Neste western obscuro de inícios de setenta, somos catapultados para um lugarejo algures no México. Lá, um bandido de nome Luciano “Lucky” Gomez, enfrenta o pelotão de fuzilamento. Mas fazendo jus ao apelido, safa-se justamente no momento em que é dada a ordem para disparar. Do nada surge o seu salvador, que com o seu rifle abate num piscar de olhos todo o pelotão, poupando apenas o comandante e forçando-o a bater-se de igual para igual com o bandido mexicano! “Three Bullets For A Long Gun” é considerado um euro-western por ter envolvimento de uma produtora europeia mas a feitura do filme foi dinamizada sobretudo por uma companhia Sul Africana, Pantheon Film, que ainda assim seguiu escrupulosamente os princípios do western-spaghetti.
Ora sabendo-se isso não é de esperar que este acto «misericordioso» do pistoleiro ignoto esteja livre de conveniências. Pois bem, o misterioso homem da carabina - que entretanto gama o boné ao defunto mandante do pelotão e por isso passa a ser apelidado de Major - apenas está interessado na metade de um mapa do tesouro que Lucky memorizou. As semelhanças com o argumento de “O bom, o mau e o vilão” são por demais evidentes e não ficam apenas por aqui. As situações que todos já conhecemos de cor e salteado, repetem-se ao longo da quase hora e meia de filme. Mas admito que nem foi isso que mais me chateou a mona, afinal de contas plágios não faltam nas dezenas de obras de baixo orçamento que o western europeu viu florescer nesses tempos. Não, o que quase me fez saltar uma veia da testa foi a forma desavergonhada de como este Lucky (interpretado por Keith Van Der Wat, que também assina o roteiro) se cola à personagem de Tuco. Santa paciência, até dá ranço!
Actuações de qualidade duvidosa não faltam por aqui, mas a páginas tantas a coisa até se começa a tornar divertida. Afinal de contas onde raios poderíamos encontrar um western com toda a gente a falar com um carregadíssimo sotaque sul-africano? Depois de ter visto quase três centenas de westerns europeus já desisti de encontrar filmes que me surpreendam, mas sobretudo começa-me a faltar paciência para estar sempre a dar de frente com os mesmos actores. Ora aqui este problema não se coloca, não há cá Fernando Sancho, nem Frank Braña, nem Aldo Sambrell ou Nello Pazzafini. Um alívio!
O filme é obviamente um plágio do início ao fim, e pior, é claramente limitado pelo baixo orçamento, evidenciado pela ausência de qualquer coisa que se assemelhe a construções contemporâneas à data acção. E por isso mesmo Henkel monta a acção por forma a fazer vaguear a dupla pelo meio dos desertos durante tanto tempo quanto possível. No entanto nem tudo é mau, a favor dele reconheça-se que está correctamente filmado e as paisagens africanas assentam-lhe que nem uma luva. Em 1973 teria inclusive direito a sequela, “They Call Me Lucky”, com a personagem de Lucky Gomez a ganhar espaço. Diz quem já o viu que supera o original, portanto fica aqui na lista para conferir num futuro próximo!
Tal como em "O bom, o mau e o vilão", o mexicano rouba quase todo o tempo de antena.
Ora sabendo-se isso não é de esperar que este acto «misericordioso» do pistoleiro ignoto esteja livre de conveniências. Pois bem, o misterioso homem da carabina - que entretanto gama o boné ao defunto mandante do pelotão e por isso passa a ser apelidado de Major - apenas está interessado na metade de um mapa do tesouro que Lucky memorizou. As semelhanças com o argumento de “O bom, o mau e o vilão” são por demais evidentes e não ficam apenas por aqui. As situações que todos já conhecemos de cor e salteado, repetem-se ao longo da quase hora e meia de filme. Mas admito que nem foi isso que mais me chateou a mona, afinal de contas plágios não faltam nas dezenas de obras de baixo orçamento que o western europeu viu florescer nesses tempos. Não, o que quase me fez saltar uma veia da testa foi a forma desavergonhada de como este Lucky (interpretado por Keith Van Der Wat, que também assina o roteiro) se cola à personagem de Tuco. Santa paciência, até dá ranço!
Keith Van Der Wat é Lucky, um Tuco em versão das distritais Sul Africanas.
Antes de desenterrarem o tesouro, Lucky e o Major unem esforços para limpar o sebo à vilanagem. Familiar?




