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2013/12/17

Tepepa (1968 / Realizador: Giulio Petroni)

Por esta altura do campeonato, os westerns que abordavam temas revolucionários era o que estava a dar. Fazer westerns era sucesso garantido e falar de política também. O que é que se faz? Junta-se estas vertentes e já está! Os gigantes Leone, Corbucci, Tessari e Sollima também andaram nestas lides revolucionárias mas muito provavelmente nenhum deles fez um filme tão declaradamente de esquerda como “Tepepa”. O realizador Giulio Petroni, resistente contra o regime de Benito Mussolini e membro do partido comunista italiano, conta a história de um tal Jesus Maria Moran, mais conhecido por Tepepa, e a sua ascensão de pobre analfabeto agricultor a líder de um movimento revolucionário armado contra a tirania dos aristocratas, dos militares e do poder político. A ingenuidade de Tepepa leva-o a apoiar Francisco Madero quando este chega ao cargo de presidente do México. Como qualquer político inteligente, a justiça, a ordem, a igualdade e a ajuda aos mais pobres são palavras sempre presentes no seu discurso. 


Mas o poder corrompe o ser humano e Madero rapidamente esquece as promessas feitas a todos aqueles que o ajudaram. A partir daí, sob a bandeira dos ideais da revolução, cujo lema é “Tierra y Libertad”, Tepepa luta pelo famoso ideal da luta de classes e participa ativamente na ocupação de terras dos grandes latifundiários. Quem não concorda com a libertinagem dos camponeses é o implacável Coronel Cascorro, que não hesita em prender ou simplesmente executar todos aqueles que participam em atos contra o regime. 


É neste quadro que surge Henry Price, um médico inglês que aparentemente tem umas contas a ajustar com Tepepa. Por ironia do destino, numa das inúmeras batalhas, Tepepa é atingido gravemente. O doutor Price tem agora nas suas mãos, literalmente, a vida do carismático líder revolucionário… Tomas Milian é perfeito no papel de mexicano extrovertido (que se tornou a sua imagem de marca). John Steiner, enquanto médico europeu, cumpre sem problemas. 


A surpresa é a presença do cineasta americano Orson Welles como Coronel Cascorro. E com a surpresa vem também a polémica! Parece que Welles andou armado em parvo com toda a gente em Almería e o ambiente foi difícil. Era Welles contra Petroni, Welles contra Milian, Welles contra o mundo… É claro que ele já detinha um importante estatuto no mundo do cinema e a sua prestação como ator até foi boa mas ser vedeta não lhe dava o direito de fazer o que queria, nem de desconsiderar o trabalho das outras pessoas e nem de ser mais chato do que a merda!

Mais algumas imagens promocionais do filme:



Trailer:

2013/02/26

A Town Called Hell (1971 / Realizador: Robert Parrish)

No ano quente de 1895, um grupo de rebeldes ataca uma pequena cidade mexicana. Depois de eliminarem todos os militares, irrompem pela igreja onde despacham mais uma boa porção dos habitantes da cidade, nem o padre escapa ao massacre! Passados dez anos uma mulher misteriosa e o seu capanga mal-encarado entram na cidade num carro fúnebre. Lá dentro segue um caixão vazio que a viúva pretende ocupar com o corpo do responsável pela morte do seu marido. Durante estes dez anos a cidade mudou, para pior diga-se. O bandido don Carlos (Telly Savalas) é agora o alcaide e a população é mantida com rédea curta. Sabendo da recompensa que a viúva pretende entregar aquele que indicar o nome do assassino, don Carlos rapidamente arranja um presumível culpado pelo acto. Mas a viúva não se dá por convencida com a farsa montada e as coisas começam então a correr mal para o canalha, que acaba por beber do próprio veneno, sendo baleado por um dos seus próprios homens. 


Por essa altura chega à cidade uma coluna do exército. E para nossa surpresa o seu líder é nada mais, nada menos do que um dos cabecilhas do massacre da década anterior. A tentação do dinheiro e do poder fê-lo mudar de «equipa» a meio do jogo. Tal como a viúva, também o Coronel (Martin Landau) está à procura de um homem. Este pretende saber qual a verdadeira identidade de Águila, o misterioso líder dos rebeldes. 

Quem parece ter ambas as informações é o padre da cidade (Robert Shaw), que o Coronel trata por «irlandês». Estranhamente o padre é também um dos rebeldes responsáveis pelo dito massacre, mas que vive agora em arrependimento pelo seu passado violento. Um arrependimento parcial, digo eu, já que o homem não dispensa os mimos da bela Paloma (Paloma Cela). 


"A Town Called Hell" não é um dos mais aclamados euro-westerns. Talvez porque sendo uma produção repartida entre britânicos e espanhóis, e executada por um realizador americano, apresente um estilo algo diferente das habituais colaborações ítalo-espanholas. Mas creio que o estilo gótico que Parrish mesclou com os elementos do «western zapata» e com alguns dos clichés do género, tem o mérito de sugar a atenção do espectador durante a sua cerca de hora e meia de fita.

Mas o melhor do filme é mesmo o elenco internacional, que é espectacular. Ora vejamos, temos o grego Telly Savalas (Una Ragione per vivere e una per morire) enquanto alcaide irascível, o inglês Robert Shaw (From Russia with Love) enquanto padre promíscuo, o americano Martin Landau (Mission: Impossible) enquanto Coronel de falsos idealismos e ainda mais um punhado de caras conhecidas dos fãs do género: Aldo Sambrell, Fernando Rey, Tito Garcia, Chris Huerta, etc. 


Estranho ou não, é um filme que vale a pena conferir. E felizmente até está disponível em várias edições DVD. Eu tenho a edição da editora espanhola Suevia - "Una Ciudad Llamada Bastarda" - que apresenta o filme com áudio espanhol e inglês mas que tem uma imagem bastante esbatida, por isso se poderem optem por uma versão melhorzita.


Mais alguns lobbys da «barbarolândia»:



Trailer:

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