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06/10/2015

Fora de tópico | Lançamento "Requiescant"


Estamos a menos de uma semana da data de lançamento da edição da Arrow para o clássico "Requiescant" (ler resenha aqui). Tal nas mais recentes investidas da editora, o filme aparecerá em dois formatos, DVD e blu-ray. Alegrem-se por isso fãs da alta definição. Conheçam as especificações:

New 2K restoration of the film from the original camera negative
High Definition Blu-ray (1080p) & Standard Definition DVD
Optional English and Italian soundtracks in uncompressed PCM mono audio
Newly translated English subtitles for the Italian soundtrack
Optional English subtitles for hard of hearing for the English soundtrack
An all-new interview with Lou Castel, recorded exclusively for this release
Archive interview with director Carlo Lizzani; Theatrical Trailer
Reversible sleeve featuring original and newly commissioned artwork by Gilles Vranckx
Illustrated collector’s booklet containing new writing on the film by Pasquale Iannone

06/12/2011

Requiescant (1967 / Realizador: Carlo Lizzani)


Uma criança é o único sobrevivente de um traiçoeiro massacre da população mexicana. O ataque é executado pelos homens do poderoso sulista George Bellow Ferguson, que pretende ocupar as terras que por direito pertencem aos mexicanos. 

O menino é acolhido por um pastor protestante e pela sua família. Os anos passam e a educação deste jovem regeu-se por uma matriz religiosa e puritana, algo que não agrada absolutamente nada a Princy, a filha do pastor e irmã adotiva do rapaz.

Esse laçarote fica-te bem!

Fascinada pelo mundo do espetáculo e das artes, aparentemente cheio de cor, música, dança e alegria, Princy foge da sua família para alcançar o seu sonho. A sua ingenuidade fê-la cair no mundo obscuro da exploração sexual de mulheres e no consumo de drogas. Num gesto de boa fé, Requiescant vai à procura da sua irmã para a trazer de volta mas depara-se com obstáculos muito perigosos! 

No seu estilo desajeitado, com roupas sujas e rasgadas, o protagonista traz um coldre e uma pistola presos à cintura por um cordel. Ferguson e Requiescant vão reencontrar-se mas resta saber quem levará a melhor…

Vai haver tiroteio.

Se há filme rico em simbologia, é este! O nome do protagonista (do latim Requiescant In Pace / R.I.P.); Muitas alusões a símbolos religiosos (sinos, bíblias, crucifixos, cemitérios, rezas); Insinuações homossexuais de Ferguson; A corrupção das entidades notáveis da cidade (juiz, médico, advogado); O fetiche sexual de um pistoleiro que brinca com uma boneca; A tortura física e psicológica contra mulheres; Abordam-se questões políticas sobre a revolução mexicana, a guerra civil americana e a escravatura. 

O vilão racista, com um visual semelhante a um vampiro, faz questão de afirmar a sua superioridade enquanto aristocrata; Vê-se pessoas numa tarefa macabra de recolha de ossos dos cadáveres antigos…

O vampírico Mark Damon!

Mas porque é que Carlo Lizzani fez um western tão estranho? Será que foi influência do seu amigo Pier Paolo Pasolini? É verdade que o muito polémico cineasta italiano participou como ator, interpretando o papel de um sacerdote mexicano. 

Mas isso não será uma contradição? Pasolini não era conhecido pelos seus ideais de esquerda e pela sua feroz aversão à religião? Então, porque é que participou num filme que transborda religião por todos os lados? E ainda por cima encarnando o papel de um clérigo? Talvez porque “Requiescant” é uma parábola cínica sobre religião, cheia de símbolos religiosos e repleta de personagens loucos! 

Muitos mexicanos!

E quem sabe minimamente de cinema, sabe que loucura, cinismo e violência fazem parte da filmografia de Pasolini. Aparentemente, o seu amigo Carlo Lizzani pegou em alguns destes conceitos e colocou-os num western.

Quando estreou, como era de esperar, a censura de vários países cortou as cenas mais violentas e mais uma vez estragou tudo! Felizmente, hoje é possível ver a versão integral do filme no seu formato original e com imagem cristalina. O melhor DVD é o da editora americana Wild East, que reeditou o filme este ano (2011) sob o título “Kill and Pray”.