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27/08/2018

Non aspettare Django, spara (1967 / Realizador: Edoardo Mulargia)

E lá vamos nós em mais uma viagem pelo western-spaghetti de Edoardo Mulargia. Desta vez saiu na rifa este “Django Não Espera... Mata”, que incrivelmente passou recentemente na grelha da Fox Movies portuguesa. A história do filme é bastante intrincada, o que facilmente deixa o espectador menos atento a apanhar papéis. Foi o que me aconteceu, graças às birras intermitentes do membro mais novo da família, mas perdi a preguiça e voltei a ver os primeiros quinze minutos para me situar. Então vamos lá, o pai de Django fez um negócio com Don Alvarez, mas este encomenda um servicinho ao escroque Navarro, que já se está a ver, abate o velho e rapina o dinheiro da negociata. Ora para adensar ainda mais a trama, o filho deste último resolve desfalcar o pai e foge com o guito.

Está na hora de tirar a ferrugem a este artefacto.

Paralelamente Django fica a saber da patifaria e regressa a casa, e empunhando o colt do finado pai, promete vingança! Por esta altura é Fred Grey que está com o dinheiro, mas com o cerco que Django monta na cidade não vai ter hipótese de fugir com ele.

Podia ser um qualquer freguês da tasca do Porto da Boga.

Tinha visto este filme há uns anos valentes graças a um DVDr caseiro montado por um tal de Franco Cleef, de quem provavelmente já terão ouvido falar. Era uma versão com boa qualidade de imagem e com áudio inglês, mas felizmente a Fox respeitou o formato que mais vingou em Portugal e apresentou o filme com o áudio italiano. É outra fruta, e aqui o alentejano agradece. 

Ignazio Spalla empresta a sua persona do costume.

O filme não foge à regra da filmografia de Mulargia e facilmente agradará o fã de westerns simples e directos, mas na minha opinião está uns furos abaixo dos seus melhores trabalhos. Muito por culpa de alguns erros grosseiros, que escaparam ao olho do realizador (se estiverem atentos encontrarão postes de electricidade, casas sem telhado, etc.), mas sobretudo pelo desinteresse escarrapachado na cara de Ivan Rassimov. Tivesse isso sido corrigido e teríamos aqui filme…

22/08/2017

Quintana (1969 / Realizador: Vincenzo Musolino)

Depois de se aventurar na realização com a sequela da personagem Cjamango, “Chiedi perdono a Dio... non a me”, Vincenzo Musolino atira-se a um novo personagem. Desta vez presenteia-nos com um herói que tanto deve a Zorro como ao «homem sem nome». Num género repleto de pistoleiros trombudos saúda-se a introdução de um mexicano pé rapado como protagonista. O dito é Quintana, defensor da liberdade e principal oponente dos opressores locais. Qualquer semelhança com as aventuras originais de Zorro não será  coincidência. Mas curiosamente este Quintana prefere o poncho à capa negra, poncho esse que não difere por aí além daquele que Clint Eastwood usa na série dos «dólares», mais uma vez, não terá sido uma coincidência. Aliás, esta não é a única situação paralela com os westerns de Sergio Leone. A páginas tantas um trio de caçadores de recompensas surgem trajados com gabardinas, em tudo idênticas ás dos três assassinos que abrem as hostes em “C'era una volta il West”. Antes disso a câmara vai passeando pelas ventas destes numa tentativa descarada de replicar a mítica introdução do filme de Sergio Leone. O resultado não é brilhante, sublinhe-se.

Um Zorro sem capa nem espada, mas com poncho e revolver.

O enredo é preenchido com pitadas de romance e luta pelos valores da liberdade. O vilão de serviço é Don Juan De Leyra (Aldo Bufi Landi), que subjuga com mão de ferro a população de um vilarejo algures no México. Nos tempos livres Don Juan corteja a belíssima e riquíssima Virginia De Leon (Femi Benussi), que estando enamorada por Manuel (Celso Faria) está-se nas tintas para ele. O manhoso regente usa então o seu poder e influência para mandar prender o prometido da cachopa, Manuel, chantageando-a então para que aceite casar com ele.

Lamento Don Juan: O amor não está no ar!

Este foi o segundo e último western realizado por Musolino, que faleceria pouco depois do seu lançamento. Musolino produziu, escreveu e realizou durante a sua curta carreira, sendo porventura esta ultima função, aquela que menos dominou. Nota-se que tentou dar um toque diferente no uso de planos, usando abusivamente câmeras inclinadas e outros pormenores, mas depois perde-se no excesso de perseguições a cavalo. Nesse aspecto, tendo o filme sido rodado em Itália, nota-se claramente o défice de boas localizações para cenas de exteriores, o que faz com que frequentemente sejam aplicadas transições de cena completamente incoerentes, não muito melhores daquilo que nos habituamos a ver nos filmes de Demofilo Fidani ou Gianni Crea.

Onde é que já vi isto?

Actualmente existem várias formas de ver o filme, mas como as edições DVD parecem estar já fora de circulação e isto também não está para gastar dinheiro em parvoíces, recomendo uma passagem pelo youtube, por exemplo aqui.

13/05/2014

Cjamango (1967 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Este western é um filme simples, com um enredo simples, com momentos de ação simples e que aborda os temas mais simples do subgénero: a ganância e a vingança. Vivia-se a época em que a prioridade de qualquer cineasta / produtor italiano que quisesse ganhar uns trocos a fazer westerns era única e exclusivamente imitar as obras de Leone, Corbucci e Tessari. O protagonista deste filme é claramente um cruzamento entre Clint Eastwood e Franco Nero. O nome também não deixa margem para dúvidas. A fórmula foi usada “ad nauseam” por muitos outros, ou seja, a velha parceria entre um pistoleiro que procura dinheiro e vingança e outro que quer, acima de tudo, justiça. Edoardo Mulargia construiu a sua reputação nos westerns de série B e “Cjamango” é um desses westerns. O ator Ivan Rassimov / Sean Todd cumpre bem o papel de pistoleiro infalível sempre num registo muito próximo de heróis como “Django” ou “Homem Sem Nome”.


Quanto ao enredo, o que há a dizer? Cjamango vence um jogo de cartas e a aposta foi em ouro. Subitamente, vários homens entram no saloon e disparam sobre toda a gente. O ouro é levado. Cjamango sobrevive ao massacre e vai à procura dos assassinos e do ouro. Tudo acontece dentro de um triângulo infernal composto por Hernandez, Don Pablo e Tigre. Enquanto isso, do lado de fora corre Clinton, um forasteiro que parece ter uma missão bem definida. As presenças da bela Pearl e do jovem Manuel servem apenas para conferir a Cjamango uma aura de compaixão que fazem lembrar “Shane”.


No meu ponto de vista não há nada de surpreendente neste filme. Mas, como era hábito naqueles anos, a produção em massa de westerns não tinha muito que saber. Era fundamentalmente adotar a mesma estratégia, estando esta fortemente consolidada em dois sólidos pilares: a imitação e o plágio.

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