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2013/04/30

Fora de tópico | Lançamento "Le retour de Django" & "Django prepare ton cercueil!"


A «Django-mania» continua a fazer render o peixe um pouco por todo o lado. De França chegam noticias sobre o lançamento de mais dois filmes da saga: "Preparati la bara!" e "Il figlio di Django". Ambos os DVDs com audio em francês e italiano. Já estão nas lojas!

2013/04/09

Il mio nome è Nessuno (1973 / Realizador: Tonino Valerii & Sergio Leone)

O projeto arrancou quando surgiu a Sergio Leone a ideia de adaptar para o cinema a epopeia homérica “A Odisseia”. Essa adaptação transformar-se-ia num western situado nos anos da Guerra Civil Americana. Mas o seu amigo Duccio Tessari já tinha realizado essa ideia em 1965 com “Il Ritorno di Ringo”, o que levou Leone a rever o seu projeto. Juntamente com Fulvio Morsella e Ernesto Gastaldi, o cineasta decidiu que o filme iria ter um novo rumo mas tinha de ser outra pessoa a ocupar a cadeira de realizador. O escolhido foi Tonino Valerii, jovem realizador muito competente já com alguns westerns de qualidade no seu currículo e colaborador de Leone nos seus dois primeiros westerns. 

O enredo sofreu muitas alterações e da ideia original a única coisa que permaneceu foi o nome “Ninguém” (uma clara alusão ao episódio homérico entre o herói Ulisses e o gigante Polifemo). O filme é a junção entre o western clássico americano e o novo fenómeno do western cómico italiano. Quem melhor para liderar ambas as vertentes do que Henry Fonda e Terence Hill, respetivamente? 


Apesar de ser uma produção cuidada, ter um orçamento generoso e ter sido um dos maiores sucessos de bilheteira dos westerns-spaghetti nos anos 70, não se livrou de alguma polémica e momentos de conflito entre Leone e Valerii. Uma das versões é que Leone, inicialmente, tinha pouco interesse no filme e, caso as coisas descambassem, faria como Pilatos e atirava toda a responsabilidade para cima de Valerii. Este, enxovalhado na sua honra, afirma que estava a fazer um belo trabalho. Leone ter-se-á apercebido disso e, após o sucesso nas bilheteiras, tentou divulgar a (falsa) ideia que tudo o que o filme tinha de bom foi graças à sua genialidade! De facto, Leone dirigiu várias cenas enquanto assistente de realização mas isso não é suficiente para dizer que o filme foi realizado por si. 


Tonino Valerii resume bem a situação: “Franco Giraldi era o assistente de Leone em “Per Un Pugno Di Dollari” e dirigiu praticamente metade das cenas incluídas na versão final! Mas ninguém diz que o filme é do Franco Giraldi! Por isso, “Il Mio Nome è Nessuno” é um filme de Tonino Valerii!” Creio que é claro para todos que Sergio Leone era um cineasta genial e deixou-nos obras magníficas que ficarão para sempre, mas neste caso estou do lado de Tonino Valerii. Leone exagerou no seu cinismo e maltratou o seu pupilo. Conclusão: tudo isto resultou numa rutura profissional e pessoal entre ambos. Foi-se a amizade… ficou a obra!


Lobbys germânicos:



Trailer:

2013/02/12

La collera del vento (1970 / Realizador: Mario Camus)

“O quê?! Terence Hill interpreta um impiedoso assassino? E protagoniza uma ardente cena de sexo com uma mulher? E tem um trágico fim neste filme? Tens a certeza?!” Esta será a reação dos fãs de Terence Hill que o conhecem somente pelos seus trabalhos cómicos de pancadaria e acrobacias mas que ainda nunca viram este drama político de Mario Camus. Este cineasta pretendia fazer um filme de contornos políticos sobre a vida rural dos trabalhadores espanhóis e as desavenças entre estes e os patrões da burguesia. Um filme com claras tendências políticas de esquerda iria ter, à partida, grandes dificuldades em ser filmado e aceite na Espanha ditatorial do General Francisco Franco.

Como poderia a produção de Mario Cecchi Gori resolver este problema? De uma forma muito simples: dizer às autoridades que aquele filme era um western! E assim foi! “A Cólera do Vento” passou a ser classificado como mais um western europeu protagonizado pelo célebre Terence Hill, que nesse mesmo ano alcançaria o topo da sua carreira com “Lo Chiamavano Trinitá”.


O sul da Espanha no início do século XX é um local agitado. As lutas de classes entre patronato e trabalhadores estão ao rubro. Os lavradores estão descontentes com as suas condições de vida e de trabalho. Os patrões sentem-se incomodados porque paira no ar uma ameaça de rebelião e greves e para evitar isso recorrem a métodos radicais. A aristocracia decide contratar um assassino profissional para que este consiga localizar e eliminar o agitador político da região, ao mesmo tempo que infunde medo aos lavradores.

Marco, um implacável assassino, está prestes a executar a sua tarefa mas as coisas tomam um rumo diferente quando este se apaixona por Soledad, a lindíssima dona da pousada. Essa paixão louca muda a personalidade de Marco e coloca entraves à sua missão. Agora só há uma de duas saídas: ser profissional e levar o seu trabalho até ao fim ou abrir o seu coração e viver uma relação intensa mas simultaneamente perigosa!


Este terá sido, provavelmente, o último filme “sério” de Terence Hill. A partir daqui enveredou por projetos ligados à comédia dirigida a um público mais jovem. Embora interessante, ainda hoje é um dos trabalhos menos conhecidos da longa filmografia de Terence Hill.


Lobbys germânicos:




Filme completo (áudio em espanhol):

2012/11/09

Fora de tópico | Lançamento "Django, Prepare a Coffin"


Parece já evidente que com o aproximar da data de lançamento do muito aguardado western de Quentin Tarantino - "Django Unchained" - serão muitas as editoras a tentar colocar nas lojas edições relacionadas com o famoso personagem do western-spaghetti. Capitalizando o crescente interesse de um publico mais generalista pelo género.

Em Janeiro de 2013 é a britânica Arrow que lança "Preparati la bara!" (Django, Prepare a Coffin), uma sequela (ou prequela dependendo das opiniões) realizada por Ferdinado Baldi sob o filme original de Sergio Corbucci. O DVD contará ainda com um folheto de coleccionador escrito pelo especialista, Howard Hughes.

2011/09/20

Continuavano a chiamarlo Trinità (1971 / Realizador: Enzo Barboni)


Qual é a primeira coisa que nos vem à memória quando falamos de Mario Girotti / Terence Hill e Carlo Pedersoli / Bud Spencer? Cadáveres e muito sangue? Não! Violência extrema, sadismo e umas pitadas de sexo? Nem pensar! A especialidade destes dois atores italianos é a comédia, recheada de pancadaria, acrobacias, humor simples e algumas patetices.

Os westerns de Giuseppe Colizzi já davam sinais de mudança. Enzo Barboni assumiu a rutura de forma clara e resgatou a dupla de protagonistas para o seu filme. Após o grande êxito de “Trinitá, cowboy insolente”, algo que foi contra todas as expetativas, as pessoas queriam voltar a ver Trinitá e Bambino a aviar porrada nos seus adversários. O produtor Italo Zingarelli e o realizador Enzo Barboni (E.B. Clucher) fizeram-lhes a vontade. Não demorou muito a dar frutos: Foi um enorme sucesso de bilheteira na Europa, maior que o filme anterior. Mas foi também o canto do cisne porque a loucura dos westerns-spaghetti tinha acabado!


Concordo com Terence Hill, que muitos anos mais tarde afirmou que o grande mérito dos “Trinitás” foi o momento em que surgiram. O público queria algo diferente porque a enorme quantidade de westerns violentos com heróis sedentos de vingança tornou-se banal e pouco apelativo. Este filme desperta em mim sentimentos contraditórios: Pessoalmente, acho que os elementos cómicos arruínam o western. Por outro lado, divirto-me a ver Terence Hill a manejar o seu colt e Bud Spencer a “varrer” toda a gente com murros no toutiço e chapadas nas trombas. Deve ser porque a minha geração cresceu a ver em VHS os filmes desta dupla. Na minha opinião, enquanto comédia este filme alcança os objetivos. Enquanto western é uma desilusão.


A “inocente” junção de Hill e Spencer acabou por desencadear um fenómeno cinematográfico, dando origem a uma das mais carismáticas duplas da História do Cinema, uma parceria que iria durar até finais dos anos 80. Pelo caminho, ao longo de todos estes anos, muitas cenas de pancadaria cómica aconteceram, para gáudio das crianças e adolescentes de então. Aposto que Terence Hill e Bud Spencer ficaram com as mãos a arder após tantos anos a distribuir castanhas ao pessoal!


Mais algumas imagens do filme:



Trailer:

2010/03/14

Lo chiamavano Trinità... (1970 / Realizador: Enzo Barboni)


Sabata, o famoso circus-western de Gianfranco Parolini safou-se bem nas bilheteiras, La collina degli stivali idem e a coisa começou a tomar outras proporções. Enzo Barboni, o talentoso homem responsável pela direcção fotográfica de alguns dos filmes de Sergio Corbucci (Django, I crudeli, etc.), que até já tinha alcançado a realização de um filme (interessante mas não propriamente rentável), conseguia agora convencer uma produtora a lançar o seu grande - e supostamente antigo – projecto. O que lhe permitiria sair definitivamente de detrás das câmaras para assumir os comandos da “locomotiva”. Ao que parece Peter Martell e George Eastman, as estrelas dessa sua estreia enquanto realizador - Ciakmull - L'uomo della vendetta - estavam escalados para assumir o protagonismo de “Trinitá, Cowboy Insolente” (mais um brilhante título nacional). No entanto foi a dupla Terence Hill/Bud Spencer, já antes testada com sucesso na trilogia de Giuseppe Colizzi (Dio perdona... Io no!, I quattro dell'Ave Maria , La collina degli stivali), que ficou com os papeis de Trinitá e Bambino, respectivamente.


A história do filme gira em torno destes dois delinquentes que a páginas tantas acabam por salvar os indefesos agricultores locais da expropriação levada a cabo pelo corrupto vilão local. Nada de inovador portanto, dezenas de westerns americanos já haviam sido feitos com base neste modelo, mas Barboni renova a fórmula com o seu cunho pessoal. Os seus heróis são no mínimo improváveis: sujos, ladrões e devoradores de feijões! Na verdade, bastante muda com a batuta de Barboni: a violência gratuita e injustificada até agora habitual no género é reduzida a mínimos. No inicio do filme ainda vemos Trinitá e Bambino a despachar uns quantos, mas com o decorrer da acção as armas são despromovidas a simples acessórios e é ao punho e chapada que a patifaria acaba por ser enfrentada. O filme foi um sucesso, dentro do universo western-spaghetti registaria mesmo o maior encaixe financeiro do ano, dobrando os valores do segundo filme mais visto, Vamos a matar, compañeros (Corbucci), e deixando a léguas as sequelas das franchisings «Sabata» e «Sartana». A cena em que Terence Hill surge deitado numa esteira puxada pelo seu cavalo tornar-se-ia icónica, e uma sequela seria imediatamente forjada. ...continuavano a chiamarlo Trinità (1971) faria ainda maior furor nos cinemas e com este novo fôlego o spaghetti à italiana mudaria definitivamente de direcção.


Coincidência ou não, um dos maiores videoclubes da minha cidade natal, Portalegre (Alentejo, Portugal), chamava-se «Trinitá», foi lá que aluguei este filme por diversas vezes. Estas, somadas às inúmeras vezes em que o filme foi transmitido na televisão nacional, não me tiraram nunca a vontade de sorrir nas por vezes intermináveis sequências cómicas de pancadaria à Barboni. Mas com o passar dos anos olho agora de maneira diferente para “Trinitá, Cowboy Insolente”, analiticamente falando entendo agora o efeito trágico que a entrada em cena deste tipo de película causou. Ainda assim, ao contrário de muitos que têm acusado Enzo Barboni como responsável pela morte do western-spaghetti enquanto género, não consigo responsabiliza-lo pelo mal feito. Afinal de contas, em finais de 60 o género já mostrava uma grande saturação, a velha premissa «homem procura vingança» já havia sido explorada amplamente e o público do género ambicionaria agora alguma invenção. E foi isso que Barboni fez, faça-se-lhe por isso a merecida justiça. Com o modelo instituído no franchising «Trinitá» o cinema italiano ganhou mais um balão de oxigénio, o que inevitavelmente serviria apenas para que esses doidos italianos copiassem agora esta nova fórmula até à sua completa exaustão, e esses sim condenando o spaghetti-western à morte! Gente outrora conhecida pelas suas obras pessimistas e violentas, como Enzo G. Castellari ou Segio Corbucci tinham agora de adaptar o seu cinema a esta nova onda, produzindo películas a roçar a mediocridade, títulos como Tedeum ou Il bianco, il giallo, il nero, que ficaram para a posterioridade como notas negativas nos seus currículos.

“Trinitá, Cowboy Insolente” goza ainda hoje em dia de um estatuto especial sendo relativamente fácil encontrá-lo à venda. Em Portugal o filme gozou de uma edição em formato DVD pela mão da Prisvideo, a única editora nacional que ainda parece interessada em lançar filmes europeus de culto. O DVD goza de uma correcta qualidade de imagem, em widescreen 16:9, com áudio em Inglês e legendas opcionais em Português. Para além do filme, conte-se ainda com alguns extras, de onde se destaca entrevistas como a dupla Hill/Spencer. Ainda hoje em dia uma excelente opção para ver em família!

Nota:

Artigo originalmente publicado em The Spaghetti Western Database como parte integrante do destaque mensal de Março 2010: “Terence Hill & Bud Spencer – Special”. Link directo: http://www.spaghetti-western.net/index.php/Trinit%C3%A1_-_Cowboy_insolente


Trailer

2009/11/17

Preparati la bara! (1967 / Realizador: Ferdinando Baldi)


Tal o sucesso de Django (1966), surgiram quase imediatamente dezenas de filmes que se apoiaram no seu nome como chamariz para um público mais alargado. Alguns desses filmes seguiram de uma forma mais ou menos coerente as características da personagem mostrada ao mundo por Sergio Corbucci, outros (maioria) limitaram-se a adicionar o nome Django ao seu título, mas todos eles contribuíram para o culto de uma das mais místicas personagens do spaghetti-western. É por isso justo que prestemos a merecida homenagem ao sombrio pistoleiro aqui no Por um punhado de euros, expondo alguns desses filmes nos artigos que aqui se publicarão nos próximos tempos. Não deixando de ser verdade que em grande parte dos filmes de que me refiro, a utilização da marca «Django», funciona sobretudo como uma abusiva manobra de marketing, outros há que até poderemos considerar como sequelas ditas oficiais. É nesta franja que surge Preparati la bara! - em Portugal lançado como Viva Django - que cronologicamente terá de ser considerada uma prequela, já que a sua acção decorre antes da guerra da secessão. Num período em que conhecemos um Django bastante diferente do que Corbucci nos apresentou, aqui Django ainda sorri e desfruta da feliz vida de casado. Isto por breves momentos, já que a sua vida está prestes a levar uma grande volta.


Django surge aqui como escolta de carregamentos de ouro para o depósito federal, um desses carregamentos acaba no entanto por ser atacado pelo bandido Lucas (George Eastman) e seus homens, a trama é no entanto maior já que o dito Lucas age em nome de David Barry (Horst Frank) - amigo de Django e curiosamente seu patrão - que pretende utilizar esse ouro como financiamento para as suas aspirações políticas. Escapando à morte mas vendo a sua mulher morrer em frente aos seus olhos, Django promete vingança. Depois de fisicamente recuperado, o pistoleiro regressa ao povoado, onde se faz passar por carrasco. Aí supostamente fará cumprir as injustas sentenças lidas a habitantes locais, que um sistema judicial corrupto condenou injustamente apenas por se terem oposto ao bando de Lucas (testa de ferro de Barry). O plano de Django consiste no entanto em libertar estes indivíduos de uma morte certa, fazendo dos enforcamentos uma farsa, provendo-lhes com a devida antecedência um engenhoso casaco que suportará o seu peso na forca. Com este grupo de supostos enforcados, Django cria o seu exército privado que utilizará na execução da sua vingança, atormentando a vida dos “sócios” de Lucas com a reaparição destes supostos fantasmas. A edição espanhola de Preparati la bara! foi justamente intitulada de El clan de los ahorcados, que é porventura o mais esclarecedor dos títulos que o filme recebeu. Como seria de esperar a ganância destes “enforcados” levam à traição a Django, baralhando um pouco mais o enredo do filme, mas no essencial nunca se afastando em demasia da fórmula de Yojimbo (1961) - também seguida no filme de Corbucci.


Ao que parece a ideia original do produtor Manolo Bolognini e da BRC Produzione Film seria colocar novamente Franco Nero no papel de Django, com o qual haviam assinado contrato para três filmes, no entanto Nero agora elevado ao grau de estrela escapuliu-se para a mais apetecível cena de Hollywood, onde interpretaria Lancelot no oscarizado Camelot (1967). Sem o «Django» original disponível, Ferdinando Baldi (Texas, addio, Il pistolero dell'Ave Maria, Blindman) e a produtora activaram um plano de recurso, entregando o papel a Terence Hill, à data ainda relativamente desconhecido. Excelente escolha, dadas as grandes parecenças físicas entre os dois actores. Vestido de negro, Hill parece realmente uma sósia de Franco Nero. Existem cenas em que dificilmente são distinguíveis, ver para crer! Aqueles que reconhecem Terence Hill, sobretudo pelos seus papéis cómicos em Lo chiamavano Trinità... ou ...continuavano a chiamarlo Trinità, poderão criar uma falsa expectativa sobre este filme. Alerto por isso desde já para que não se deixem enganar por algum do marketing utilizado para divulgação do mesmo. Isto não é um spaghetti cómico ao bom estilo de Trinitá, aqui os sorrisos idiotas na cara do Terence Hill contam-se pelos dedos de uma mão e a contagem de cadáveres é larga (veja-se a memorável chacina da cena final).

Por conter todos os elementos que considero essenciais num bom western-spaghetti, Preparati la bara! é um daqueles filmes pelo qual tenho um carinho especial. Não sendo ainda assim uma maravilha em termos cinematográficos, há que reconhecer a Baldi e a Franco Rossetti a capacidade de conceber um filme que não choca com os pressupostos anteriormente apresentados pela personagem. Pessoalmente considero mesmo este «Django» a melhor adaptação que o cinema ítalo-espanhol pariu. Indumentária negra, caixão com metralhadora oculta, mote vingativo – está tudo lá! Destaco também a poderosa banda sonora dos irmãos Reverberi, que incrivelmente viram não há muito tempo, um dos seus temas ser samplado pelo DJ Danger Mouse, no seu projecto Gnarls Barkley. Fiquem por isso sabendo (caso não o saibam já) que o muito orelhudo “Crazy”, grande êxito do verão de 2006, foi inspirado em bandas sonoras de filmes western-spaghetti, em particular por esta.

Tal como Django, também este Preparati la bara! tem edição DVD na “Colección spaghetti western” da espanhola Filmax. É esta edição que tenho em casa e que recomendo apenas aqueles que não desgostem do formato 4:3, e que entendam minimamente a língua espanhola. Existe também no mercado uma edição brasileira da Ocean Pictures cuja qualidade som/imagem não posso infelizmente opinar.


Trailer


2009/07/28

Dio perdona... Io no! (1967 / Realizador: Giuseppe Colizzi)


Não sei como justificar, mas a verdade é que vi este filme pela primeira vez apenas no final do ano passado. Em miúdo até fui apreciador da dupla Hill & Spencer, mas com o passar dos anos criei alguns anticorpos aos seus filmes e acabei por renegar a obra inicial destes. Não fora o gentil Scherpschutter - ávido divulgador do western spaghetti na internet, onde mantém forte colaboração nos excelentes The Spaghetti Western Database e Fistful of Pasta - ainda não seria desta que daria o benefício da dúvida a este filme. Cronologicamente, Dio perdona... Io no! (1967) surge depois de algumas investidas de Terence Hill e Bud Spencer noutras andanças, marcando assim o início da famosa dupla nos grandes ecrãs (permitam que desconte para esta contagem o épico Annibale (1959)). Este encontro poderia muito bem nem ter acontecido, já que segundo reza a história, Peter Martell terá sido o eleito para o papel de Cat Stevens, sendo substituído à última da hora por Hill, que à data não tinha protagonizado nada de grande interesse. E tudo isto, alegadamente, após uma perna partida de Martell e supostas agressões à sua namorada.


Dio perdona... Io no! serve também como pontapé de saída para a trilogia spaghetti de Giuseppe Colizzi. E desenganem-se aqueles que esperam ver aqui aquele punhado de cenas hilariantes e pancadaria à parva. Dio perdona... Io no! é acima de tudo um filme sério, violento e com um enredo muito bem esgalhado - cortesia do próprio Colizzi e de Gumersindo Mollo. Girando à volta das personagens Cat Stevens (Terence Hill), Hutch Bessy (Bud Spencer) e Bill San Antonio (Frank Wolff); e consistindo na demanda de um pistoleiro mal-encarado (Terence Hill) e de um agente contratado por uma seguradora lesada (Bud Spencer), em busca de um carregamento de ouro roubado de um comboio. Isto supostamente por um tal Bill San Antonio, a marca do “trabalho” assim o indica, mas há um pequeno problema que se coloca aos nossos dois heróis, já que Bill San Antonio teria supostamente morrido há muito pela mão do próprio Cat Stevens. E mais não digo! Apesar de um bom desempenho geral dos protagonistas deste spaghetti, à que reconhecer o papel de Frank Wolff (Il grande silenzio, C'era una volta il West, Ammazzali tutti e torna solo) na pele de vilão. Wolff apresenta-se em grande estilo e acaba por dominar o ecrã - esta é na minha opinião uma das suas melhores interpretações, se não a melhor de todas.


Ao que parece existem por aí algumas versões com dobragem bem deslocada das falas iniciais, levando o filme para o universo cómico que a dupla popularizou no grande sucesso de Lo chiamavano Trinità (1970) - deste vos falarei mais tarde. Felizmente a cópia Holandesa da DFW, que me veio parar às mãos, pelo trenó do “pai natal” Scherpschutter (muito obrigado amigo!), ainda que dobrada em Inglês, não opta por este caminho, mantendo a linha orientadora do projecto original. Posteriormente Colizzi voltaria por mais duas vezes às personagens Cat Stevens e Hutch Bessy, em I quattro dell'Ave Maria (1968) e La collina degli stivali (1969), mas o seu talento tem limitações óbvias e estes têm certamente interesse bem mais reduzido. Este é muito provavelmente o melhor filme da dupla Hill & Spencer. Recomendável!
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