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2014/07/29

All'ombra di una colt (1965 / Realizador: Giovanni Grimaldi)

Hoje voltamos a debruçar-nos sobre mais um daqueles westerns-spaghetti madrugadores, este da chancela do senhor Gianni Grimaldi. Realizador e argumentista que dedicou grande parte da sua carreira ao cinema cómico, realizando sobretudo filmes com a famosa dupla italiana Franco Franchi e Ciccio Ingrassia (Il bello, il brutto, il cretinoDon Chisciotte e Sancio Panza, etc). Mas também fez alguns westerns menos apalhaçados, como é o caso deste All'ombra di una colt! O enredo gravita à volta de uma dupla de pistoleiros a soldo, o primeiro é jovem e pretende largar aquela vida mas o segundo, mais vivido e amargurado, alvitra que nada bom pode sair de um pistoleiro aposentado. Para piorar ainda mais as coisas, o jovem Steve está apaixonado pela filha de Duke, com quem se pretende casar e fazer uma vida tranquila num rancho. Mas o seu comparsa não aprova, e promete acabar-lhe com o pio se ele se envolver com a cachopa. 

Dupla de pistoleiros profissionais.
 
No último trabalho que fazem juntos, Duke é gravemente baleado e tem de ficar em cuidados na aldeia mexicana em que limparam o sebo a uma quadrilha de malfeitores. Steve aproveita essa vantagem e foge com a filha de Duke. Por azar o jovem casal tenta assentar as suas raízes numa cidade corrompida por dois patifes: Jackson e Burns. Steve tenta comprar um rancho na periferia da cidade e isso valer-lhe-á uma quizília com a vilanagem local. E claro está, para piorar as coisas Duke há-de regressar para cumprir a sua promessa!

O amor está no ar.
 
Na primeira metade dos anos sessenta, ainda não existia uma definição clara de quais as premissas a seguir pelo género e talvez por isso uma grande parte dos filmes lançados nesta fase situam-se algures entre o estilo pausado do western clássico americano e a vertente «italianizada» que se instalaria com a popularização dos westerns de Sergio Leone, mais viscerais e menos focalizados nos diálogos. Sem surpresa as personagens principais do filme apresentam aquele aspecto limpinho que nos habituámos a ver nos filmes de Ford e até a narrativa segue um ritmo mais suave, quase a roçar o romance. No entanto a última parte do filme surge repleta de acção e faça-se-lhe jus: está bastante bem filmada. É uma hora e picos bem passada que vos recomendo a assistirem em família!


Trailer:

2013/10/01

Maus como as cobras


Aqui, no blogue “Por Um Punhado de Euros”, andamos há mais de 4 anos a divulgar o western-spaghetti. Os que nos acompanham conhecem Django, Ringo, Sabata, Sartana, Silêncio ou Harmónica. Contudo, para esses personagens terem alcançado o estatuto de heróis foi necessário ter acontecido algo. Foi necessário terem enfrentado inimigos de alto calibre que acagaçavam qualquer um! Na maior parte das vezes, os vilões dos filmes são negligenciados em detrimento dos heróis que defendem a honra, os valores morais e os bons costumes. Mas neste âmbito as coisas nem sempre são assim. Neste subgénero, heróis e vilões confundem-se. Até mesmo no aspeto físico. O vilão já não é o gajo com cara de mau e chapéu preto e o bom já não é o galã bem vestido e com a marrafinha toda janota. 

Por razões óbvias, é impossível mencionar todos os “maus da fita”. Este texto serve essencialmente para falar sobre vilões carismáticos, violentos, sádicos, assassinos, drogados, uns são elegantes, outros vestem-se como maltrapilhos, todos eles frios como um bloco de gelo e mais brutos do que uma carrada de porcos! Uns manejam as armas como verdadeiros especialistas, outros usam outras geringonças e tudo o que se possa imaginar. Em suma, estamos perante indivíduos “maus como as cobras”! Começamos com Ramon Rojo e El Índio (Gian Maria Volonté). O primeiro usa uma winchester e o outro dedica-se a fumar material que faz rir. Ambos nem pestanejam quando limpam o sarampo a todos aqueles que andam a chatear. 

Frank (Henry Fonda) é um assassino elegante que varre tudo pela mesma medida enquanto contempla as suas vítimas com o seu gélido olhar azul. Na mesma linha de elegância estão David Barry (Horst Frank) ou Gauche (Alain Delon). Stengel (Franco Ressel) mantém o nível e as roupas todas pipis que o homem veste tornam-no ainda mais odiável. Não admira que Sabata lhe tenha tratado da saúde! Na fação com menos elegância temos ótimos vilões como Aldo Sambrell, Fernando Sancho, Roberto Camardiel, Eduardo Fajardo ou Mario Brega. Estes iam diretos ao assunto e funcionavam à base de chicotadas, murros, pontapés, torturas e chapadas. Ou seja, tudo pessoas de bem! 

Mas esta rubrica nunca poderia ficar completa sem mencionar um ator que tinha tanto de genial como de polémico e que encarnou inúmeros papéis de vilão em inúmeros westerns europeus. Senhoras e senhores, damas e cavalheiros, “Ecce Homo”, Eis o Homem: Klaus Kinski! Olhar alucinado, cabelos loiros desgrenhados, cara de maluco, é um autêntico perigo à solta e cair nas suas mãos é pior do que cair num ninho de cascavéis! Entre muitas atuações de grande valor alcançou o auge quando interpretou “Tigrero”, o implacável caçador de recompensas tão frio quanto a neve. Esse personagem tem um valioso trunfo que todos os outros já mencionados não possuem: Tigrero foi o único que venceu o seu arqui-inimigo, aplicando-lhe uns balázios disparados à traição. Por isto e por muito mais merece a imortalidade! Por isto e por muito mais merece liderar a galeria de vilões dos westerns-spaghetti, embora todos eles sejam “maus como as cobras”!

2012/12/04

L'uomo, l'orgoglio, la vendetta (1968 / Realizador: Luigi Bazzoni)

Este filme é, na sua essência, um drama e não um western. A presença de gigantes como Franco Nero (Django, Keoma) ou Klaus Kinski (E Dio disse a Caino..., Il grande silenzio) levaram as distribuidoras a divulgar o filme sob o rótulo de western-spaghetti mas não é bem assim. José (Franco Nero), um humilde militar do exército espanhol, encontra Carmen (Tina Aumont), uma bela jovem cigana. Entre ambos inicia-se um complexo jogo amoroso que combina traição, sexo, ciúme, ganância, violência e homicídio. 

A ciumenta relação que José mantém com Carmen leva-o a assassinar um oficial superior e a tornar-se foragido. A coisa complica-se ainda mais quando José e um grupo de ciganos capitaneados pelo implacável Garcia (Klaus Kinski) executam um assalto para roubar um valioso cofre cheio de ouro. O golpe corre mal, várias pessoas morrem e a tensão é cada vez maior! A única escapatória para os sobreviventes é fugir para o continente americano e começar uma nova vida. Mas os conflitos entre José e Carmen são cada vez mais acesos e a obsessão levá-los-á a um desfecho trágico!


A ação deste filme não acontece no oeste americano ou na fronteira mexicana. A ação acontece em Espanha, mais concretamente na Andaluzia dos finais do século XIX. Tendo em conta que o filme foi produzido em 1968 é perfeitamente normal que se tenha aproveitado o sucesso que os westerns europeus estavam a viver para “camuflar” este filme como sendo parte desse género cinematográfico.


“O Homem, o Orgulho e a Vingança” é um projeto simples, não entusiasma o espetador (excetuando talvez o duelo de facas entre Nero e Kinski) e creio até que o romance conflituoso entre os dois personagens principais se torna demasiado repetitivo. Em suma, conclui-se que não se trata de nada de extraordinário…

Mais algumas poses:



Trailer:

2012/10/22

Sartana nella valle degli avvoltoi (1970 / Realizador: Roberto Mauri)

Eis mais uma produção italiana de baixo orçamento que procurou encaixar algum dinheiro por via da utilização abusiva do apelido Sartana. Personagem lançada originalmente por Gianfranco Parolini e que despoletaria uma série de filmes oficiais (já resenhados por aqui) e claro está, muitos mais no mercado paralelo. E na verdade para com a personagem popularizada por Gianni Garko, este pseudo Sartana apenas no uso da capa negra se poderá assemelhar.

O jogador intrometido, ganancioso mas justo; transforma-se nesta versão num bandido procurado pela lei, capaz de matar à mínima provocação. Curiosamente coube ao austríaco William Berger envergar as vestimentas Sartana, ele que até participara no filme de lançamento oficial da saga, “Se incontri Sartana prega per la tua morte”, em que desempenhara um dos antagonistas, Lasky! Lee Calloway ou Sartana (William Berger) é um foragido da lei, a sua cabeça vale já 10000 dólares, valor que o coloca nas prioridades dos caçadores de recompensas locais. Hábil no gatilho leva a melhor nesses embates.


Incentivado por uns patifes da mesma laia que ele, irá tomar a prisão local de assalto e libertar os irmãos Douglas, com os quais pretende dividir o ouro que estes haviam rapinado ao exército e que esconderam antes de serem capturados. É claro que depois de se verem em liberdade os três irmãos tentam livrar-se de Calloway a cada oportunidade. Surpreendido numa destas tentativas de fuga dos Douglas, o nosso anti-herói acaba amarrado a um cartucho de dinamite, mas safa-se miraculosamente e dá então caça aos seus ex-associados. Tudo se inverterá no entanto e o caçador torna-se na presa. Uma situação completamente reminiscente do estupendo “Sentenza di morte” de Mario Lanfranchi, onde é o homem armado que foge dos seus perseguidores.

Infelizmente este que é o grande mote lançado pelo título do filme revela-se numa mui entediante e mal filmada perseguição. Que sai claramente prejudicada pela falta de um orçamento que permitisse filmagens em ambientes mais apropriados (esclareça-se que aquele que é exaltado como perigosíssimo deserto se monstra na verdade ser bastante outonal). Filmado inteiramente em Itália e portanto sem acesso aos convincentes desertos andaluzes, a débil ilusão de desertificação conseguida prejudica profundamente a autenticidade do filme.


Apesar de ter realizado uma série considerável de westerns (Colorado Charlie, Wanted Sabata, ...e lo chiamarono Spirito Santo, etc.), Roberto Mauri não será recordado como um dos grandes realizadores do género, e este “Sartana nella valle degli avvoltoi” - que até é um dos seus filmes mais aceitáveis - não é grande espingarda, mas também não é completamente vulgar. Acabando por cumprir alguns requisitos mínimos, que lhe permitem uma entrada directa para o gigantesco lote dos euro-westerns que nem aquecem nem arrefecem.

O filme foi exibido em Portugal com o título “Sartana no Vale dos Abutres”, mas nos dias de hoje como seria de esperar não está disponível em DVD. Está contudo disponível em várias edições por esse mundo fora, aquela que disponho é uma edição britânica da C’est La Vie, que apresenta o filme em formato widescreen com áudio em inglês. A imagem é tão nítida que permite ver coisas tão características do cinema de outrora como os fios de coco que puxam as articulações de um escorpião, usado numa das derradeiras cenas do filme. Algo que poderia passar despercebido nas décadas de 60 e 70 mas que hoje em dia surgem nuas aos nossos olhos, sendo impossível não considerar filmes como este, datados de uma outra época. Apenas para curiosos!

Lobbys:


Trailer:

2011/09/20

Continuavano a chiamarlo Trinità (1971 / Realizador: Enzo Barboni)


Qual é a primeira coisa que nos vem à memória quando falamos de Mario Girotti / Terence Hill e Carlo Pedersoli / Bud Spencer? Cadáveres e muito sangue? Não! Violência extrema, sadismo e umas pitadas de sexo? Nem pensar! A especialidade destes dois atores italianos é a comédia, recheada de pancadaria, acrobacias, humor simples e algumas patetices.

Os westerns de Giuseppe Colizzi já davam sinais de mudança. Enzo Barboni assumiu a rutura de forma clara e resgatou a dupla de protagonistas para o seu filme. Após o grande êxito de “Trinitá, cowboy insolente”, algo que foi contra todas as expetativas, as pessoas queriam voltar a ver Trinitá e Bambino a aviar porrada nos seus adversários. O produtor Italo Zingarelli e o realizador Enzo Barboni (E.B. Clucher) fizeram-lhes a vontade. Não demorou muito a dar frutos: Foi um enorme sucesso de bilheteira na Europa, maior que o filme anterior. Mas foi também o canto do cisne porque a loucura dos westerns-spaghetti tinha acabado!


Concordo com Terence Hill, que muitos anos mais tarde afirmou que o grande mérito dos “Trinitás” foi o momento em que surgiram. O público queria algo diferente porque a enorme quantidade de westerns violentos com heróis sedentos de vingança tornou-se banal e pouco apelativo. Este filme desperta em mim sentimentos contraditórios: Pessoalmente, acho que os elementos cómicos arruínam o western. Por outro lado, divirto-me a ver Terence Hill a manejar o seu colt e Bud Spencer a “varrer” toda a gente com murros no toutiço e chapadas nas trombas. Deve ser porque a minha geração cresceu a ver em VHS os filmes desta dupla. Na minha opinião, enquanto comédia este filme alcança os objetivos. Enquanto western é uma desilusão.


A “inocente” junção de Hill e Spencer acabou por desencadear um fenómeno cinematográfico, dando origem a uma das mais carismáticas duplas da História do Cinema, uma parceria que iria durar até finais dos anos 80. Pelo caminho, ao longo de todos estes anos, muitas cenas de pancadaria cómica aconteceram, para gáudio das crianças e adolescentes de então. Aposto que Terence Hill e Bud Spencer ficaram com as mãos a arder após tantos anos a distribuir castanhas ao pessoal!


Mais algumas imagens do filme:



Trailer:

2010/11/18

Buon funerale, amigos!... paga Sartana (1970 / Realizador: Giuliano Carnimeo)


Nesta terceira aventura da personagem Sartana, Gianni Garko abandona o anterior look e apresenta-se agora com um farfalhudo bigode. Mas as diferenças entre os dois filmes anteriores da saga não são meramente estéticas. Este foi o único dos filmes dirigidos por Giuliano Carnimeo para a saga Sartana, que não contou com a participação do prolífico escritor Tito Carpi na equipa argumentista. Talvez por isso, este é de longe o capítulo com o enredo mais fácil de seguir em toda a saga oficial. Pró ou um contra? Só o gosto pessoal de cada indivíduo o poderá dizer.

A acção do filme inicia-se desde logo com um brutal assassínio de um grupo de mineiros. Sartana assiste à matança e de seguida surpreende os carrascos que atulha de chumbo quente. Por ser alegadamente rica em ouro, a propriedade dos mineiros é alvo do interesse de diversos personagens locais que tudo farão para persuadir a recém-chegada herdeira a vender as terras. Sartana envolve-se na questão e mostra-se (aparentemente) interessado em defender a rapariga e expor os verdadeiros responsáveis pela morte dos mineiros. O que se segue é uma sequência de tentativas frustradas dos maus da fita em eliminar o nosso herói de capa preta, que nesta aventura faz questão em pagar o funeral a cada um dos patifes que vai eliminando!


Excepcionalmente Sartana chega mesmo a envolver-se sentimentalmente com a figura feminina do filme, Abigail Benson (Daniela Giordano), o que representa outra das novidades nesta entrada da franquia. Para gáudio dos fãs, Sartana volta a usar uma série de engenhocas que sempre adocicam a acção. Para além da sua famosa pistola do tipo Derringer, o arsenal de Sartana é agora expandido a um relógio magnetizado e um naipe de letais cartas cortantes, que usa num estilo quase ninja!

Gianni Garko interpreta mais uma vez a personagem Sartana em grande estilo, mantendo a mesma classe e elegância que nos habituara nas duas películas anteriores. Em entrevista à fanzine Westerns... All'Italiana! [1], Garko considera mesmo que esta terá sido a sua melhor actuação num western-spaghetti. Pessoalmente discordo, pois apesar de todo o mérito que lhe reconheço na criação e personificação desta personagem, adorei especialmente a sua participação enquanto vilão no muito recomendável “I vigliacchi non pregano”.


Infelizmente a vilanagem surge aqui bastante mais mal representada que nos dois filmes anteriores, sem presenças de ícones do cinema europeu como Fernando Sancho, Klaus Kinski ou Willian Berger. Contentemo-nos agora com um sempre fraquinho Luis Induni (xerife corrupto), um Franco Ressel (trapaceiro efeminado) ou um George Wang (aborrecidíssimo declamador de Confúcio que por breves momentos mostra uns movimentos de kung-fu).

Este terceiro capítulo chegou a ser lançado em Portugal (sob o titulo “Bom Funeral Amigos... Paga Sartana”) mas não mereceu até à data uma edição DVD. Felizmente os nossos vizinhos espanhóis têm o filme disponível numa edição económica e bastante decente. Imagem em widescreen e com duas opções áudio, espanhol e italiano. Por regra não sou muito entusiasta das edições da Suevia mas esta merece os Euros!

[1]
Westerns... All'Italiana! - Special Gianni Garko Issue, 1992


Mais alguns lobby cards utilizados na promoção do filme na Alemanha:



Trailer

2010/09/13

T'ammazzo!... Raccomandati a Dio (1968 / Realizador: Osvaldo Civirani)


Ainda não passou muito tempo desde que alguém lançou na internet o boato de que o actor George Hilton teria falecido. A notícia surgiu com toda a modernidade que nos é contemporânea - via rede social Facebook - provocando algum alarido entre os apreciadores de euro-westerns, giallos e afins. O que demonstrou o quão grande é o carinho que muitos ainda mantêm pelo actor de origem Uruguaia, que nos anos de ouro do spaghetti-western fez carreira no cinema europeu, onde protagonizou algumas das mais míticas personagens do género: Sartana, Hallelujah ou Tresette. As notícias da sua morte mostraram-se felizmente um logro, mas serviram pelo menos para que se reflectisse sobre a quantidade de filmes protagonizados por Hilton que não tiveram ainda uma merecida edição perceptível em formato DVD. O western-spaghetti de tendências cómicas T'ammazzo! - Raccomandati a Dio é um desses títulos perdidos.


George Hilton interpreta Glenn Reno, um falso padre que assiste às cerimónias fúnebres do bandido Roy Fulton (Gordon Mitchel). O enterro decorre sob a atenção do xerife local, mas rapidamente se percebe tratar de um embuste, já que em vez do corpo de Roy é o saque do banco (pertencente a um tal Hartmann) que jaz dentro do caixão. Em breves, é-nos explicado como chegamos aqui: Roy escapara com o saque, mas durante a acção provou chumbo quente no bucho. O enterro serviria assim como pretexto para tirar simultaneamente do seu encalço, os parceiros que traiu e as autoridades. Mas estando gravemente ferido, não tem opção senão aceitar uma nova parceria - desta vez com Glenn - e assim partilhar os 200.000 dólares. Consolidada a sociedade, Glenn procura um médico que trate dos ferimentos de Roy, mas serão os antigos associados deste a chegar primeiro ao esconderijo. De regresso com o médico e sem vestígios de Roy, Glenn sente-se ultrajado e cavalga instintivamente para a sepultura, onde num cenário enlameado ao bom estilo de Django, desenterra o caixão, sob o qual jura matar o pantomineiro e ficar com todo o dinheiro. Mas chega novamente atrasado e em vez dos dólares é o inanimado corpo de Roy que preenche a tumba.


Apesar de "T'ammazzo! - Raccomandati a Dio "ser claramente uma produção modesta, reúne um elenco interessante, somando ao sempre regular George Hilton, a presença do canadiano John Ireland (no papel de um “Coronel” fora-da-lei) e Piero Vida (um simpático brutamontes a quem curiosamente chamam “Português”). Todas elas personagens com algum potencial - cortesia do senhor Tito Carpi - mas que uma realização atabalhoada não lhes conseguiu tirar o devido proveito. Realização essa da responsabilidade de Osvaldo Civirani, o mesmo que já havia estado por detrás do medíocre "Il figlio di Django" (ler resenha), que apesar de tudo, aqui sobe ligeiramente a fasquia, conseguindo montar um filme quase sempre divertido e acima de tudo despretensioso. E teria feito melhor se não tivesse resolvido arruinar os momentos finais do filme com uma longa e grosseira cena em que Hilton e a bela Sandra Milo devoram primitivamente uns nacos de carne assados sob grandes close-ups à comida mastigada. Horrendo e inexplicável!

O filme é nos dias que correm pérola rara, mas consegui deitar-lhe a mão através de uma transferência para DivX de uma velha cassete VHS da versão Norte-Americana (Dead for a Dollar), que um anónimo fã do género fez o favor de disponibilizar num website de má fama. A qualidade de imagem é no mínimo miserável, sendo em determinados momentos quase imperceptível. Talvez um dia surja por aí uma edição DVD que permita uma apreciação mais séria. Pelo sim, pelo não, espero… sentado!
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