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29/09/2018

Quinto: non ammazzare (1969 / Realizador: León Klimovsky)

Fazendo-se passar por leprosos, um bando de foras-da-lei assalta o banco de um pequeno povoado do oeste. Com o risco de contágio a pairar no ar, a população não lhes oferece grande resistência, o que facilita o trabalho meliantes. Estes põem-se então em fuga para lugar seguro, mas nem todos chegarão vivos ao esconderijo. E pior, há um traidor entre eles, que deu sumiço ao carcanhol do roubo. 

Inevitavelmente a desconfiança apoderar-se-à do grupo e as velhas amizades serão postas em causa. O cabecilha decide então que devem esconder-se num inóspito entreposto em pleno deserto, onde tentarão passar despercebidos ás autoridades que os perseguem e ao mesmo tempo escrutinar a identidade do traidor. Azar para os locais que acabam vitaminizados pela situação, sujeitando-se aos caprichos de cada um dos párias do bando. Será porém o mais cobarde de todos a ter a responsabilidade de lhes fazer frente. 

Melhor disfarce de sempre!

Admito que não morro de amores pelos westerns do León Klimovsky, mas tenho de lhe dar uma palmadinha nas costas por este “Quinto: non ammazzare”, que apesar de paupérrimo enquanto western de acção, sobrevive relativamente bem enquanto thriller. Quem o queira conferir saiba que não está disponível em formato digital, além de umas transferências foleiras do VHS. Uma pena!  

21/03/2017

Lo ammazzò come un cane... ma lui rideva ancora (1972 / Realizador: Angelo Pannacciò)

Assaltaram o rancho de Nick Barton! Rapinaram e mataram tudo e todos! Ou será que não? O patriarca estava ausente e, consequentemente, safou-se. A sua filha Suzy escapou à morte mas foi selvaticamente torturada e violada! Todos os outros membros da família ganharam um lugar no cemitério. O ataque foi da responsabilidade de Ransom e dos seus pistoleiros (um deles é irmão do xerife). Kimble, um tipo misterioso que veste um sobretudo preto, usa o cinturão a tiracolo e anda com uma flauta ao pescoço, já está farto das brutidades de Ransom e decide dissolver a sociedade, abandonando o grupo. O seu ex-chefe não fica nada satisfeito e planeia fazer-lhe a folha brevemente. Enquanto isso, Nick Barton chega a casa e depara-se com um quadro verdadeiramente dantesco! Sepulta os mortos, cuida da filha e parte em busca de vingança. Encontra casualmente Kimble (este diz que conhece os agressores), Barton paga-lhe mil dólares para o ajudar nesta demanda e ambos unem forças.

O justiceiro sedento de vingança!

À medida que o tempo vai passando, os bandidos ficam cada vez mais nervosos, de tal modo que Ransom mata o irmão do xerife numa estúpida discussão. O xerife, quando sabe do ocorrido, passa-se da marmita! As culpas recaem injustamente sobre Kimble. Entretanto, o flautista e o rancheiro Barton continuam a cuspir fogo dos seus revólveres e todos os culpados do ataque ao rancho são eliminados. Tudo parece resolvido até que… a sinistra melodia de uma flauta desperta más recordações a Suzy!

Flautista de Hamelin? Não! Flautista dos westerns!

Assinado sob o pseudónimo Mark Welles, Angelo Pannacciò assinou um western-spaghetti interessante feito com meia dúzia de trocos, revisitando cenários degradados e sujos, tal como manda o protocolo. Alguns anos mais tarde, o realizador abandonou as pistolas e os chapéus e dedicou-se a outros “tiros” na indústria porno. Em suma: “Death Played The Flute” é série B da cabeça aos pés.

02/09/2014

La Belva (1970 / Realizador: Mario Costa)

Por esta altura da sua vida profissional Klaus Kinski estava no auge. Era um ator com grande reputação e com um estatuto que muitos ambicionavam ter. Tinha a fama (e o proveito) de ser um tipo conflituoso, de mau génio, de acessos de fúria. A sua personalidade narcisista fazia aumentar o seu número de inimigos no mundo do cinema mas o que é certo é que nunca lhe faltou propostas de trabalho. Segundo a sua autobiografia Klaus Kinski levava uma vida de luxo e precisava de estar sempre a trabalhar porque as mansões, os carros topo de gama, as viagens exóticas e as extravagâncias de outra ordem (entenda-se putas e vinho verde) não eram possíveis se não houvesse muito dinheiro. Deste modo, Kinski aceitava praticamente tudo o que lhe ofereciam a nível profissional. 


Conta no seu currículo registos sob a batuta de lendas como David Lean, Sergio Leone e Sergio Corbucci mas também trabalhou com nomes mais humildes como Giuseppe Vari, Demofilo Fidani, Enzo Gicca Palli ou Mario Costa. Com este, Kinski protagoniza um western fraco, de baixa qualidade, desinteressante mas o personagem que encarna assenta-lhe que nem uma luva. Ele é Johnny Laster, um tarado sexual maluco dos cornos que fica alucinado sempre que vê uma mulher. Mas quando tenta alguma coisa com elas as mulheres afastam-no porque o gajo é mais bruto do que uma carrada de porcos! Sexo e dinheiro são drogas viciantes e quando surge uma oportunidade de ganhar uma bela soma através de um esquema de burla, rapto, vigarice e traição Johnny não diz que não, desde que isso implique ficar mais rico e poder papar as mulheres que quiser.


Para a história ficam as inúmeras discussões entre Klaus Kinski e Mario Costa. Um achava-se o centro do universo e o outro não conseguia controlá-lo. As zangas subiam de tom até que Mario Costa disse algo como “eu vou fazer com que sejas expulso de Itália! E vou fazer de tudo para que nunca mais faças nenhum filme!”. E Kinski, na sua habitual delicadeza semelhante às patas de um urso, ripostou: “Só eu e Deus é que sabemos se faço mais filmes e não um verme como tu! Mas muito antes disso tu já estarás estendido no caixão!”. Não se lhe conhece qualidades de profeta mas Klaus Kinski acertou. Ao fim de alguns meses o realizador Mario Costa morreu e Kinski continuou a somar filmes no seu currículo. A sua longa batalha profissional e pessoal terminou no dia 23 de novembro de 1991. Um ataque cardíaco fulminante colocou o ponto final. Tinha 65 anos.


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