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13/04/2015

Posters | E poi lo chiamarono il Magnifico (1972)

E Agora Chamam-lhe Magnífico (Portugal) | ...E Agora Me Chamam 'O Magnífico' (Brasil)

11/02/2014

Ciakmull - L'uomo della vendetta (1970 / Realizador: Enzo Barboni)

Depois de fazer carreira enquanto responsável de fotografia, Enzo Barboni lançou-se por conta própria neste “Ciakmull - L'uomo della vendetta”. Um western-spaghetti, está claro! Barboni tinha já por esses tempos uma ideia distinta do tipo de western que queria rodar, mas tratando-se este de um projecto adjudicado por Manolo Bolognini não pôde fazer muitas ondas (reza a história Bolognini até já havia despedido Ferdinando Baldi das funções de realizador). Com tal clima não é de admirar que Barboni não tenha conseguiu embutir o seu cunho pessoal no filme, firmando um western muito distante da paródia desmiolada que o notabilizariam. Não obstante, a música ritmada e engraçadinha do recém finado Riz Ortolani já parecia fazer a ponte para os dois mundos. 


Na acção do filme acompanhamos as peripécias de um grupo de pistoleiros não muito diferentes daqueles que vimos por exemplo no mais conceituado “Oggi a me... domani a te!”, filme com o qual comunga também de uma certa atmosfera outonal. Ora, um grupo de bandidos incendia um asilo como manobra diversão que lhes permitirá distrair os guardas de um carregamento de ouro acabadinho de chegar à cidade. Alguns dos prisoneiros do asilo safam-se do «barbecue» e esgueiram-se do local. É aí que um dos gatunos dá de caras com um dos fugitivos do asilo, que reconhece e chama pelo nome: “Ciakmull”! 


Desconhecedor do próprio nome o evadido fica meio atarantado pelo encontro. Percebemos então que Ciakmull sofre de amnésia, um lugar comum nos papeis encabeçados por Leonard Mann, se nos recordarmos de “Il pistolero dell'Ave Maria”. Em busca do seu passado, ele e os seus companheiros são levados até Osaka onde se depararão com uma cidade subjugada por duas famílias rivais. Aproveitando o facto de que Ciakmull nada recorda do seu passado, os Udo fazem-se passar por seus familiares atiçando o amnésico contra o seu verdadeiro pai, Caldwel. Felizmente para ele, o seu comparsa Hondo (George Eastman) detecta o cheiro a esturro e investiga a situação, evitando a tragédia. Irado com o sucedido Ciakmull põem a cidade a ferro e fogo.


Não se tratando de um western soberbo, não admira que tenha feito uma carreira modesta nas bilheteiras europeias, julgo possuir um ou outro motivo de interesse. Desde logo o elenco, liderado por Leonard Mann, George Eastman, Peter Martell e Woody Strode; entre outros suspeitos do costume. A história do filme é creditado a Franco Rossetti (Django, El Desperado) mas parece que a coisa não estava ao jeito pretendido e foi o próprio George Eastman (aka Luca Montefiori) que se agarrou à papelada e rescreveu parte do material. Não será fácil saber hoje qual a extensão da participação de Montefiori no argumento final do filme mas a verdade é que progressivamente o actor tornar-se-ia num reconhecido argumentista, tendo escrito por exemplo o western crepuscular “Keoma” e o infame horror canibalista de “Anthropophagus”.


Mais alguns lobbys do país das salsichas:



Filme completo:

20/09/2011

Continuavano a chiamarlo Trinità (1971 / Realizador: Enzo Barboni)


Qual é a primeira coisa que nos vem à memória quando falamos de Mario Girotti / Terence Hill e Carlo Pedersoli / Bud Spencer? Cadáveres e muito sangue? Não! Violência extrema, sadismo e umas pitadas de sexo? Nem pensar! A especialidade destes dois atores italianos é a comédia, recheada de pancadaria, acrobacias, humor simples e algumas patetices.

Os westerns de Giuseppe Colizzi já davam sinais de mudança. Enzo Barboni assumiu a rutura de forma clara e resgatou a dupla de protagonistas para o seu filme. Após o grande êxito de “Trinitá, cowboy insolente”, algo que foi contra todas as expetativas, as pessoas queriam voltar a ver Trinitá e Bambino a aviar porrada nos seus adversários. O produtor Italo Zingarelli e o realizador Enzo Barboni (E.B. Clucher) fizeram-lhes a vontade. Não demorou muito a dar frutos: Foi um enorme sucesso de bilheteira na Europa, maior que o filme anterior. Mas foi também o canto do cisne porque a loucura dos westerns-spaghetti tinha acabado!


Concordo com Terence Hill, que muitos anos mais tarde afirmou que o grande mérito dos “Trinitás” foi o momento em que surgiram. O público queria algo diferente porque a enorme quantidade de westerns violentos com heróis sedentos de vingança tornou-se banal e pouco apelativo. Este filme desperta em mim sentimentos contraditórios: Pessoalmente, acho que os elementos cómicos arruínam o western. Por outro lado, divirto-me a ver Terence Hill a manejar o seu colt e Bud Spencer a “varrer” toda a gente com murros no toutiço e chapadas nas trombas. Deve ser porque a minha geração cresceu a ver em VHS os filmes desta dupla. Na minha opinião, enquanto comédia este filme alcança os objetivos. Enquanto western é uma desilusão.


A “inocente” junção de Hill e Spencer acabou por desencadear um fenómeno cinematográfico, dando origem a uma das mais carismáticas duplas da História do Cinema, uma parceria que iria durar até finais dos anos 80. Pelo caminho, ao longo de todos estes anos, muitas cenas de pancadaria cómica aconteceram, para gáudio das crianças e adolescentes de então. Aposto que Terence Hill e Bud Spencer ficaram com as mãos a arder após tantos anos a distribuir castanhas ao pessoal!


Mais algumas imagens do filme:



Trailer:

14/03/2010

Lo chiamavano Trinità... (1970 / Realizador: Enzo Barboni)


Sabata, o famoso circus-western de Gianfranco Parolini safou-se bem nas bilheteiras, La collina degli stivali idem e a coisa começou a tomar outras proporções. Enzo Barboni, o talentoso homem responsável pela direcção fotográfica de alguns dos filmes de Sergio Corbucci (Django, I crudeli, etc.), que até já tinha alcançado a realização de um filme (interessante mas não propriamente rentável), conseguia agora convencer uma produtora a lançar o seu grande - e supostamente antigo – projecto. O que lhe permitiria sair definitivamente de detrás das câmaras para assumir os comandos da “locomotiva”. Ao que parece Peter Martell e George Eastman, as estrelas dessa sua estreia enquanto realizador - Ciakmull - L'uomo della vendetta - estavam escalados para assumir o protagonismo de “Trinitá, Cowboy Insolente” (mais um brilhante título nacional). No entanto foi a dupla Terence Hill/Bud Spencer, já antes testada com sucesso na trilogia de Giuseppe Colizzi (Dio perdona... Io no!, I quattro dell'Ave Maria , La collina degli stivali), que ficou com os papeis de Trinitá e Bambino, respectivamente.


A história do filme gira em torno destes dois delinquentes que a páginas tantas acabam por salvar os indefesos agricultores locais da expropriação levada a cabo pelo corrupto vilão local. Nada de inovador portanto, dezenas de westerns americanos já haviam sido feitos com base neste modelo, mas Barboni renova a fórmula com o seu cunho pessoal. Os seus heróis são no mínimo improváveis: sujos, ladrões e devoradores de feijões! Na verdade, bastante muda com a batuta de Barboni: a violência gratuita e injustificada até agora habitual no género é reduzida a mínimos. No inicio do filme ainda vemos Trinitá e Bambino a despachar uns quantos, mas com o decorrer da acção as armas são despromovidas a simples acessórios e é ao punho e chapada que a patifaria acaba por ser enfrentada. O filme foi um sucesso, dentro do universo western-spaghetti registaria mesmo o maior encaixe financeiro do ano, dobrando os valores do segundo filme mais visto, Vamos a matar, compañeros (Corbucci), e deixando a léguas as sequelas das franchisings «Sabata» e «Sartana». A cena em que Terence Hill surge deitado numa esteira puxada pelo seu cavalo tornar-se-ia icónica, e uma sequela seria imediatamente forjada. ...continuavano a chiamarlo Trinità (1971) faria ainda maior furor nos cinemas e com este novo fôlego o spaghetti à italiana mudaria definitivamente de direcção.


Coincidência ou não, um dos maiores videoclubes da minha cidade natal, Portalegre (Alentejo, Portugal), chamava-se «Trinitá», foi lá que aluguei este filme por diversas vezes. Estas, somadas às inúmeras vezes em que o filme foi transmitido na televisão nacional, não me tiraram nunca a vontade de sorrir nas por vezes intermináveis sequências cómicas de pancadaria à Barboni. Mas com o passar dos anos olho agora de maneira diferente para “Trinitá, Cowboy Insolente”, analiticamente falando entendo agora o efeito trágico que a entrada em cena deste tipo de película causou. Ainda assim, ao contrário de muitos que têm acusado Enzo Barboni como responsável pela morte do western-spaghetti enquanto género, não consigo responsabiliza-lo pelo mal feito. Afinal de contas, em finais de 60 o género já mostrava uma grande saturação, a velha premissa «homem procura vingança» já havia sido explorada amplamente e o público do género ambicionaria agora alguma invenção. E foi isso que Barboni fez, faça-se-lhe por isso a merecida justiça. Com o modelo instituído no franchising «Trinitá» o cinema italiano ganhou mais um balão de oxigénio, o que inevitavelmente serviria apenas para que esses doidos italianos copiassem agora esta nova fórmula até à sua completa exaustão, e esses sim condenando o spaghetti-western à morte! Gente outrora conhecida pelas suas obras pessimistas e violentas, como Enzo G. Castellari ou Segio Corbucci tinham agora de adaptar o seu cinema a esta nova onda, produzindo películas a roçar a mediocridade, títulos como Tedeum ou Il bianco, il giallo, il nero, que ficaram para a posterioridade como notas negativas nos seus currículos.

“Trinitá, Cowboy Insolente” goza ainda hoje em dia de um estatuto especial sendo relativamente fácil encontrá-lo à venda. Em Portugal o filme gozou de uma edição em formato DVD pela mão da Prisvideo, a única editora nacional que ainda parece interessada em lançar filmes europeus de culto. O DVD goza de uma correcta qualidade de imagem, em widescreen 16:9, com áudio em Inglês e legendas opcionais em Português. Para além do filme, conte-se ainda com alguns extras, de onde se destaca entrevistas como a dupla Hill/Spencer. Ainda hoje em dia uma excelente opção para ver em família!

Nota:

Artigo originalmente publicado em The Spaghetti Western Database como parte integrante do destaque mensal de Março 2010: “Terence Hill & Bud Spencer – Special”. Link directo: http://www.spaghetti-western.net/index.php/Trinit%C3%A1_-_Cowboy_insolente


Trailer

17/11/2009

Preparati la bara! (1967 / Realizador: Ferdinando Baldi)


Tal o sucesso de Django (1966), surgiram quase imediatamente dezenas de filmes que se apoiaram no seu nome como chamariz para um público mais alargado. Alguns desses filmes seguiram de uma forma mais ou menos coerente as características da personagem mostrada ao mundo por Sergio Corbucci, outros (maioria) limitaram-se a adicionar o nome Django ao seu título, mas todos eles contribuíram para o culto de uma das mais místicas personagens do spaghetti-western. É por isso justo que prestemos a merecida homenagem ao sombrio pistoleiro aqui no Por um punhado de euros, expondo alguns desses filmes nos artigos que aqui se publicarão nos próximos tempos. Não deixando de ser verdade que em grande parte dos filmes de que me refiro, a utilização da marca «Django», funciona sobretudo como uma abusiva manobra de marketing, outros há que até poderemos considerar como sequelas ditas oficiais. 

A vilanagem amassou o nosso herói. Má ideia!

É nesta franja que surge Preparati la bara! - em Portugal lançado como Viva Django - que cronologicamente terá de ser considerada uma prequela, já que a sua acção decorre antes da guerra da secessão. Num período em que conhecemos um Django bastante diferente do que Corbucci nos apresentou, aqui Django ainda sorri e desfruta da feliz vida de casado. Isto por breves momentos, já que a sua vida está prestes a levar uma grande volta.

Django enterra o passado.

Django surge aqui como escolta de carregamentos de ouro para o depósito federal, um desses carregamentos acaba no entanto por ser atacado pelo bandido Lucas (George Eastman) e seus homens, a trama é no entanto maior já que o dito Lucas age em nome de David Barry (Horst Frank) - amigo de Django e curiosamente seu patrão - que pretende utilizar esse ouro como financiamento para as suas aspirações políticas. Escapando à morte mas vendo a sua mulher morrer em frente aos seus olhos, Django promete vingança. Depois de fisicamente recuperado, o pistoleiro regressa ao povoado, onde se faz passar por carrasco. Aí supostamente fará cumprir as injustas sentenças lidas a habitantes locais, que um sistema judicial corrupto condenou injustamente apenas por se terem oposto ao bando de Lucas (testa de ferro de Barry).

Entrevista de emprego para o clã dos enforcados.

O plano de Django consiste no entanto em libertar estes indivíduos de uma morte certa, fazendo dos enforcamentos uma farsa, provendo-lhes com a devida antecedência um engenhoso casaco que suportará o seu peso na forca. Com este grupo de supostos enforcados, Django cria o seu exército privado que utilizará na execução da sua vingança, atormentando a vida dos “sócios” de Lucas com a reaparição destes supostos fantasmas. A edição espanhola de Preparati la bara! foi justamente intitulada de El clan de los ahorcados, que é porventura o mais esclarecedor dos títulos que o filme recebeu. Como seria de esperar a ganância destes “enforcados” levam à traição a Django, baralhando um pouco mais o enredo do filme, mas no essencial nunca se afastando em demasia da fórmula de Yojimbo (1961) - também seguida no filme de Corbucci.

George Eastman, o maior do elenco.

Ao que parece a ideia original do produtor Manolo Bolognini e da BRC Produzione Film seria colocar novamente Franco Nero no papel de Django, com o qual haviam assinado contrato para três filmes, no entanto Nero agora elevado ao grau de estrela escapuliu-se para a mais apetecível cena de Hollywood, onde interpretaria Lancelot no oscarizado Camelot (1967). Sem o «Django» original disponível, Ferdinando Baldi (Texas, addio, Il pistolero dell'Ave Maria, Blindman) e a produtora activaram um plano de recurso, entregando o papel a Terence Hill, à data ainda relativamente desconhecido. Excelente escolha, dadas as grandes parecenças físicas entre os dois actores. Vestido de negro, Hill parece realmente uma sósia de Franco Nero. Existem cenas em que dificilmente são distinguíveis, ver para crer! Aqueles que reconhecem Terence Hill, sobretudo pelos seus papéis cómicos em Lo chiamavano Trinità... ou ...continuavano a chiamarlo Trinità, poderão criar uma falsa expectativa sobre este filme. Alerto por isso desde já para que não se deixem enganar por algum do marketing utilizado para divulgação do mesmo. Isto não é um spaghetti cómico ao bom estilo de Trinitá, aqui os sorrisos idiotas na cara do Terence Hill contam-se pelos dedos de uma mão e a contagem de cadáveres é larga (veja-se a memorável chacina da cena final).

Chumbo para todos!

Por conter todos os elementos que considero essenciais num bom western-spaghetti, Preparati la bara! é um daqueles filmes pelo qual tenho um carinho especial. Não sendo ainda assim uma maravilha em termos cinematográficos, há que reconhecer a Baldi e a Franco Rossetti a capacidade de conceber um filme que não choca com os pressupostos anteriormente apresentados pela personagem. Pessoalmente considero mesmo este «Django» a melhor adaptação que o cinema ítalo-espanhol pariu. Indumentária negra, caixão com metralhadora oculta, mote vingativo – está tudo lá! Destaco também a poderosa banda sonora dos irmãos Reverberi, que incrivelmente viram não há muito tempo, um dos seus temas ser samplado pelo DJ Danger Mouse, no seu projecto Gnarls Barkley. Fiquem por isso sabendo (caso não o saibam já) que o muito orelhudo “Crazy”, grande êxito do verão de 2006, foi inspirado em bandas sonoras de filmes western-spaghetti, em particular por esta.

Um filme escaldante!

Tal como Django, também este Preparati la bara! tem edição DVD na “Colección spaghetti western” da espanhola Filmax. É esta edição que tenho em casa e que recomendo apenas aqueles que não desgostem do formato 4:3, e que entendam minimamente a língua espanhola. Existe também no mercado uma edição brasileira da Ocean Pictures cuja qualidade som/imagem não posso infelizmente opinar.

04/11/2009

Django (1966 / Realizador: Sergio Corbucci)


Quando se aborda o tema westerns-spaghetti, o primeiro nome que vem à memória da esmagadora maioria é “Sergio Leone”. É com inteira justiça que isso acontece, já que foi o grande mestre do género e realizou obras marcantes. Contudo, Sergio Corbucci segue de muito perto o seu compatriota, se tivermos em conta as suas duas obras-primas: “O grande silêncio” e “Django”. Concentremo-nos neste último. O ano é 1966 e várias dezenas de westerns-spaghetti surgiram no grande ecrã até à data. Alguns desses filmes são maus, uns são medianos, outros são agradáveis, outros muito interessantes mas quase todos ainda bebem inspiração da abundante fonte clássica americana. Eis então que surge “Django”, uma obra genial que consegue em alguns aspectos ir ainda mais longe que “Por um punhado de dólares”. “Django” define perfeitamente o que é o western-spaghetti: violência, crueldade, sadismo, vingança, ambição, abundância de símbolos religiosos (caixão, cruzes, cemitérios) e, naturalmente, muitos tiroteios e respectivos cadáveres. As paisagens lúgubres, a cidade de aspecto desolador, enlameado e fantasmagórico, as cores escuras falam mais alto e são o ponto de partida para um marco da história do cinema. O sucesso foi de tal forma gigantesco que deu origem a dezenas de outros filmes com o nome do protagonista mas nenhum deles chegou sequer aos seus calcanhares (o nome tem a ver com um músico de jazz europeu chamado Django Reinhardt).


O enredo é simples: Django chega a uma localidade praticamente deserta a arrastar um caixão e envolve-se no meio de um conflito entre mexicanos revolucionários liderados pelo General Hugo e os fanáticos sulistas da Ku Klux Klan do Major Jackson. O objectivo é enriquecer às custas dos mexicanos e vingar-se de Jackson, o culpado pela morte da sua mulher. Após muita violência e um elevado número de mortos, Django defronta o seu inimigo mortal no cemitério. Dito desta forma até parece um filme perfeitamente banal mas a maneira como este projecto foi concebido (cenários, armas e figurinos são da responsabilidade de Carlo Simi) foi magnífica. A fotografia de Enzo Barboni e a arrepiante música do argentino Luís Enriquez Bacalov são excelentes. O leque de actores, liderados por Franco Nero, que passou de desconhecido a super vedeta, é composto por Loredana Nusciak, José Bodalo, Eduardo Fajardo e Angel Alvarez.


O sucesso desta obra-prima foi proporcional à polémica. A censura inglesa, por exemplo, baniu o filme até início dos anos 90 devido à excessiva violência (cortar uma orelha, esmagar mãos, chicotear mulheres) mas contra todos esses atritos “Django” resistiu e é hoje um filme de culto e obrigatório a todos os fãs do género. Hoje em dia é muito fácil comprar edições DVD deste filme em qualquer loja on-line excepto em Portugal, que é uma pobreza franciscana. Eu optei pela edição espanhola que tem boa qualidade de som e imagem (1.85:1). Não existem filmes perfeitos mas, na minha opinião, “Django” roça a perfeição.