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09/04/2013

Il mio nome è Nessuno (1973 / Realizador: Tonino Valerii & Sergio Leone)

O projeto arrancou quando surgiu a Sergio Leone a ideia de adaptar para o cinema a epopeia homérica “A Odisseia”. Essa adaptação transformar-se-ia num western situado nos anos da Guerra Civil Americana. Mas o seu amigo Duccio Tessari já tinha realizado essa ideia em 1965 com “Il Ritorno di Ringo”, o que levou Leone a rever o seu projeto. Juntamente com Fulvio Morsella e Ernesto Gastaldi, o cineasta decidiu que o filme iria ter um novo rumo mas tinha de ser outra pessoa a ocupar a cadeira de realizador. O escolhido foi Tonino Valerii, jovem realizador muito competente já com alguns westerns de qualidade no seu currículo e colaborador de Leone nos seus dois primeiros westerns. 

O enredo sofreu muitas alterações e da ideia original a única coisa que permaneceu foi o nome “Ninguém” (uma clara alusão ao episódio homérico entre o herói Ulisses e o gigante Polifemo). O filme é a junção entre o western clássico americano e o novo fenómeno do western cómico italiano. Quem melhor para liderar ambas as vertentes do que Henry Fonda e Terence Hill, respetivamente? 


Apesar de ser uma produção cuidada, ter um orçamento generoso e ter sido um dos maiores sucessos de bilheteira dos westerns-spaghetti nos anos 70, não se livrou de alguma polémica e momentos de conflito entre Leone e Valerii. Uma das versões é que Leone, inicialmente, tinha pouco interesse no filme e, caso as coisas descambassem, faria como Pilatos e atirava toda a responsabilidade para cima de Valerii. Este, enxovalhado na sua honra, afirma que estava a fazer um belo trabalho. Leone ter-se-á apercebido disso e, após o sucesso nas bilheteiras, tentou divulgar a (falsa) ideia que tudo o que o filme tinha de bom foi graças à sua genialidade! De facto, Leone dirigiu várias cenas enquanto assistente de realização mas isso não é suficiente para dizer que o filme foi realizado por si. 


Tonino Valerii resume bem a situação: “Franco Giraldi era o assistente de Leone em “Per Un Pugno Di Dollari” e dirigiu praticamente metade das cenas incluídas na versão final! Mas ninguém diz que o filme é do Franco Giraldi! Por isso, “Il Mio Nome è Nessuno” é um filme de Tonino Valerii!” Creio que é claro para todos que Sergio Leone era um cineasta genial e deixou-nos obras magníficas que ficarão para sempre, mas neste caso estou do lado de Tonino Valerii. Leone exagerou no seu cinismo e maltratou o seu pupilo. Conclusão: tudo isto resultou numa rutura profissional e pessoal entre ambos. Foi-se a amizade… ficou a obra!


Lobbys germânicos:



Trailer:

01/11/2011

Sella D'Argento (1978 / Realizador: Lucio Fulci)

Se nos anos 60 o western-spaghetti era um monstro grande, gordo e forte, capaz de inferiorizar os outros géneros cinematográficos, esse mesmo monstro começou a ter uma dieta forçada a partir dos anos 70. Em 1978, o monstro já não metia medo a ninguém e apresentava um aspeto cadavérico cujo destino só podia ser um: a morte!

Giuliano Gemma
, um dos reis do subgénero, aceitou protagonizar este filme sob o comando do realizador Lucio Fulci, que juntamente com Dario Argento ou Antonio Margheriti, dava cartas nos “giallos”. “Sela de Prata” é um filme que não traz grandes surpresas mas, apesar de ser uma das últimas produções western na Itália, é um filme decente, com alguns nomes consagrados (Giuliano Gemma, Ettore Manni, Geoffrey Lewis, Aldo Sambrell) e com boas doses de ação e entretenimento.

Roy Blood é um menino de 10 anos que vive com o pai, um pobre agricultor que foi enganado num negócio que fez com a família Barrett. Desesperado, o homem tenta recuperar o dinheiro perdido mas é assassinado pelo pistoleiro Luke. Roy assiste a tudo e num momento de raiva pega na espingarda do seu pai e mata Luke, roubando-lhe o cavalo e a sua preciosa sela de prata. Os anos passam e Roy tornou-se num pistoleiro de primeira linha. Ao longo do seu percurso depara-se várias vezes com um tipo chamado Serpente, que ganha a vida a roubar objetos de valor aos cadáveres que encontra.


O destino dita que Roy e a família Barrett voltam a encontrar-se, mas desta vez o ódio é substituído por um sentimento mais nobre: a amizade entre Roy e o jovem Thomas Barrett Jr. É curioso ver um cineasta como Lucio Fulci fazer um western numa época em que já ninguém apostava nesse tipo de filmes. Ainda por cima Fulci esteve sempre mais ligado a outras vertentes do cinema italiano. Seja como for, estamos perante um filme sólido, sóbrio, bem construído (embora longe da magia de outrora) e que se apoia essencialmente no carisma do protagonista. Mas qual é o realizador que não o faria, se tivesse Giuliano Gemma às suas ordens?


Este foi um dos muitos westerns que descobri no início dos anos 90 em formato VHS. Mas hoje em dia o DVD é que manda e “Sela de Prata” está editado em vários países. Posso garantir a todos aqueles que queiram comprar um DVD que a editora alemã Koch tem disponível um exemplar de qualidade, com excelente imagem (2.35:1) e várias opções áudio. Esta seria a penúltima aventura de Giuliano Gemma enquanto pistoleiro. A última ficou guardada para meados nos anos 80, onde Gemma reencontrou o homem que o transformou numa vedeta: Duccio Tessari.



Mais algumas imagens usadas na promoção do filme:


Trailer: