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06/10/2015

Fora de tópico | Lançamento "Requiescant"


Estamos a menos de uma semana da data de lançamento da edição da Arrow para o clássico "Requiescant" (ler resenha aqui). Tal nas mais recentes investidas da editora, o filme aparecerá em dois formatos, DVD e blu-ray. Alegrem-se por isso fãs da alta definição. Conheçam as especificações:

New 2K restoration of the film from the original camera negative
High Definition Blu-ray (1080p) & Standard Definition DVD
Optional English and Italian soundtracks in uncompressed PCM mono audio
Newly translated English subtitles for the Italian soundtrack
Optional English subtitles for hard of hearing for the English soundtrack
An all-new interview with Lou Castel, recorded exclusively for this release
Archive interview with director Carlo Lizzani; Theatrical Trailer
Reversible sleeve featuring original and newly commissioned artwork by Gilles Vranckx
Illustrated collector’s booklet containing new writing on the film by Pasquale Iannone

19/05/2015

La notte dei serpenti (1969 / Realizador: Giulio Petroni)

Estamos numa insignificante aldeia algures no México. A noite revela-se escura, silenciosa e estranhamente ameaçadora. Não se vê ninguém nas ruas. Todo o povoado parece adormecido… exceto dentro de uma das casas. Uma discussão aparentemente inofensiva resulta na morte de um homem. O cadáver da vítima é levado para um local público onde é descoberto na manhã seguinte pela população. A vítima é o telegrafista da aldeia que, segundo se sabe, não tinha inimigos. O chefe da polícia desconfia que as peças não encaixam bem no puzzle e descobre um complô organizado pelos parentes da vítima: o alcaide, o dono da estalagem, a prostituta mais concorrida da aldeia e o seu primo sacristão. 

Após desmascará-los e chantageá-los o tenente Hernandez não só não os prende como exige unir-se ao grupo porque o crime pode compensar encaixando 10 000 dólares de herança! Para meter a cheta ao bolso é fundamental eliminar o único e verdadeiro herdeiro, o jovem Manuel. Para fazer esse trabalho contratam Luke, um pistoleiro americano que agora vive na miséria devido às carraspanas de caixão à cova que apanha.

Em 1969 Luke Askew apareceria ainda no clássico "Easy Rider", ao lado de Peter Fonda e Dennis Hopper.

Quando lhe dizem que o trabalho é matar um homem Luke aceita sem pestanejar mas quando percebe que o alvo é uma criança faz-se luz na sua mente conturbada! Não pode concluir a sua missão porque no passado teve a triste experiência de disparar sobre o seu próprio filho (quis armar-se em Guilherme Tell) com consequências desastrosas! Será que Luke vai conseguir proteger Manuel ou será que os cinco conspiradores conseguirão levar a sua avante?

Luigi Pistilli que já trabalhara com Petroni em "Da uomo a uomo", interpreta aqui o malvado Tenente Hernandez. 

Giulio Petroni assina um filme equilibrado, bem estruturado mas muito longe dos melhores do subgénero. As cenas noturnas vão ao encontro do cinema gótico bem ao estilo italiano dos anos 60. Nada mais há a acrescentar exceto que esta foi a única incursão do ator americano Luke Askew nos westerns-spaghetti. Os outros intervenientes (Luigi Pistilli, Chelo Alonso, Magda Konopka, Benito Stefanelli) já são repetentes.


Trailer:

23/01/2014

Morreu Riz Ortolani

Noticias tristes correm hoje pelas redes sociais. O maestro Riz Ortolani, responsável por algumas das melhores bandas sonoras do cinema italiano deixa-nos hoje. RIP.

Relembremos então alguns dos seus trabalhos:

10/12/2013

Trailers | I giorni dell'ira (1967)



Trailer de "I giorni dell'ira", que em Portugal foi lançado sob o titulo "Gigantes em duelo". Legendado em Português por António Rosa.

06/12/2011

Requiescant (1967 / Realizador: Carlo Lizzani)

Uma criança é o único sobrevivente de um traiçoeiro massacre da população mexicana. O ataque é executado pelos homens do poderoso sulista George Bellow Ferguson, que pretende ocupar as terras que por direito pertencem aos mexicanos. O menino é acolhido por um pastor protestante e pela sua família. Os anos passam e a educação deste jovem regeu-se por uma matriz religiosa e puritana, algo que não agrada absolutamente nada a Princy, a filha do pastor e irmã adotiva do rapaz.

Esse laçarote fica-te bem!

Fascinada pelo mundo do espetáculo e das artes, aparentemente cheio de cor, música, dança e alegria, Princy foge da sua família para alcançar o seu sonho. A sua ingenuidade fê-la cair no mundo obscuro da exploração sexual de mulheres e no consumo de drogas. Num gesto de boa fé, Requiescant vai à procura da sua irmã para a trazer de volta mas depara-se com obstáculos muito perigosos! No seu estilo desajeitado, com roupas sujas e rasgadas, o protagonista traz um coldre e uma pistola presos à cintura por um cordel. Ferguson e Requiescant vão reencontrar-se mas resta saber quem levará a melhor…

Vai haver tiroteio.

Se há filme rico em simbologia, é este! O nome do protagonista (do latim Requiescant In Pace / R.I.P.); Muitas alusões a símbolos religiosos (sinos, bíblias, crucifixos, cemitérios, rezas); Insinuações homossexuais de Ferguson; A corrupção das entidades notáveis da cidade (juiz, médico, advogado); O fetiche sexual de um pistoleiro que brinca com uma boneca; A tortura física e psicológica contra mulheres; Abordam-se questões políticas sobre a revolução mexicana, a guerra civil americana e a escravatura. O vilão racista, com um visual semelhante a um vampiro, faz questão de afirmar a sua superioridade enquanto aristocrata; Vê-se pessoas numa tarefa macabra de recolha de ossos dos cadáveres antigos…

O vampírico Mark Damon!

Mas porque é que Carlo Lizzani fez um western tão estranho? Será que foi influência do seu amigo Pier Paolo Pasolini? É verdade que o muito polémico cineasta italiano participou como ator, interpretando o papel de um sacerdote mexicano. Mas isso não será uma contradição? Pasolini não era conhecido pelos seus ideais de esquerda e pela sua feroz aversão à religião? Então, porque é que participou num filme que transborda religião por todos os lados? E ainda por cima encarnando o papel de um clérigo? Talvez porque “Requiescant” é uma parábola cínica sobre religião, cheia de símbolos religiosos e repleta de personagens loucos! E quem sabe minimamente de cinema, sabe que loucura, cinismo e violência fazem parte da filmografia de Pasolini. Aparentemente, o seu amigo Carlo Lizzani pegou em alguns destes conceitos e colocou-os num western.

Muitos mexicanos!

Quando estreou, como era de esperar, a censura de vários países cortou as cenas mais violentas e mais uma vez estragou tudo! Felizmente, hoje é possível ver a versão integral do filme no seu formato original e com imagem cristalina. O melhor DVD é o da editora americana Wild East, que reeditou o filme este ano (2011) sob o título “Kill and Pray”.

16/08/2010

Bandas sonoras | "I Giorni dell'ira" de Riz Ortolani



Ennio Morricone deu cartas na execução de bandas sonoras para westerns-spaghetti, mas o selo de qualidade não foi exclusividade sua. Outros nomes sobressaíram nesta campo, sobretudo compositores italianos que de algum modo compuseram pequenas óperas como complemento a estas películas. Riz Ortolani é um dos meus favoritos, e a sua trilha sonora para I Giorni dell'ira o trabalho que mais lhe aprecio. Os temas que compôs para o filme, misturam de uma forma bastante inteligente algumas sonoridades contemporâneas com a matriz orquestral e claro, muitas guitarras e trompetes! Temas estes magistralmente encaixados por Tonino Valerii no seu espectacular segundo filme. A parceria entre os dois haveria de se repetir com sucesso em Una ragione per vivere e una per morire. Existem versões da trilha de “I Giorni dell'ira” alargadas, ainda assim aos que se interessem aqui ficam as faixas da versão que consegui!

09/08/2010

Una ragione per vivere e una per morire (1972 / Realizador: Tonino Valerii)


Ainda me lembro do primeiro contacto que tive com Uma Razão para Viver, Outra para Morrer, foi num daqueles trailers promocionais que a maioria dos videoclubes dos anos 80 faziam incluir nos minutos iniciais das suas cassetes de aluguer. Eram quase sempre selecções avulsas e pouco criteriosas, que por regra levaram com um convincente fast-forward da minha parte, mas dessa vez a manobra de marketing funcionou. Devo ter revisto o trailer meia dúzia de vezes. Era puto, e Bud Spencer era ainda uma referência nas minhas escolhas devido aos filmes da saga “Trinitá” e a comédias de acção como O Xerife Quebra-Ossos. Os poucos minutos em que se sequenciavam brutais cenas de acção, pejadas de tiroteios, explosões e apenas alguns resquícios de humor, pareceram-me extremamente cativantes e fora da habitual matriz cómica que estava habituado a ver em filmes protagonizados pelo gorducho. Conseguir deitar a mão a uma cópia do filme seria por isso o maior objectivo por esses tempos!


Realizado e co-escrito por Tonino Valerii (Gigantes em duelo), o filme não é muito mais do que uma transposição do sucesso Os doze Indomáveis Patifes para os tempos da guerra civil americana. Aqui, o Coronel Pembroke (James Coburn), um oficial do Exército da União acusado de traição, recruta seis condenados à forca e um sargento corrupto para uma missão suicida: Atacar o impenetrável Fort Holmam! Fortaleza outrora sob mãos da União e comandada pelo próprio Pembroke, que por entre linhas percebemos ter sido entregue aos confederados em condições pouco explícitas. A inexpugnabilidade da fortaleza desencoraja a recaptura por parte do exército, mas com uma perca de recursos mínima o Major Charles Ballard (José Suárez) concorda em fornecer a Pembroke a carne para canhão necessária. As razões que levam Pembroke a iniciar tão arriscada missão acabam entretanto por se revelar meramente pessoais, mas sobre isso mais não poderei contar sob pena de retirar o elemento surpresa do filme!

Com o seu recém formado mini-exército de pulhas, Pembroke terá de lidar com adversidades várias e as deslealdades sucedem-se obviamente a bom ritmo. Pembroke cria no entanto a ilusão da existência de um grande carregamento de ouro confederado no interior da fortaleza o que eventualmente bastará para unir o grupo num propósito único. A acção do filme decorre quase sempre a um ritmo lento, despoletando-se finalmente no explosivo assalto à fortaleza. E que bela sequência de acção essa, do melhor que o euro-western terá alguma vez alcançado. Nota-se claramente que "Uma Razão para Viver, Outra para Morrer" terá gozado de um generoso orçamento, e Valerii não o fez desperdiçar!


O elenco aqui reunido inclui para além do “enorme” Bud Spencer (que até chega a fazer um hilariante sprint numa das cenas), um James Coburn acabadinho de protagonizar o zapata-western de Sergio Leone (Aguenta-te, canalha) e Telly Savalas (que curiosamente também fez parte do elenco de Os doze Indomáveis Patifes) no papel do maníaco Major confederado. Para além disso contam-se ainda meia dúzia de caras habituais nos filmes de Valerii/Leone. Destaque para o caricato Benito Stefanelli, que desempenha um dos delinquentes salvo da forca.

Tonino Valerii era um tipo com talento, os seus spaghettis foram quase todos grandes sucessos de bilheteira. Mas este filme é ainda hoje desprezado por muita gente, que o considera demasiado violento e sem grande desenvolvimento das personagens. Com estes concordarei apenas parcialmente, pois também eu creio que a figura do Major Frank Ward (Telly Savalas) é claramente metade do que devia ter sido. Mas se o filme peca em argumento ganha em acção, aqui mais explosiva do que em qualquer outro filme do realizador italiano. Pessoalmente continuo a crer que entre todas as abordagens que o tema “men on a mission” teve no spaghetti-western, este será o filme mais bem conseguido. O filme chegou mesmo a ser lançado em alguns países como “Massacre at Fort Holmam” o que faz justiça à brutal carnificina em que o filme capitula.

Este título não está infelizmente disponível em formato DVD no mercado Português, mas existem por aí bastantes edições. Por um golpe de sorte reencontrei-o há alguns anos atrás num dia de compras em Badajoz, ali do outro lado da fronteira. As especificações não são as melhores, resumindo-se à inclusão do filme em formato 4:3 num áudio mono e sem opções linguísticas para além da trilha em espanhol. Por isso recentemente resolvi fazer justiça à afeição que tenho pelo filme, adquirindo a edição americana da Wild East, que como habitual faz compilar às suas apresentações nos formatos originais, uma série de extras (galerias, trailer e outros vídeos promocionais). Recomendo!



Trailer

30/09/2009

I giorni dell'ira (1967 / Realizador: Tonino Valerii)


Não sei ao certo quantas vezes terei visto este filme, mas lembro-me bem de me ter arrebatado logo no primeiro contacto – era ainda muito novo e o então jovem canal de televisão português, SIC, fazia as primeiras emissões. Depois disso voltei a vê-lo noutros canais de televisão espanhóis e até em VHS, ora dobrado em espanhol ora em inglês. Mas a primeira visualização de I giorni dell'ira (1967) foi desde logo na sua versão original, isto é falado em italiano. Ainda que este não tenha sido o primeiro western que assisti falado nessa língua, foi neste em que pela primeira vez reflecti sobre a nacionalidade daqueles tipos que tinha dentro da caixa mágica. Não eram afinal verdadeiros gringos, mas sim na sua maioria europeus como eu. E aquele oeste selvagem que mostravam, afinal não era mais do que as áridas paisagens mediterrâneas, muitas delas aqui bem ao lado de mim.

A minha devoção por este filme tornou-se grande ao longo dos anos e sem grandes hesitações considero ainda hoje que tenha qualidades suficientes para figurar num hipotético “spaghetti top 10” pessoal, surgindo nas minhas preferências logo após as obras-mestras de Sergio Leone. Foi por isso com muito prazer que algures em 2008, aquando de uma viagem de trabalho que fiz a Madrid, finalmente encontrei à venda uma cópia em DVD deste filme que me permitiria fazer a substituição da já gasta cassete VHS pirata lá de casa. Foi aliás através desta compra que tomei conhecimento da existência da excelente “La colección sagrada del spaghetti western”, editada en tierras de nuestros hermanos pela Impulso. Esta colecção merece algumas linhas, dada a qualidade e raridade de alguns dos seus títulos, entre os quais destaco películas de grande valor inéditas em Portugal como, Lo voglio morto (1968), Un treno per Durango (1968), Una pistola per cento bare (1968) ou Una nuvola di polvere... un grido di morte... arriva Sartana (1971).


I giorni dell'ira, lançado por estas paragens como “Gigantes em duelo”, foi o segundo filme dirigido por Tonino Valerii (Per il gusto di uccidere, Una ragione per vivere e una per morire, Il mio nome è Nessuno). Valerii ao contrário do elenco de actores que teve à sua disposição – ambos com louros recolhidos – tinha ainda que demonstrar o seu valor, objectivo que atingiu com o seu empenho no projecto, que passou não só pela realização mas também pelo argumento (adaptado do romance “Der Tod ritt dienstags"). Este conta-nos a história de Scott (Giuliano Gemma), um pacato rapaz que sonha um dia ser um grande pistoleiro, mas que por circunstâncias de uma vida dura se vê relegado para as árduas e indesejadas tarefas de limpeza na cidade de Clifton. Comummente enxovalhado pelos respeitáveis cidadãos locais, Scott vê na chegada à cidade de um tal Frank Talby (Lee Van Cleef) a sua grande oportunidade de aprender a manejar o colt e assim impor o respeito aqueles que sempre o humilharam. Talby que se revelará um implacável pistoleiro, acaba eventualmente por se tornar o seu mentor, incutindo-lhe assim os seus ensinamentos, permito-me chamar-lhe uma espécie de mandamentos do pistoleiro! Os momentos em que Talby instrui as lições a Scott, são mesmo alguns dos pontos altos da narrativa do filme, sempre eficazmente acompanhados por uma magnífica trilha sonora de Riz Ortolani (Requiescant, La notte dei serpenti) - característica que provavelmente foi aprendida por Valerii nos tempos em que trabalhou como assistente de Sergio Leone. Talby, como rato velho que é, surge então com um esquema para chantagear e dominar a cidade. Aproveitando-se da então criada relação com Scott de mestre/aprendiz, para fazer deste o seu guarda-costas pessoal. Depostos do poder, os corruptos e até então pouco amistosos habitantes de Clifton tentarão convencer Scott a livrar-se de Talby e do seu então criado bando de bandidos. E mais não conto sob pena de desvendar demasiado da história do filme.


Este é sem dúvida o meu filme favorito de Valerii, de quem admito ser grande adepto, conto em breve voltar a debruçar-me sobre mais um título da sua obra. Quem também parece ser apreciador do cinema de Valerii, é George Lucas. Aparentemente o mestre da ficção-ciêntifica terá declarado ser apreciador de western-spaghetti, facto mais que suficiente para muitos terem já especulado sobre o paralelo entre as personagens de I giorni dell'ira com as de Star Wars. Dá que pensar!

Um excelente argumento, superiormente interpretado por um elenco muito bem escolhido, que não se esgota de modo algum nas já então estrelas do cinema europeu - Lee Van Cleef e Giuliano Gemma - associado a uma cuidada escolha de cenários, filmagem e montagem de se lhe tirar o chapéu, e claro, uma inesquecível trilha sonora; fazem de I giorni dell'ira um clássico imperdível!


Trailer