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2018/04/16

Il giorno del giudizio (1971 / Realizador: Mario Gariazzo)

Normalmente sigo com interesse e com entusiasmo os westerns italianos produzidos no início dos anos 70. É verdade que o género já estava estafado, as produções eram muito baratas, os realizadores, os atores e os técnicos (salvo algumas exceções) também não deviam nada à genialidade. Quando há dinheiro há palhaços. Quando a cheta é pouca faz-se o que se pode! Mario Gariazzo era um realizador de segunda (ou terceira) linha. Foi jornalista, empresário, produtor e como cineasta assinou alguns westerns banais. Em 1971 trabalhou com o ator americano Lincoln Tate em “Acquasanta Joe” e com o também ianque Ty Hardin para protagonizar “Il Giorno del Giudizio”.

Estão todos sob a minha mira!

O filme é fraco, ninguém tem grandes recordações do filme, sejam eles atores, técnicos ou críticos. Até o próprio Gariazzo admite o falhanço muito por causa da falta de dinheiro. Consta até que Ty Hardin teve de pôr dinheiro do seu bolso para que o filme visse a luz do dia. O enredo vai bater na inevitável tecla: um militar regressa a casa após o fim da Guerra da Secessão. Descobre que a sua família (mulher e filho) foram assassinados por uns quantos energúmenos. O homem vai perseguir os culpados e limpar o sebo a todos eles. Antes de acabar-lhes com o cagar, o vingador coloca no chão um pequeno brinquedo de dar corda (um boneco que toca tambor que pertencia ao seu falecido filho) para cronometrar os duelos.

Um brinquedo mortal.

Só no final é que ele descobre que o cabecilha é um xerife tarado sexual que queria afiar o pau na sua mulher mas ela rejeitou-o e o gajo torceu-lhe o fagote. “Il Giorno del Giudizio” é também conhecido no mercado internacional como “Doomsday” ou “Drummer of Vengeance”.

2018/02/20

Get Mean (1975 / Realizador: Ferdinando Baldi)

Stranger é um homem muito viajado! Já andou por aldeias mexicanas, cidades fantasma, até já andou aos trambolhões no Japão e agora foi outra vez mudar de ares. O destino é o nosso país vizinho: Espanha. Mas o que é que ele foi lá fazer?! Passo a explicar: em pleno Oeste Americano Stranger chega a uma cidade abandonada. Dentro de um barracão está uma família de ciganos que o acolhe, dá-lhe de comer e de beber e faz-lhe uma proposta que Stranger não pode recusar: por 10 000 dólares terá de escoltar uma bela princesa cigana até Espanha para ela ocupar o trono desse país. A viagem decorre sem incidentes mas quando lá chegam é que a porca torce o rabo! Espanha ainda é um país medieval cheio de bárbaros, mouros, cavaleiros medievais e vikings! O líder daquela corja é Sombra, um gajo que tem a mania que é Ricardo III (da peça de teatro de Shakespeare).

Vilões muito exóticos!

Stranger e a cigana não chegam a acordo com Sombra e o pior acontece: a rapariga é assassinada e Stranger sofre as habituais torturas e humilhações (pendurado num poste de cabeça para baixo, amarrado a uma bandeja com uma maçã na boca, tal e qual um porco no espeto, foge a sete pés à frente de um touro bravo, etc.). A paciência tem limites e Stranger já está farto de levar na corneta. Com uma caçadeira de vários canos e muita, mas mesmo muita, dinamite o homem vai acabar com as palhaçadas de uma vez por todas!

Stranger rebenta com tudo!

Este é o quarto e último capítulo da saga “Stranger” e é porventura o mais aparvalhado. A fórmula não muda (muda apenas o cenário), o elenco também permanece igual (Tony Anthony, Lloyd Battista, Raf Baldassare), veem-se alguns castelos e mosteiros espanhóis e revisita-se a bela fortaleza “El Condor”. Ferdinando Baldi realiza, Tony Anthony produz, o trio Bixio, Frizzi, Tempera compõe a música (em certos momentos irritante, diga-se).

Munições é coisa que não me falta!

“Get Mean” é um western-spaghetti tardio. Ao contrário da caçadeira do protagonista, que é um grande e imponente canhão, o filme não é grande espingarda.

2017/08/08

Lo straniero di silenzio (1969 / Realizador: Luigi Vanzi)

Nas montanhas geladas do Klondike, nos Estados Unidos da América, o nosso bem conhecido Stranger encontra um homem moribundo. O indivíduo, de nacionalidade japonesa, revela-lhe um segredo sobre uma fortuna em dinheiro e dá-lhe um pequeno pergaminho antes de morrer. Sem hesitar, Stranger viaja imediatamente para o Japão em busca dessa bendita fortuna. Chega ao país do sol nascente, cedo se apercebe que o modo de vida e a cultura do país é muito diferente dos costumes ocidentais e rapidamente arranja confusão com os nativos. Uma miúda japonesa ajuda-o como tradutora, deixando bem claro que o americano pretende trocar o pergaminho por dinheiro. Mas aquela zona vive tempos turbulentos, há uma guerra violenta entre clãs e aquele pergaminho desperta a cobiça de pessoas importantes.

Uma metralhadora de pôr os olhos em bico!

Chegado a uma aldeia, Stranger vê um grupo de perigosos bandidos a exigirem o pagamento imediato de impostos aos habitantes. Os que não pagam são executados. Stranger prefere fugir do que lutar mas não fica a salvo porque, após várias tentativas de assassinato (inclusive mulheres com facas dentro da sauna) e após as habituais sovas e humilhações (até o põem pendurado como espantalho), o homem encontra dentro de um baú um antigo arcabuz capaz de fazer estragos consideráveis em todos aqueles que o chatearam! Este é o terceiro filme da saga “Stranger”, protagonizada pelo ator americano Tony Anthony e dirigida por Luigi Vanzi (pseudónimo Vance Lewis).

Stranger leva na trombra, de novo!

Na minha opinião, os filmes foram perdendo gás à medida que foram aparecendo: o primeiro filme é bom, o segundo já não é tão bom, este terceiro registo é pior que os anteriores. Em jeito de conclusão, e no meio de tantas espadas afiadas, “senseis”, “dojos” e samurais gordos, magros, barbudos, altos, baixos e anões, fica registada a melhor frase de todo o filme: “Há apenas duas certezas na vida: a morte e os impostos”.

2016/09/13

Un uomo, un cavallo, una pistola (1967 / Realizador: Luigi Vanzi)

Segundo filme da saga do herói dos westerns-spaghetti que mais sofre na pele! Este personagem não é o típico pistoleiro confiante e infalível que enfrenta de peito feito os seus adversários. Este personagem foge da confusão. Este personagem deixa-se humilhar. Este personagem nem sequer sabe enrolar cigarros! Mais: como se pode levar a sério um tipo que tem uma sombrinha cor-de-rosa para se proteger do sol e monta um cavalo (ou égua) chamado Pussy? Stranger pode ter todos estes defeitos mas tem algo que abona a seu favor: é fino que nem uma raposa! E quando lhe cheira a dinheiro ninguém o pára! Foi o que aconteceu quando um corrupto agente de autoridade foi morto e Stranger (Tony Anthony), tropeçando no cadáver, decidiu roubar-lhe a carteira e os documentos de identificação. 

Dan Vadis e a sua implacável Winchester.

O Tenente Stafford (Ettore Manni), do exército dos EUA, anda à procura do ouro que foi roubado por bandidos mas até agora sem sucesso. O rufião En Plein (Dan Vadis) está atento e, para passar o tempo, diverte-se a disparar a sua espingarda Winchester. Good Jim (Daniele Vargas) aparenta ser um honesto chefe de família mas sabe mais do que as pessoas pensam. Stranger anda às voltas com toda esta gente e forma uma parceria com um velho pregador / charlatão armado em profeta. 

Tony Anthony, literalmente, pelas ruas da amargura.

Na noite de todas as decisões (porque antes disso Stranger já levou um enxerto de porrada) o velho pregador e o protagonista tratam da saúde aos vilões com fogos-de-artifício e uma caçadeira de quatro canos, respetivamente! Um herói que passa a vida a levar murros, pontapés, chicotadas e a sofrer humilhações (incluindo chafurdar em pocilgas, poças de lama e galinheiros) não pode ter uma vida fácil! Digamos que Stranger não é um herói. Aliás, ele até ultrapassa o estatuto de anti-herói. É, porventura, uma espécie de anti-herói dos anti-heróis do western-spaghetti!

2014/02/25

Un Dollaro tra i denti (1966 / Realizador: Luigi Vanzi)

Este terá sido provavelmente o primeiro western italiano a ter financiamento norte-americano (através do influente empresário Allen Klein). O elenco é liderado pelos também americanos Tony Anthony e Frank Wolff e secundado por Gia Sandri, Jolanda Modio, Raf Baldassare e Aldo Berti. É uma obra claramente inspirada no filme “Por Um Punhado de Dólares”, com um ritmo lento em que predominam os longos silêncios preenchidos pela música de Benedetto Ghiglia. É um filme de muito baixo orçamento com algumas cenas bastante violentas (chicotear, violar, agredir, ameaçar) com tiroteio e sadismo quanto baste. Um tipo misterioso chega à localidade mexicana de Cerro Gordo. Por entre as ruas silenciosas entra numa hospedaria para alugar um quarto. O dono do estabelecimento arma-se em esperto e leva com uma garrafa nos cornos. 

Já no seu quarto, observa da janela uma patrulha de soldados mexicanos serem massacrados por bandidos disfarçados de frades. Estes, com Águila à cabeça, pretendem o ouro que o exército americano vai transportar até aquele povoado. O forasteiro, em conluio com Águila, elabora um plano para que o ouro fique na posse de ambos e que o lucro seja dividido em duas partes iguais.


Mais traiçoeiro do que uma serpente, o mexicano muda de opinião e recusa dar a metade combinada aos seu sócio americano. Para a humilhação ser completa dá-lhe somente uma única moeda de 1 dólar como prémio pelo seu esforço. O homem passa-se da cabeça! O forasteiro tenta fugir com o dinheiro mas é capturado e leva uma carga de porrada que até cria bicho! Pelo meio ainda é contemplado com umas chicotadas na focinheira, cortesia da sádica Maria Pilar, mais conhecida por Maruka. 


Em muito mau estado, o homem consegue arrastar-se para um lugar seguro para recuperar da sova. Os seus agressores procuram-no mas em vão. Já recuperado, o forasteiro inicia a limpeza geral da cidade usando não uma vassoura mas sim uma caçadeira! Ironicamente, o filme teve resultados modestos em Itália mas foi bem sucedido nas salas de cinema dos Estados Unidos. Sem dúvida que é um western de série B mas eu dou-lhe nota positiva porque… “Quem sou eu? Sou um homem justo!”

Trailer:

2013/07/09

Il mercenario (1968 / Realizador: Sergio Corbucci)

Primeiro, a tendência era fazer westerns cujo tema era o dinheiro, os caçadores de recompensas, os pistoleiros e os bandidos. Depois começaram a surgir westerns-spaghetti sobre a revolução mexicana e as razões eram óbvias. Em todo o mundo, vários acontecimentos de cariz político na década de 1960 marcaram a História para sempre: a revolta estudantil de Paris de maio de 1968, a tensão constante da Guerra Fria, os dramas da guerra do Vietname e da guerra colonial portuguesa, as mortes de Che Guevara, Malcom X e Martin Luther King… Tudo isso influenciava os realizadores italianos, muitos deles defensores dos ideais de esquerda, que agora ansiavam por fazer filmes com forte componente política.

Sergio Corbucci, um dos cineastas italianos mais ativos, decidiu então fazer uma “fábula proletária” dura, violenta e irónica. Tratava-se de uma grande produção (a cargo de Alberto Grimaldi) que contava com nomes importantes como Franco Solinas, Giorgio Arlorio e Luciano Vincenzoni no argumento, Ennio Morricone na música, Franco Nero, Tony Musante e Jack Palance na interpretação. O filme relata os conflitos entre o ganancioso mercenário polaco Sergei Kowalski, o rebelde mexicano Paco Roman e o sádico e excêntrico Curly. O encontro deste trio numa praça de touros é um momento extraordinário que fica para a História!


No argumento inicial estava previsto um final pessimista em que Paco era morto pelo mercenário para este receber o dinheiro da recompensa oferecida pelas autoridades mexicanas. Isso sim, seria um golpe de mestre mas infelizmente esse final foi rejeitado. Apesar de se tratar de um filme que aparentemente defende os ideais de esquerda (revolta contra a opressão da classe operária, crueldade do patronato, ganância dos mais poderosos, referências a Simon Bolívar), Corbucci aplicou mais uma vez a sua visão cínica. Apesar das lutas sangrentas pela liberdade e igualdade, o facto é que Paco Roman fica deslumbrado com o seu estatuto e acaba por cometer os mesmos erros daqueles que ele tanto odiava! 


Na minha opinião, este filme é uma crítica consciente à revolução e a todo o processo envolvente. A revolução é um ato violento que deixa sequelas nefastas porque há a tendência de extremar posições e classificar tudo entre bons e maus. Mas nem sempre aqueles que são apelidados de “bons” têm toda a razão e nem sempre aqueles que são apelidados de “maus” são monstros horríveis.


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2012/01/02

Garringo (1969 / Realizador: Rafael Romero Marchent)

Neste relativamente desconhecido psico-western, o espanhol Rafael Romero Marchent reúne sob o mesmo cartaz dois astros do género, o macambúzio Anthony Steffen (no papel de implacável Tenente Garringo) e o louro com cara de menino da mamã, Peter Lee Lawrence (enquanto Johnny, um assassino de militares). O filme sofre de diversas falhas rítmicas mas têm os seus trunfos e bem vistas as coisas acaba por ser minimamente interessante para vos poder recomendar para estes dias frios que aí estão à porta.

Via flashback ficamos a conhecer o passado de Johnny (Peter Lee Lawrence). Na sua infância Johnny assiste à execução do seu pai pela mão de um oficial do exército. Em choque a criança foge do local acabando por ser encontrado por Klaus (José Bodalo) que acaba por o salvar e adoptar. Mas a dramática cena marca-o profundamente e depois de crescido o seu lado mais psicótico vêm ao de cima abraçando o caminho dos fora-da-lei. Os seus actos criminosos dirigem-se especialmente para com os oficiais do exército, que pune brutalmente sem que tenham a mínima oportunidade de defesa. Depois de executadas todas e quaisquer fardas azuis que se lhe passem pelo caminho envia ainda sarcásticos recados às chefias do exército, subscrevendo-se em todas elas.


Decididos em terminar com os actos de Johnny, os cabecilhas do exército decidem dar uma segunda oportunidade ao implacável tenente Harris, que libertam da prisão militar com a missão de identificar e capturar o perturbado rapaz. Mesmo que para isso use os brutais métodos que o haviam colocado por detrás das barras do forte. Depois de quatro anos malvadez longe de casa, Johnny regressa para junto de Klaus que entretanto se tornou o xerife da cidade. O seu regresso não é no entanto inocente, na verdade apenas se deve a um golpe que planeia executar sobre um carregamento de ouro do exército que passará pelas redondezas. Mas Garringo segue as suas pistas alcançando os parceiros de Johnny, acabando por chegar finalmente perto do bandido.

Entre tantos e tantos westerns europeus, convenha-se dizer que nada aqui é realmente extraordinário, mas “Garringo” têm ao menos o privilégio de conter aquela que muitos consideram a melhor interpretação do austríaco Peter Lee Lawrence. O papel de vilão permitiu-lhe sair da habitual pele de pistoleiro bonzinho por quem as miúdas suspiram. Ele saca aqui uma interpretação bastante variada. Ora encarna o papel de simpático rapaz, aparentemente enamorado pela filha do novo médico da cidade, que numa cena algo comovente agracia a rapariga com um belo vitelo! Mas o mesmo rapazola é capaz de matar uma mão cheia de soldados sem pestanejar apenas pelo simples prazer de matar.


Surpreendentemente Marchent foge ao típico duelo entre o bom e o mau, acabando por colocar o louro doido nas mãos de um dos seus criminosos parceiros. Também os caracteres dos dois personagens principais são algo antagónicos. Johnny é um rapaz bem-educado, agradável ao olho mas completamente abrasado da cabeça, que mata oficiais e lhes retira as insígnias como troféu que guarda na campa do seu pai. Já o Tenente Garringo apesar de representar o lado da lei, julga-se acima dela usando todos os meios para eliminar a corja da sociedade. Os seus métodos são desaprovados pela lei militar e – ainda que temporariamente – até o levaram a ver o sol aos quadradinhos, mas mesmo depois de libertado não hesita em matar um homem indefeso. O que faz então os seus actos mais justificáveis que os de Johnny?

Os cenários utilizados são algo pobres mas ainda assim têm a curiosidade de contar com uma sequência rodada nas ruínas de El Cercón, mosteiro nos arredores de Madrid que ficou imortalizada no clássico do terror luso-espanhol “A noite do terror cego”. Em 1971 outro filme com «Garringo» no título chegou aos cinemas italianos – “Sei giá cadavere amico… ti cerca Garringo!” – mas não se trata de uma sequela. Na verdade o título original espanhol nem contém a menção a «Garringo», mas sim a um mais rentável herói do género: «Sabata». Anos loucos para o cinema europeu! Já a testada dupla Steffen e Lawrence voltar-se-ia a encontrar alguns anos mais tarde num western-spaghetti de contornos cómicos, bem diferente deste aqui. Filme que chegou a ser lançado nalguns países como “Arriva Garringo”, mas desengane-se também quem julgar que se trata de uma sequela.

“Garringo” está disponível em DVD através da editora espanhola Impulso Records, é mais um dos filmes incluídos na “La colección sagrada del spaghetti western”. Tem áudio em espanhol e imagem em widescreen.


Mais imagens do filme:



Trailer:

2011/10/04

La caza del oro (1972 / Realizador: Juan Bosch)

Com a chegada do western cómico até o habitualmente taciturno Anthony Steffen, que por regra associamos aos mais carrancudos dos personagens do western-spaghetti (“Django il bastardo”, “Garringo”, etc), passou a interpretar personagens em filmes que não são carne, nem peixe (“Uno, dos, tres... dispara otra vez”, “Arriva Sabata!”). Filmes que se por um lado tentam imprimir algumas passagens mais cómicas nos seus roteiros, não se contêm quando chega a hora da matança.

É certo e sabido que o Steffen que adoramos é desprovido de expressividade. Coisa sem importância quando se trata de encorpar os mais destemidos pistoleiros do velho oeste, mas quando se passa para o lado da paródia, as coisas ficam estranhas. Os anos 70 foram férteis em produções deste tipo, e esta co-produção ítalo-espanhola intitulada de “La caza del oro” é um desses bichos raros.


Carver (Manuel Guitián) é um velho bandido que roubou 28 sacos de ouro à companhia mineira, mas que acabou na prisão por 20 penosos anos, onde manteve segredo sobre o paradeiro do saque. No dia da sua libertação uma série de bandidos sem escrúpulos fazem romaria até às portas da prisão, com o intuito de forçar o avozinho a indicar a localização do tesouro. O director da prisão (Raf Baldassarre) também está interessado no dinheiro e oferece protecção ao velho em troca do metal precioso, mas Carver agride o carcereiro e volta para dentro da choldra. Lá, espera-o o mexicano Paco (Daniel Martín), companheiro de cela que tenciona escapulir-se com o velho e com ele repartir o ouro. O mexicano logra em fugir com a sua «galinha dos ovos de ouro» mas não chega longe porque Trash (Anthony Steffen) - o mais afoito dos abutres - lhes interrompe a fuga.


Os três acabam por formar uma delicada sociedade, seguindo em direcção ao local onde o ouro terá sido refundido. Pelo meio encontram uma caravana de mulheres de má fama, geridas por uma velha conhecida de Carter. Ressabiado, o velho acaba por bater as botas antes de consumar o acto! Sem saberem ao certo sobre o paradeiro do ouro, Trash e Paco continuam em direcção à fronteira Mexicana. O infortúnio dura pouco e acabam por mero acaso por ter conhecimento da localização do tesouro, que afinal foi escondido dentro da imagem de San Firmino! Mas um grupo de bandidos mexicanos comandados pelo velhaco Firmin Rojas (Fernando Sancho) também estão interessados na estatueta, que crêem poder proporcionar-lhes grandes milagres nas suas actividades criminosas. Imagine-se!


No meio desta trapalhada toda salva-se a interpretação do espanhol Fernando Sancho, muito divertido nas poucas linhas que lhe couberam. De resto, nem os cenários usados na rodagem abonam a favor do filme, que apesar de ter sido rodado por Espanha não contempla nenhuma das vistosas paisagens de Almería. Um filme bastante regular que apenas o mais sedento dos fãs do género se deverá atrever em perseguir.

2011/08/09

Navajo Joe (1966 / Realizador: Sergio Corbucci)

Nunca se viu um western em que o herói andasse a vaguear como um fantasma a arrastar um caixão. Nunca se viu um western em que o herói fosse cobardemente assassinado pelos vilões. Era muito pouco habitual a presença de índios nos westerns-spaghetti. Não era nada habitual o protagonista ser um índio. Sergio Corbucci fez tudo isso. Em 1966, o cineasta italiano oscilou, para não variar, entre o seu toque de génio (Django) e a simples banalidade (Johnny Oro). Mas tudo isto começou quando Burt Reynolds, ator conhecido da televisão americana, ambicionava fazer a sua transição para o cinema.

No outono de 1964, o seu amigo Clint Eastwood chama-o ao Review Studios, em Hollywood, para ver o seu último trabalho, um western europeu de baixo orçamento filmado em Espanha e Itália. Burt Reynolds viu o filme e adorou! Mais tarde, Eastwood apresentou Reynolds ao influente produtor italiano Dino de Laurentiis. Já com Sergio Corbucci a dirigir as operações, numa de várias reuniões, Dino disse a Reynolds: “Este filme vai ser ainda melhor que os anteriores! Eastwood matou 100 pessoas mas tu vais matar 245!”


O enredo é simples e violento: Duncan, uma besta da pior espécie, lidera um bando de brutamontes cuja ocupação é massacrar aldeias de tribos índias para depois vender os escalpos. Mas os tempos mudaram, já não há conflitos entre brancos e índios, mas Duncan não aceita isso e arrasa tudo por onde passa! Mas um misterioso índio navajo persegue esse violento grupo e sempre que há uma oportunidade deita a luva a uns quantos mal-encarados e faz trinta por uma linha! Mas qual será o seu verdadeiro motivo?


“Navajo Joe” é um filme simples, apesar de ter beneficiado de um orçamento generoso! Não é muito bom mas também não é mau. Digamos que é um filme do meio da tabela (falta-lhe claramente a magia de outros filmes; tudo parece demasiado forçado; alguns diálogos nem sequer fazem sentido). Os pontos altos são o tiroteio em frente do banco da cidade e o final pessimista típico de Corbucci. Para mim, o maior trunfo é a magnífica música de Ennio Morricone. Resta apenas dizer que, apesar de ter conseguido dar o tão ambicionado salto para o grande ecrã, Burt Reynolds admitiu mais tarde que não gostou desta experiência. Paciência…


Mais alguns lobbys gringos:




Trailer:


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