Mostrar mensagens com a etiqueta Giovanni Cianfriglia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Giovanni Cianfriglia. Mostrar todas as mensagens

26/03/2013

La sfida dei MacKenna (1970 / Realizador: León Klimovsky)

Filme tardio do argentino León Klimovsky, em que se volta a reunir a dupla de protagonistas testada em “Quel caldo maledetto giorno di fuoco” - John Ireland e Robert Woods - lançado um par de anos antes. A dupla funcionou bem nesse primeiro contacto razão que consegue aditar algum interesse sobre este “La sfida dei MacKenna”, que não sendo grande espingarda é provavelmente o mais razoável dos westerns de Klimovsky, que como se sabe não primou por uma carreira de grande brilhantismo (não foi por acaso que um dos seus filmes apareceu no nosso ciclo de «Spaghettis que prejudicam gravemente a saúde»). 

Diz quem sabe que o projecto terá sido uma aposta pessoal de John Ireland mas o nome do actor não é confirmado nos respectivos créditos do filme. Já o nome de Edoardo Mulargia aparece escarrapachado nos mesmos. Ora como se sabe, Mulargia assumiu por diversas vezes a posição de realizador – lembremo-nos de “Cjamango”, “La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” ou “W Django!” – o que têm levantado algumas questões sobre o verdadeiro alcance do seu envolvimento neste filme. 


Conhecendo o histórico de Klimovsky, que por diversas vezes se limitara a emprestar o seu nome a filmes em que não participou com uma gota de suor, não é de admirar que Mulargia tenha assumido as rédeas em determinados momentos. A verdade provavelmente nunca se conhecerá mas relatos de Woods e Ireland corroboram a ideia de que o argentino não se interessava muito pelo assunto. 

John Ireland interpreta Jonas, um forasteiro que se vagabundeia no sítio errado. Um jovem acaba de ser enforcado por Don Diego e pelo maníaco do seu filho, Chris. Tudo porque teve a infelicidade de se envolver com a filha do patriarca sem a sua permissão. Don Diego deixa o corpo do enforcado e a própria filha para trás, mas Jonas ao chegar ao local faz o seu dever de bom cristão. Enterra o desgraçado e acompanha a rapariga de volta a casa. Não sabendo porém que o responsável pelo assassínio se trata do pai da cachopa. Don Diego não fica contente por saber que o corpo foi enterrado nas suas terras e Jonas acaba por se tornar alvo dos seus mimos. 


Woods que pela primeira vez encarna o papel de vilão da fita, não compromete. O seu personagem, Chris, é um bon vivant mexicano de tiques algo psicóticos mas cujos comportamentos agaiatados dificilmente intimidam quem quer que seja. Muito menos o experiente Jonas, em tempos um homem de Deus que apesar de desviado dos caminhos do Senhor, tenta evitar a quebra dos dez mandamentos. Tarefa que não se lhe há-de revelar nada fácil. Um papel interessante para este americano, só é pena que não tenha dado o corpo ao manifesto nas cenas de punhada, em que também por culpa de uma fraca fotografia se revela claramente o uso de um duplo. 

Não vos digo que o filme é uma perca de tempo completa mas também não posso negar que é bastante enfadonho. O arranque copiado de “Cimitero senza croci” parece pujante mas a transição entre o clima dramático que se pretendeu embeber não se mescla de uma forma coerente com a acção exigida a um western. E o interesse do mais resistente dos espectadores tende em esmorecer. Foi o que aconteceu comigo nas duas vezes que o vi…


Mais alguns lobbys bonitos:



Excerto:


11/12/2012

Wanted Sabata (1970 / Realizador: Roberto Mauri)

Depois de fazer a sua própria adaptação da personagem Sartana, Roberto Mauri magicou a reinvenção de mais um dos heróis do western-spaghetti: Sabata! Sabata (aqui interpretado por Brad Harris) é incriminado pela morte de um fazendeiro. Uma série de falsos testemunhos garantem que o juiz o condene à forca, mas enquanto espera pela execução da sentença, um «amigo» cuja identidade não se revela, faz-lhe chegar um colt à cela, tornando a fuga possível. No processo, Sabata dispara superficialmente sobre o ajudante do xerife e põe-se em fuga, mas alguém se apressa a terminar o serviço que o fugitivo não acabou e o famoso pistoleiro passa então a ser procurado por dois assassinatos. 

Sabata consegue manter-se a monte, mas a onda de assassinatos continua sobre aqueles que testemunharam contra ele, o que só exponencia a sua culpabilidade. Porém rapidamente se entende que tudo isto é marosca do vil caçador de recompensas Jim Sparrow (Vassili Karis), que guarda rancores para com Sabata desde que este lhe ficou com as terras, supostamente por um preço abaixo do seu valor real.


Com o rasto de morte deixado à volta de Sabata, Jim Sparrow consegue inflacionar o valor da cabeça do afamado pistoleiro, promovendo o confronto entre os dois apenas quando a recompensa atinge o valor que deseja aforrar. Um modus operandi não muito diferente daquele que se reconhece por exemplo na mui interessante personagem, Lanky Fellow, lançada por Tonino Valerii no seu filme de estreia: “Per il gusto di uccidere”. Estamos portanto novamente nos desígnios do pistoleiro em busca de vingança, mas desta vez com uma grande diferença pois é o mau da fita que a persegue e não o contrário! 

“Wanted Sabata” é mais uma daquelas produções de muito baixo orçamento filmadas integralmente em Itália, mas que apesar dos seus défices até esperneia bem entre produções mais abastadas. Mérito de um argumento decente – responsabilidade do próprio Mauri – mas sobretudo pela competência do actor grego Vassili Karis (I cinque della vendetta, Lo chiamavano King), que apesar de encabeçar o papel de vilão, rouba totalmente o protagonismo ao pouco expressivo Brad Harris (Arriva Durango, paga o muori, L'uomo venuto per uccidere). Um individuo de mui fraca expressividade mas ultra musculado, que transitara do cinema mitológico italiano para o qual estava claramente talhado.


Ambos os actores voltariam a ser estrelas dos westerns de Roberto Mauri mas seria Karis a arrecadar a posição de actor fetiche do realizador, protagonizando mais sete westerns com o mesmo. Incluindo a trilogia não oficial de «Spirito Santo» (uma personagem originalmente interpretada por Gianni Garko em mais uma das suas associações com Giuliano Carmineo).

“Wanted Sabata” tal como a esmagadora maioria dos spaghetti-westerns de Mauri, é desconhecido até para aqueles que seguem o género de perto. A maioria desses filmes ainda não conheceu sequer uma edição em formato DVD, sendo apenas possível vê-los através de VHS antigas ou – como acontece neste caso – graças a raras emissões nalguns canais televisivos europeus. Felizmente algumas almas caridosas têm-se dado ao trabalho de gravar essas emissões e disponibiliza-las online. Ainda assim não são coisas muito fáceis de encontrar…

17/09/2012

I cinque della vendetta (1966 / Realizador: Aldo Florio)

O ano de 1965 foi determinante para a industrialização do western-spaghetti. Filmes como “Per qualche dollaro in più”, “Un dollaro bucato”, “Adios Gringo”, “Una Pistola per Ringo” ou “Il ritorno di Ringo” registaram grande afluência de publico ás bilheteiras italianas, não seria pois de estranhar que o impulso lançado por estes primeiros sucessos levasse a uma exploração mais exaustiva do filão.

Um ano depois já eram produzidos filmes do género ás dezenas, muitos destes eram filmes desprovidos de grande interesse e vê-los passados mais de 40 anos do seu lançamento original pode revelar-se uma tarefa penosa.

Um dos filmes que sofreu degenerativamente com o passar dos anos é este “I Cinque della vendetta”. Uma primeira incursão de Aldo Florio no género, claramente influenciada pelo clássico do western americano “The Magnificent Seven”, de John Sturges.



O argumento do filme é tão simplista que irrita. Os Gonzalez tencionam dominar toda a região. O único entrave que lhes barra os planos é a casmurrice de um fazendeiro gringo, Jim Lattimer, o único que lhes faz frente. Razão pela qual acaba por ser fatalmente abatido pelos irmãos Gonzalez. É então que surgem na cidade cinco forasteiros, liderados por Tex (Guy Madison), dispostos a vingar a morte de Jim e assim devolver as terras à viúva Lattimer. Existirão percalços, e antes que consigam cumprir a sua missão são encurralados e deixados para morrer no deserto, mas safam-se e num ápice distribuem bordoada pelos tiranos e seus capangas.


A versão a que assisti não é mais do que um bootleg montado pelo fã do género Franco Cleef, rapazito que teve a paciência de mesclar uma fita alemã com boa qualidade de imagem, com outra proveniente do velhinho mercado de VHS. Resultado, conseguimos ver o filme numa versão mais alargada, mas que implica um rodopio constante entre imagens cristalinas do DVD alemão e imagens deploráveis do VHS americano. Não é coisa fácil de aturar mas acaba por ser um exercício educativo na medida em que permite entender a quantidade de tesouradas que o filme levou na versão exibida ao público germânico. Ainda que pessoalmente ache que num filme tão insípido nada do que se tinha cortado fazia realmente falta para o entendimento da história.

Aldo Florio voltaria ao western-spaghetti uma vez mais no início da década seguinte. Onde cozinharia uma bela homenagem ao seminal “Per un pugno di dollari” de Sergio Leone. Uma violentíssima história de vingança protagonizada por Fabio Testi e que provaria a existência de um sentido mais apurado por parte deste realizador italiano: “Anda muchacho, spara!”.


Mais alguns lobbys germânicos:



27/08/2009

Ammazzali tutti e torna solo (1968 / Realizador: Enzo G. Castellari)


Com toda a euforia em torno de Inglourious Basterds, o novo filme de Quentin Tarantino - bestialmente intitulado em Portugal de “Sacanas sem lei” - importa relembrar a obra de Enzo G. Castellari responsável por filmes tão interessantes como Vado... l'ammazzo e torno, Quella sporca storia nel west ou Keoma. Afinal de contas foi ele que pariu Quel maledetto treno blindato (1978), a matriz original em que Tarantino se apoiou para a realização do seu há muito anunciado filme de guerra. Munido de alguma curiosidade “cinéfila”, decidi também eu despender algum do meu tempo de sofá para assistir a essa incursão de Castellari no universo dos filmes de guerra, com acção nos anos da segunda guerra mundial e, neste caso, com um forte travo a Dirty Dozen (1967).

Os patifes de Chuck Connors. 

Depois de visualizada a coisa, permito-me considerar que se trata de mais um daqueles casos em que foi maior o hype criado do que outra coisa. O filme tem um fio condutor algo caótico, com explosões/tiroteios constantes e quase sempre sem grande nexo. No geral, desde as interpretações (nalguns casos muito pouco credíveis), passando pelo fraco argumento e terríveis efeitos especiais (leia-se miniaturas filmadas de muito perto), diria que é um filme fraquinho. É claro que pelo menos no que respeita aos efeitos especiais desculpabilizar-se-á Castellari. Temos pois de nos situar no ano da produção (1978), em que as tecnologias eram ainda bastante pré-históricas, e o baixo orçamento disponível para as gravações não terá facilitado a vida ao italiano.

Frank Wolff tem uma actuação explosiva.

Felizmente no velho oeste, a existência de tais efeitos são praticamente desnecessários, pelo que o violento cinema de acção, típico de Castellari, tem outro interesse. Neste domínio que me é mais familiar destaco agora Ammazzali tutti e torna solo (1968), um dos grandes apontamentos do realizador, e um bom ponto de partida para aqueles que queiram conhecer a sua obra. Este filme foi escrito entre outros, pelo próprio Castellari, Tito Carpi e o também realizador Joaquin Romero Marchent (Antes llega la muerte, Condenados a vivir); e, curiosamente segue, tal como “Quel maledetto treno blindato”, a fórmula de “Dirty Dozen”. Neste caso a fórmula foi decalcada na forma de um grupo de mercenários contratados pelo exército confederado a troco de “algum” ouro. Como líder do grupo surge um tal de Clyde Mac Kay, desempenhado nada mais nada menos que por Chuck Connors, actor mais conhecido pelos adeptos de western como “o homem da carabina”.

Aquele sorriso!

A questão essencial resume-se bem no início do filme. Connors deve recuperar o ouro de um forte do exército da união com os habilidosos e multifacetados homens que seleccionou para a missão, mas tudo isto com uma condição: só ele poderá voltar vivo! Ao grupo juntar-se-á entretanto um último elemento, o capitão Lynch, desempenhado por Frank Wolff, que como sempre se apresenta em bom plano, ainda que desta vez num papel com menos substância. Obviamente que nada disto decorre como planeado e as traições entre elementos do bando são consecutivas. Este é um daqueles filmes que, embora dificilmente se considere de topo, merece uma atenção especial naquela secção dos spaghetti com maior acção. A batuta de Castellari neste campo é bastante eficaz, sem dúvida um dos realizadores a ter em conta no género.

Acrobratas, duplos e companhia. A mão-de-obra favortita do tio Enzo.

Em resumo, acção incessante, tiroteios, cenas de pancadaria, acrobacias (nalguns casos bem irritantes) e explosões quanto baste, cortesia do protótipo de bazuca aqui apresentado, imagine-se (ver trailer abaixo)! Tivesse o argumento sido mais explorado e poderíamos mesmo ter aqui um marco do género. Ammazzali tutti e torna solo (exibido em Portugal como “Mata todos e volta só”), não está infelizmente disponível no nosso mercado DVD, mas pode ser facilmente encontrado em qualquer loja virtual, muito graças à edição da Wild East (editado como “Kill Them All and Come Back Alone”). Para nós latinos existe pelo menos uma opção low-cost, editada pela espanhola Suevia, que podem procurar por aí sob o título “Matalos y vuelve”.

Aposto que esta VHS tem imagem igual ou melhor ao DVD da Suevia. Fonte: ebay.it

Esta edição apesar de se apresentar em widescreen anamórfico 2.35:1; tem uma muito sofrível qualidade de imagem (VHS?!). Incluindo também para além da trilha áudio em espanhol, a original em italiano (que pessoalmente prefiro desde que exista uma opção de legendas em espanhol, que é o caso).