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2018/03/05

Per una bara piena di dollari (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

George Hamilton é um militar da Confederação que regressa a casa. A sua família foi assassinada e o seu rancho foi reduzido a cinzas. O único sobrevivente é Sam, um escravo negro que, mesmo após a Guerra Civil, quis continuar a trabalhar para a família Hamilton. Os cabrões que cometeram estes crimes andam aí! E quem é o mandachuva? O mexicano Tamayo ou o raivoso Hagen? George Hamilton vai em busca da verdade sem hesitar. A única pista, para já, é um relógio de bolso que toca uma suave melodia e que foi encontrado no meio dos escombros. O resto do mundo que se prepare porque agora George já só responde pelo seu nome de guerra: Nevada Kid.

Obra tipicamente fidaniana, “Per Una Bara Piena di Dollari” é um retrato fiel da maneira muito peculiar de como o realizador Demofilo Fidani fazia os seus westerns. Foi a segunda e última colaboração de Fidani com o ator Klaus Kinski (já tinham trabalhado juntos em “Giù La Testa… Hombre!”). Kinski era teimoso que nem um corno mas aparentemente respeitava Demofilo Fidani (pudera, o velhote tinha um físico que impunha respeito!).

Klaus Kinski está desconfiado!

O diretor de fotografia, Aristide Massaccesi (nome de guerra: Joe D’Amato), é que esteve quase a partir as trombas a Kinski. No último momento, Fidani meteu-se no meio da confusão e cada um foi para seu lado. Em privado, Kinski e Fidani tiveram uma conversa séria. Foi mais ou menos isto: “Klaus, a partir de agora ou fazes tudo o que te dizem para fazeres ou quem te parte o focinho sou eu! Chiaro?!” Foi remédio santo! A partir daí tudo correu lindamente e consta até que Klaus Kinski e Aristide Massaccesi se tornaram amigos.

Um churrasco à mexicana!

A lindíssima Simone Blondell, atriz e filha do realizador, fazia parte do elenco. Kinski, tarado sexual de primeira categoria, andava sempre com o ponteiro fora da braguilha mas não há qualquer registo sobre uma hipotética relação entre ambos. Nem mesmo na sua autobiografia, onde o irascível ator alemão se gaba constantemente das suas aventuras sexuais.

O acrobata Jeff Cameron.

Dezenas, centenas, milhares de gajas que Klaus Kinski papou! Se calhar, até metade do mundo marchou! E a outra metade não marchou porque começaram a dar-lhe cãibras, muito provavelmente! Enfim, Klaus Kinski era a personificação da hipérbole!


Mais alguma propaganda da época:


2016/11/15

Un bounty killer a Trinità (1972 / Realizador: Joe D'Amato)


A cidade de Trinitá vive momentos dramáticos. O banco foi assaltado, todos os carregamentos de ouro são constantemente roubados, o xerife da cidade vive acagaçado e o exército não pode fazer nada porque está ocupado na guerra contra os índios. Os cidadãos mais influentes da cidade reúnem-se e mandam chamar o xerife federal de Dallas. Mas o “temível” xerife é um velho jarreta que facilmente cai na esparrela que nem um passarinho! Os bandidos, liderados pelos irmãos Sancho e Paço Navajeros, contam com o auxílio secreto de Pizarro (Antonio Cantafora), membro do concelho de cidadãos de Trinitá e principal espião / chibo / bufo. Esta situação não pode continuar e um membro do comité contrata secretamente Alan Boyd (Jeff Cameron), um caçador de prémios extremamente caro mas extremamente eficaz. 

O especialista prepara os seus instrumentos de trabalho. 

Boyd não tarda a apresentar resultados: encomenda ao cangalheiro uma dose industrial de caixões, apresenta-se na cidade como (falso) agente de seguros e os muitos avisos de recompensas que tem dentro do bolso significam muitos cadáveres e… muita cheta! As ferramentas do seu trabalho incluem um Colt, uma Derringer, uma Winchester, uma caçadeira, dinamite e… uma besta!

Uma espécie de Guilherme Tell dos westerns.

Em apenas 80 minutos de filme este exército de um só homem vai entrar em ação e vai ser profissional até ao fim porque como dizia o outro: “Modéstia à parte… mas eu sou bom”! Jeff Cameron faz lembrar o personagem Sartana (chapéu preto, roupas elegantes, gravata vermelha) e Antonio Cantafora é o vilão de serviço com uma cabeleira vistosa, um grande bigode a condizer e umas patilhas à reforma agrária.

Os maninhos Navajeros. 

Aristide Massaccessi sempre foi respeitado enquanto diretor de fotografia (nomeadamente nos westerns de Demofilo Fidani). Ao assumir a cadeira de realizador trabalhou sob inúmeros pseudónimos mas foi sob o pseudónimo de Joe D’amato que alcançou a fama em géneros cinematográficos como o terror, o erotismo e a pornografia. Joe D’amato faleceu no dia 23 de janeiro de 1999.


2016/08/30

Fora de tópico | Lançamento "Kopfgeld für einen Killer (Un Bounty killer a Trinità)"


Boas noticias para os fãs de Joe D'Amato, parece que o seu western "Un Bounty killer a Trinità" voltou a estar disponivel em DVD, desta vez pela mão da editora alemã Edel. Ainda não conferimos mas a edição deverá ter a mesma qualidade de imagem que a versão italiana, há muito esgotada. Audio em alemão e inglês. Podem encomendá-lo aqui.

2016/06/07

Due once di piombo (1966 / Realizador: Maurizio Lucidi)

A vida dos habitantes de Houston tornou-se num pequeno inferno desde que a banda de Joe Clane assentou amarras, mas a sorte dos patifes vai mudar com a chegada de um novo rosto à cidade, Pecos! Este bizarríssimo pistoleiro mexicano terá sido porventura a personagem mais popular de todas as que o norte-americano Robert Woods protagonizou. O filme foi inicialmente concebido como capitulo único e foi inclusive testado com um final pessimista em que o herói sucumbia, mas segundo apurámos quando entrevistámos o actor, a prova feita num cinema de Nápoles serviu para redefinir o rumo da personagem, tal o protesto da audiência contra a falta de sorte do mexicano. A aceitação do filme acabaria por ser tal, que uma sequela oficial surgiria no ano seguinte (Pecos è qui: prega e muori). A realização de ambos ficou a cargo de Maurizio Lucidi, que apesar de ter por essa altura uma boa bagagem como editor, estreava-se aqui no filone. Lucidi presenteia-nos com um western violento, cheio de vilanagem bruta dos queixos, cortesia de gente como George Eastman (que se estreava no género), Peter Martell ou Sal Borgese, todos com um tempo de antena estupidamente curto, culpa do amigo Pecos!

Robert Woods é Pecos Martinez!

A trama não é ruim, mas é demasiado fácil colá-la ao seminal Per un pugno di dollari, senão vejamos. Em ambos um pistoleiro desconhecido chega à cidade, envolve-se com os pulhas locais, a páginas tantas leva um enxerto de porrada, mas depois de lamber as feridas volta para lhes limpar o sebo.

As reciclagens nos filmes italianos não são factor de estranhamento para gente vacinada, e a verdade é que a mesclagem aqui feita resulta decentemente. Talvez por isso, o filme conseguiu um encaixe anormal para o tipo de produção tão low budget. E por falar em colagens, mais descarada ainda é a fotocópia que Lallo Gori fez do hit “House Of The Rising Sun” dos The Animals, aqui transformado em “The Ballad of Pecos”, pela voz de Bob Smart. 

Eixo do mal: Pier Paolo Capponi, Peter Carsten, George Eastman. 

A personagem de Robert Woods tem tanto de interessante como de caricata. O tipo aparenta ser um um peone esfomeado, mas por andar armado é imediatamente conotado como encrenqueiro, «mel» para os «ursos» do povoado, está claro. Porém a chegada dele à cidade não é casual, Pecos tem a sua própria agenda e isso garantirá muito chumbo quente ao longo dos oitenta e tal minutos do filme.

O DVD da Koch Media vem com uma entrevista recente a Woods, nesta o actor afirma que só aceitou o papel no filme na condição de ser caracterizado de forma a assemelhar-se tanto quanto possível com um verdadeiro mexicano. Em vez disso a mim pareceu-me que o transformaram num pistoleiro de olhar vesgo. Felizmente não lhe fizeram assim tantos grandes planos às fuças e desta forma a coisa escorrega naturalmente.

Neste filme a máxima aplica-se: mulher sofre!

Curiosamente o mítico medium/realizador, Demofilo Fidani, senhor de uma obra incontestavelmente ruim, assumiu neste primeiro filme da saga Pecos, funções na equipe técnica. Também o estimado Joe D'Amato por lá se passeou de câmara na mão. Tudo gente que nos anos seguintes assumiriam a «vanguarda» do western-spaghetti  de série z. Já Maurizio Lucidi, abandonaria esta linha mais dura e a partir daqui enveredaria pelos tortuosos caminhos do western cómico (La più grande rapina del west, Si può fare... amigo). Lá chegaremos!

2016/05/02

Era Sam Wallash... lo chiamavano... 'E così sia'! (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

Só no ano de 1971, Demofilo Fidani realizou cinco westerns! Foi o seu ano mais produtivo (em quantidade porque é qualidade isso é muito discutível). Vamos então ver o que nos reserva este filme: Numa noite tranquila, Sam Wallash e o seu irmão estão no saloon a beber o seu canudo de cerveja. Mash Donovan e a sua manada de jagunços entram no local à bruta, ajustam contas com o taberneiro e disparam sobre toda a gente. Sam escapa ao massacre mas o seu maninho foi com os porcos! O homem zanga-se (e com razão, porra!) e irá até ao fim do mundo para limpar o sebo ao cabeçudo do Donovan. Em Golden City, Donovan anda-se a pavonear feito fanfarrão perante tudo e todos até que correm notícias que um homem alto que escapou ao massacre na taberna é um tipo perigoso e que anda atrás dele. Donovan não admite baixar a crista e contrata mais pistoleiros para o protegerem. Na sua demanda vingativa, Sam “despacha” muitos rufiões mas não se livra de levar umas mocadas nas ventas de vez em quando.

Porrada que até cria bicho!

Embora seja muito hábil no gatilho, Sam tem um trauma antigo e extremamente bizarro: tem pavor de portas a bater! Porquê? Como é habitual nos westerns de Demofilo Fidani a capacidade de estender, prolongar e desenvolver o enredo é muito reduzida e por isso há que “encher chouriços”. Como? Incluindo as habituais cenas de pancadaria no saloon, um combate de boxe e cavalgadas de um lado para o outro apenas para ter mais alguns minutos de projeção para chegar perto da hora e meia de filme previamente estabelecida.

Donovan e os seus jagunços.

O americano Robert Woods é o protagonista. Dean Stratford, Dennis Colt e Simone Blondell são os antagonistas. O competente diretor de fotografia Franco Villa e o compositor Coriolano “Lallo” Gori fazem um bom trabalho, como sempre. O confronto final entre herói e vilões nas dunas de um deserto é um excelente momento e a aparição de uma metralhadora é um ótimo trunfo! Nota de destaque para um hilariante (e absurdo) momento com Gordon Mitchell, Peter Martell e Lincoln Tate, que se apresentam como implacáveis pistoleiros e depois… nunca mais aparecem no filme! Infelizmente, e como seria de esperar, não há DVD deste filme à venda e está na hora de mudar essa situação! Portanto, faço aqui um apelo a todos os fãs de Demofilo Fidani (onde eu estou incluído, naturalmente) para gritar isto alto e bom som: “Fidanianos de todo o mundo… uni-vos!”

2014/06/16

Straniero... fatti il segno della croce! (1968 / Realizador: Demofilo Fidani)

"Straniero... fatti il segno della croce!" foi o primeiro filme assinado pelo infame Demofilo Fidani, aqui escamoteado sob o seu pseudónimo mais reconhecido: Miles Deem. Mas também há quem defenda que tenha sido o seu segundo, uma vez que "Prega Dio... e scavati la fossa" terá sido realizado por si e não por Edoardo Mulargia como indicam os créditos do dito. O nome - Fidani - vêm normalmente associado a cinema de qualidade duvidável, e sim é verdade que muitos dos seus filmes não vão lá nem com molho de tomate. Normalmente estaria por isso aqui a falar-vos-ia sobre a falta de sequência narrativa, sobre a imbecilidade da câmara tremula, sobre as interpretações medíocres, mas não posso. É que ao contrário da esmagadora maioria dos filmes do seu cardápio, este aqui é incrivelmente satisfatório e quase isento de lacunas. Porra, vou admitir, gostei bastante!

O trabalho de câmara foi porventura aquilo que mais me surpreendeu pela positiva. Ao que parece a função foi iniciada pelo reconhecido Franco Villa (Prega il morto e ammazza il vivo, Due once di piombo) mas segundo rezam as más línguas, o tipo desertou para outra produção e foi o então jovem Joe D'Amato que tratou do assunto, e bem na minha modesta opinião. Curiosamente Amato faz ainda um pequeno cameo no séquito de grunhos do filme. Grupinho onde que se lista um elenco de luxo: Fabio Testi, Dino Strano, Jeff Cameron, etc. Tudo gente que haveria de se tornar presença habitual nas produções da famosa Tarquinia Internazionale.


A história é bem simples mas coerente e bem ritmada. Sem perder muito tempo somos levados a seguir as actividades de um bando de patifes (ladrões de bancos, sallons e afins). Na pista desses segue um pistoleiro em busca do dinheiro das recompensas, e um coxo em busca de vingança. Lembra-vos alguma coisa, não? Apesar do mote sério que o filme lança, também aqui e ali já se incluem algumas alusões ao western cómico que seria popularizado nos anos seguintes graças ás personagens de Giuliano Carnimeo (Halleluja) e Enzo Barboni (Trinita). Contem por isso com alguns gadgets e parvoíces em doses moderadas. 

Charles Southwood fez aqui a sua primeira aparição na grande tela, interpretando o caçador de recompensas de identidade desconhecida. Ao bom estilo de "Per qualche dollaro in più", no final  também ele abandonará a cidade carregado de cadáveres. Como habitual, o actor americano não desiludiu na sua interpretação e não admira por isso que tenha sido depois chamado a participar noutros spaghettis mais bem financiados. Com Mario Bava faria "Roy Colt & Winchester Jack", e com Carnimeo popularizaria o estranho cossaco de "Testa t'ammazzo, croce... sei morto... Mi chiamano Alleluja" ou o trapaceiro mariconço, Sabbath, de "C'è Sartana... vendi la pistola e comprati la bara!".


Inevitavelmente a história recordará Fidani como realizador de meia tigela, mas a equipa deste blogue tem conferido a filmografia do homem e avisa-vos já que esse  juízo pode ser demasiado precipitado. Claramente antes de enveredar nas suas famosas patifarias cinematográficas, o homem dava o litro e se perderem o vosso tempo com ele, encontrarão dois ou três filmes que poderemos considerar na média do género. Este é um deles, sejam valentes e vejam-no!

Mais algum engodo para os vossos olhos:


Trailer italiano:

2014/06/03

Inginocchiati straniero... I cadaveri non fanno ombra! (1970 / Realizador: Demofilo Fidani)

Não há tempo a perder! Vamos direto ao assunto: Lazar é um caçador de recompensas que nunca larga a sua presa. Quando está no encalço de um fora-da-lei não descansa enquanto não termina o seu trabalho. Todos os bandidos que caem nas suas mãos têm o destino traçado: são entregues às autoridades mas sem a mínima hipótese de se defender porque antes disso Lazar serve-lhes uma bela dieta à base de balázios. Embora seja um profissional de primeira linha, Lazar guarda para si num esconderijo todo o dinheiro roubado que as suas vítimas tinham. Este negócio sangrento coloca-o no caminho de Barrett, o dono das minas de ouro daquela região. Por perto estão o capataz Medina e a bela cigana Maya. 


Para complicar a situação um forasteiro também se mete ao barulho porque, aparentemente, tem umas contas a ajustar com Lazar. O resultado final é… um dos melhores westerns de Demofilo Fidani! É verdade, este filme é uma das melhores obras deste carismático realizador mas temos de ser justos: no meio de tanto disparate e tanta falta de qualidade nos seus filmes (até chegava ao ponto de usar as mesmas cenas e a mesma música em vários filmes!) Fidani tinha por vezes um raio de luz que o iluminava e lá vinha um western minimamente bem estruturado e que até fazia sentido!


É perfeitamente claro para todos que quando mencionamos o nome “Demofilo Fidani” estamos a falar de material de série B, da mesma maneira que todos os seus súbditos são nomes “underground”. A saber: Hunt Powers, Chet Davis, Gordon Mitchell, Simone Blondell, Dennis Colt e Ettore Manni. Resumindo e concluindo: os fanáticos de westerns-spaghetti de série B podem e devem ver este filme, onde estão incluídos homens de barba rija e mulheres de nervos de aço.


Os curiosos que não têm medo de arriscar também devem fazê-lo. Os intelectuais de meia-tigela que se auto-intitulam génios da crítica cinematográfica (sim, falo daqueles que assinam sempre com três nomes, para dar mais estilo) é melhor que se afastem ou o espírito de Demofilo Fidani volta à Terra para vos cravar um par de chapadas na cara!



Trailer:




2013/01/01

Giù la testa... hombre (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

Demofilo Fidani está de volta a este blogue! Já fazia algum tempo que este cineasta de culto de westerns de série B não era abordado ou sequer mencionado neste nosso espaço mas temos remédio para isso: escreve-se uma resenha e o caso fica resolvido!

Quem se interessa por este tipo de cinema já sabe que os filmes de Demofilo Fidani não são para serem levados a sério. Os westerns deste cineasta são somente obras de entretenimento de baixo custo e de baixa qualidade, sem qualquer rasgo de genialidade e com algumas palhaçadas pelo meio.

O enredo não tem muito que saber: Macho Callagan, um agente da Pinkerton, infiltra-se num bando de assaltantes que roubou uma grande soma. Esse mesmo bando é atacado e exterminado por Butch Cassidy, Sundance Kid, Testa de Ferro e alguns pistoleiros.


Por sorte, Macho consegue salvar-se e, após recuperar dos seus ferimentos, vai procurar os agressores. O Reverendo Cotten indica-lhe o rumo certo e será apenas uma questão de tempo até Macho deitar a luva a Butch Cassidy e ao seu raivoso lugar-tenente Testa de Ferro!

O elenco conta com os suspeitos do costume, ou seja, Hunt Powers, Gordon Mitchell, Dennis Colt, Klaus Kinski e Jeff Cameron. Acho que todos eles deviam ter uma grande “pancada” porque trabalhar com Fidani em muitos filmes a fazer sempre a mesma coisa torna-se, no mínimo, repetitivo. Mas Hunt Powers afirma que foi um enorme prazer trabalhar com Fidani e que o ambiente foi sempre descontraído e familiar.


Mas não há bela sem senão e recorda os momentos conflituosos que teve com Klaus Kinski. Em poucas palavras, é isto: “Klaus Kinski era um ator genial mas como pessoa não passava de uma besta!” Surpreendentemente, “Giú La Testa, Hombre!” consegue ser um dos melhores registos do carismático Fidani. Quem diria?!


Trailer:

2012/09/17

I cinque della vendetta (1966 / Realizador: Aldo Florio)

O ano de 1965 foi determinante para a industrialização do western-spaghetti. Filmes como “Per qualche dollaro in più”, “Un dollaro bucato”, “Adios Gringo”, “Una Pistola per Ringo” ou “Il ritorno di Ringo” registaram grande afluência de publico ás bilheteiras italianas, não seria pois de estranhar que o impulso lançado por estes primeiros sucessos levasse a uma exploração mais exaustiva do filão.

Um ano depois já eram produzidos filmes do género ás dezenas, muitos destes eram filmes desprovidos de grande interesse e vê-los passados mais de 40 anos do seu lançamento original pode revelar-se uma tarefa penosa.

Um dos filmes que sofreu degenerativamente com o passar dos anos é este “I Cinque della vendetta”. Uma primeira incursão de Aldo Florio no género, claramente influenciada pelo clássico do western americano “The Magnificent Seven”, de John Sturges.



O argumento do filme é tão simplista que irrita. Os Gonzalez tencionam dominar toda a região. O único entrave que lhes barra os planos é a casmurrice de um fazendeiro gringo, Jim Lattimer, o único que lhes faz frente. Razão pela qual acaba por ser fatalmente abatido pelos irmãos Gonzalez. É então que surgem na cidade cinco forasteiros, liderados por Tex (Guy Madison), dispostos a vingar a morte de Jim e assim devolver as terras à viúva Lattimer. Existirão percalços, e antes que consigam cumprir a sua missão são encurralados e deixados para morrer no deserto, mas safam-se e num ápice distribuem bordoada pelos tiranos e seus capangas.


A versão a que assisti não é mais do que um bootleg montado pelo fã do género Franco Cleef, rapazito que teve a paciência de mesclar uma fita alemã com boa qualidade de imagem, com outra proveniente do velhinho mercado de VHS. Resultado, conseguimos ver o filme numa versão mais alargada, mas que implica um rodopio constante entre imagens cristalinas do DVD alemão e imagens deploráveis do VHS americano. Não é coisa fácil de aturar mas acaba por ser um exercício educativo na medida em que permite entender a quantidade de tesouradas que o filme levou na versão exibida ao público germânico. Ainda que pessoalmente ache que num filme tão insípido nada do que se tinha cortado fazia realmente falta para o entendimento da história.

Aldo Florio voltaria ao western-spaghetti uma vez mais no início da década seguinte. Onde cozinharia uma bela homenagem ao seminal “Per un pugno di dollari” de Sergio Leone. Uma violentíssima história de vingança protagonizada por Fabio Testi e que provaria a existência de um sentido mais apurado por parte deste realizador italiano: “Anda muchacho, spara!”.


Mais alguns lobbys germânicos:



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