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01/04/2013
14/01/2013
La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io (1969 / Realizador: Edoardo Mulargia)
Já andava para ver este filme há muito tempo mas por alguma razão só recentemente o passei para o topo da pilha. Infelizmente não é um dos filmes mais fáceis de encontrar por aí, em DVD apenas se conhecem duas versões. Uma brasileira da Ocean Pictures e outra francesa da Gladiateur Films. Ora, como de francês pouco entendo e as editoras brasileiras nunca pareceram muito interessadas em exportar para a Europa, continuo sem um DVD na colecção. Encontrei sim, um DVDrip espanhol - "El Puro se sienta, espera y dispara" - num destes sítios de má fama. A imagem apesar de enublada até é aceitável, mas infelizmente o filme não aparece na sua duração original, que segundo li por aí devia roçar as duas horas. Tive de me contentar com cerca 82 minutos! Eu até já tenho assistido a muitos filmes cortados mas nunca numa duração tão grande, e a verdade é que com um delta destes não me é fácil tecer uma opinião muito bem formada sobre o filme.
Os cortes são mesmo bastante evidentes nesta montagem castelhana. Quer na edição abrutalhada quer na incongruência de alguns dos diálogos. Mas entretanto descobri no Youtube a versão brasileira, dobrada em português, que apresenta uma montagem bastante mais aceitável. Por estranho que pareça as diferenças entre as duas versões são tais que em certos casos o diálogo chega a mudar ligeiramente. Também alguns pedaços de fita aparecem numa versão e não noutra (a "famosa" cena gay, por exemplo, foi retirada da versão espanhola). Não conheço a versão do DVD francês, mas acredito que para se conseguir assistir ao filme como deve de ser será necessário mesclar as várias versões existentes por aí, coisa que provavelmente alguém já terá feito mas não posso confirmar.
Robert Woods descreve justamente “La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” como um western budista. Aqui o actor norte-americano encarna um pistoleiro conhecido por El Puro - que também dá titulo à versão internacional do filme. Um criminoso procurado pela lei que vive agora incógnito numa cidade fronteiriça, onde se gladia com o temor pela morte, que qualquer pistoleiro «wannabe» lhe queira oferecer. Completamente acabado, vive agora com uma garrafa aos queixos, não se mostrando ameaça sequer ao barman do saloon, que não têm dificuldade em coloca-lo KO. Mas a sua cabeça continua a prémio e um bando de assassinos liderado por Gipsy - uma versão empobrecida do Índio de “Por mais alguns dólares” - está interessado em reclamar a soma e com isso tornarem-se eles próprios como os senhores da região.
As parecenças de “La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” com os westerns de Leone não acabam por aqui. A maior de todas é mesmo a música, da autoria de Alessandro Alessandroni, ele que era justamente um colaborador habitual de Ennio Morricone. Alessandroni parece mastigar as trilhas que Morricone compôs para a trilogia do «homem sem nome» e produzir algo que quase roça o plágio. Mas comparações à parte o filme subsiste por si só. O ponto de inflexão na vida de El Puro será o assassinato da prostituta Rosie (Rosalba Neri), a única amiga do bebedolas na cidade. Qual fénix, o pistoleiro renasce da tragédia. Larga o álcool que lhe turvava as ideias e os reflexos, e enfrenta os meliantes. Embate que infelizmente não é um dos mais interessantes que o género viu, mas o twist guardado para o final salva-o.
***Inicio de spoiler*** Como dizia, a versão brasileira que assisti no Youtube e que recomendo aos curiosos, está bastante mais bem editada que a espanhola, sendo inclusivamente ligeiramente maior. Porém o triste final que se abate sobre El Puro, baleado à distância pelo último pulha do bando, fica apenas sugerido nesta versão, sendo bastante mais poética na versão espanhola em que o pistoleiro morto pelas costas acaba estendido no chão. Um final desolador pouco visto no género. ***fim de spoiler***
“La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” não é um western-spaghetti fácil, mas nos últimos anos têm existido à volta dele um certo burburinho (o beijo gay dezenas de anos antes de “Brokeback Mountain” muito ajudou a tal), que o têm elevado à condição de filme de culto no género. Será mesmo o mais conceituado dos filmes de Edoardo Mulargia, que como muitos outros realizadores da época nunca tiveram à sua mercê os benefícios das grandes produções, mas que com alguma astúcia conseguiu lançar uma série de filmes razoáveis (“W Django!”, “Cjamango”, “Non aspettare Django, spara”, etc.). Com Robert Woods fez ainda mais um western, “Prega Dio... e scavati la fossa”, mas sobre esse falaremos outro dia!
06/02/2012
Per qualche dollaro in più (1965 / Realizador: Sergio Leone)
Com o seu primeiro western, Sergio Leone deu início a uma nova fase do cinema italiano mas agora sentia na pele as desvantagens de ter assinado de forma precipitada um contrato pouco vantajoso com a Jolly Films. O contrato dizia que Leone era forçado a fazer outro filme e sucediam-se os conflitos com os produtores Arrigo Colombo e Giorgio Papi. O cineasta sentia-se injustiçado na divisão dos lucros e antes de cortar o mal pela raiz e rescindir unilateralmente disse aos produtores da Jolly Films: “Vou processá-los em tribunal! Eu nem sabia se queria fazer outro western mas agora vou mesmo fazer, só para vos chatear! E o título vai ser… Por Mais Alguns Dólares!” O advogado que se ocupou do processo foi um tal Alberto Grimaldi.
Grimaldi também tinha ambições no cinema, já tinha produzido três westerns de Joaquin Romero Marchent, mas aguardava por uma grande oportunidade. Viu em Sergio Leone o homem certo para apostar e fez-lhe uma proposta irrecusável: Para o novo filme, a produção garantia as despesas, os salários e 50% do lucro das bilheteiras ia diretamente para o bolso do realizador! Mas a guerra de bastidores continuava e, numa jogada cínica, Colombo e Papi contactaram Clint Eastwood e tentaram convencê-lo para protagonizar uma sequela produzida pela Jolly Films, desviando-o do caminho de Leone. Contudo, Eastwood não aceitou e pouco tempo depois Leone viajou de propósito aos Estados Unidos para resgatar o ator para uma segunda aventura juntos.
Mas “Por Mais Alguns Dólares” não podia ter apenas um protagonista. Henry Fonda, Charles Bronson, Lee Marvin e Robert Ryan recusaram categoricamente. Em Los Angeles, um dos assistentes de Leone facultou-lhe um documento com uma fotografia de um ator de segunda linha e que agora tinha desaparecido misteriosamente após um grave acidente de viação. Ao ver a foto, Leone decidiu instantaneamente: Lee Van Cleef era o homem certo e nada mais interessava! Com uma mala cheia de dinheiro, Leone apresentou o contrato ao ator e 10 000 dólares. Foi mais do que suficiente…

O filme gira em torno de dois caçadores de prémios que perseguem o psicopata / assassino / ladrão / drogado / violador El Índio. Enquanto um quer o dinheiro da recompensa o outro parece ter outras razões. Alguns momentos do filme ficam para sempre na memória dos cinéfilos, nomeadamente o duelo final dentro de uma área circular, a “arena da vida”, como Sergio Leone lhe chamava, “o momento da verdade na hora da morte”, tudo isto acompanhado pela genial partitura musical do mestre Ennio Morricone.
O filme estreou no outono de 1965 e foi um sucesso gigantesco, tornando-se no filme mais rentável em Itália durante vários anos. Lee Van Cleef ascendeu ao estatuto de estrela, Clint Eastwood confirmou as suas credenciais de super vedeta e Sergio Leone matou dois coelhos com uma cajadada só: conseguiu mais um extraordinário marco da História do Cinema e vergou definitivamente as intenções malévolas dos seus inimigos de estimação.
Galeria:

















Trailer:
12/04/2011
Amico, stammi lontano almeno un palmo (1972 / Realizador: Michele Lupo)
A minha paixão pelo western-spaghetti a muito se deve aqueles momentos bem passados em frente à televisão, nos tempos de criança. Nesses anos assistia-se com frequência a filmes destes lá em casa. Filmes que alugávamos nos videoclubes da cidade de Portalegre e que passavam também com bastante frequência nos canais espanhóis, que conseguíamos captar graças a uma antena bem posicionada. Desses tempos e desses filmes muito se esfumou, mas nos ficheiros temporários do grande amendoim guardei algumas cenas de filmes que por mais que tente não consigo recordar o nome, filmes esses que tenho tentado redescobrir ao longo dos anos.Tenho comprado por isso bastantes DVDs do género, muitas das vezes por coleccionismo doentio, mas noutras simplesmente na ilusão de que seja “o tal filme”. Uma das imagens que a minha memória guardou e que mais empenho me mereceu nesta busca desenfreada, foi um duelo entre um personagem interpretado por Giuliano Gemma e um tipo careca cuja cara a nada associava. Nesse retrato, Gemma ficara sem munição mas conseguira enganar o vilão graças a uma bala que guardava num fio que levava ao pescoço. Pois bem, finalmente descobri que porra de filme era esse: “Amico, stammi lontano almeno un palmo”, que por cá ficou conhecido por “Ben e Charlie”!

Ben (Giuliano Gemma) é libertado de uma prisão mexicana, lá fora um gringo – Charlie (George Eastman) – espera-o à três dias. Depois de se agredirem mutuamente em nome dos bons velhos tempos tomam caminhos distintos, mas o destino acaba teimosamente por os voltar a cruzar. Chegados a Red Rock, Ben assalta o banco para espanto do próprio Charlie. Ambos acabam por escapar com o saque das garras do Xerife Walker (Aldo Sambrell) e com o feito passam de meros escroques esfomeados a bandidos com a cabeça a prémio. O Xerife e os agentes da Pinkerton seguem no seu encalço, mas inesperadamente são alcançados não pela lei, mas sim por um bando de malfeitores interessados em fazer sociedade com os nossos anti-heróis.
Michele Lupo, que já trabalhara com Gemma noutro clássico do género (Arizona Colt), monta aqui um filme que não compromete mas que também não ganhou lugar na história do western europeu. Pessoalmente pareceu-me razoavelmente bem fotografado (recuperando até alguns cenários míticos do género como a fortaleza de "El Condor" ou casa de "Once Upon a Time in the West") e com um ritmo bastante interessante. Ainda assim, num ponto de vista meramente analítico poderia reduzi-lo a mais um buddy western na linha dos então populares westerns cómicos da escola Barboni. Meio sério e meio a brincar, com cenas de pancadaria aos montões, mas com tiroteio reduzido e quase sempre pouco certeiro. O argumento é curiosamente responsabilidade parcial do próprio Eastman (que na função assina com o nome de baptismo: Luigi Montefiore), algo que repetiria noutras películas com igual ou maior sucesso ("Keoma").

O DVD da Wild East é uma das opções a considerar para aqueles que quiserem obter “Ben e Charlie”. Como é norma nas edições da editora Norte-Americana, o filme é apresentado em formato widescreen, com imagem cristalina e com áudio em Inglês. O DVD contém ainda alguns extras de interesse: galerias de imagens promocionais, trailers e genéricos alternativos. Um filme divertido para nos fazer esquecer do fosso em que o país está mergulhado.
Mais alguns lobbys germânicos:





Trailer:
01/02/2010
Per un pugno di dollari (1964 / Realizador: Sergio Leone)
De certa forma, este filme salvou a indústria cinematográfica italiana do desastre total. Quem diria que um projecto com um orçamento tão curto e destinado ao fracasso seria o pontapé de saída para a loucura dos westerns europeus? É verdade que antes disso os alemães já tinham produzido westerns para televisão, nomeadamente as adaptações dos livros de Karl May, mas com pouca qualidade. Os anos 50 na Itália foram marcados pelos filmes épicos (peplum) e as super produções americanas recorriam aos estúdios europeus porque era menos dispendioso e obtinham melhores resultados. Clássicos com Quo Vadis e Ben-Hur foram êxitos estrondosos. Cleópatra, o filme mais caro da história do cinema, foi um desastre total nas bilheteiras. A indústria cinematográfica de Itália caiu a pique, muitos estúdios faliram e centenas de pessoas viram-se desempregadas da noite para o dia.

Joe bebe uma verga de água.
Cineastas como Sergio Corbucci, Duccio Tessari e Sergio Leone também participaram activamente nos “peplum”, tendo Leone realizado o interessante O colosso de Rodes (1960). Em finais de 1963, a conselho de Enzo Barboni, Leone dirige-se ao cinema Arlecchino em Roma para ver Yojimbo, um filme de samurais de Akira Kurosawa. O filme é baseado num romance negro de Dashiell Hammett chamado “Red Harvest”. Leone ficou maravilhado e teve uma ideia: transformar aquilo que viu num western.
Procurou alguém que financiasse o projecto e a muito custo conseguiu convencer Arrigo Colombo e Giorgio Papi, da Jolly Films. O filme intitulado “Il magnífico straniero” tinha de ser protagonizado por um actor americano. Henry Fonda e Charles Bronson eram inalcançáveis, James Coburn também, Steve Reeves e Richard Harrison declinaram o convite. Eis então que surge um jovem actor conhecido da televisão americana que aceitou o trabalho por 15 000 dólares. A partir daí, os nomes de Sergio Leone e Clint Eastwood tornaram-se inseparáveis.
A fórmula, como Christopher Frayling expõe num dos seus livros, denomina-se “servant of two masters plot”. Um forasteiro solitário (homem sem nome / Joe) chega a uma pequena vila mexicana e ao aperceber-se que há duas facções rivais (a família Rojo e a família Baxter) tenta jogar de ambos os lados e lucrar financeiramente com a rivalidade, mas as coisas nem sempre correm como previsto… O duelo final entre Clint Eastwood e Gian Maria Volonté fica para a História: “Quando um homem com uma pistola defronta um com uma espingarda, o da pistola é um homem morto!”
Joe e o seu amigo taberneiro.
Procurou alguém que financiasse o projecto e a muito custo conseguiu convencer Arrigo Colombo e Giorgio Papi, da Jolly Films. O filme intitulado “Il magnífico straniero” tinha de ser protagonizado por um actor americano. Henry Fonda e Charles Bronson eram inalcançáveis, James Coburn também, Steve Reeves e Richard Harrison declinaram o convite. Eis então que surge um jovem actor conhecido da televisão americana que aceitou o trabalho por 15 000 dólares. A partir daí, os nomes de Sergio Leone e Clint Eastwood tornaram-se inseparáveis.

Partiram o focinho ao homem

Uma Winchester infalível!

O ajuste de contas vai começar!
Há muitas edições DVD à venda e desta vez Portugal não é excepção (até admira!). Comprei a edição portuguesa da Costa do Castelo Filmes, versão integral com áudio em italiano, legendas em português e formato letterbox 2.35:1. Além disso, contém o documentário “Era uma vez Sergio Leone”, a biografia e filmografia do realizador. Para mim, este filme é fundamental na minha DVDteca. Quem se considera um fã de westerns-spaghetti e nunca viu esta obra-prima, diria que é, no mínimo, um escândalo!
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