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28/02/2017

Un genio, due compari, un pollo (1975 / Realizador: Damiano Damiani)

O ano é 1975. Sergio Leone tinha o rei na barriga e vivia dos altos rendimentos que os seus westerns deram. Agora a sua obsessão era filmar “Era Uma Vez na América” mas a coisa não estava fácil. Decidiu fazer de produtor em 1973 e, dois anos depois, voltou à carga. Mas a sua capacidade como produtor era uma sombra daquilo que valia como realizador. O homem era chato, era incompetente e ainda por cima não era totalmente honesto com os seus realizadores. Em suma, Sergio Leone produtor era um malandro de primeira categoria. Apostava em westerns cómicos mas não dava o braço a torcer porque se as coisas falhassem atirava as culpas para cima do realizador, que tinha poderes muito limitados. Aconteceu com Tonino Valerii em 1973, aconteceu com Damiano Damiani neste filme.

Isto só vai lá à lei da bomba!

“Chamavam-lhe Génio” (título em Portugal) é mais um veículo perfeito para o ator Terence Hill, que volta a fazer o que melhor sabe: um pistoleiro veloz como um raio, despreocupado, sujo, dorminhoco, ginasta e especialista em cravar chapadas nos inimigos. Este filme, embora nunca fique totalmente claro, parece ser uma espécie da continuação das aventuras de “Ninguém”.

Prova de atletismo no forte militar.

O protagonista veste-se da mesma maneira, também carrega a sela ao ombro mas desta vez adota outro nome: Joe Thanks. Várias cenas foram filmadas em Monument Valley, Arizona, há cenários e locais idênticos e a equipa técnica é praticamente a mesma que acompanhou Tonino Valerii dois anos antes (Giuseppe Ruzzolini na fotografia, Ennio Morricone na música, Nino Baragli na montagem, Sergio Leone a produzir).

Klaus Kinski, o único gajo com juízo neste filme.

O enredo é perfeitamente banal: Joe Thanks, em parceria com Lucy e Locomotiva Bill, ambicionam roubar 300 000 dólares ao exército americano. E é isso! Nada mais! Dá a sensação que tudo foi feito “às três pancadas” e a inclusão de humor brejeiro / javardo estraga ainda mais o filme. Há que salientar o “cameo” de Klaus Kinski logo no início do filme. Esta sua breve presença só revela a esperteza do ator alemão: apareceu 10 minutos, embolsou o cachet (não deve ter sido pouco) e pirou-se! Ele é que fez bem!

Os alemães não foram em cantigas e venderam este filme como continuação do filme de Valerii, "Ninguém é o maior!", eis a propaganda:

27/09/2016

I lunghi giorni dell'odio (1968 / Realizador: Gianfranco Baldanello)

Os mais acérrimos adeptos do western-spaghetti, recordarão para sempre o italiano Gianfranco Baldanello devido ao asperíssimo “Black Jack” – brilhantemente protagonizado por Robert Woods e pelo recentemente finado Mimmo Palmara – mas há mais material de qualidade a conferir na sua filmografia. Debrucemo-nos então sobre um desses títulos, “I lunghi giorni dell'odio”, conhecido internacionalmente como “This man can’t die”. Apesar de menos vigoroso que o supramencionado, “I lunghi giorni dell'odio” é um filme carregado de violência gratuita e muita maminha ao léu. A acção começa com duas linhas aparentemente distintas, por um lado seguimos as pisadas do personagem Martin Benson (Guy Madison), um mercenário pago pelo exército para desmantelar um esquema de tráfico ilegal de armas com os índios. 

Noutra linha mais ou menos paralela, seguimos o resto da família Benson, gente desligada de encrencas mas que acabam por ser alvos de represálias do bando que Martin investiga. A certo dia os bandidos tomam o rancho de assalto, os velhotes acabam assassinados e a miúda mais nova - Jenny - violada por um dos canalhas. Ainda os malandros galopam no horizonte, quando Suzy e Daniel chegam da cidade, para se deparar com o cenário de terror. Para trás ficou um homem ferido, que Daniel (Alberto Dell'Acqua) tudo fará para manter vivo, única forma de extrair informação que lhes permita seguir no encalço do bando. Está claro de onde aparece o título internacional, não? 

Alberto Dell'Acqua "descansa" os costados.

Guy Madison tem aqui mais um papel como protagonista mas ao que se diz por aí não terá sido a primeira opção de Baldanello. Venceram neste caso os interesses do produtor que considerava Madison como o actor ideal para capitalizar o filme nos dois lados do Atlântico. Queira-se ou não, é preciso admitir que Madison tem o look e a destreza adequada a um homem de Winchester em riste, mas pessoalmente vivo mal com aquele sorriso quase permanente. Admito ainda assim que neste caso não me criou grande brotoeja. 

Pirotecnia qb neste western de baixo orçamento.

Na verdade não há muito por onde desancar o filme, a fotografia é decente (mesmo sem contar com as paisagens de Almeria, o budget não deu para fazer milhas na Alitalia) e o elenco não compromete com o desenrolar dos acontecimentos, pena porém que Peter Martell tenha sido tão infimamente utilizado. Mas há um senão, que não consigo compreender e que macula o resultado final do filme. Acreditem ou não, a banda sonora assinada por Amedeo Tommasi rouba descaradamente um pedaço da trilha de “Por um punhado de dólares”. Para quê senhores, para quê?

04/11/2014

Ehi amigo... sei morto! (1970 / Realizador: Paolo Bianchini)

O bando de Barnett sequestra a população de uma pequena cidade do Texas, e por lá aguardam a chegada de uma diligência que um passarinho lhes disse transportar um chorudo carregamento de ouro. Os larápios rapinam o lote e fogem para o seu esconderijo mas Doc Williams impulsionado pela população local decide seguir-lhes o rasto e claro está, encher-lhes o bandulho de chumbo quente. Este foi o último western realizado por Paolo Bianchini realizador que entusiasmou com o excelente "Lo voglio morto", em que um homem destroçado por uma tragédia pessoal acaba envolvido num golpe em plena guerra civil. A curta carreira do realizador no género não teve porém  uma consistência de resultados, e para além do supracitado, o resto do seu material é bastante mais rotineiro.


Este "Ehi amigo... sei morto!" será mesmo o menos interessante de todos eles. O protagonismo do filme ficou entregue a Wayde Preston, um dos muitos actores americanos que se aventuraram por terras transalpinas durante a histeria do western-spaghetti. Infelizmente para ele, ao contrário do que aconteceu com a maioria dos seus conterrâneos, não lhe foram oferecidos grandes papéis, e à excepção da incursão em "Oggi a me... domani a te!" - em que se enturmou no gang de Bud Spencer e companhia - participou sobretudo em filmes que  hoje fazem parte da longa lista de esquecidos. 


Este aqui também não é grande espingarda e Preston transparece mesmo aquela ideia de ter sido pago à fala, acreditem quando vos digo que o homem nem mostra os dentes! Como comparsa, o pistoleiro silencioso tem a companhia de «El Loco», um vagabundo mexicano que ao bom estilo do do western all'italiana, ora lhe dá a mão, ora o trama. Marco Zuanelli que interpreta a personagem, tem aqui uma proeminência bem superior ao habitual, mas a sua personagem não é muito diferente do que nos habituámos a ver fazer Ignazio Spalla. Enfim, amigos, se já vão avançados nos «estudos» do western europeu, deiam-lhe uma olhada, mas se ainda estão naquela fase de descoberta da filmografia dos «três Sergios», então mais vale manter a distância!

13/07/2010

Black Jack (1968 / Realizador: Gianfranco Baldanello)

Depois de planear o assalto ao banco perfeito, Jack é traído pelos seus comparsas no momento da partilha do roubo. Nada que Jack não tivesse previsto. Tirando vantagem de um revolver que previamente havia refundindo no saco do dinheiro, consegue escapar. Mas é novamente traído, agora pelo índio que havia contratado para que deixasse um rasto falso aos bandidos que o tentassem perseguir. Em vez disso, o índio conduz os bandidos até á cidade fantasma onde Jack, sua irmã e cunhado se refugiam. Severamente torturado - parcialmente enforcado, esfaqueado e baleado - vê ainda a sua irmã ser violada e seu escalpe ser removido. 

O gangue reune-se antes do golpe.

Deixado a uma morte certa, Jack acaba por ser salvo no último minuto pela namorada. Já recuperado, mas com visíveis mazelas físicas e mentais, Jack pensa apenas em vingar a morte da sua inocente irmã, mas as notícias do paradeiro dos seus antigos associados não chegam. Farto de esperar, e mesmo aleijado, Jack abandona a cidade fantasma na sua implacável demanda vingativa.

Com amigos assim, quem precisa de inimigos.

Pessoalmente creio que esta terá sido a melhor prestação de Robert Woods (Il mio nome è Mallory... M come morte) no cinema europeu. Encarnando esta personagem inicialmente simpática, mas que progressivamente passa da amargura à demência total, tais as consequências da fulcral cena de tortura montada por Gianfranco Baldanello. As balas cravadas nas pernas tornam-no manco e será com a ajuda da bengala que Jack se arrastará, qual Horace Pinker no saudoso 100.000 volts de terror (talvez Wes Craven tenha tirado daqui alguma ideia)! Genialidade é atributo que dificilmente se apontará a Baldanello, mas este "Black Jack" foi muito bem conseguido. 

Mimmo Palmara convence enquanto índio taciturno.

Graças a uma boa história, um punhado de actores interessantes e uma filmagem repleta de cores e ambientes negros. Falha no entanto na sequenciação. Não se sabe por exemplo como o personagem principal encontra cada um dos seus alvos, mas eis que Jack aparece e lá estão eles, prontos a serem abatidos! Baldanello teria certamente beneficiado em algum prolongamento na duração total do filme, que ultrapassa ligeiramente a hora e meia. A sequência final, segue uma linha (quase) gótica e que, ainda que pouco esclarecedora, consegue criar um ambiente sinistro quanto baste, com a cidade a desmoronar-se e sem um final feliz à vista. 

No more Mr. Nice Guy!

Existe por aí uma edição VHS com um final alternativo, que permite entender melhor porque aparece o nosso negro herói estendido no chão no final do filme, mas a edição DVD que vi é a da editora espanhola CWP, que apresenta o filme em castelhano e na sua duração regular. Infelizmente o DVD não beneficia do formato widescreen (pelo que pesquisei não existirá mesmo em nenhuma das edições até agora lançadas), mas a qualidade de imagem é óptima. Gianfranco Baldanello, realizou uma quantidade interessante de westerns-spaghettis mas daquilo que lhe conheço nenhum que iguale o nível alcançado com este recomendável "Black Jack"