2016/03/15

Three Bullets For A Long Gun (1970 / Realizador: Peter Henkel)

Neste western obscuro de inícios de setenta, somos catapultados para um lugarejo algures no México. Lá, um bandido de nome Luciano “Lucky” Gomez, enfrenta o pelotão de fuzilamento. Mas fazendo jus ao apelido, safa-se justamente no momento em que é dada a ordem para disparar. Do nada surge o seu salvador, que com o seu rifle abate num piscar de olhos todo o pelotão, poupando apenas o comandante e forçando-o a bater-se de igual para igual com o bandido mexicano! “Three Bullets For A Long Gun” é considerado um euro-western por ter envolvimento de uma produtora europeia mas a feitura do filme foi dinamizada sobretudo por uma companhia Sul Africana, Pantheon Film, que ainda assim seguiu escrupulosamente os princípios do western-spaghetti.

Tal como em "O bom, o mau e o vilão", o mexicano rouba quase todo o tempo de antena.

Ora sabendo-se isso não é de esperar que este acto «misericordioso» do pistoleiro ignoto esteja livre de conveniências. Pois bem, o misterioso homem da carabina - que entretanto gama o boné ao defunto mandante do pelotão e por isso passa a ser apelidado de Major - apenas está interessado na metade de um mapa do tesouro que Lucky memorizou. As semelhanças com o argumento de “O bom, o mau e o vilão” são por demais evidentes e não ficam apenas por aqui. As situações que todos já conhecemos de cor e salteado, repetem-se ao longo da quase hora e meia de filme. Mas admito que nem foi isso que mais me chateou a mona, afinal de contas plágios não faltam nas dezenas de obras de baixo orçamento que o western europeu viu florescer nesses tempos. Não, o que quase me fez saltar uma veia da testa foi a forma desavergonhada de como este Lucky (interpretado por Keith Van Der Wat, que também assina o roteiro) se cola à personagem de Tuco. Santa paciência, até dá ranço!

Keith Van Der Wat é Lucky, um Tuco em versão das distritais Sul Africanas.

Actuações de qualidade duvidosa não faltam por aqui, mas a páginas tantas a coisa até se começa a tornar divertida. Afinal de contas onde raios poderíamos encontrar um western com toda a gente a falar com um carregadíssimo sotaque sul-africano? Depois de ter visto quase três centenas de westerns europeus já desisti de encontrar filmes que me surpreendam, mas sobretudo começa-me a faltar paciência para estar sempre a dar de frente com os mesmos actores. Ora aqui este problema não se coloca, não há cá Fernando Sancho, nem Frank Braña, nem Aldo Sambrell ou Nello Pazzafini. Um alívio!

Antes de desenterrarem o tesouro, Lucky e o Major unem esforços para limpar o sebo à vilanagem. Familiar?

O filme é obviamente um plágio do início ao fim, e pior, é claramente limitado pelo baixo orçamento, evidenciado pela ausência de qualquer coisa que se assemelhe a construções contemporâneas à data acção. E por isso mesmo Henkel monta a acção por forma a fazer vaguear a dupla pelo meio dos desertos durante tanto tempo quanto possível. No entanto nem tudo é mau, a favor dele reconheça-se que está correctamente filmado e as paisagens africanas assentam-lhe que nem uma luva. Em 1973 teria inclusive direito a sequela, “They Call Me Lucky”, com a personagem de Lucky Gomez a ganhar espaço. Diz quem já o viu que supera o original, portanto fica aqui na lista para conferir num futuro próximo!

5 comentários:

  1. Apesar de tudo,eu gosto muito desse spaghetti sul africano.eu acho que desta vez a limitação de orçamento não afetou o filme como um todo.Já a sequencia "They Call Me Lucky" sim.Entre os dois,fico com o primeiro.

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    1. Tenho curiosidade em ver essa sequela mas ainda não me cruzei com ela por aí...

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    2. tem um vhs rip no site rarelust com imagem razoável.

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  2. É verdade que no subgénero já estamos mais do que habituados ao plágio mas pelos vistos isto ainda é pior! Aqui é o plágio do plágio!
    Pessoalmente nem sabia da existência deste filme bem como não sabia que a África do Sul também se tinha aventurado nestas coisas.
    Enfim, digamos que o filme é "O bom, o mau e o vilão" dos (muito) pobres!

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    1. Quando for a Portalegre levo-te. Bom ou mão, não interessa, tens de ver.

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