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25/02/2014

Un Dollaro tra i denti (1966 / Realizador: Luigi Vanzi)

Este terá sido provavelmente o primeiro western italiano a ter financiamento norte-americano (através do influente empresário Allen Klein). O elenco é liderado pelos também americanos Tony Anthony e Frank Wolff e secundado por Gia Sandri, Jolanda Modio, Raf Baldassare e Aldo Berti. É uma obra claramente inspirada no filme “Por Um Punhado de Dólares”, com um ritmo lento em que predominam os longos silêncios preenchidos pela música de Benedetto Ghiglia. É um filme de muito baixo orçamento com algumas cenas bastante violentas (chicotear, violar, agredir, ameaçar) com tiroteio e sadismo quanto baste. Um tipo misterioso chega à localidade mexicana de Cerro Gordo. Por entre as ruas silenciosas entra numa hospedaria para alugar um quarto. O dono do estabelecimento arma-se em esperto e leva com uma garrafa nos cornos. 

Já no seu quarto, observa da janela uma patrulha de soldados mexicanos serem massacrados por bandidos disfarçados de frades. Estes, com Águila à cabeça, pretendem o ouro que o exército americano vai transportar até aquele povoado. O forasteiro, em conluio com Águila, elabora um plano para que o ouro fique na posse de ambos e que o lucro seja dividido em duas partes iguais.


Mais traiçoeiro do que uma serpente, o mexicano muda de opinião e recusa dar a metade combinada aos seu sócio americano. Para a humilhação ser completa dá-lhe somente uma única moeda de 1 dólar como prémio pelo seu esforço. O homem passa-se da cabeça! O forasteiro tenta fugir com o dinheiro mas é capturado e leva uma carga de porrada que até cria bicho! Pelo meio ainda é contemplado com umas chicotadas na focinheira, cortesia da sádica Maria Pilar, mais conhecida por Maruka. 


Em muito mau estado, o homem consegue arrastar-se para um lugar seguro para recuperar da sova. Os seus agressores procuram-no mas em vão. Já recuperado, o forasteiro inicia a limpeza geral da cidade usando não uma vassoura mas sim uma caçadeira! Ironicamente, o filme teve resultados modestos em Itália mas foi bem sucedido nas salas de cinema dos Estados Unidos. Sem dúvida que é um western de série B mas eu dou-lhe nota positiva porque… “Quem sou eu? Sou um homem justo!”

Trailer:

12/03/2013

Quel caldo maledetto giorno di fuoco (1968 / Realizador: Paolo Bianchini)

A sangrenta Guerra Civil Americana entre os estados do Norte e os estados do Sul continua. O conflito está equilibrado mas aos poucos o Norte começa a ganhar cada vez mais terreno. As altas patentes militares e a administração do presidente Lincoln estudam estratégias que permitam decidir a guerra a seu favor. Os serviços secretos convenceram Gatling a apoiar a sua causa. Este contribui com uma invenção da sua autoria que irá revolucionar o poderio militar do exército: uma metralhadora!

Do outro lado da barricada, os espiões sulistas apercebem-se da jogada e preparam-se para agir. Numa operação de espionagem perfeita, os poucos indivíduos que estão a par do assunto são assassinados e Gatling é raptado. Esta jogada poderá representar uma inversão nos destinos do conflito e toda a máquina de guerra ianque entra em pânico! Numa situação extrema opta-se por medidas extremas.


Numa prisão militar está Chris Tanner (Robert Woods), ex-militar e agente da Pinkerton acusado e julgado por alta traição. Ele é o único suficientemente competente para resolver este caso. Tanner aceita a missão em troca de um perdão presidencial e dispõe apenas de 30 dias para investigar. A partir de agora, o futuro do país está nas mãos deste homem.


Este foi um dos muitos filmes protagonizados por Robert Woods (Black Jack, La Taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io), ator americano que trabalhou intensamente nos anos áureos (e crepusculares) dos westerns italianos. Com ele estão também John Ireland, Evelyn Stewart, Rada Rassimov, Furio Meniconi e Roberto Camardiel. Ao vermos este filme percebemos logo que se trata de uma produção de segunda linha que não causa grande impacto. O tiroteio noturno no cemitério é o momento mais interessante de todo o filme. Tudo o resto é, a meu ver, perfeitamente banal…


Trailer:

12/11/2012

Odia il prossimo tuo (1968 / Realizador: Ferdinando Baldi)

Ferdinando Baldi, realizador que se especializara no cinema mitológico, entrega-nos aqui um filme de fusão entre esses peplum e o western. Um filme em que a utilização dos revólveres fica arredada para um segundo plano, sobressaindo daqui uma quantidade considerável de duelos mano a mano, que nalguns casos muito se assemelham com as lutas de arena da Roma antiga. Para o efeito são os escravos mexicanos que lutam pelo capricho do seu «patrocinador».

Apesar de este até ser um mote interessante, em rigor é preciso notar que “Odia il prossimo tuo” é um dos mais discretos trabalhos de Baldi, que realizaria anos mais tarde o clássico “Blindman”. Ele que confirmaria em entrevista transcrita no útil Dizionario del western all’italiana de Marco Giusti, não ter qualquer interesse em realizar o filme mas que estava contratualmente obrigado a terminá-lo, e apesar dos problemas de saúde assim o fez. 


Sob o olhar de toda uma cidade acagaçada o bando de Garry Stevens elimina o também fora-da-lei Bill Dakota e sua esposa, apropriando-se de um mapa com a localização de uma mina de ouro. Já com o mapa Stevens forja com Chris Malone uma sociedade que permita explorar a mina, mas acaba por ser traído por Malone que não está interessado em repartir lucros. Sem qualquer interesse pelo vil metal aparece Ken Dakota, irmão de Bill, que apenas pretende acabar com os dias de vida de Stevens.

A vilanagem do filme é recuperada do trabalho anterior de Baldi, “Preparati la bara”. O sempre irrepreensível Horst Frank aparece mais uma vez no papel de mau da fita, encarnando Chris Malone, um sádico barão que é capaz de engendrar as mais elaboradas cenas de tortura e que se revela apreciador absoluto dos já mencionados jogos de gladiadores! Outro nome repescado é o de George Eastman, que aqui encarna razoavelmente o assassino Garry Stevens, alvo dos «amores» de Malone e Ken Dakota. 


A grande diferença de elenco entre os dois filmes é mesmo a «substituição» de Terence Hill por um insipido Spiros Focás (aqui Clyde Garner), no papel do vingador Ken Dakota. Um pistoleiro demasiado arranjadinho e barbeado para que se possa levar a sério num western-spaghetti. Foi uma participação única (se remetermos “Zorro alla corte d'Inghilterra” para o nicho dos «Zorros») e esquecível no western europeu por parte deste reputado actor grego (Rocco e i suoi fratelli, Rambo III, The Jewel of the Nile). 

Não sei se “Odia il prossimo tuo” terá sido alguma vez exibido em Portugal mas no Brasil chegou a ser lançado com o ainda mais incrível “Rezo a Deus e odeio o meu próximo”, que haveria de ser rebatizado nas diversas edições que o filme haveria de ter (está tudo explicado no blogue O Euro Western no Brasil). Não é um grande filme mas mas também não é particularmente odiável, assim, saibam os mais curiosos que está disponível em várias edições DVD. A que possuo é a da editora norte-americana Wild East, que apresenta o filme num fullscreen apreciável. É uma double feature dedicada a George Eastman que contém também o mais apreciável - e também já resenhado por aqui - “L'Ultimo Killer”.


Mais algumas imagens promocionais para ver se vos convencemos:




Trailer:

06/12/2011

Requiescant (1967 / Realizador: Carlo Lizzani)

Uma criança é o único sobrevivente de um traiçoeiro massacre da população mexicana. O ataque é executado pelos homens do poderoso sulista George Bellow Ferguson, que pretende ocupar as terras que por direito pertencem aos mexicanos. O menino é acolhido por um pastor protestante e pela sua família. Os anos passam e a educação deste jovem regeu-se por uma matriz religiosa e puritana, algo que não agrada absolutamente nada a Princy, a filha do pastor e irmã adotiva do rapaz.

Esse laçarote fica-te bem!

Fascinada pelo mundo do espetáculo e das artes, aparentemente cheio de cor, música, dança e alegria, Princy foge da sua família para alcançar o seu sonho. A sua ingenuidade fê-la cair no mundo obscuro da exploração sexual de mulheres e no consumo de drogas. Num gesto de boa fé, Requiescant vai à procura da sua irmã para a trazer de volta mas depara-se com obstáculos muito perigosos! No seu estilo desajeitado, com roupas sujas e rasgadas, o protagonista traz um coldre e uma pistola presos à cintura por um cordel. Ferguson e Requiescant vão reencontrar-se mas resta saber quem levará a melhor…

Vai haver tiroteio.

Se há filme rico em simbologia, é este! O nome do protagonista (do latim Requiescant In Pace / R.I.P.); Muitas alusões a símbolos religiosos (sinos, bíblias, crucifixos, cemitérios, rezas); Insinuações homossexuais de Ferguson; A corrupção das entidades notáveis da cidade (juiz, médico, advogado); O fetiche sexual de um pistoleiro que brinca com uma boneca; A tortura física e psicológica contra mulheres; Abordam-se questões políticas sobre a revolução mexicana, a guerra civil americana e a escravatura. O vilão racista, com um visual semelhante a um vampiro, faz questão de afirmar a sua superioridade enquanto aristocrata; Vê-se pessoas numa tarefa macabra de recolha de ossos dos cadáveres antigos…

O vampírico Mark Damon!

Mas porque é que Carlo Lizzani fez um western tão estranho? Será que foi influência do seu amigo Pier Paolo Pasolini? É verdade que o muito polémico cineasta italiano participou como ator, interpretando o papel de um sacerdote mexicano. Mas isso não será uma contradição? Pasolini não era conhecido pelos seus ideais de esquerda e pela sua feroz aversão à religião? Então, porque é que participou num filme que transborda religião por todos os lados? E ainda por cima encarnando o papel de um clérigo? Talvez porque “Requiescant” é uma parábola cínica sobre religião, cheia de símbolos religiosos e repleta de personagens loucos! E quem sabe minimamente de cinema, sabe que loucura, cinismo e violência fazem parte da filmografia de Pasolini. Aparentemente, o seu amigo Carlo Lizzani pegou em alguns destes conceitos e colocou-os num western.

Muitos mexicanos!

Quando estreou, como era de esperar, a censura de vários países cortou as cenas mais violentas e mais uma vez estragou tudo! Felizmente, hoje é possível ver a versão integral do filme no seu formato original e com imagem cristalina. O melhor DVD é o da editora americana Wild East, que reeditou o filme este ano (2011) sob o título “Kill and Pray”.

25/10/2011

Dai nemici mi guardo io! (1968 / Realizador: Mario Amendola)

No pós guerra civil, Alan Burton (Charles Southwood) vagueia pelo deserto com uma sela ás costas. Ao longe avista uma diligência que aborda e a troco da sua sela consegue autorização para subir e seguir viagem. Eis que pouco depois, um grupo de homens a cavalo ataca a diligência. O objectivo dos agressores é sequestrar um dos passageiros, um militar do derrotado exército sulista. Escamoteando-se habilmente, o nosso herói acidental consegue abater os delinquentes a tiro de Winchester.

No meio da troca de balas também o Major acaba por ser baleado, mas antes de morrer transmite um rico segredo a Burton. Um valioso tesouro confederado fora refundido e para determinar o seu paradeiro será necessário possuir três moedas de dólar muito especiais. Nestas estão estampados os códigos que determinam a localização exacta do lote. Burton lança-se então na busca das outras duas moedas.


As reminiscências a “Il buono, il brutto, il cattivo” são óbvias. Temos um tesouro escondido e imaginem só, três tipos atrás dele (um gringo, um mexicano de intenções dúbias e um mauzão que por breves momentos até une esforços com os bonzinhos da fita). E como se não bastasse temos também um Charles Southwood que aqui e ali replica o modus operandi usado por Clint Eastwood na trilogia do «Homem sem nome». A versão dobrada em Inglês que tive a oportunidade de assistir comprova-o. Mas desenganem-se, este “Dai nemici mi guardo io!” fica a léguas da qualidade do terceiro western de Sergio Leone.

“Dai nemici mi guardo io!” (também conhecido como “Three Silver Dollars”) foi até ver o único filme realizado por Mario Amendola que assisti. Todavia mesmo que não lhe possa exigir créditos na cadeira de realizador confesso que esperava muito mais de uma pessoa envolvida nos argumentos de alguns westerns-spaghetti que bastante aprecio – “Il grande silenzio” ou “Winchester, uno entre mil” – mas que afinal aqui se limitou a recontar mais uma caça ao tesouro no oeste selvagem. Espalhando-se ao comprido na abordagem sobre a ganância humana.


No campo das interpretações a coisa não corre muito melhor, especialmente ao nível dos chamados «extras», que diga-se são mesmo muito pouco convincentes. Para nosso contentamento, ao menos a estrela do cartaz – Charles Southwood – garante os requisitos mínimos do pistoleiro sedento por ouro. Esta foi apenas a sua segunda aparição no cinema, na primeira fora curiosamente dirigido pelo amado/odiado Demofilo Fidani. Na verdade Southwood não faria grande carreira no cinema, mas apesar do curto portfolio haveria de ganhar alguma fama graças ás bizarras personagens que interpretou nos westerns de Giuliano Carnimeo (“C'è Sartana... vendi la pistola e comprati la bara” e “Testa t'ammazzo, croce... sei morto... Mi chiamano Alleluja”).

Actualmente “Dai nemici mi guardo io!” apenas está editado no mercado germânico, o DVD segundo consta é de fraca qualidade pelo que esperemos que uma cópia decente surja num futuro breve. Enquanto isso não acontece resta-nos aproveitar as maravilhas do mundo digital, que vai disponibilizando algumas versões ripadas das velhinhas cassetes de VHS.



Eis mais algumas imagens do filme, porque vale a pena contemplar Alida Chelli, filha do maestro Carlo Rustichelli:



13/09/2010

T'ammazzo!... Raccomandati a Dio (1968 / Realizador: Osvaldo Civirani)


Ainda não passou muito tempo desde que alguém lançou na internet o boato de que o actor George Hilton teria falecido. A notícia surgiu com toda a modernidade que nos é contemporânea - via rede social Facebook - provocando algum alarido entre os apreciadores de euro-westerns, giallos e afins. O que demonstrou o quão grande é o carinho que muitos ainda mantêm pelo actor de origem Uruguaia, que nos anos de ouro do spaghetti-western fez carreira no cinema europeu, onde protagonizou algumas das mais míticas personagens do género: Sartana, Hallelujah ou Tresette. As notícias da sua morte mostraram-se felizmente um logro, mas serviram pelo menos para que se reflectisse sobre a quantidade de filmes protagonizados por Hilton que não tiveram ainda uma merecida edição perceptível em formato DVD. O western-spaghetti de tendências cómicas T'ammazzo! - Raccomandati a Dio é um desses títulos perdidos.


George Hilton interpreta Glenn Reno, um falso padre que assiste às cerimónias fúnebres do bandido Roy Fulton (Gordon Mitchel). O enterro decorre sob a atenção do xerife local, mas rapidamente se percebe tratar de um embuste, já que em vez do corpo de Roy é o saque do banco (pertencente a um tal Hartmann) que jaz dentro do caixão. Em breves, é-nos explicado como chegamos aqui: Roy escapara com o saque, mas durante a acção provou chumbo quente no bucho. O enterro serviria assim como pretexto para tirar simultaneamente do seu encalço, os parceiros que traiu e as autoridades. Mas estando gravemente ferido, não tem opção senão aceitar uma nova parceria - desta vez com Glenn - e assim partilhar os 200.000 dólares. Consolidada a sociedade, Glenn procura um médico que trate dos ferimentos de Roy, mas serão os antigos associados deste a chegar primeiro ao esconderijo. De regresso com o médico e sem vestígios de Roy, Glenn sente-se ultrajado e cavalga instintivamente para a sepultura, onde num cenário enlameado ao bom estilo de Django, desenterra o caixão, sob o qual jura matar o pantomineiro e ficar com todo o dinheiro. Mas chega novamente atrasado e em vez dos dólares é o inanimado corpo de Roy que preenche a tumba.


Apesar de "T'ammazzo! - Raccomandati a Dio "ser claramente uma produção modesta, reúne um elenco interessante, somando ao sempre regular George Hilton, a presença do canadiano John Ireland (no papel de um “Coronel” fora-da-lei) e Piero Vida (um simpático brutamontes a quem curiosamente chamam “Português”). Todas elas personagens com algum potencial - cortesia do senhor Tito Carpi - mas que uma realização atabalhoada não lhes conseguiu tirar o devido proveito. Realização essa da responsabilidade de Osvaldo Civirani, o mesmo que já havia estado por detrás do medíocre "Il figlio di Django" (ler resenha), que apesar de tudo, aqui sobe ligeiramente a fasquia, conseguindo montar um filme quase sempre divertido e acima de tudo despretensioso. E teria feito melhor se não tivesse resolvido arruinar os momentos finais do filme com uma longa e grosseira cena em que Hilton e a bela Sandra Milo devoram primitivamente uns nacos de carne assados sob grandes close-ups à comida mastigada. Horrendo e inexplicável!

O filme é nos dias que correm pérola rara, mas consegui deitar-lhe a mão através de uma transferência para DivX de uma velha cassete VHS da versão Norte-Americana (Dead for a Dollar), que um anónimo fã do género fez o favor de disponibilizar num website de má fama. A qualidade de imagem é no mínimo miserável, sendo em determinados momentos quase imperceptível. Talvez um dia surja por aí uma edição DVD que permita uma apreciação mais séria. Pelo sim, pelo não, espero… sentado!

13/07/2010

Black Jack (1968 / Realizador: Gianfranco Baldanello)

Depois de planear o assalto ao banco perfeito, Jack é traído pelos seus comparsas no momento da partilha do roubo. Nada que Jack não tivesse previsto. Tirando vantagem de um revolver que previamente havia refundindo no saco do dinheiro, consegue escapar. Mas é novamente traído, agora pelo índio que havia contratado para que deixasse um rasto falso aos bandidos que o tentassem perseguir. Em vez disso, o índio conduz os bandidos até á cidade fantasma onde Jack, sua irmã e cunhado se refugiam. Severamente torturado - parcialmente enforcado, esfaqueado e baleado - vê ainda a sua irmã ser violada e seu escalpe ser removido. 

O gangue reune-se antes do golpe.

Deixado a uma morte certa, Jack acaba por ser salvo no último minuto pela namorada. Já recuperado, mas com visíveis mazelas físicas e mentais, Jack pensa apenas em vingar a morte da sua inocente irmã, mas as notícias do paradeiro dos seus antigos associados não chegam. Farto de esperar, e mesmo aleijado, Jack abandona a cidade fantasma na sua implacável demanda vingativa.

Com amigos assim, quem precisa de inimigos.

Pessoalmente creio que esta terá sido a melhor prestação de Robert Woods (Il mio nome è Mallory... M come morte) no cinema europeu. Encarnando esta personagem inicialmente simpática, mas que progressivamente passa da amargura à demência total, tais as consequências da fulcral cena de tortura montada por Gianfranco Baldanello. As balas cravadas nas pernas tornam-no manco e será com a ajuda da bengala que Jack se arrastará, qual Horace Pinker no saudoso 100.000 volts de terror (talvez Wes Craven tenha tirado daqui alguma ideia)! Genialidade é atributo que dificilmente se apontará a Baldanello, mas este "Black Jack" foi muito bem conseguido. 

Mimmo Palmara convence enquanto índio taciturno.

Graças a uma boa história, um punhado de actores interessantes e uma filmagem repleta de cores e ambientes negros. Falha no entanto na sequenciação. Não se sabe por exemplo como o personagem principal encontra cada um dos seus alvos, mas eis que Jack aparece e lá estão eles, prontos a serem abatidos! Baldanello teria certamente beneficiado em algum prolongamento na duração total do filme, que ultrapassa ligeiramente a hora e meia. A sequência final, segue uma linha (quase) gótica e que, ainda que pouco esclarecedora, consegue criar um ambiente sinistro quanto baste, com a cidade a desmoronar-se e sem um final feliz à vista. 

No more Mr. Nice Guy!

Existe por aí uma edição VHS com um final alternativo, que permite entender melhor porque aparece o nosso negro herói estendido no chão no final do filme, mas a edição DVD que vi é a da editora espanhola CWP, que apresenta o filme em castelhano e na sua duração regular. Infelizmente o DVD não beneficia do formato widescreen (pelo que pesquisei não existirá mesmo em nenhuma das edições até agora lançadas), mas a qualidade de imagem é óptima. Gianfranco Baldanello, realizou uma quantidade interessante de westerns-spaghettis mas daquilo que lhe conheço nenhum que iguale o nível alcançado com este recomendável "Black Jack"

17/12/2009

Il figlio di Django (1967 / Realizador: Osvaldo Civirani)

Il figlio di Django é mais um filme que explora o longo e proveitoso filão de “Django”, aqui com um mote algo diferente do comum, passando a habitual usurpação da famosa personagem para a sua descendência. O argumento do filme resume-se de uma forma simples: Django é baleado pelas costas em frente de seu filho - Tracy. Este ainda que não tenha conseguido ver a cara do assassino consegue ouvir um nome: “Thompson”! O miúdo acaba então por ser resgatado por um velho amigo de Django, que o deixa ao cuidado de uns seus familiares. Os anos passam e a criança torna-se num temível pistoleiro, partindo eventualmente em busca de vingança – condição mínima necessária para o regozijo da maioria dos fãs do género. A busca leva-o à cidade de Topeka, onde acaba por se envolver nas rixas entre duas facções lideradas por ex-companheiros do seu pai. Mas quem será afinal o homem que apertou o gatilho?

A modesta realização de Il figlio di Django ficou a cargo de Osvaldo Civirani, nome responsável por um punhado de westerns-spaghetti de qualidade quase sempre sofrível, tais como Uno sceriffo tutto d'oro ou I due figli di Trinità. E a coisa não começa bem, Civirani arrepia caminho e entrega todos os trunfos nas sequências iniciais, colocando em fundo um revelador tema cuja letra descreve grande parte da intriga do filme. Não existe por aí muita gente que tenha tentado isso, e percebe-se porquê. Toda e qualquer expectativa inicial que se poderia ter é defraudada num momento em que ainda nem sequer aquecemos o sofá! Curiosamente Demofilo Fidani - outro nome também conhecido pelas suas produções despreocupadas - esteve também ligado ao projecto, aqui enquanto responsável pela decoração.


De facto, de um modo geral não há muito que se possa escrever em abono de Il figlio di Django. Desde o fraco argumento (responsabilidade do próprio Civirani em pareceria com Alessandro Ferraù e Tito Carpi), extremamente atabalhoado e confuso nos 30 minutos iniciais do filme; passando pelas intermináveis sequências de tiroteio e terminando na interpretação mediana da generalidade do elenco da coisa, nada de memorável há que registar. No campo das interpretações reconheça-se ainda assim alguns pontos acima da média para Gabriele Tinti (Tracy) que até parece ter sido talhado para este tipo de papel, mas que infelizmente não se voltou a dedicar ao género. Já a estrela da companhia, Guy Madison (protagonista de filmes como Sette winchester per un massacro ou Reverendo Colt), tem aqui uma presença rotineira e sem brilho, o que acaba por ser desculpável tal a curta dimensão do papel que lhe foi entregue - muito pouco aprofundado pela direcção de Civirani.


Apesar de Il figlio di Django ser facilmente metido no saco daqueles filmes absolutamente esquecíveis, serve no entanto como exemplo da quantidade de adaptações que a marca Django teve durante os anos áureos dos "westerns all'italiana"! O filme está disponível em formato DVD através da “subterrânea” X-Rated, o que por si só serve de indicação para qual o público-alvo do filme: Fãs hardcore do género!


Mais duas imagens para vossa consideração: