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2015/07/01

Fora de tópico | Lançamento "Cemetery Without Crosses"


Daqui a três semanas chega ás lojas pela mão da Arrow, a novíssima edição em DVD e blu-ray do super-clássico "Cemitério Sem Cruzes". Esta é provavelmente a mais aguardada edição de um western-spaghetti, tal a mingua que este filme tem provocado aos fãs do género. Detalhes da edição abaixo:

Brand new 2K restoration of the film from original film elements
High Definition Blu-ray (1080p) and Standard Definition DVD presentations
Original Italian and English soundtracks in uncompressed PCM mono audio
Newly translated English subtitles for the Italian soundtrack
Optional English subtitles for the deaf and hard of hearing for the English soundtrack
Remembering Sergio – an all-new interview with star and director Robert Hossein, filmed exclusively for this release
French television news report on the film’s making, containing interviews with Hossein, and actors Michèle Mercier and Serge Marquand
Archive interview with Hossein
Original theatrical trailer
Reversible sleeve featuring original and newly commissioned artwork
Illustrated collector’s booklet containing new writing by Ginette Vincendeau and Rob Young
DETAILS:
Region: A+B/1+2
Rating: 15
Cat No: FCD1121
Duration: 90 mins
Language: Italian/English
Subtitles: English/English SDH
Aspect Ratio: 1.66:1
Audio: 1.0 PCM
Discs: 2
Colour

Podem encomenda-lo aqui.

2012/11/06

Le goût de la violence (1961 / Realizador: Robert Hossein)

Devo começar por dizer que “Le goût de la violence” é uma pequena jóia de filme, daqueles que se vem inúmeras vezes sem cansar. Quem me conhece, provavelmente, sabe que trata de um tipo de filme com o qual eu me identificaria de imediato. Eu sei que é um sentimento egoísta, mas parece Hossein fez o filme para o meu gosto pessoal.
Escrito por Hossein, a historia tem a pura simplicidade de grandeza, é uma história de amor, um drama trágico, uma afirmação de índole política, tudo isso junto num maravilhoso estudo em comportamento e condição humana com cada personagem retratando um papel específico que mostra os sentimentos mais importantes que no final de contas são aquilo que nos somos... Seres humanos, o amor, o ódio, a coragem, cobiça, tristeza, etc. O papel que a irmã de Perez representa é um exemplo do descrito anteriormente, como ela tenta convencer o irmão a desistir, e como ela acabou sendo morta pelas mãos dos inimigos de seu irmão, que apenas queria paz, mas vêem nela um inimigo, e não há misericórdia para meus inimigos, puro spaghetti-western vintage ainda antes de Leone.


A história decorre num lugar não especificado da América Central, eu arriscaria dizer no sul do México ou outro, mas isso não é importante. Hossein no entanto faz uma referência directa a Zapata, perto do final do filme. Nessa cena, vemos uma fila de homens enforcados, perto de uma igreja, Perez murmura perante um desses homens sem vida - "Emiliano" - no que parece ser uma referência específica a Emiliano Zapata. É de conhecimento comum que Zapata e Villa foram ambos aliados durante a Guerra da Independência do México, mas enquanto Villa (também com sangue índio), representava os pequenos senhorios ou tierratenientes do Norte do México, e tinha reivindicações politicamente mais convencionais, quase corporativas ou de classes, Zapata representou e lutou pelos povos nativos do sul do México (Chiapas). A sua luta era a luta pela terra contra os latifundiários ricos da região e, claro, pela autodeterminação dos povos nativos. Ele foi de facto traído por alguém infiltrado entre os seus homens de confiança. Foi capturado com a ajuda de um traidor, de um Judas, e foi de facto enforcado.

É uma afirmação ousada, mas atrevo-me a dizer que o filme foi uma grande influência no trabalho posterior de Leone. Em Perez consigo distinguir algo de Bronson na sua lendária personagem do homem da harmónica, até mesmo um Coburn de “Giù la testa”, na sua indiferença de quem vive apenas porque já viveu. Tal como Leone, Kurosawa foi uma grande influência para Hossein, recuperando o mesmo estilo do mestre nipónico. A solenidade sempre presente nas obras de Kurosawa, também é visível aqui, sendo óbvio que “Cimitero senza croci” não aconteceu por acaso. Existem várias cenas impressionantes, do mais puro cinema como forma de arte e não apenas de entretenimento, inesquecível a cena em que é dito a uma mãe que seu filho está morto. Outro exemplo de uma cena fortíssima é aquela em que os aldeões perseguem os fugitivos no campo de milho, e estes têm que atear fogo ao milho para poderem escapar; esta cena diz mais sobre o que realmente são as revoluções e sobre o que realmente importa, do que tantas obras intelectuais com as suas mensagens sem sentido. Que importa se o povo fique sem pão? A luta pela liberdade tem o seu preço e há que pagá-lo.


Sinceramente não vejo quaisquer elementos de Nouvelle Vague no filme, algo que se poderia esperar de um filme Francês de 1961. Podem haver alguns traços que lembrem Clouzot, sim, mas o estilo direcional é bastante singular. Podem alguns ver o filme como uma mensagem de contraponto sobre a situação política da França na época, com os problemas antes na Indochina e que ocorriam na altura na Argélia, mas para ser honesto, não me parece ser essa a intenção Hossein. A fotografia é magistral, a câmara não se move mais do que o necessário, e o preto e branco é filmado em toda a sua glória. A banda sonora feita por Hossein sénior é simplesmente linda de ouvir. Cada cena é feita com um acumular de tensão e de contenção em simultâneo que é tão raro ver estes dias, cinema é acima de tudo sobre sentimentos como Fuller disse uma vez. As paisagens balcânicas da região do Montenegro, são perfeitas para negritude e dureza do filme.

Por muito tempo pensei que Hossein era apenas o actor dos filmes da série «Angelique» ou dos thrillers policiais franceses, ou que Adorf fosse apenas interveniente em alguns filmes estranhos com origem na Alemanha, isto depois de assistir ao “The Tin Drum” numa sessão nocturna de TV. Graças a Deus pela Internet para me mostrar o quadro geral. Ambos os actores são perfeitos nos seus papéis, sem exagero, sem nada, mesmo o desconhecido que interpretou Chico foi excelente em sua ingenuidade, e Giovana Ralli estava linda como sempre em preto e branco, retratando alguém por quem qualquer homem poderia se apaixonar com muita facilidade. Hossein é o melhor ator que eu conheço atuando sempre com a mesma expressão, mas para ele funciona, realmente acho que ele é um bom ator, o que é não deixa de ser estranho, se pensarmos sobre o que são qualidades de um actor, que por norma se baseiam na diversidade.


Uma pequena obra-prima, que, para minha vergonha, só tive oportunidade de assistir agora. Terei que prestar mais atenção a todos os filmes dirigidos Hossein. O filme mostra da forma mais bela e poética o verdadeiro significado da condição humana, sem filosofias bacocas, sem agendas ocultas, ruido panfletário, apenas a pureza comum da natureza humana, isto em menos de 90m. Minha cena favorita? Bem, talvez aquela com o homem e mulher na praia, juntos unidos para sempre, antes de receberem a notícia que irá separá-los, mas todo o filme é genial. Concordo que não é um western-spaghetti, nem mesmo um European Western, mas as raízes western-spaghetti estão aqui com tudo o que é mais belo no nosso adorado subgénero cinematográfico. 


Artigo gentilmente cedido por Vitor Louçã e que originalmente foi publicado em inglês no sitio The Spaghetti Western Database (www.spaghetti-western.net).


Lobbys francófonos:

2011/05/10

Cimitero senza croci (1969 / Realizador: Robert Hossein)

Uma pérola preciosa num mar imenso. Um belo filme que sofre o estigma do (quase) anonimato. Um ator / realizador que nunca foi popular no subgénero. Uma produção humilde, com intervenientes pouco carismáticos mas que surpreendem e fazem algo que só está ao alcance dos mais inspirados: do pouco fazer muito!

É desta forma que classifico este western que, no meio de centenas, representa uma lufada de ar fresco. Os tiroteios, a rapidez, as brigas e as explosões em dose industrial chegam a um certo ponto que já chateiam! Também é bom saborear algo mais melancólico. Também é bom relaxar e apreciar tanto o ritmo lento como os personagens taciturnos.


A história deste filme é sobre Manuel, um pistoleiro que vive num povoado abandonado, que tenta atacar o rico rancheiro Will Rogers após este ter linchado o seu melhor amigo, o marido da sua (ainda) amada Maria. Um enredo simples, quase sem diálogos, assente em planos longos, bonitas paisagens desérticas de cores quentes e apoiados por uma partitura musical muito melancólica da autoria de André Hossein, pai do realizador / protagonista. O ritmo lento que Robert Hossein quis impor no filme não foi casual. Tratou-se de uma forma que o francês arranjou para homenagear o seu amigo de longa data Sergio Leone. Além da dedicatória final “Robert Hossein dedica este filme ao amigo Sergio Leone”, a silenciosa cena do jantar foi dirigida pelo italiano.


Como foi referido anteriormente, não temos grandes nomes consagrados. Temos gente competente que cumpre na perfeição o seu papel: Robert Hossein, Michele Mercier, Lee Burton, Daniele Vargas, Angel Alvarez e Benito Stefanelli. Este filme atípico no subgénero ainda continua na obscuridade porque as edições DVD são quase inexistentes. Nesse capítulo prefiro ser otimista e espero que brevemente surja uma editora europeia corajosa que lance o DVD numa edição decente. Se assim for, quase de certeza que perderei o amor ao dinheiro! Até lá, vou apreciando estes 90 minutos de bom cinema no meu computador. Aqueles que puderem façam o mesmo…


Trailer:

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