2013/07/30

Amore, piombo e furore (1978 / Realizador: Monte Hellman)

Monte Hellman que durante a década de sessenta já havia realizado dois westerns de culto mas que não resultaram em grandes encaixes financeiros, desafiava em meados de setenta a sua sorte no cinema europeu. Primeiro aventurou-se em “Shatter”, um projecto da famosa produtora britânica, Hammer, em que acabou despedido por supostamente não ter cumprido os prazos definidos no cronograma, e depois neste “Amore, piombo e furore”, a sua única incursão num western-spaghetti, que por essa altura já fedia! Contudo, para além da inclusão de um porradão de actores e técnicos espanhóis/italianos e das paisagens andaluzas, pouco de western-spaghetti por aqui encontrarão.

Clayton Drumm (Fabio Testi) aguarda o momento de ser levado para a forca, mas à última da hora recebe uma proposta irrecusável por parte de uma empresa ferroviária. O trato é simples, Clayton safa o pescoço se limpar o sarampo a Matthew Sebanek (Warren Oates), um pistoleiro aposentado que recusa vender as suas terras, impedindo por isso o avanço dos trabalhos da ferrovia naquelas partes.


À primeira vista tudo parece apontar para mais um western violento em que um opressor impõe a lei do mais forte sobre um grupo indefeso, mas não é bem assim e o filme rapidamente envereda numa trilha romântica, com Clayton a colocar lenha na cabeça de Sebanek. A missão não é cumprida pelo meliante que se acobarda e acaba por ser a miúda a esfaquear o próprio marido, que ainda assim sobrevive e lança caça sobre os dois.

Actualmente “Clayton, o Cavaleiro da Noite” (mais um titulo estupidamente usado cá em Portugal) é um filme banalizado pela esmagadora maioria dos fãs do western-spaghetti que não o conseguem enquadrar nos limites do género. Mas ainda que aborrecido de morte tem os seus predicados. Algum erotismo e sobretudo o seu grande elenco, encabeçado pelo fantástico Warren Oates (Bring Me the Head of Alfredo Garcia) e por Fabio Testi (I Quattro dell'apocalisseAnda muchacho, spara).


Mas a cereja no topo do bolo é o cameo do realizador de culto, Sam Peckinpah (responsável por clássicos como The Wild Bunch ou Pat Garrett and Billy the Kid) no papel do novelista do oeste, Wilbur Olsen. Outro monstro que também esteve escalado para um pequeno papel no filme foi Sergio Leone, mas dizem as más-línguas que este ao aperceber-se do estado degradante a que Peckinpah chegara (resultado de anos de abuso de drogas e álcool ), declinou o convite…


Ver filme no Youtube:



5 comentários:

  1. Monte Hellman foi um de vários cineastas americanos a tentar a sua sorte em Almería. Como eles andaram por lá outros como Burt Kennedy, John Guillermin ou o britânico Terence Young.

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  2. Um tipo irregular. Não morro de amores por ele.

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://destilo-odio.tumblr.com/

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  3. Por natureza desconfio sempre de um western que tem mais amor que chumbo (amore e piombo) e aquele chapéu que o Fabio Testi usa não lembra ao diabo. já vi pior, é verdade, mas comparado com excelentes western spaghettis crepusculares "Mannaja", "Keoma" "Califórnia" ou a "Sela de Prata", é realmente muito inferior. A primeira vez que vis este este filme, na RTP - imaginem - o enredo lembrou-me de sobremaneira "O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes".

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  4. Concordo em absoluto com o António! Nos westerns deve haver sempre mais chumbo e menos amor, caso contrário tudo fica muito mais lamechas...

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  5. É tudo muito fofinho, é. Ao menos os últimos 15/20 minutos são mais mexidos. Mas não chega...

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://destilo-odio.tumblr.com/

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