Depois de planear o assalto ao banco perfeito, Jack é traído pelos seus comparsas no momento da partilha do roubo. Nada que Jack não tivesse previsto. Tirando vantagem de um revolver que previamente havia refundindo no saco do dinheiro, consegue escapar. Mas é novamente traído, agora pelo índio que havia contratado para que deixasse um rasto falso aos bandidos que o tentassem perseguir. Em vez disso, o índio conduz os bandidos até á cidade fantasma onde Jack, sua irmã e cunhado se refugiam. Severamente torturado - parcialmente enforcado, esfaqueado e baleado - vê ainda a sua irmã ser violada e seu escalpe ser removido.
O gangue reune-se antes do golpe.
Deixado a uma morte certa, Jack acaba por ser salvo no último minuto pela namorada. Já recuperado, mas com visíveis mazelas físicas e mentais, Jack pensa apenas em vingar a morte da sua inocente irmã, mas as notícias do paradeiro dos seus antigos associados não chegam. Farto de esperar, e mesmo aleijado, Jack abandona a cidade fantasma na sua implacável demanda vingativa.
Com amigos assim, quem precisa de inimigos.
Pessoalmente creio que esta terá sido a melhor prestação de
Robert Woods (
Il mio nome è Mallory... M come morte) no cinema europeu. Encarnando esta personagem inicialmente simpática, mas que progressivamente passa da amargura à demência total, tais as consequências da fulcral cena de tortura montada por
Gianfranco Baldanello. As balas cravadas nas pernas tornam-no manco e será com a ajuda da bengala que Jack se arrastará, qual Horace Pinker no saudoso
100.000 volts de terror (talvez Wes Craven tenha tirado daqui alguma ideia)!
Genialidade é atributo que dificilmente se apontará a Baldanello, mas este
"Black Jack" foi muito bem conseguido.
Mimmo Palmara convence enquanto índio taciturno.
Graças a uma boa história, um punhado de actores interessantes e uma filmagem repleta de cores e ambientes negros. Falha no entanto na sequenciação. Não se sabe por exemplo como o personagem principal encontra cada um dos seus alvos, mas eis que Jack aparece e lá estão eles, prontos a serem abatidos! Baldanello teria certamente beneficiado em algum prolongamento na duração total do filme, que ultrapassa ligeiramente a hora e meia. A sequência final, segue uma linha (quase) gótica e que, ainda que pouco esclarecedora, consegue criar um ambiente sinistro quanto baste, com a cidade a desmoronar-se e sem um final feliz à vista.
No more Mr. Nice Guy!
Existe por aí uma edição VHS com um final alternativo, que permite entender melhor porque aparece o nosso negro herói estendido no chão no final do filme, mas a edição DVD que vi é a da editora espanhola CWP, que apresenta o filme em castelhano e na sua duração regular. Infelizmente o DVD não beneficia do formato widescreen (pelo que pesquisei não existirá mesmo em nenhuma das edições até agora lançadas), mas a qualidade de imagem é óptima. Gianfranco Baldanello, realizou uma quantidade interessante de westerns-spaghettis mas daquilo que lhe conheço nenhum que iguale o nível alcançado com este recomendável "
Black Jack".