2017/11/28

Monta in sella, figlio di...! (1972 / Realizador: Tonino Ricci)

Dois ladrões de bancos e dois trapaceiros são recrutados por um cego para executarem um rapinanço de em pleno México. Filme divertido que mescla livremente os motes do western europeu mais convencional com o de cariz político, vulgarmente arquivado sob o termo de «zapata-western». Sam Madison (Stelvio Rossi) é capturado durante um assalto ao banco de Denver, o que lhe vale a condenação à forca. Mas o xerife da cidade desconfia que o irmão de Sam o tente salvar, afinal de contas também ele é um escroque procurado pela lei e ambos têm fama de «trabalharem» juntos. Por estas e outras, o xerife monta uma esparrela ao segundo Madison, Dean, interpretado pelo norte-americano Mark Damon (Requiescant, Un Treno per Durango, Johnny Oro). Para azar dos homens da lei, Dean engendra numa artimanha para iludi-los. Coage para tal, dois trapaceiros do poker. Ora como o povo diz: para mentiroso, mentiroso e meio. E pronto Dean lá convence a «bomba» Agnes (Rosalba Neri) e Alfredo Mayo (André, o francês) a aventurarem-se num assalto ao mesmíssimo banco de Denver, coisa a encetar-se durante o dito enforcamento, quando supostamente todas as atenções da cidade estarão focadas na forca. O plano é vagamente bem-sucedido já que os quatro conseguem sair da cidade com vida, mas lucro nem vê-lo.

Rosalba Neri, a carinha laroca de serviço.

É então que são surpreendidos com a visita de Felipe (Luis Marin), um mexicano cego que se diz sabedor do paradeiro de uma grande maquia de dinheiro. A pandilha deixa-se convencer e lá vão eles para a cidade de Chihuahua com propósito de limpar os cofres de “El Supremo”. A paródia bacoca que nessa fase nos apresentam tem então um volte-face, ao chegarem a Chihuahua assistimos a uma execução de peones mandada pelo auto empossado El Supremo. Mas ao invés de um simples enforcamento ou fuzilamento, o canalha determina que os desgraçados se apoiem em sacas cheias de ouro, que se despejarão à medida que o pelotão dispara sobre elas, provocando uma morte lenta e agoniante aos seus opositores. Correndo o risco de parecer insensível, digo que esta é uma das cenas mais bem sacadas do filme, mas infelizmente está deslocada do ambiente cómico e aventuroso do filme. 

Bienvenidos a Chihuahua!

O elenco é curto mas decente, a Mark Damon cabe o papel principal, apesar de que o tempo de antena ser em tudo idêntico para qualquer um dos quatro do bando. O americano que tanto se gabou de ter sido primeira escolha para o “Django” de Sergio Corbucci, não falha neste “Monta in sella, figlio di...!”, mas também não foi aqui que deixou pegada. Aliás, nenhum dos westerns que protagonizou, atingiu tal fama que lhe desse aquele efeito retroactivo no género. Curiosamente anos depois, Damon abandonaria a carreira de actor dedicando-se então às funções de produtor. Nessas funções temos-lhe a agradecer um bom punhado de clássicos do cinema de acção e não só: “Das Boot”, “The Neverending Story”, “Wild Orchild” ou “Dark Angel”.

Pura maldade.

A realização ficou ao cargo de Tonino Ricci, o italiano chegou tarde à cadeira de realizador e não teve por isso a oportunidade de afirmar o seu cunho pessoal nos westerns que realizou. Como é sabido, em 1972 o chamamento do western cómico era maior, e Ricci não conseguiu ser-lhe indiferente, apesar disso neste seu primeiro western-spaghetti safa-se razoavelmente e tivesse-se focalizado mais na vertente revolucionária, quem sabe não tivesse assinado um flop tão grande! Quem sabe?!

4 comentários:

  1. Após tanto tempo na gaveta, finalmente esta resenha vê a luz do dia!
    A premissa do filme é interessante mas os elementos cómicos estragam o ambiente, na minha opinião. Pessoalmente acho que Mark Damon nunca teve cabedal para ser um protagonista carismático.
    Tinha conhecimento que Damon se tinha dedicado ao papel de produtor mas não sabia que tinha produzido "Das Boot". Curiosamente vi esse filme há cerca de um ano e é um belo filme de suspense / terror.

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    1. Demorou, agora demora tudo, vida de papá é assim. Mas está outra resenha na agenda para Dezembro, prometo.

      À parte disso, até ver o Das Boot continua a ser o meu filme alemão favorito.

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  2. Andei a vasculhar na lista de filmes produzidos por Mark Damon e vi que foi produtor executivo do reencontro entre Van Damme e Dolph Lundgren no filme "Soldado Universal 4 - Juízo Final".
    Nos seus primeiros tempos, Damon produziu "A Arena", um filme de aventura de 1974 cujo tema são gladiadores romanos a lutar na arena mas do género feminino. Eis o trailer:

    https://www.youtube.com/watch?v=Eb4XPgFpwoA

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    1. Esse filme da saga é do meu agrado. Damme, Lundgren e Scott Adkins a intrometer-se. Espero que o final aberto, tenha sequela um ano destes.

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