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2015/02/10

Giù le mani... Carogna! (Django Story) (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

Certa noite, num saloon do Velho Oeste, está o jovem Wild Bill Hickok a beber uma fresquinha. Tudo está calmo e tranquilo. Um homem misterioso entra no saloon, senta-se e também bebe uma caneca para matar a secura. O homem está todo vestido de negro, o seu bigode e os seus cabelos grisalhos indiciam que se trata de um indivíduo idoso, fisicamente debilitado (traz uma bengala) mas o seu olhar é sinistramente lúcido e perspicaz. Num ápice rebenta uma violenta discussão entre alguns clientes do saloon e começam a zunir murros, pontapés, cabeçadas, garrafas partidas e mesas desfeitas! A discussão alarga-se ao jovem Hickok e ao velho coxo, que prega umas bengaladas em alguns mariolas. Subitamente, o xerife aparece e põe ordem na confusão. Leva para o xadrez todos os palhaços que começaram a briga deixando Hickok e o velho a sós no saloon.


Feitas as apresentações, Wild Bill percebe que tem perante si Django, o célebre pistoleiro e caçador de recompensas mais famoso do Oeste. Ambos vão passar todo o serão à mesa a comer, a beber e a conversar porque Hickok quer ouvir de Django todas as aventuras que viveu quando este era mais novo e como eliminou todos os seus temíveis inimigos ao longo da sua carreira de pistoleiro. Este foi o último western de Demofilo Fidani, um cineasta que fazia filmes à velocidade da luz.

Rezam as crónicas que alguns westerns que realizou foram rodados em poucos dias! Os cenários e os locais não variavam muito e os atores e técnicos não variavam nada porque era gente de confiança (praticamente como uma família). Fidani era um tipo engenhoso porque fazia muitos westerns quase sem dinheiro. Para este filme o que é que o homem fez? Pegou em cenas dos seus westerns anteriores, editou-as como quis e colou-as às novas cenas filmadas de propósito para este filme (nomeadamente todas as cenas que incluem Wild Bill Hickok e o grisalho Django).


Para quem não é muito exigente a montagem final escapa mas há, de facto, várias falhas como é apanágio das produções da Tarquinia Films. O elenco é mais do mesmo: Jerry Ross como Wild Bill Hickok, Gordon Mitchell como Buck Bradley, Dennis Colt num duplo papel dos irmãos Manuel e Paco Sanchez, Dean Stratford como Dean O’Neil e à cabeça temos Hunt Powers a interpretar um Django velho, coxo, quase reformado mas ainda com genica para disparar uma arma ou partir o focinho a uma súcia de malandros com a sua terrível bengala! Aconselhável única e exclusivamente para malucos como eu (“mea culpa, mea culpa”) que gostam de Demofilo Fidani e das suas produções rascas.

Mais algum material promocional:


Trailer:

2013/01/01

Giù la testa... hombre (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

Demofilo Fidani está de volta a este blogue! Já fazia algum tempo que este cineasta de culto de westerns de série B não era abordado ou sequer mencionado neste nosso espaço mas temos remédio para isso: escreve-se uma resenha e o caso fica resolvido!

Quem se interessa por este tipo de cinema já sabe que os filmes de Demofilo Fidani não são para serem levados a sério. Os westerns deste cineasta são somente obras de entretenimento de baixo custo e de baixa qualidade, sem qualquer rasgo de genialidade e com algumas palhaçadas pelo meio.

O enredo não tem muito que saber: Macho Callagan, um agente da Pinkerton, infiltra-se num bando de assaltantes que roubou uma grande soma. Esse mesmo bando é atacado e exterminado por Butch Cassidy, Sundance Kid, Testa de Ferro e alguns pistoleiros.


Por sorte, Macho consegue salvar-se e, após recuperar dos seus ferimentos, vai procurar os agressores. O Reverendo Cotten indica-lhe o rumo certo e será apenas uma questão de tempo até Macho deitar a luva a Butch Cassidy e ao seu raivoso lugar-tenente Testa de Ferro!

O elenco conta com os suspeitos do costume, ou seja, Hunt Powers, Gordon Mitchell, Dennis Colt, Klaus Kinski e Jeff Cameron. Acho que todos eles deviam ter uma grande “pancada” porque trabalhar com Fidani em muitos filmes a fazer sempre a mesma coisa torna-se, no mínimo, repetitivo. Mas Hunt Powers afirma que foi um enorme prazer trabalhar com Fidani e que o ambiente foi sempre descontraído e familiar.


Mas não há bela sem senão e recorda os momentos conflituosos que teve com Klaus Kinski. Em poucas palavras, é isto: “Klaus Kinski era um ator genial mas como pessoa não passava de uma besta!” Surpreendentemente, “Giú La Testa, Hombre!” consegue ser um dos melhores registos do carismático Fidani. Quem diria?!


Trailer:

2012/11/03

Fora de tópico | Lançamento "Django Kills Silently / A Pistol For Django" & "A Man Called Django / Django And Sartana's Showdown"


Neste Natal teremos Django no sapatinho ou pelo menos essa parece ser a intenção da Shout! Factory, que agenda para o mês de Dezembro duas double features preenchidas na sua totalidade com filmes da personagem. Tratam-se de edições codificadoas no formato Região 1 que por consequência não funcionarão em leitores de DVD bloqueados, no entanto pela raridade de alguns dos seus títulos merece-nos alguma atenção.

Um dos DVDs emparelhará "Bill il taciturno" (Django Kills Silently) com "Anche per Django le carogne hanno un prezzo" (A Pistol For Django). Ambos indisponíveis até agora em língua Inglesa e no caso do caso de "Anche per Django..." trata-se mesmo da primeira edição em formato DVD. O segundo pacote contará com duas incursões menos obscuras, "W Django!" (A Man Called Django) e "Arrivano Django e Sartana... è la fine" (Django And Sartana's Showdown). O lançamento de ambos está previsto para 11 de Dezembro.

2011/11/21

Sugar Colt (1966 / Realizador: Franco Giraldi)

Depois de fazer alguma carreira em séries da televisão norte-americana, Jack Betts actor californiano formado no Actors Studio de Nova Iorque, consegue do outro lado do Atlântico a oportunidade de relançar a sua carreira. Contratado por Franco Giraldi pelo valor de 8000 dólares, o actor voa para Roma lançando-se nos grandes ecrãs europeus onde será conhecido pelo assombroso nome: Hunt Powers! Nome que emprestaria a uma dezena de westerns-spaghetti e que só abandonaria aquando do regresso à sua terra natal.

Em entrevista incluída no DVD da Wild East “Dead Men Don't Make Shadows & Django Meets Sartana”, Betts recorda os dias em que aceitou o papel. Sem saber montar a cavalo ou sequer segurar uma arma, o americano empenhou-se a finco, submetendo-se a uma «injecção» à John Wayne. O esforço teve proveitos como se poderá confirmar pois a interpretação que aqui executou é de grande nível.


Betts é Sugar Colt, um galante ex-agente do Exército da União que com o final da guerra se passou a dedicar ao ensino do manejo de armas a uma clientela exclusivamente feminina. Contactado por um velho conhecido – Pinkerton – fica a par dos últimos desenvolvimentos da investigação levada a cabo sobre o desaparecimento de um grupo de oficiais do exército nortista, que jamais regressaram a suas casas depois de depostas as armas. Os homens foram afinal sequestrados e as primeiras extorsões exigidas aos seus familiares.

O ex-agente refuta inicialmente envolver-se na investigação mas mudará de ideias depois de assistir ao assassinato do seu amigo por um dos elementos da pandilha responsável pelo rapto. Eis que vemos em acção as verdadeiras qualidades deste pistoleiro, que se faz passar por um médico bastante caricato. Sob este disfarce ruma a Snake Valley, cidade dominada por todo o tipo de pulhas e que tudo aponta albergar o bando por detrás do rapto. O filme segue então os contornos do suspense e do policial, que francamente considero resultar bastante bem.


O italiano Franco Giraldi ainda a saborear os louros do sucesso de “Sette pistole per i MacGregor” consegue mais uma vez reunir um elenco de respeito. Para além do já mencionado Hunt Powers, contamos também com um punhado de caras bem conhecidas no género, como Frank Braña, Víctor Israel ou Jeff Cameron. A figura feminina principal é desempenhada pela belíssima actriz de descendência portuguesa Soledad Miranda. Actriz que mais tarde se tornaria presença habitual nos filmes do venerado realizador espanhol, Jess Franco (“Vampiros lesbos”, etc.). Infelizmente a carreira da nossa «cara laroca» foi curta, tendo dito adeus à vida num acidente de viação no Estoril. Tinha apenas 27 anos.

Apesar de bem realizado e interpretado, “Sugar Colt” não goza ainda de grande reputação no seio dos fãs do western europeu. Facto que acredito poder vir a ser alterado com o passar dos anos, já que me parece um filme acima da média do que a indústria cinematográfica mediterrânea produziu nos anos 60 e 70. Aqueles que estiverem predispostos a descobri-lo, saibam que existem algumas edições DVD disponíveis no mercado global. A que possuo faz parte da “La Colección Sagrada del Spaghetti Western”. Lançada pela editora espanhola Impulso Records, que não me canso de dize-lo, é uma das melhores colecções dedicadas ao western-spaghetti existentes no mercado Ibérico.


Vejam lá então mais algumas imagens promocionais:




Trailer:

2010/11/29

Quel maledetto giorno d'inverno... Django e Sartana all'ultimo (1970 / Realizador: Demofilo Fidani)


Como ponto de partida, é importante deixar bem claro, principalmente para aqueles que não estão a par, que os westerns realizados por Demofilo Fidani (aqui usou o pseudónimo de Miles Deem) estão despidos de genialidade! Os seus filmes tinham sempre o elenco habitual (Hunt Powers, Fabio Testi, Dennis Colt, Dean Stratford, Simone Blondell, Celso Faria), os tiroteios habituais, os locais habituais, o trabalho de duplos habitual e, naturalmente, o enredo habitual!

O nome “Django” deu muito lucro nos anos 60. O nome “Sartana” também. A Tarquinia Films, companhia rival daquela que produziu vários “Sartanas” com Gianni Garko, decidiu responder à concorrência ao fazer filmes sobre estes dois personagens para tentar o sucesso comercial no início dos anos 70. O objectivo nunca foi alcançado!


Fidani fazia dois tipos de westerns: os maus e os muito maus! Os filmes maus são comestíveis e ainda se aproveitam algumas coisas. Os filmes muito maus nem com molho de tomate conseguimos engolir tamanhas palhaçadas! Felizmente, este filme fica só nos maus! O enredo vai bater na mesma tecla, ou seja, Black City é dominada por dois grupos de malfeitores (mexicanos e americanos) que aterrorizam toda a gente. Sartana surge como xerife mas revela-se inicialmente inofensivo. Django junta-se à festa para saciar a habitual sede de vingança. Ambos unem forças e o resultado já se sabe!

A Wild East tem uma boa edição DVD deste filme, que vem juntamente com “Dead men don’t make shadows”, do mesmo realizador. Têm boa qualidade de imagem (1.85:1), sem legendas e áudio em inglês. Além disso, traz uma elucidativa entrevista com Hunt Powers, que conta muitos pormenores interessantes e fala sobre a sua experiência cinematográfica em Itália. Não obstante alguns pormenores (eu até gosto de alguns filmes do Fidani), trata-se claramente de um filme fraco. É a diferença entre aqueles que criaram obras magníficas com orçamentos ridículos e aqueles que nunca tiveram capacidade de ir mais além com os mesmos meios financeiros!


Para terminar, e usando a linguagem do futebol, nota-se perfeitamente a diferença entre um grande jogador e um perna de pau! Fidani é um perna de pau mas que de vez em quando até conseguia marcar um golo! Este foi um dos que entrou na baliza adversária! Menos mal…


Trailer:

2009/12/08

Arrivano Django e Sartana... è la fine (1970 / Realizador: Demofilo Fidani)


Em 1970, o imenso balão de oxigénio da indústria cinematográfica italiana proporcionado pelos westerns estava a começar o seu ponto de declínio. Os grandes realizadores do género já tinham lançado as suas obras-primas, as fórmulas estavam mais do que gastas, os orçamentos já não eram tão generosos como anteriormente e, deste modo, o inesgotável filão era afinal esgotável! Surgiu uma nova fórmula apadrinhada por Enzo Barboni, Terence Hill e Bud Spencer, dando origem ao western cómico. Após o enorme sucesso dos filmes da dupla “Trinitá e Bambino” choveram várias cópias mal amanhadas para também encaixar mais dinheiro. No entanto, Demofilo Fidani seguiu um caminho distinto. Este realizador tornou-se especialista em westerns de orçamento muito baixo, quase ridículo e inexistente! Assinava as suas obras sob diversos pseudónimos (neste filme foi Dick Spitfire), recorria essencialmente a duplos mas mesmo assim ainda cativou nomes como Klaus Kinski, Gordon Mitchell ou Ettore Manni.


Este Chegam Django e Sartana… e é o fim! é claramente uma produção inferior em termos técnicos. Eu próprio tive uma reacção negativa, quando o vi pela primeira vez em formato VHS há mais de 10 anos, porque estava habituado a produções mais cuidadas. Fidani tentou jogar com a junção de duas personagens carismáticas (e em declínio) do western italiano (Django e Sartana) e talvez isso tenha feito com que os seus filmes não tenham caído no esquecimento total. A história do filme não tem nada de novo: A filha de um rico rancheiro é raptada pelos larápios de Burt Keller (Gordon Mitchell), usando-a como refém para conseguir escapar para o México. Uma grande recompensa é oferecida pela captura dos malfeitores e os caçadores de prémios Django (Hunt Powers) e Sartana (Chet Davis) fazem o que lhes compete, vulgo despachar a vilanagem! Na minha opinião, as obras de Demofilo Fidani (Giù la testa... hombre, Era Sam Wallash... lo chiamavano 'Così Sia', Per una bara piena di dollari, etc.) nunca podem ser vistas como material topo de gama mas a intenção nunca foi rivalizar com Leone ou Corbucci. Se o fizesse seria inevitavelmente derrotado. Mas, apesar de tudo, consigo ver alguma magia e humildade neste filme. Eu defendo que os westerns-spaghetti não se resumem única e exclusivamente às obras mais carismáticas e aos orçamentos gordos. Aliás, um fã deve sempre procurar mais informação além da que facilmente lhe é oferecida!


O elenco deste filme é composto por Hunt Powers, Chet Davis, Gordon Mitchell, Ettore Manni, Krista Nell, Simone Blondell e Dennis Colt. A música e a fotografia merecem ser destacados pela positiva. Há edições DVD à venda na Alemanha e na Espanha. Perdi o amor ao dinheiro e comprei a versão espanhola que é simples, agradável e contém o filme no formato 1.85:1. Este western é apenas para pessoal menos exigente ou para quem gosta de produções de série B, como eu. Dir-se-ia que foi uma de muitas tentativas que se fez naquela altura de reacender o entusiasmo pelo sub-género mas, naturalmente, falhou! Quem ficou a ganhar fomos nós porque a obra persiste, independentemente de ser série B, A ou Z.


Trailer


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