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2016/06/07

Due once di piombo (1966 / Realizador: Maurizio Lucidi)

A vida dos habitantes de Houston tornou-se num pequeno inferno desde que a banda de Joe Clane assentou amarras, mas a sorte dos patifes vai mudar com a chegada de um novo rosto à cidade, Pecos! Este bizarríssimo pistoleiro mexicano terá sido porventura a personagem mais popular de todas as que o norte-americano Robert Woods protagonizou. O filme foi inicialmente concebido como capitulo único e foi inclusive testado com um final pessimista em que o herói sucumbia, mas segundo apurámos quando entrevistámos o actor, a prova feita num cinema de Nápoles serviu para redefinir o rumo da personagem, tal o protesto da audiência contra a falta de sorte do mexicano. A aceitação do filme acabaria por ser tal, que uma sequela oficial surgiria no ano seguinte (Pecos è qui: prega e muori). A realização de ambos ficou a cargo de Maurizio Lucidi, que apesar de ter por essa altura uma boa bagagem como editor, estreava-se aqui no filone. Lucidi presenteia-nos com um western violento, cheio de vilanagem bruta dos queixos, cortesia de gente como George Eastman (que se estreava no género), Peter Martell ou Sal Borgese, todos com um tempo de antena estupidamente curto, culpa do amigo Pecos!

Robert Woods é Pecos Martinez!

A trama não é ruim, mas é demasiado fácil colá-la ao seminal Per un pugno di dollari, senão vejamos. Em ambos um pistoleiro desconhecido chega à cidade, envolve-se com os pulhas locais, a páginas tantas leva um enxerto de porrada, mas depois de lamber as feridas volta para lhes limpar o sebo.

As reciclagens nos filmes italianos não são factor de estranhamento para gente vacinada, e a verdade é que a mesclagem aqui feita resulta decentemente. Talvez por isso, o filme conseguiu um encaixe anormal para o tipo de produção tão low budget. E por falar em colagens, mais descarada ainda é a fotocópia que Lallo Gori fez do hit “House Of The Rising Sun” dos The Animals, aqui transformado em “The Ballad of Pecos”, pela voz de Bob Smart. 

Eixo do mal: Pier Paolo Capponi, Peter Carsten, George Eastman. 

A personagem de Robert Woods tem tanto de interessante como de caricata. O tipo aparenta ser um um peone esfomeado, mas por andar armado é imediatamente conotado como encrenqueiro, «mel» para os «ursos» do povoado, está claro. Porém a chegada dele à cidade não é casual, Pecos tem a sua própria agenda e isso garantirá muito chumbo quente ao longo dos oitenta e tal minutos do filme.

O DVD da Koch Media vem com uma entrevista recente a Woods, nesta o actor afirma que só aceitou o papel no filme na condição de ser caracterizado de forma a assemelhar-se tanto quanto possível com um verdadeiro mexicano. Em vez disso a mim pareceu-me que o transformaram num pistoleiro de olhar vesgo. Felizmente não lhe fizeram assim tantos grandes planos às fuças e desta forma a coisa escorrega naturalmente.

Neste filme a máxima aplica-se: mulher sofre!

Curiosamente o mítico medium/realizador, Demofilo Fidani, senhor de uma obra incontestavelmente ruim, assumiu neste primeiro filme da saga Pecos, funções na equipe técnica. Também o estimado Joe D'Amato por lá se passeou de câmara na mão. Tudo gente que nos anos seguintes assumiriam a «vanguarda» do western-spaghetti  de série z. Já Maurizio Lucidi, abandonaria esta linha mais dura e a partir daqui enveredaria pelos tortuosos caminhos do western cómico (La più grande rapina del west, Si può fare... amigo). Lá chegaremos!

2016/05/10

Fora de tópico | Lançamento "Belle Starr Story"


"Il mio corpo per un poker" tem finalmente uma edição DVD. O feito é da Artus Films que tem mantido um bom ritmo de lançamentos do género. Pelo que se diz por aí a imagem é superior aos bootlegs que por circulam pela internet e terá audio françês e italiano. Podem encomendá-lo aqui.

2014/11/11

Fora de tópico | Lançamento "The Wild & The Dirty" & "Bastards Go And Kill Chaco"


A norte-americana Wild East dobra esta semana a meia centena de DVDs na sua colecção dedicada ao western-spaghetti. O formato double feature parece ter sido definitivamente o adoptado pela editora, e desta vez alinha-se o grande clássico de Enzo G. Castellari, "Quella sporca storia nel West", e o refundido "Bastardo, vamos a matar". Está nas lojas a partir de hoje!

2014/02/11

Ciakmull - L'uomo della vendetta (1970 / Realizador: Enzo Barboni)

Depois de fazer carreira enquanto responsável de fotografia, Enzo Barboni lançou-se por conta própria neste “Ciakmull - L'uomo della vendetta”. Um western-spaghetti, está claro! Barboni tinha já por esses tempos uma ideia distinta do tipo de western que queria rodar, mas tratando-se este de um projecto adjudicado por Manolo Bolognini não pôde fazer muitas ondas (reza a história Bolognini até já havia despedido Ferdinando Baldi das funções de realizador). Com tal clima não é de admirar que Barboni não tenha conseguiu embutir o seu cunho pessoal no filme, firmando um western muito distante da paródia desmiolada que o notabilizariam. Não obstante, a música ritmada e engraçadinha do recém finado Riz Ortolani já parecia fazer a ponte para os dois mundos. 


Na acção do filme acompanhamos as peripécias de um grupo de pistoleiros não muito diferentes daqueles que vimos por exemplo no mais conceituado “Oggi a me... domani a te!”, filme com o qual comunga também de uma certa atmosfera outonal. Ora, um grupo de bandidos incendia um asilo como manobra diversão que lhes permitirá distrair os guardas de um carregamento de ouro acabadinho de chegar à cidade. Alguns dos prisoneiros do asilo safam-se do «barbecue» e esgueiram-se do local. É aí que um dos gatunos dá de caras com um dos fugitivos do asilo, que reconhece e chama pelo nome: “Ciakmull”! 


Desconhecedor do próprio nome o evadido fica meio atarantado pelo encontro. Percebemos então que Ciakmull sofre de amnésia, um lugar comum nos papeis encabeçados por Leonard Mann, se nos recordarmos de “Il pistolero dell'Ave Maria”. Em busca do seu passado, ele e os seus companheiros são levados até Osaka onde se depararão com uma cidade subjugada por duas famílias rivais. Aproveitando o facto de que Ciakmull nada recorda do seu passado, os Udo fazem-se passar por seus familiares atiçando o amnésico contra o seu verdadeiro pai, Caldwel. Felizmente para ele, o seu comparsa Hondo (George Eastman) detecta o cheiro a esturro e investiga a situação, evitando a tragédia. Irado com o sucedido Ciakmull põem a cidade a ferro e fogo.


Não se tratando de um western soberbo, não admira que tenha feito uma carreira modesta nas bilheteiras europeias, julgo possuir um ou outro motivo de interesse. Desde logo o elenco, liderado por Leonard Mann, George Eastman, Peter Martell e Woody Strode; entre outros suspeitos do costume. A história do filme é creditado a Franco Rossetti (Django, El Desperado) mas parece que a coisa não estava ao jeito pretendido e foi o próprio George Eastman (aka Luca Montefiori) que se agarrou à papelada e rescreveu parte do material. Não será fácil saber hoje qual a extensão da participação de Montefiori no argumento final do filme mas a verdade é que progressivamente o actor tornar-se-ia num reconhecido argumentista, tendo escrito por exemplo o western crepuscular “Keoma” e o infame horror canibalista de “Anthropophagus”.


Mais alguns lobbys do país das salsichas:



Filme completo:

2013/02/19

Fora de tópico | Lançamento "Django: El Bastardo" & "Django el taciturno"


Os nossos compañeros espanhóis podem desde hoje encontrar nas lojas, mais dois westerns-spaghetti até agora inéditos por lá em formato DVD. São eles "Django el bastardo" (Django il bastardo) e "Django el taciturno" (Bill il taciturno). Ambos fazem parte da "Django Collection" que a Sony Pictures preparou para o mercado espanhol. Parece mesmo que o único país a ficar fora da «django-dvd-mania» será Portugal!

2013/01/08

Fora de tópico | Lançamento "Django Shoots First"


Ora aqui está mais um DVD a justificar o selo «Djangosploitation»! A facção britânica do StudioCanal faz o mesmo que os seus comparsas germânicos e reempacotam um dos seus antigos lançamentos com um aspecto mais bonitinho, e claro, reminiscente com o design usado no novo «Django» de Quentin Tarantino.

"Django Shoots First" (Django Spara per primo) é de um euro-western razoável de Alberto de Martino, que neste caso usa de facto uma personagem que responde pelo nome do nosso conhecidissmo herói, mas que dificilmente encaixa no perfil do personagem.  O DVD está à venda a 14 de Janeiro.

2012/11/12

Odia il prossimo tuo (1968 / Realizador: Ferdinando Baldi)

Ferdinando Baldi, realizador que se especializara no cinema mitológico, entrega-nos aqui um filme de fusão entre esses peplum e o western. Um filme em que a utilização dos revólveres fica arredada para um segundo plano, sobressaindo daqui uma quantidade considerável de duelos mano a mano, que nalguns casos muito se assemelham com as lutas de arena da Roma antiga. Para o efeito são os escravos mexicanos que lutam pelo capricho do seu «patrocinador».

Apesar de este até ser um mote interessante, em rigor é preciso notar que “Odia il prossimo tuo” é um dos mais discretos trabalhos de Baldi, que realizaria anos mais tarde o clássico “Blindman”. Ele que confirmaria em entrevista transcrita no útil Dizionario del western all’italiana de Marco Giusti, não ter qualquer interesse em realizar o filme mas que estava contratualmente obrigado a terminá-lo, e apesar dos problemas de saúde assim o fez. 


Sob o olhar de toda uma cidade acagaçada o bando de Garry Stevens elimina o também fora-da-lei Bill Dakota e sua esposa, apropriando-se de um mapa com a localização de uma mina de ouro. Já com o mapa Stevens forja com Chris Malone uma sociedade que permita explorar a mina, mas acaba por ser traído por Malone que não está interessado em repartir lucros. Sem qualquer interesse pelo vil metal aparece Ken Dakota, irmão de Bill, que apenas pretende acabar com os dias de vida de Stevens.

A vilanagem do filme é recuperada do trabalho anterior de Baldi, “Preparati la bara”. O sempre irrepreensível Horst Frank aparece mais uma vez no papel de mau da fita, encarnando Chris Malone, um sádico barão que é capaz de engendrar as mais elaboradas cenas de tortura e que se revela apreciador absoluto dos já mencionados jogos de gladiadores! Outro nome repescado é o de George Eastman, que aqui encarna razoavelmente o assassino Garry Stevens, alvo dos «amores» de Malone e Ken Dakota. 


A grande diferença de elenco entre os dois filmes é mesmo a «substituição» de Terence Hill por um insipido Spiros Focás (aqui Clyde Garner), no papel do vingador Ken Dakota. Um pistoleiro demasiado arranjadinho e barbeado para que se possa levar a sério num western-spaghetti. Foi uma participação única (se remetermos “Zorro alla corte d'Inghilterra” para o nicho dos «Zorros») e esquecível no western europeu por parte deste reputado actor grego (Rocco e i suoi fratelli, Rambo III, The Jewel of the Nile). 

Não sei se “Odia il prossimo tuo” terá sido alguma vez exibido em Portugal mas no Brasil chegou a ser lançado com o ainda mais incrível “Rezo a Deus e odeio o meu próximo”, que haveria de ser rebatizado nas diversas edições que o filme haveria de ter (está tudo explicado no blogue O Euro Western no Brasil). Não é um grande filme mas mas também não é particularmente odiável, assim, saibam os mais curiosos que está disponível em várias edições DVD. A que possuo é a da editora norte-americana Wild East, que apresenta o filme num fullscreen apreciável. É uma double feature dedicada a George Eastman que contém também o mais apreciável - e também já resenhado por aqui - “L'Ultimo Killer”.


Mais algumas imagens promocionais para ver se vos convencemos:




Trailer:

2012/11/09

Fora de tópico | Lançamento "Django, Prepare a Coffin"


Parece já evidente que com o aproximar da data de lançamento do muito aguardado western de Quentin Tarantino - "Django Unchained" - serão muitas as editoras a tentar colocar nas lojas edições relacionadas com o famoso personagem do western-spaghetti. Capitalizando o crescente interesse de um publico mais generalista pelo género.

Em Janeiro de 2013 é a britânica Arrow que lança "Preparati la bara!" (Django, Prepare a Coffin), uma sequela (ou prequela dependendo das opiniões) realizada por Ferdinado Baldi sob o filme original de Sergio Corbucci. O DVD contará ainda com um folheto de coleccionador escrito pelo especialista, Howard Hughes.

2012/11/03

Fora de tópico | Lançamento "Django Kills Silently / A Pistol For Django" & "A Man Called Django / Django And Sartana's Showdown"


Neste Natal teremos Django no sapatinho ou pelo menos essa parece ser a intenção da Shout! Factory, que agenda para o mês de Dezembro duas double features preenchidas na sua totalidade com filmes da personagem. Tratam-se de edições codificadoas no formato Região 1 que por consequência não funcionarão em leitores de DVD bloqueados, no entanto pela raridade de alguns dos seus títulos merece-nos alguma atenção.

Um dos DVDs emparelhará "Bill il taciturno" (Django Kills Silently) com "Anche per Django le carogne hanno un prezzo" (A Pistol For Django). Ambos indisponíveis até agora em língua Inglesa e no caso do caso de "Anche per Django..." trata-se mesmo da primeira edição em formato DVD. O segundo pacote contará com duas incursões menos obscuras, "W Django!" (A Man Called Django) e "Arrivano Django e Sartana... è la fine" (Django And Sartana's Showdown). O lançamento de ambos está previsto para 11 de Dezembro.

2011/04/12

Amico, stammi lontano almeno un palmo (1972 / Realizador: Michele Lupo)

A minha paixão pelo western-spaghetti a muito se deve aqueles momentos bem passados em frente à televisão, nos tempos de criança. Nesses anos assistia-se com frequência a filmes destes lá em casa. Filmes que alugávamos nos videoclubes da cidade de Portalegre e que passavam também com bastante frequência nos canais espanhóis, que conseguíamos captar graças a uma antena bem posicionada. Desses tempos e desses filmes muito se esfumou, mas nos ficheiros temporários do grande amendoim guardei algumas cenas de filmes que por mais que tente não consigo recordar o nome, filmes esses que tenho tentado redescobrir ao longo dos anos.

Tenho comprado por isso bastantes DVDs do género, muitas das vezes por coleccionismo doentio, mas noutras simplesmente na ilusão de que seja “o tal filme”. Uma das imagens que a minha memória guardou e que mais empenho me mereceu nesta busca desenfreada, foi um duelo entre um personagem interpretado por Giuliano Gemma e um tipo careca cuja cara a nada associava. Nesse retrato, Gemma ficara sem munição mas conseguira enganar o vilão graças a uma bala que guardava num fio que levava ao pescoço. Pois bem, finalmente descobri que porra de filme era esse: “Amico, stammi lontano almeno un palmo”, que por cá ficou conhecido por “Ben e Charlie”!


Ben (Giuliano Gemma) é libertado de uma prisão mexicana, lá fora um gringo – Charlie (George Eastman) – espera-o à três dias. Depois de se agredirem mutuamente em nome dos bons velhos tempos tomam caminhos distintos, mas o destino acaba teimosamente por os voltar a cruzar. Chegados a Red Rock, Ben assalta o banco para espanto do próprio Charlie. Ambos acabam por escapar com o saque das garras do Xerife Walker (Aldo Sambrell) e com o feito passam de meros escroques esfomeados a bandidos com a cabeça a prémio. O Xerife e os agentes da Pinkerton seguem no seu encalço, mas inesperadamente são alcançados não pela lei, mas sim por um bando de malfeitores interessados em fazer sociedade com os nossos anti-heróis.

Michele Lupo, que já trabalhara com Gemma noutro clássico do género (Arizona Colt), monta aqui um filme que não compromete mas que também não ganhou lugar na história do western europeu. Pessoalmente pareceu-me razoavelmente bem fotografado (recuperando até alguns cenários míticos do género como a fortaleza de "El Condor" ou casa de "Once Upon a Time in the West") e com um ritmo bastante interessante. Ainda assim, num ponto de vista meramente analítico poderia reduzi-lo a mais um buddy western na linha dos então populares westerns cómicos da escola Barboni. Meio sério e meio a brincar, com cenas de pancadaria aos montões, mas com tiroteio reduzido e quase sempre pouco certeiro. O argumento é curiosamente responsabilidade parcial do próprio Eastman (que na função assina com o nome de baptismo: Luigi Montefiore), algo que repetiria noutras películas com igual ou maior sucesso ("Keoma").


O DVD da Wild East é uma das opções a considerar para aqueles que quiserem obter “Ben e Charlie”. Como é norma nas edições da editora Norte-Americana, o filme é apresentado em formato widescreen, com imagem cristalina e com áudio em Inglês. O DVD contém ainda alguns extras de interesse: galerias de imagens promocionais, trailers e genéricos alternativos. Um filme divertido para nos fazer esquecer do fosso em que o país está mergulhado.


Mais alguns lobbys germânicos:



Trailer:


2010/09/20

L'Ultimo Killer (1967 / Realizador: Giuseppe Vari)


Não é muito comum ver uma editora apostar em edições temáticas dedicadas aqueles actores geralmente menos reconhecidos para uma maioria de seguidores de um determinado género cinematográfico, mas a norte-americada Wild East têm arriscado neste campo com edições temáticas dedicadas a gente actualmente condenada à obscuridade. Edições essas dedicadas a nomes como Edd Byrnes, George Martin, Leonard Mann ou mais recentemente Anthony Ghidra e George Hilton. Todos eles com alguns méritos reconhecidos pelo maior fanático do género western-spaghetti, mas claramente pontos de interrogação para todos os outros apreciadores moderados do género.


Uma dessas edições contempla dois filmes protagonizados por George Eastman – Luigi Montefiore de baptismo. A presença do “grande” actor no cinema europeu não passou despercebida, não tanto pelas suas capacidades enquanto intérprete mas sobretudo pela imponência da sua altura, sempre superior aos demais actores que com ele tiveram de contracenar. Os filmes em que o protagonismo lhe tenha sido praticamente entregue não abundaram, mas este “Django, The Last Killer” – que de Django pouco ou nada têm – é um desses títulos. Aqui Eastman reparte créditos com o interessante Anthony Ghidra (“Ballata per un pistolero”), num filme com bastantes paralelos com “I giorni dell'ira” de Tonino Valerii, mas que acabou por levar com o nome “Django” nalguns países em que a prática da dobragem sempre foi comum. Inexplicavelmente os reis da transformação de “marca branca” em “marca Django” – leia-se alemães – fugiram à regra e lançaram o filme como “Rocco - Ich leg dich um”.


Temos por aqui um George Eastman a encarnar o jovem mexicano Ramón, que vê a sua família ser assassinada pelo ganancioso Barret (Daniele Vargas), que à boa maneira da vilanagem nobre, explora os pequenos fazendeiros locais. Sem grande astúcia no manejo de armas de fogo, Ramón quase perde a vida, sendo salvo – ainda que inadvertidamente – pelo caçador de cabeças Django. O temível pistoleiro arma-se em bom samaritano e cuida de Ramón. Lambidas as feridas os dois desenvolvem uma amizade acabando Django por ensinar ao mexicano como empunhar a pistola. Django que se prepara para aposentar acaba por aceitar um derradeiro “serviço” após aliciamento de Barret, mas o homem que aceita matar é afinal o Ramón: seu pupilo!


“L'ultimo killer” – titulo original italiano – é um daqueles filmes medianos que pouco ou nada acrescenta às dezenas histórias de vingança contadas nos anos de ouro do western europeu, algo que aliciará apenas o mais ávido consumidor do género. A esses, e apenas esses recomendo o DVD da Wild East que nesta “double feature” surge acompanhado pelo também mediano “Odia il prossimo tuo” de Ferdinando Baldi. Como extras incluem-se ainda trailers e galerias promocionais.


Trailer:

2009/11/17

Preparati la bara! (1967 / Realizador: Ferdinando Baldi)


Tal o sucesso de Django (1966), surgiram quase imediatamente dezenas de filmes que se apoiaram no seu nome como chamariz para um público mais alargado. Alguns desses filmes seguiram de uma forma mais ou menos coerente as características da personagem mostrada ao mundo por Sergio Corbucci, outros (maioria) limitaram-se a adicionar o nome Django ao seu título, mas todos eles contribuíram para o culto de uma das mais místicas personagens do spaghetti-western. É por isso justo que prestemos a merecida homenagem ao sombrio pistoleiro aqui no Por um punhado de euros, expondo alguns desses filmes nos artigos que aqui se publicarão nos próximos tempos. Não deixando de ser verdade que em grande parte dos filmes de que me refiro, a utilização da marca «Django», funciona sobretudo como uma abusiva manobra de marketing, outros há que até poderemos considerar como sequelas ditas oficiais. É nesta franja que surge Preparati la bara! - em Portugal lançado como Viva Django - que cronologicamente terá de ser considerada uma prequela, já que a sua acção decorre antes da guerra da secessão. Num período em que conhecemos um Django bastante diferente do que Corbucci nos apresentou, aqui Django ainda sorri e desfruta da feliz vida de casado. Isto por breves momentos, já que a sua vida está prestes a levar uma grande volta.


Django surge aqui como escolta de carregamentos de ouro para o depósito federal, um desses carregamentos acaba no entanto por ser atacado pelo bandido Lucas (George Eastman) e seus homens, a trama é no entanto maior já que o dito Lucas age em nome de David Barry (Horst Frank) - amigo de Django e curiosamente seu patrão - que pretende utilizar esse ouro como financiamento para as suas aspirações políticas. Escapando à morte mas vendo a sua mulher morrer em frente aos seus olhos, Django promete vingança. Depois de fisicamente recuperado, o pistoleiro regressa ao povoado, onde se faz passar por carrasco. Aí supostamente fará cumprir as injustas sentenças lidas a habitantes locais, que um sistema judicial corrupto condenou injustamente apenas por se terem oposto ao bando de Lucas (testa de ferro de Barry). O plano de Django consiste no entanto em libertar estes indivíduos de uma morte certa, fazendo dos enforcamentos uma farsa, provendo-lhes com a devida antecedência um engenhoso casaco que suportará o seu peso na forca. Com este grupo de supostos enforcados, Django cria o seu exército privado que utilizará na execução da sua vingança, atormentando a vida dos “sócios” de Lucas com a reaparição destes supostos fantasmas. A edição espanhola de Preparati la bara! foi justamente intitulada de El clan de los ahorcados, que é porventura o mais esclarecedor dos títulos que o filme recebeu. Como seria de esperar a ganância destes “enforcados” levam à traição a Django, baralhando um pouco mais o enredo do filme, mas no essencial nunca se afastando em demasia da fórmula de Yojimbo (1961) - também seguida no filme de Corbucci.


Ao que parece a ideia original do produtor Manolo Bolognini e da BRC Produzione Film seria colocar novamente Franco Nero no papel de Django, com o qual haviam assinado contrato para três filmes, no entanto Nero agora elevado ao grau de estrela escapuliu-se para a mais apetecível cena de Hollywood, onde interpretaria Lancelot no oscarizado Camelot (1967). Sem o «Django» original disponível, Ferdinando Baldi (Texas, addio, Il pistolero dell'Ave Maria, Blindman) e a produtora activaram um plano de recurso, entregando o papel a Terence Hill, à data ainda relativamente desconhecido. Excelente escolha, dadas as grandes parecenças físicas entre os dois actores. Vestido de negro, Hill parece realmente uma sósia de Franco Nero. Existem cenas em que dificilmente são distinguíveis, ver para crer! Aqueles que reconhecem Terence Hill, sobretudo pelos seus papéis cómicos em Lo chiamavano Trinità... ou ...continuavano a chiamarlo Trinità, poderão criar uma falsa expectativa sobre este filme. Alerto por isso desde já para que não se deixem enganar por algum do marketing utilizado para divulgação do mesmo. Isto não é um spaghetti cómico ao bom estilo de Trinitá, aqui os sorrisos idiotas na cara do Terence Hill contam-se pelos dedos de uma mão e a contagem de cadáveres é larga (veja-se a memorável chacina da cena final).

Por conter todos os elementos que considero essenciais num bom western-spaghetti, Preparati la bara! é um daqueles filmes pelo qual tenho um carinho especial. Não sendo ainda assim uma maravilha em termos cinematográficos, há que reconhecer a Baldi e a Franco Rossetti a capacidade de conceber um filme que não choca com os pressupostos anteriormente apresentados pela personagem. Pessoalmente considero mesmo este «Django» a melhor adaptação que o cinema ítalo-espanhol pariu. Indumentária negra, caixão com metralhadora oculta, mote vingativo – está tudo lá! Destaco também a poderosa banda sonora dos irmãos Reverberi, que incrivelmente viram não há muito tempo, um dos seus temas ser samplado pelo DJ Danger Mouse, no seu projecto Gnarls Barkley. Fiquem por isso sabendo (caso não o saibam já) que o muito orelhudo “Crazy”, grande êxito do verão de 2006, foi inspirado em bandas sonoras de filmes western-spaghetti, em particular por esta.

Tal como Django, também este Preparati la bara! tem edição DVD na “Colección spaghetti western” da espanhola Filmax. É esta edição que tenho em casa e que recomendo apenas aqueles que não desgostem do formato 4:3, e que entendam minimamente a língua espanhola. Existe também no mercado uma edição brasileira da Ocean Pictures cuja qualidade som/imagem não posso infelizmente opinar.


Trailer


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