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2019/05/06

Johnny Oro (1965 / Realizador: Sergio Corbucci)

A canção diz tudo: “Il suo unico amore era l’oro”! Esta é a história de Johnny Oro (Mark Damon), um pistoleiro sorridente que tem uma cremalheira impecável, um bigodinho à Cantinflas e um revólver dourado. O xerife Bill Norton (Ettore Manni) é quem manda na cidade de Goldstone. Norton decretou que é proibido o uso de armas de fogo na cidade. Johnny Oro não sabia dessa regra e é metido na pildra. Mas problemas maiores estão para acontecer: o xerife tem um contencioso com os Apaches porque expulsou da cidade o chefe deles (estava bêbado e armou briga no saloon). 


Johnny Oro tem um contencioso com os mexicanos porque matou uns quantos que o desafiaram. Os mexicanos são velhacos. Os Apaches são ainda piores. Ambos os grupos, liderados por Juanito Pérez e pelo índio Sebastian, unem forças e vão atacar a cidade à bruta! É impossível o exército chegar a tempo para ajudar. Borrada de medo, a população abandona a cidade. 

Johnny Oro armado em engatatão!

Barricados no escritório estão Bill Norton, a sua esposa, o seu filho, um velho bêbado e Johnny Oro. Cinco pessoas contra dezenas de agressores! Mas Oro e o xerife nada temem porque, como diria o antigo treinador do Benfica, Fernando Cabrita, “vamos a eles que nem Tarzões”! Este filme é considerado uma obra menor de Sergio Corbucci

A ferramenta dourada do protagonista.

O cerco à cidade é claramente inspirado em “Rio Bravo”, Ettore Manni tenta imitar o xerife John T. Chance (John Wayne) e o velho rabugento que dispara um velho arcabuz é uma homenagem a Stumpy (Walter Brennan). Anos mais tarde, a fórmula claustrofóbica de “ninguém entra, ninguém sai” passou a ser a imagem de marca do excelente realizador John Carpenter.

2019/04/22

La Banda J. & S. cronaca criminale del Far West (1972 / Realizador: Sergio Corbucci)

Anno Domini 1972: estreia “Sonny and Jed” (título internacional). O ator cubano Tomas Milian, ainda com a mesma boina à Che Guevara que usara anteriormente com Corbucci, é o protagonista do filme. Mas o cineasta italiano nunca foi coerente. Houve sempre altos e baixos. Corbucci tanto era capaz de sacar westerns geniais como também realizava umas larachas de meia-tigela. Mas vamos ao que interessa:O xerife Franciscus (Telly Savalas) anda atrás do bandido Jed Trigado (Tomas Milian). Numa das suas fugas, Jed cruza-se casualmente com Sonny (Susan George), uma moça loira, atraente e (ainda) virginal. Ela quer unir-se a Jed e seguir o caminho do crime.

Tomas Milian: uma espécie de Che Guevara de pacotilha!

Relutante, Jed aceita-a. Mas Sonny irá rapidamente perceber que essa vida não é fácil, especialmente porque Jed é bruto que nem uma camioneta de porcos e trata-a como um cão (aliás, abaixo de cão)!Refugiam-se numa casa de putas, Jed enfarda à bruta um prato de esparguete, Sonny dá coices porque não quer ser prostiputa, perdão, prostituta, Jed enxovalha-a constantemente, Sonny apanha uma puta de uma bebedeira, fica com a passareta aos saltos, há atração sexual entre ambos e… lenha para a máquina!

Ambos os protagonistas na casa de alterne.

Casam-se pela igreja, roubam o padre e iniciam uma sociedade de gamanço. Assaltam lojas, armazéns, casas de jogo, bancos, correios e a lei oferece 5 000 dólares pela captura de ambos. Mas o casal tão depressa anda à bulha como logo a seguir anda aos linguados e a enterrar a faca, tal como em época de cio!

Telly Savalas e a sua famosa careca!

O xerife Franciscus não desiste e vai até às últimas consequências para eliminar esta dupla, principalmente porque o xerife ficou cego quando foi atacado por Jed e Sonny. Eles que se ponham a pau porque Franciscus pode ter ficado cego mas de parvo não tem absolutamente nada.Para terminar, eis a frase de lançamento: “Ladrão, zombeteiro, generoso, sanguinário, imoral. Era assim o chefe do bando J. e S., que espalhou o terror no Novo México e no Texas”!

2016/12/29

Fora de tópico | Lançamento "May God Forgive You... But I Want" & "Massacre At Grand Canyon"


Depois de muita especulação e promessas falhadas, "Chiedi perdono a Dio... non a me" chega finalmente à colecção spaghetti-western da Wild East. Este filme dá uma sequência solta q.b. ao bem mais conhecido "Cjamango" (aqui resenhado pelo Emanuel). Um bom filme que vale a pena conferir. Também no pacote, aparece "Massacro al Grande Canyon", o primeiro western realizado por Sergio Corbucci, que curiosamente não vê o seu nome creditado na ficha técnica. Já está à venda!

2015/04/26

Filme completo | Django (1966)



O fim-de-semana está aborrecido e não sabem bem o que fazer para passar o tempo? Aceitem então esta sugestão. Versão do clássico de Sergio Corbucci, "Django", em formato HD e dobrado em português do Brasil. Uma versão deliciosa em que encontrarão trechos de musicas de outros filmes (C'era una volta il West) a substituir a banda sonora original de Luis Bacalov. Um mimo! 

2014/07/08

Bandas sonoras | "Il Grande Silenzio" de Ennio Morricone

Naquele tempo, Sergio Corbucci era um dos melhores realizadores italianos e demonstrou toda a sua genialidade com o extraordinário e muito violento “Django”. A sua colaboração com o compositor argentino Luís Enriquez Bacalov foi muito boa mas os melhores devem trabalhar com os melhores e, inevitavelmente, os caminhos de Sergio Corbucci e Ennio Morricone estavam destinados a cruzar-se. “Il Grande Silenzio” é uma banda sonora que foge um pouco dos habituais registos de Morricone em westerns. O compositor aposta essencialmente em temas mais contidos e menos extravagantes. Algumas passagens sugerem ambientes soturnos, medonhos, fantasmagóricos, sobrenaturais. A faixa “Invito all’amore”, por exemplo, alude ao ambiente romântico entre Silenzio e Pauline enquanto que “L’ultimo gesto” espelha muito bem a dor do protagonista quando este é derrotado pelo vilão. Uma coisa é certa: quem sabe, sabe e o maestro Ennio Morricone é um génio da música. Mas qualquer pessoa minimamente informada já sabe isso!

2014/02/18

Fora de tópico | Lançamento "Franco Nero Western Collection"



Em meados de Abril a editora alemã Koch Media coloca nas lojas mais uma caixa dedicada ao western-spaghetti. Este novo pacote surgirá no formato DVD e blu-ray e será tematicamente dedicada ao astro italiano Franco Nero. Para além de "Il mercenario", que já havia sido anteriormente lançado pela editora, contém também com o quase-spaghetti "L'uomo, l'orgoglio, la vendetta" e o execrável "Cipolla Colt".

2014/01/21

Gli Specialisti (1969 / Realizador: Sergio Corbucci)

Sergio Corbucci volta ao ativo! Desde 1964 que este prolífico cineasta não tem feito praticamente mais nada senão andar envolvido em westerns. Sempre com muito trabalho para fazer e envolvido em tantos projetos o homem andava sempre a mexer de um lado para o outro. Com Corbucci há westerns para todos os gostos: geniais, bons, razoáveis e maus. Este que vamos agora falar não passa do razoável. 

O xerife da cidade de Blackstone impôs uma nova lei: é proibido andar com armas de fogo na cidade e nos arredores. Os cidadãos ainda estão abalados com o recente assalto ao banco. O homem que alegadamente roubou o dinheiro é detido e imediatamente linchado pela população. O dinheiro desaparece. As pessoas ficam preocupadas com as suas poupanças e, pior ainda, temem o regresso de Hud, o pistoleiro. 


Enquanto que o xerife, o mexicano maneta El Diablo e Virgínia, a dona do banco, querem saber onde está escondido o dinheiro, Hud quer saber o que realmente aconteceu ao seu irmão Charlie, acusado de roubo e morto na forca. Inexplicavelmente, ao longo de todo o filme, deambulam quatro hippies que ninguém sabe de onde vieram e qual a sua utilidade no enredo (as drogas e o sexo não podiam faltar, obviamente).


Este “Gli Specialisti” é um daqueles westerns que não aquece nem arrefece. Conta com um elenco modesto composto por muitos franceses. A liderar está o lendário músico Johnny Hallyday, à época uma das grandes estrelas europeias e cujo sucesso na música lhe valeu o cognome de “Elvis Presley francês”. Em suma, dir-se-ia que os fãs de Johnny Hallyday vão gostar deste filme. Eu, enquanto admirador de Sergio Corbucci, acho que tinha obrigação de fazer muito melhor.




Trailer:

2013/07/09

Il mercenario (1968 / Realizador: Sergio Corbucci)

Primeiro, a tendência era fazer westerns cujo tema era o dinheiro, os caçadores de recompensas, os pistoleiros e os bandidos. Depois começaram a surgir westerns-spaghetti sobre a revolução mexicana e as razões eram óbvias. Em todo o mundo, vários acontecimentos de cariz político na década de 1960 marcaram a História para sempre: a revolta estudantil de Paris de maio de 1968, a tensão constante da Guerra Fria, os dramas da guerra do Vietname e da guerra colonial portuguesa, as mortes de Che Guevara, Malcom X e Martin Luther King… Tudo isso influenciava os realizadores italianos, muitos deles defensores dos ideais de esquerda, que agora ansiavam por fazer filmes com forte componente política.

Sergio Corbucci, um dos cineastas italianos mais ativos, decidiu então fazer uma “fábula proletária” dura, violenta e irónica. Tratava-se de uma grande produção (a cargo de Alberto Grimaldi) que contava com nomes importantes como Franco Solinas, Giorgio Arlorio e Luciano Vincenzoni no argumento, Ennio Morricone na música, Franco Nero, Tony Musante e Jack Palance na interpretação. O filme relata os conflitos entre o ganancioso mercenário polaco Sergei Kowalski, o rebelde mexicano Paco Roman e o sádico e excêntrico Curly. O encontro deste trio numa praça de touros é um momento extraordinário que fica para a História!


No argumento inicial estava previsto um final pessimista em que Paco era morto pelo mercenário para este receber o dinheiro da recompensa oferecida pelas autoridades mexicanas. Isso sim, seria um golpe de mestre mas infelizmente esse final foi rejeitado. Apesar de se tratar de um filme que aparentemente defende os ideais de esquerda (revolta contra a opressão da classe operária, crueldade do patronato, ganância dos mais poderosos, referências a Simon Bolívar), Corbucci aplicou mais uma vez a sua visão cínica. Apesar das lutas sangrentas pela liberdade e igualdade, o facto é que Paco Roman fica deslumbrado com o seu estatuto e acaba por cometer os mesmos erros daqueles que ele tanto odiava! 


Na minha opinião, este filme é uma crítica consciente à revolução e a todo o processo envolvente. A revolução é um ato violento que deixa sequelas nefastas porque há a tendência de extremar posições e classificar tudo entre bons e maus. Mas nem sempre aqueles que são apelidados de “bons” têm toda a razão e nem sempre aqueles que são apelidados de “maus” são monstros horríveis.


Mais lobbys:



Trailer:

2013/06/18

Bandas sonoras | "I Crudeli" de Ennio Morricone

Tem sido cada vez mais difícil encontrar uma ferramenta que permita dar-vos musica sem sermos apelidados de piratas informáticos ou pior. Felizmente parece que o modelo apresentado pelo Spotify vem democratizar esta questão. Relançamos por isso agora em parceria com o dito portal, a nossa secção de bandas sonoras. Desta vez propomos-vos o trabalho de Ennio Morricone para "I Crudelli", um dos westerns menos badalados de Sergio Corbucci mas cuja mirabolante estória não vão querer perder. 

Tudo gravita em torno de um bando de renegados sulistas que transporta um carregamento de ouro refundido num carro fúnebre. Ouro que acreditam poder vir a financiar o ressurgimento do seu bem amado exército confederado. O filme não é nada mau e a banda sonora também não, especialmente o tema base que é super catchy. E por curiosidade saibam que este trabalho haveria de ser reciclado alguns anos mais tarde por Alfonso Balcázar no seu western-spaghetti de baixo orçamento, "Il ritorno di Clint il solitario", que obviamente não ombreia com este aqui. 


2013/02/18

Fora de tópico | O regresso de “Django” aos cinemas portugueses

Mais de quarenta anos depois "Django" volta a ser anunciado numa sala de cinema portuguesa

Aproveitando a nova vaga de interesse que o western-spaghetti está a receber por estes dias (mais de quarenta anos após a sua fase dourada), o Espaço Nimas voltou este sábado a exibir num cinema nacional o “Django” original de Sergio Corbucci. E beneficiando da presença de Franco Nero em Portugal – onde filma “Cadências Obstinadas” – a organização conseguiu mesmo que o verdadeiro «Django» apresentasse o filme aos seus fãs portugueses. 

Em cerca de 30 minutos de conversa conduzida por Paulo Branco, o actor partilhou algumas curiosidades sobre o filme bem como o processo que o levou à recente colaboração com o bem-amado Quentin Tarantino. Curiosamente nunca respondendo claramente sobre o que realmente tinha achado do resultado final desse “Django Libertado”. Relatando no entanto algumas curiosidades sobre a ideia delirante que tentou impingir a Tarantino. Basicamente Nero representaria o pai de Jamie Foxx, mas que vá-se lá saber porquê não convenceu Tarantino. 

Franco Nero explica como a personagem mudou a sua vida

E porque as filmagens de “Cadências Obstinadas” continuavam pela noite dentro, não foi possível contar com muito mais do tempo do actor. O que de certa forma causou alguma decepção aos mais de 200 espectadores que lotaram o Espaço Nimas, que se viram assim sem hipótese cravar uns autógrafos e fotografias ao herói do western europeu. Sobre uma chuva de palmas o actor lá seguiu o seu caminho mas a noite continuou em grande, com a exibição do mítico filme na grande tela. 

Discutia-se qual seria a versão a exibir e para felicidade generalizada da equipa do POR UM PUNHADO DE EUROS, a escolha recaiu pela versão original em italiano. A maioria da audiência não seria desconhecedora do filme mas a julgar pela média de idades poucos o terão visto alguma vez neste formato. E até eu que sempre considerei que “Django” era uma obra algo sobrevalorizada pela crítica e fãs, tive de admitir que a obra de Corbucci ganha uma imponência avassaladora neste formato, que realça todos os pormenores ao olho e ouvido do espectador. 

O amigo José Ferreira (à direita) também aceitou o nosso desafio e engrossou a nossa equipa

O evento serviu também para que finalmente conhecêssemos pessoalmente o amigo e colaborador ocasional do blogue, Vitor Louçã (lembram-se da resenha de “Le goût de la violence”?), com quem eu até já troquei perto de um milhar de emails mas com quem nunca tinha tido a oportunidade de estar cara a cara. Inadmissível para uns tipos que até vivem em concelhos vizinhos. 

Saldo muito positivo portanto. Mas apesar desta bonita efeméride, é preciso aproveitá-la para recordar que Portugal é um dos poucos países europeus em que “Django” não está disponível em formato DVD ou Blu-ray. Do que é que estão à espera senhores editores?!

O Vitor Louçã (à esquerda) também fez um blitzkrieg até ao Nimas



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