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2019/08/14

Pochi dollari per Django (1966 / Realizador: Enzo G. Castellari)

O pistoleiro Reagan dirige-se para cidade de Miles City, Montana. Antes de chegar, tropeça no cadáver de um xerife. Reagan fica com o distintivo do morto e apresenta-se na cidade como xerife. Sally Norton é a sobrinha de um tal Trevor Norton, pacífico agricultor da região. Mas Trevor é a cara chapada de Jim Norton, um bandido procurado pela lei. Será que são irmãos gémeos ou tudo não passa de uma farsa? A ver vamos… O tema do filme é a guerra entre criadores de gado e agricultores com o seu famigerado arame farpado. Mas o melhor de tudo isto é que não se vê uma única cabeça de gado bovino em todo o filme! O projeto foi realizado a quatro mãos e duas cabeças: León Klimovsky e Enzo G. Castellari.

Quem será o gajo montado no burro?

O primeiro não tinha muito jeito e foi-se embora, o segundo remediou a coisa. Além disso, temos também os dois cabeças de cartaz, Anthony Steffen e Frank Wolff. Ambos tiveram carreiras e vidas muito distintas: Steffen tornou-se numa grande vedeta em Itália e, quando acabou a sua carreira artística, foi para o Brasil gozar uma reforma dourada. 

Estás lixado, Anthony Steffen!!

Em sentido contrário, o americano Frank Wolff, aos poucos, foi definhando a nível artístico e pessoal, acabando por cair numa terrível depressão que o levou ao suicídio! A necrologia definitiva: Frank Wolff morreu a 12 de dezembro de 1971, “requiescat in pace”. Anthony Steffen morreu a 4 de junho de 2004, “requiescat in pace”.

2018/04/23

Fora de tópico | Lançamento "Ammazzali tutti e torna solo"

Está na calha mais uma edição do mais explosivo dos westerns de Enzo G. Castellari, "Ammazzali tutti e torna solo". Atendendo a que todas as edições actuais falham na qualidade de imagem, vamos rezar para que a Koch Media remedie o assunto. Podem consultar os detalhes já avançados aqui. Nas lojas em Junho.

2014/02/25

Un Dollaro tra i denti (1966 / Realizador: Luigi Vanzi)

Este terá sido provavelmente o primeiro western italiano a ter financiamento norte-americano (através do influente empresário Allen Klein). O elenco é liderado pelos também americanos Tony Anthony e Frank Wolff e secundado por Gia Sandri, Jolanda Modio, Raf Baldassare e Aldo Berti. É uma obra claramente inspirada no filme “Por Um Punhado de Dólares”, com um ritmo lento em que predominam os longos silêncios preenchidos pela música de Benedetto Ghiglia. É um filme de muito baixo orçamento com algumas cenas bastante violentas (chicotear, violar, agredir, ameaçar) com tiroteio e sadismo quanto baste. Um tipo misterioso chega à localidade mexicana de Cerro Gordo. Por entre as ruas silenciosas entra numa hospedaria para alugar um quarto. O dono do estabelecimento arma-se em esperto e leva com uma garrafa nos cornos. 

Já no seu quarto, observa da janela uma patrulha de soldados mexicanos serem massacrados por bandidos disfarçados de frades. Estes, com Águila à cabeça, pretendem o ouro que o exército americano vai transportar até aquele povoado. O forasteiro, em conluio com Águila, elabora um plano para que o ouro fique na posse de ambos e que o lucro seja dividido em duas partes iguais.


Mais traiçoeiro do que uma serpente, o mexicano muda de opinião e recusa dar a metade combinada aos seu sócio americano. Para a humilhação ser completa dá-lhe somente uma única moeda de 1 dólar como prémio pelo seu esforço. O homem passa-se da cabeça! O forasteiro tenta fugir com o dinheiro mas é capturado e leva uma carga de porrada que até cria bicho! Pelo meio ainda é contemplado com umas chicotadas na focinheira, cortesia da sádica Maria Pilar, mais conhecida por Maruka. 


Em muito mau estado, o homem consegue arrastar-se para um lugar seguro para recuperar da sova. Os seus agressores procuram-no mas em vão. Já recuperado, o forasteiro inicia a limpeza geral da cidade usando não uma vassoura mas sim uma caçadeira! Ironicamente, o filme teve resultados modestos em Itália mas foi bem sucedido nas salas de cinema dos Estados Unidos. Sem dúvida que é um western de série B mas eu dou-lhe nota positiva porque… “Quem sou eu? Sou um homem justo!”

Trailer:

2013/04/16

Fora de tópico | Lançamento "A Stranger in Town"


"Un Dollaro tra i denti", filme de interesse reduzido mas que tem ganho algum culto nos anos mais recentes, passa a estar disponível no catalogo da Colosseo Films a partir de Maio. Editora que como se lembrarão, já havia lançado a segunda parte da saga iniciada por esta personagem, no ano passado. Dada a escassez de edições do filme deve ser coisa para rasgar uns sorrisos aos completistas do género. 

2011/02/01

C'era una volta il West (1968 / Realizador: Sergio Leone)

O enorme sucesso da “trilogia dos dólares” colocou Sergio Leone num pedestal e pôs em sentido os executivos dos grandes estúdios americanos. Agora, a prioridade de Leone era fazer o projecto que sonhara durante toda a sua vida, um épico sobre os gangsters judeus de Nova Iorque, no Lower East Side, baseado no romance de Harry Grey “The Hoods”. Após várias reuniões com os mais influentes produtores americanos, o resultado foi sempre o mesmo: o financiamento de “Era uma vez na América” só estava garantido se Leone fizesse um último western! Perante esta situação, o cineasta italiano aceitou, sob a condição de ter plenos poderes sobre o novo projecto. Seguiu-se então um animado duelo entre dois grandes estúdios de cinema: A United Artists colocou em cima da mesa de negociações muito dinheiro e ainda as super vedetas Charlton Heston e Kirk Douglas. A Paramount também acenou com um grande orçamento e Henry Fonda. Era bem conhecida a ambição que Leone tinha de trabalhar com Fonda. Não havia dúvidas, a Paramount venceu!


Após um jantar de negócios, mediado por Mickey Knox, e um parecer positivo do seu amigo Eli Wallach, Henry Fonda aceitou a proposta. Claudia Cardinale e Jason Robards já estavam garantidos mas ainda faltava encontrar mais um protagonista. Inicialmente Leone falou com Clint Eastwood mas este recusou categoricamente. Isso não abalou Leone porque ele sabia no seu íntimo que a escolha certa seria Charles Bronson. À semelhança de Fonda, Bronson aceitou o convite porque agora Leone já tinha uma reputação e dinheiro mais do que suficiente, algo que não acontecia em 1964 quando tentou convencê-lo a protagonizar “Por um punhado de dólares”. Acompanhado por uma equipa técnica muito competente, o projecto foi concebido na Itália (Cinecittá), em Espanha (Almería) e nos Estados Unidos (Arizona).

O enredo está ligado à expansão do caminho-de-ferro na América do Norte e aos negócios sujos dos grandes magnatas. O empresário Morton quer a todo o custo concluir a sua linha-férrea e conta com o pistoleiro Frank para tratar de todos os inconvenientes que possam surgir. Frank não é de meias medidas e assassina brutalmente a família de Jill para ficar com o terreno. O fora-da-lei Cheyenne é injustamente acusado de ter cometido esse crime. No meio disto tudo deambula o misterioso Harmónica, que carrega na sua memória lembranças traumatizantes.


Este foi provavelmente o primeiro filme da História do cinema em que os actores actuavam ao som da banda sonora porque a partitura musical de Ennio Morricone foi composta antes das filmagens começarem. Isso ajudou os protagonistas a perceberem melhor o ambiente do filme. Mas nem tudo foi um mar de rosas! A ideia inicial de Leone era fazer 4 horas de filme mas chegou-se a um entendimento e a versão final foi reduzida para pouco menos de 3 horas. Contudo, alguns energúmenos com poder de decisão mandaram cortar ainda mais o filme, retirando-lhe muita da sua magia! Leone sentiu-se profundamente injustiçado porque foi essa “versão amputada” que estreou nos EUA e na Inglaterra, tornando-se num desastre nas bilheteiras e na crítica! Felizmente, Itália e França não foram nessa cantiga e a versão integral original foi bem sucedida, principalmente em Paris que exibiu o filme diariamente durante mais de 2 anos!

Já em pleno século XXI, o mercado DVD em Portugal fez justiça e presenteou os fãs com um excelente DVD, que além de conter o filme em todo o seu esplendor ainda oferece muitos documentários, entrevistas, fotografias e afins! “Aconteceu no Oeste” é um óptimo filme que sofreu durante muitos anos o estigma de muitos preconceitos. Eu, à semelhança de muitas pessoas, acho que o filme estava à frente do seu tempo. Naquela época a maioria das pessoas não estava preparada para um impacto tão profundo. Hoje, qualquer um que goste de cinema de verdade, vai adorar este filme!



Lobbys :





Trailer:


2010/11/10

Sono Sartana, il vostro becchino (1969 / Realizador: Giuliano Carnimeo)

Como se sabe, vários heróis foram responsáveis pelo enorme número de cadáveres nos westerns-spaghetti. Alguns deles “limparam o sarampo” a mais malandros num só filme que todos os pistoleiros dos westerns americanos em toda a sua carreira! O carismático Sartana foi um desses heróis! Naturalmente, como é habitual à boa maneira italiana, a fórmula foi espremida ao máimo até à última gota! Em 1969, Clint Eastwood era sinónimo de “Homem Sem Nome”, Franco Nero “Django”, Giuliano Gemma “Ringo” e Lee Van Cleef “Sabata”. “Sartana” foi imortalizado pelo rosto e presença do actor Gianni (John) Garko! Este segundo filme da saga é para mim o momento mais alto mas a fórmula sempre teve a teimosa tendência para se tornar repetitiva!


Um grupo organizado consegue assaltar aquele que era tido como o banco mais seguro do Oeste. Além do golpe ter sido perfeito, o famoso pistoleiro Sartana foi identificado entre os demais! A urgência de recuperar o dinheiro roubado leva a que seja oferecida uma recompensa de 10 000 dólares pela cabeça de Sartana. Os melhores caçadores de recompensas fazem-se à estrada, ignorando um pormenor: Sartana não é culpado e o seu nome foi manchado indevidamente! A partir daí, o protagonista tenta descobrir pessoalmente a verdade, através dos habituais meios violentos. Este filme, que talvez para a maioria passe despercebido, conta com um rico leque de vedetas dos westerns-spaghetti. A saber: Gianni Garko, Klaus Kinski, Frank Wolff, Ettore Manni, Gordon Mitchell e José Torres.


Tudo resumido, “Sartana está de volta” (título em Portugal) é um filme que não desilude mas em muitos aspectos é, infelizmente, mais do mesmo! Para aguçar o apetite dos mais curiosos, uma nota: Há quem diga que a capa que Sartana veste (longa capa preta com a parte interior vermelha) foi inspirada em uma célebre personagem da BD, o ilusionista Mandrake! Não sei se é verdade ou não mas fica a ideia. Provavelmente só Gianfranco Parolini é que poderá revelar a verdade sobre o assunto!


Clip:



2010/05/02

Il Grande silenzio (1968 / Realizador: Sergio Corbucci)


Sergio Corbucci é um cineasta com extenso currículo e trabalhou em quase todos os ramos do cinema (peplum, comédia, drama, terror, western). Normalmente fazia vários filmes num só ano e talvez isso tenha prejudicado a sua reputação porque muitos desses projectos não ultrapassavam a mediocridade. A meu ver, Corbucci é um cineasta irregular, quase bipolar! Só assim se explica o facto de fazer westerns fracos e logo a seguir saca algo genial como “Django”. Dois anos após esse grande sucesso, e com alguns falhanços pelo meio, surge como o inventor de “O grande silêncio”, outro ponto alto da sua carreira. Apesar dos muitos defeitos, Corbucci é para mim o realizador de westerns-spaghetti mais corajoso (e mais louco) de sempre. Atreveu-se a fazer tudo aquilo que todos os outros tinham receio de experimentar! Com ele não há meias medidas nem presta qualquer tipo de homenagem a ninguém! Explora o subgénero para lá dos limites e deu-se muito bem! Provavelmente só Giulio Questi está na mesma linha com o incrível e brutal “Se sei vivo, spara!


Este filme triunfa porque é em tudo diferente do que as pessoas já estavam habituadas no subgénero. As paisagens áridas são substituídas por um quadro branco gélido e desolador. E é aí que surge “Silêncio”, um pistoleiro mudo (não de nascença) que será um dos vértices de um triângulo problemático composto por “Pauline” e “Tigrero”. Aqui não há alegria, risos, luz ou calor. Todo o filme é pessimismo, é violência, é frio porque, ao contrário do que queriam fazer passar nos westerns clássicos americanos do cinema e da televisão, o oeste selvagem era mesmo selvagem! E a selvajaria no ser humano resulta sempre no mesmo: Matar para sobreviver!
Ao longo dos tempos criou-se uma imagem idealizada do herói imune às balas e à tentação carnal em forma de mulher! Pois bem, até nisso “O grande silêncio” é diferente. O protagonista envolve-se sexualmente com a sua amante numa sensual cena de amor, apoiada pela sempre brilhante música de Ennio Morricone.


Haveria muito mais a dizer mas prefiro guardar surpresa para quem ainda nunca viu o filme. Levanto somente a ponta do véu: o final é de tal forma chocante e violento que Corbucci foi obrigado a filmar um final alternativo para poder ser distribuído noutros países mais conservadores. Felizmente, hoje em dia a versão original mantém-se em quase todos os DVD disponíveis para venda (o ridículo final alternativo faz parte dos extras de algumas edições DVD). O filme conta com nomes consagrados como o francês Jean-Louis Trintignant, o alemão Klaus Kinski, o italiano Luigi Pistilli e os americanos Frank Wolff e Vonetta McGee. Boas sequências de tiroteio, drama, muita violência e morte são os ingredientes desta obra-prima do western italiano e de Sergio Corbucci, que entre 1966 e 1968 tirou da cartola dois filmes geniais que vão figurar para sempre na galeria dos mais notáveis! Para terminar, uma breve observação: “Homens duros” como John Ford, John Wayne, Howard Hawks e Anthony Mann ficariam arrepiados com este filme, se tivessem coragem para o ver!


Trailer




Documentário

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