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07/06/2016

Due once di piombo (1966 / Realizador: Maurizio Lucidi)

A vida dos habitantes de Houston tornou-se num pequeno inferno desde que a banda de Joe Clane assentou amarras, mas a sorte dos patifes vai mudar com a chegada de um novo rosto à cidade, Pecos! Este bizarríssimo pistoleiro mexicano terá sido porventura a personagem mais popular de todas as que o norte-americano Robert Woods protagonizou. O filme foi inicialmente concebido como capitulo único e foi inclusive testado com um final pessimista em que o herói sucumbia, mas segundo apurámos quando entrevistámos o actor, a prova feita num cinema de Nápoles serviu para redefinir o rumo da personagem, tal o protesto da audiência contra a falta de sorte do mexicano. A aceitação do filme acabaria por ser tal, que uma sequela oficial surgiria no ano seguinte (Pecos è qui: prega e muori). A realização de ambos ficou a cargo de Maurizio Lucidi, que apesar de ter por essa altura uma boa bagagem como editor, estreava-se aqui no filone. Lucidi presenteia-nos com um western violento, cheio de vilanagem bruta dos queixos, cortesia de gente como George Eastman (que se estreava no género), Peter Martell ou Sal Borgese, todos com um tempo de antena estupidamente curto, culpa do amigo Pecos!

Robert Woods é Pecos Martinez!

A trama não é ruim, mas é demasiado fácil colá-la ao seminal Per un pugno di dollari, senão vejamos. Em ambos um pistoleiro desconhecido chega à cidade, envolve-se com os pulhas locais, a páginas tantas leva um enxerto de porrada, mas depois de lamber as feridas volta para lhes limpar o sebo.

As reciclagens nos filmes italianos não são factor de estranhamento para gente vacinada, e a verdade é que a mesclagem aqui feita resulta decentemente. Talvez por isso, o filme conseguiu um encaixe anormal para o tipo de produção tão low budget. E por falar em colagens, mais descarada ainda é a fotocópia que Lallo Gori fez do hit “House Of The Rising Sun” dos The Animals, aqui transformado em “The Ballad of Pecos”, pela voz de Bob Smart. 

Eixo do mal: Pier Paolo Capponi, Peter Carsten, George Eastman. 

A personagem de Robert Woods tem tanto de interessante como de caricata. O tipo aparenta ser um um peone esfomeado, mas por andar armado é imediatamente conotado como encrenqueiro, «mel» para os «ursos» do povoado, está claro. Porém a chegada dele à cidade não é casual, Pecos tem a sua própria agenda e isso garantirá muito chumbo quente ao longo dos oitenta e tal minutos do filme.

O DVD da Koch Media vem com uma entrevista recente a Woods, nesta o actor afirma que só aceitou o papel no filme na condição de ser caracterizado de forma a assemelhar-se tanto quanto possível com um verdadeiro mexicano. Em vez disso a mim pareceu-me que o transformaram num pistoleiro de olhar vesgo. Felizmente não lhe fizeram assim tantos grandes planos às fuças e desta forma a coisa escorrega naturalmente.

Neste filme a máxima aplica-se: mulher sofre!

Curiosamente o mítico medium/realizador, Demofilo Fidani, senhor de uma obra incontestavelmente ruim, assumiu neste primeiro filme da saga Pecos, funções na equipe técnica. Também o estimado Joe D'Amato por lá se passeou de câmara na mão. Tudo gente que nos anos seguintes assumiriam a «vanguarda» do western-spaghetti  de série z. Já Maurizio Lucidi, abandonaria esta linha mais dura e a partir daqui enveredaria pelos tortuosos caminhos do western cómico (La più grande rapina del west, Si può fare... amigo). Lá chegaremos!

27/01/2015

Storia di karatè, pugni e fagioli (1973 / Realizador: Tonino Ricci)

O final dos anos setenta o western-spaghetti já esperneava por todo o lado. Os fãs já tinham visto tudo e estavam saturados, outros filões já começavam a ganhar terreno e o western-spaghetti via como forma de sobrevivência a adição de algo novo na velha fórmula. Tonino Ricci (Il dito nella piaga) tal como ou Mario Caiano em “Il mio nome è Shangai Joe” ou Antonio Margheriti em “Là dove non batte il sole” (1974), arriscou um crossover entre o western-spaghetti e o cinema de acção de cunho oriental. Hoje em dia todos nós nos lembramos bem de sucessos como a franquia iniciada em “Shanghai Noon” (2000) - protagonizada por Jackie Chan, Owen Wilson - mas recordaremos que nos setentas o cruzamento entre os dois mundos ainda era algo pouco comum e o cinema de artes-marciais ainda não era muito difundido no resto do mundo. Coisa que mudou com o entrar em cena de Bruce Lee e o «boom» dado pelo mítico “Enter the Dragon”, e claro, com a crescente popularização das produções da Shaw Brothers e afins.


Na história deste “Storia di karatè, pugni e fagioli” apresentam-nos dois assaltantes de fraca astúcia, que a páginas tantas se vêm recrutados para uma missão de resgate da filha do banqueiro local. Quem já viu o bem mais conhecido “Là dove non batte il sole” pode já ter uma ideia de como as coisas se desenrolarão também por aqui, mas neste “Storia di karatè, pugni e fagioli” arrepiou-se caminho pelos meandros do western anedótico, que se tornara entretanto viral pelo génio de Enzo Barboni. Os dois assaltantes são por isso facilmente comparáveis às figuras icónicas de Terence Hill e Bud Spencer, mas infelizmente para o espectador, sem a mesma piada. Ainda que sem o mesmo toque de midas, Ricci consegue manter alguma coerência e ritmo, coibindo-se de ultrapassar as barreiras da parvoíce destrambelhada, de que tantos outros falharam em escapar. Falhou porém na habilidade em filmar cenas de pancadaria com a mesma mestria que a irmandade Shaw nos habituaria, e é isso que arruína o filme. 


Iwao Yoshika que não se fez velho por estas andanças interpreta Moikako Fujibashi, um cozinheiro que Buddy Piccolo (Cris Huerta) salva da forca. Sob divida de gratidão o japonês passa a seguir o gorducho para todo o lado, desferindo - está claro - muita punhada sobre os trastes por detrás do rapto. Mas o nome de topo neste cartaz é o do americano Dean Reed, persona non grata nos Estados Unidos da América devido ás suas fortes crenças politicas, mas um nome sempre rentável nas bilheteiras europeias, russas e da América do Sul. Por estes dias o «filone» estava nas lonas, mas ainda e sempre não faltou trabalho para o seboso Fernando Sancho que veste aqui pela enésima vez o papel de vilão mexicano, um piloto quase automático para o actor espanhol. 


Á data que escrevo estas linhas não existem ainda grandes opções para conferir este título no conforto dos nossos sofás, a única edição DVD conhecida é da chancela da germânica Savoy film, “Fäuste, Bohnen und Karate”, mas a menos que sejam fluentes na língua dos comedores de salsichas terão dificuldades em seguir a acção do filme. Felizmente já rola por aí um fandub com áudio em Inglês. Sejam valentes e procurem-no!


Mais propaganda bafienta usada pelos "nuestros hermanos":


18/03/2014

Indio Black, sai che ti dico: Sei un gran figlio di... (1970 / Realizador: Gianfranco Parolini)

México, 1867. O Imperador Maximiliano governa o país com mão de ferro. As suas tropas e os seus espiões controlam tudo e todos. Benito Juarez, o chefe da resistência, coloca em Ocaño a responsabilidade de recrutar o maior número possível de combatentes para ajudar a derrubar os inimigos mas poucos homens aceitam a missão. De seguida encontram-se com o famoso pistoleiro Sabata / Índio Black (Yul Brynner) e com o seu sócio Ballantine (Dean Reed). O grupo une forças e dirige-se para o quartel-general de Skimmel, o implacável oficial europeu que opera naquela zona, a fim de roubar o ouro do governo para financiar a revolução. A partir daqui temos muito tiroteio, explosões de fazer tremer a terra, porrada que até ferve e arriscadas acrobacias de fazer pele de galinha! Além dos carismáticos Yul Brynner e Dean Reed, o elenco é preenchido pelo barrigudo Pedro Sanchez, o ágil Sal Borgese, o gélido Gérard Herter e ainda uma breve aparição da belíssima Nieves Navarro.


Este filme suscita-me várias interrogações: o protagonista chama-se “Sabata” ou “Índio Black”? Este filme faz parte da “trilogia Sabata” ou apenas os dois filmes com Lee Van Cleef é que contam? Se Yul Brynner é definitivamente Sabata então porque é que Lee Van Cleef não foi o escolhido, já que no ano seguinte voltou a encarnar o personagem também sob a batuta de Parolini? Será que foi uma questão de dinheiro? Mas então Yul Brynner, um dos mais bem cotados atores daquela época, era mais barato do que Lee Van Cleef? Não creio. Assim se mantém um cisma que nunca foi devidamente explicado.


Talvez a ideia inicial fosse que Índio Black desse origem a uma nova sequela / trilogia mas como o sucesso de “Hei amico, c’è Sabata… hai chiuso!” no ano anterior foi grande a produção decidiu mudar o nome Índio Black para Sabata para lucrar mais alguns trocos, especialmente no mercado internacional. Não há dúvida que Índio Black e Sabata têm várias coisas em comum: ambos são excelentes atiradores, são motivados pelo dinheiro, têm um parceiro mexicano gordo e barbudo e beneficiam da espetacular destreza de acrobatas ciganos. Um deles até consegue lançar pequenas bolas explosivas com extraordinária precisão apenas com a ponta da bota! Imaginem a carreira que este tipo poderia ter tido no futebol de alta competição…

Mais alguns lobbys:



Trailer:

15/12/2010

Una nuvola di polvere... un grido di morte... arriva Sartana (1970 / Realizador: Giuliano Carnimeo)


Sartana abate três supostos homens da lei que aterrorizam um juiz e sua filha, de seguida entrega-se às autoridades da presidiária local. Os carcereiros espancam-no e colocam-no dentro de grades. Pouco depois, uma troca de olhares com um dos prisioneiros indicia o jogo de Sartana. Afinal o nosso herói de capa negra fez-se encarcerar para chegar a Grande Full (Piero Lulli), o mais célebre dos aprisionados. Grand Full parece saber o paradeiro de uma elevada soma de dinheiro, parte em ouro e parte em notas falsificadas. Tudo indica que o lote esteja escondido em Grandville, para onde cavalga Sartana depois de se evadir da prisão. Lá ficamos a saber que meia cidade está interessada no dinheiro, incluindo um xerife corrupto (Massimo Serato), um general e seu bando de malfeitores (José Jaspe), uma viúva-alegre (Nieves Navarro), um velhote engenhoso (Franco Pesce) e até um agente federal (Frank Braña). Mas ninguém sabe ao certo o paradeiro do dinheiro. Sartana inicia então a sua própria investigação do caso, prometendo parceria com todos os anteriormente mencionados, que afinal apenas manipulará na sua grande caça ao tesouro.

Este foi o quarto e último filme protagonizado por Gianno Garko para a franquia Sartana. É também aquele que mostra um argumento mais elaborado, sempre embebido num clima de suspense, não muito distante dos filmes de detectives. Cheio de flashbacks e outros demais clichés dessa vertente: um assassinato por resolver, uma elevada soma de dinheiro desaparecido, um punhado de implicados, etc. “Una nuvola di polvere... un grido di morte... arriva Sartana” é também o titulo que compila as mais forçadas e inacreditáveis engenhocas que Gianfranco Parolini e Giuliano Carnimeo foram introduzindo nos títulos anteriores da saga.

O auge da patetice é atingido com a entrada em cena de um órgão de tubos que afinal serve como letal arma, ora transformado em canhão ora em metralhadora. A par da máquina de costura de “Aleluia” este é um dos momentos mais irrealistas de todos os westerns-spaghetti que já assisti. É claro que em “Testa t'ammazzo, croce... sei morto... Mi chiamano Alleluja” Carnimeo assinava propositadamente um western cómico, e aí sim, tudo é permitido! Outra das engenhocas mais embaraçosas é Alfie, um boneco índio que se move através de um sistema mecânico. Já a habitual Derringer, que Sartana sempre usou foi aqui suplantada pelo mais corriqueiro Colt. Uma pena!


“Sartana, o vingador” - título português - não está até à data em que escrevo estas linhas, disponível no mercado português. Aos que se dão bem com o espanhol recomendo o DVD da Impulso Records (incluído na “La colección sagrada del spaghetti western”), que contem o filme num formato widescreen e com uma imagem cristalina.

E com estes breves comentários dizemos não um “adeus”, mas um “até já” ao nosso amigo Sartana. Os filmes que incluímos neste ciclo, são provavelmente os mais notáveis da saga, mas existem obviamente muitos mais com a sua marca. Filmes que de um modo ou de outro se apropriam da personagem, mas que na sua maioria para além do nome “Sartana” pouco mais têm em comum com as características definidas quer por Parolini quer por Carmineo. Alguns desses filmes são realmente intragáveis, outros até cumprem os mínimos de divertimento, mas a seu tempo lhes dedicaremos o seu espaço no “Por um punhado de euros”. Em breve estaremos no Natal, quem sabe o Pai Natal não vos põe um “Sartana” no sapatinho!


Para aguçar o apetite aqui fica mais um punhado de lobby cards:



Trailer:

10/11/2010

Sono Sartana, il vostro becchino (1969 / Realizador: Giuliano Carnimeo)

Como se sabe, vários heróis foram responsáveis pelo enorme número de cadáveres nos westerns-spaghetti. Alguns deles “limparam o sarampo” a mais malandros num só filme que todos os pistoleiros dos westerns americanos em toda a sua carreira! O carismático Sartana foi um desses heróis! Naturalmente, como é habitual à boa maneira italiana, a fórmula foi espremida ao máimo até à última gota! Em 1969, Clint Eastwood era sinónimo de “Homem Sem Nome”, Franco Nero “Django”, Giuliano Gemma “Ringo” e Lee Van Cleef “Sabata”. “Sartana” foi imortalizado pelo rosto e presença do actor Gianni (John) Garko! Este segundo filme da saga é para mim o momento mais alto mas a fórmula sempre teve a teimosa tendência para se tornar repetitiva!


Um grupo organizado consegue assaltar aquele que era tido como o banco mais seguro do Oeste. Além do golpe ter sido perfeito, o famoso pistoleiro Sartana foi identificado entre os demais! A urgência de recuperar o dinheiro roubado leva a que seja oferecida uma recompensa de 10 000 dólares pela cabeça de Sartana. Os melhores caçadores de recompensas fazem-se à estrada, ignorando um pormenor: Sartana não é culpado e o seu nome foi manchado indevidamente! A partir daí, o protagonista tenta descobrir pessoalmente a verdade, através dos habituais meios violentos. Este filme, que talvez para a maioria passe despercebido, conta com um rico leque de vedetas dos westerns-spaghetti. A saber: Gianni Garko, Klaus Kinski, Frank Wolff, Ettore Manni, Gordon Mitchell e José Torres.


Tudo resumido, “Sartana está de volta” (título em Portugal) é um filme que não desilude mas em muitos aspectos é, infelizmente, mais do mesmo! Para aguçar o apetite dos mais curiosos, uma nota: Há quem diga que a capa que Sartana veste (longa capa preta com a parte interior vermelha) foi inspirada em uma célebre personagem da BD, o ilusionista Mandrake! Não sei se é verdade ou não mas fica a ideia. Provavelmente só Gianfranco Parolini é que poderá revelar a verdade sobre o assunto!


Clip: