Os mais acérrimos adeptos do western-spaghetti, recordarão para sempre o italiano
Gianfranco Baldanello devido ao asperíssimo
“Black Jack” – brilhantemente protagonizado por Robert Woods e pelo recentemente finado Mimmo Palmara – mas há mais material de qualidade a conferir na sua filmografia. Debrucemo-nos então sobre um desses títulos,
“I lunghi giorni dell'odio”, conhecido internacionalmente como “This man can’t die”. Apesar de menos vigoroso que o supramencionado, “I lunghi giorni dell'odio” é um filme carregado de violência gratuita e muita maminha ao léu. A acção começa com duas linhas aparentemente distintas, por um lado seguimos as pisadas do personagem Martin Benson (
Guy Madison), um mercenário pago pelo exército para desmantelar um esquema de tráfico ilegal de armas com os índios.
Noutra linha mais ou menos paralela, seguimos o resto da família Benson, gente desligada de encrencas mas que acabam por ser alvos de represálias do bando que Martin investiga. A certo dia os bandidos tomam o rancho de assalto, os velhotes acabam assassinados e a miúda mais nova - Jenny - violada por um dos canalhas. Ainda os malandros galopam no horizonte, quando Suzy e Daniel chegam da cidade, para se deparar com o cenário de terror. Para trás ficou um homem ferido, que Daniel (
Alberto Dell'Acqua) tudo fará para manter vivo, única forma de extrair informação que lhes permita seguir no encalço do bando. Está claro de onde aparece o título internacional, não?
Alberto Dell'Acqua "descansa" os costados.
Guy Madison tem aqui mais um papel como protagonista mas ao que se diz por aí não terá sido a primeira opção de Baldanello. Venceram neste caso os interesses do produtor que considerava Madison como o actor ideal para capitalizar o filme nos dois lados do Atlântico. Queira-se ou não, é preciso admitir que Madison tem o look e a destreza adequada a um homem de Winchester em riste, mas pessoalmente vivo mal com aquele sorriso quase permanente. Admito ainda assim que neste caso não me criou grande brotoeja.
Pirotecnia qb neste western de baixo orçamento.
Na verdade não há muito por onde desancar o filme, a fotografia é decente (mesmo sem contar com as paisagens de Almeria, o budget não deu para fazer milhas na Alitalia) e o elenco não compromete com o desenrolar dos acontecimentos, pena porém que
Peter Martell tenha sido tão infimamente utilizado. Mas há um senão, que não consigo compreender e que macula o resultado final do filme. Acreditem ou não, a banda sonora assinada por Amedeo Tommasi rouba descaradamente um pedaço da trilha de
“Por um punhado de dólares”. Para quê senhores, para quê?