casa pifou um dia e as muitas dezenas de K7s acabaram por ser ensacadas e oferecidas a um conhecido dos meus pais. Não tinha muitos spaghettis diga-se, por isso não fiquei com pena na hora do adeus.

    --
    Pedro Pereira

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  12. Caro Víctor Ramos, entendo seu espanto. Concordo com você que C'era una volta il west" é mais filme, se é que posso dizer assim, do que Per un pugno di dollari. Na verdade, para mim, o maior western de todos os tempos é C'era una volta il west. Acho que até disse algo no texto inicial sobre os filmes de Leone. Mas aqui, a escolha foi uma questão mais pessoal, mais daquilo que me faz sentir o eurowestern e seu imaginário como parte da minha história.
    Não sei se expliquei.
    Grande Abraço!
    LeMarc

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  13. Caro Vitor Louçã, realmente o VHS tem seu charme, assim como o disco de vinil, entre outras coisas que têm ficado obsoletas com esse ritmo frenético de desenvolvimento tecnológico. O que eu, particularmente não gosto muito é da qualidade do material. Andei perdendo filmes nas célebres "engolidas de fitas"; para campos magnéticos, etc. Isso sempre me chateou um pouco, mas acho maior barato quem consegue cuidar disciplinadamente de uma bela e rara coleção de fitas, que guardam parte da memória de uma época. Já fico pensando como nossas coleções de dvds estarão em alguns anos.
    Quanto ao Tresette, esse não me agradou mesmo, mas, veja isso, o guardo com todo carinho.
    Grande abraço!
    LeMarc

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  14. É verdade os SW são como as mulheres mesmo aquelas mais...menos interessantes visualmente, no fundo tem sempre alguma coisa que agrada, e desculpem o comentário machista, mas que se lixe o polticamente correcto.

    Abraço

    Vitor Louçã

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  15. Quando o bichinho está lá, o que reina é a vontade de ver tantos quanto possível. Bons ou maus, nem interessa.

    --
    Pedro Pereira

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  16. A justiça finalmente foi feita e alguem enxergou "I vigliacchi non pregano" ou "Cowards don't pray" ou "The taste of vengeance", dentre tantas mudanças d título. Eu estava me lamentando com o Edelzio do Bang bang à italiana no Brasil no seu link "Filmes perdidos" sobre não ter aparecido ainda em nenhuma lista do Top 10 desse formidável Blog e de outros.Vi esse filme há mais de 20 anos quando foi exibido pela Globo no Bang Bang à italiana (às 11:30 da noite)e fiquei de tal forma impressionado que não levantava para nada, nem para beber água nos itervalos dos comerciais. Ja tinha assistido outros como o Dólar furado e Por alguns dólares a mais de Leone,mas não fiquei tão impressionado.Na minha humilde opinião um filme perfeito, onde toda a carga da cultura européia(notadamente a pictórica) e principalmente a italiana está sintetizada. A cor, a iluminaçao, o jogo de sombras lembrando-ou citando mesmo- o barroco e o expressionismo. Os enquadramentos parecem ter sido calculados milimetricamente de tão precisos. Cenas monumentais a destacar: a inicial cheias de nuanças; aquela em que logo depois de Daniel(Rassimov ou Sean Todd), Robert (Miali)e Judy (Elisa montes, se não me engano)se despedirem Brian se desespera e começa a chorar, mas numa mistura de choro e gargalhada,com a música ao fundo;a da briga entre Daniel e Brian,simplesmente a mais bem filmada de todos os tempos(toda em primeiro plano), nem Leone fez igual , que se completa com a frase "(...)No dia que você for enforcado eu e Robert estaremos lá";a da fuga no deserto, sublinhada pela música e por último a cena filmada dentro do túnel cheias de nuanças mais uma vez; as cores, a iluminação , o jogo de sombras, etc. Confesso a todos vocês que esse spaghetti ou eurowesterm como o LeMarc nomeia foi o que me fez chorar. Uma obra prima,filme singular, irretocável, que pode figurar entre os maiores filmes de todos os tempos. Existe uma resenha facilmente encontrável no blog "Italian Film Review" feita por um crítico, que recupera todas as suas qualidades.Lamentável é que a cópia que possuo esteja com cortes e foi dulada para o ingês com o título ja´referido "Cowards don´t Pray"; apresenta também diálogos alterados. Parabéns LeMarc, quanto aos outros filmes da lista foram bem escolhidos também. Acompanho seus comentários no blog do grande Edelzio "Bang bang à italiana no Brasil', já citado. Anda muchachos,spara.

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  17. Olá amigo Aprigio,

    Aproveito então para informar que o DVD espanhol da Impulso - "El Vengador del Sur" - contém o filme na sua versão total. Ainda que algumas cenas estejam dobradas em Francês. Tenho também conhecimento de um DVD Francês mas não sei dizer se a versão é uncut, creio que estará disponível na Amazon com o titulo "Django, ne prie pas".

    PS. Deixei-te um recado no blogue do Edelzio.


    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
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  18. É justamente a versão integral ou original que estou procurando em que aparece o título em italiano mesmo "Ivigliacchi non pregano".Tomara que logo logo, lancem por aqui. De qualquer forma posso tentar o da Amazon, quem sabe pode estar completo também. Quién sabe? Valeu Pedro Pereira, longa vida a seu blog.

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  19. Espléndida lista. La verdad es que no conocía la de "I vigliacchi...".
    Por supuesto, me ha encantado el semi-homenaje para Giuliano Gemma, nombrándolo como capítulo aparte. Sus películas son más, como dice Lemarc, familiares, quizás por el corte clásico.
    Es raro que no esté "I giorni dell'ira" aunque se nombra, pero sí está "Da uomo a uomo", que es quizás, un antecedente, también con el gran Lee Van Cleef.
    Felicitaciones.

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  20. Tienes que correrla Belén. Quizás sea la mejor actuación de Garko en el genero.

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
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  21. Gracias por la recomendación, Pedro. La buscaré.

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  22. Espero que te guste. Creo que en breve voy a escribir una reseña por aquí.

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
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  23. Agradeço os comentário elogiosos, aos amigos Aprígio e Belén. Ah, vou dar uma olhada no blog "Italian Film Review". Valeu a dica!
    Agora, quanto à discussão sobre como encontrar a melhor edição, eu fico pensando cá, quando vejo edições ricas de certos filmes besteirois de hoje: " Ah se essa edição fosse de um "I Vigliacchi non pregano!" Quem sabe não cheguemos lá e o eurowestern possa ser reconhecido enfim como merece, ou pelo menos que os empresários tenham mais respeito pelos fãz do gênero.
    Gostaria ainda só de reiterar meu agradecimento aos meninos do Punhado pela oportunidade da participação, dividindo um pouco da minha paixão pelo gênero com todos vocês.
    Abraço a todos!
    LeMarc

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  24. Es que Pedro y Emanuel son muy amables. Es un gusto pasar por aquí.

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  25. LeMarc, a verdade é que me emociono ao falar desse filme porque me marcou muito.Pode parecer exagero mas às vezes me falta até palavras para definir esse filme. Assisti apenas duas vezes na TV (Globo) e esse foi um dos poucos que fizeram reprise. se não me engano foi só ma mesmo. Já outros reprisaram até demais.Nunca li crítica nenhuma sobre ele e nunca ouvi ninguem comentando, e isso me deixava indignado porque porque lia um amontoado de comentários elogiosos, em revistas jornais e na TV sobre filmes que sinceramente eu já havia assistido e não havia percebido nada de fora do comum. Não entendia e não entendo como é que um jornal de Salvador na parte destinada a entretenimento (cinema, arte, etc.)não comentava nada sobre o eurowestern, ou o spaghetti western como eu nomeio, mas gastava todo um suplemento para homenagear os 50 anos dos grandes filmes de 1939(porque nesse ano segundo as estatísticas dos especialistas ocorreu a produção dos melhores filmes já feitos em Hollywood, e por extenão os melhores do mundo,pelo que inferi da escrita tendenciosa do jornalista). Esse imenso império tem lá seu valor e na multidão de filmes que produz nós podemos encontrar coisas de qualidade,até porque muito dinheiro é gasto em seus filmes. A questão que eu quero aclarar é que o filme em questão bate facilmente em milhares de filmes feitos em Hollywood, mesmo tendo sido feito fora de lá. Pode ter sido econômico no seu custo, mas a garra e o talento(detoda a equipe) com que foi feito é algo fora do comum. Quando assiti não conseguia mexer a cabeça e nem mesmo levantei para sequer beber água nos intervalos com mêdo de perder um daqueles closes milimétricos;os movimentos de câmera,os zooms calculados no ponto certo, enfim tudo parecia ser de outro mundo; a interpretação absolutamente soberba de Gianni Garko e Rassimov também não fica atrás. Percebi tudo isso na TV onde ocorrem muitos cortes e quando achamos que um lançamento em DVD vai nos trazer tudo de volta e mais ainda,eis a decepção. No meu têm cenas importantes cortadas no início e no final do filme. Um lançamento totalmente desrespeitoso tanto com o filme quanto com os aficcionados. Mas vamos aguardar, a esperança é a única que morre. vamos muchachos, disparem.

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  26. Corrigindo: onde está escrito (...) ...se não me engano foi só ma mesmo. deve ser na verdade: se não me engano foi só uma mesmo. Esqueci a letra "u". A edição do jornal a que me refiro saiu em 1989, exatamente 50 anos depois das produções homenageadas.

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