Mostrar mensagens com a etiqueta Claudio Undari. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Claudio Undari. Mostrar todas as mensagens

03/06/2019

Il suo nome gridava vendetta (1968 / Realizador: Mario Caiano)

Os atores Anthony Steffen, William Berger, Robert Hundar, Evelyn Stewart, Mario Brega e Jean Louis unem forças neste western de Mario Caiano. O realizador, juntamente com Tito Carpi, alinhavou e escreveu o argumento. Enzo Barboni assinou o seu nome como diretor de fotografia. Este leque de profissionais, em conjunto, deu origem a um western bastante decente, longe da genialidade de uns e longe da palhaçada de outros. Como diriam alguns: “não é bom, nem mau… antes pelo contrário”! Davy Flanagan, ex-militar ianque, tem a cabeça a prémio. É acusado de traição e deserção. Após cinco anos de ausência, Flanagan regressa a Dixon, a cidade onde sempre viveu.

O taciturno Steffen!

A vizinhança é pouco amistosa. O ambiente naquela cidade é de cortar à faca. Mas Flanagan não percebe o porquê de tanta animosidade. Pior: o facto de ter sido baleado na cabeça durante a Guerra Civil fez com que perdesse a memória.Lisa, a sua ex-mulher, casou-se com um tipo chamado Clay Hackett. O desgosto de Lisa é tão grande que passa os dias a encher as trombas de bebida. O juiz Sam Kellog é o único que o quer ajudar.

O sádico Berger!

Aos poucos, a memória torna-se menos turva. Mas à medida que Davy Flanagan maneja o seu revólver com mestria, a sua memória vai-se tornando mais clara e aí é que haverá tiros e batatada que até ferve! E ferve de tal maneira que, no final, o vilão dará um belo mergulho no bebedouro dos cavalos para arrefecer as suas malévolas intenções.É um mergulho digno dos melhores que já vimos, semelhante aos mergulhos do pessoal maluco que se atirava em grande estilo do alto da 3ª prancha na Piscina Municipal de Portalegre. Aqueles que viveram esses tempos nesta cidade do Alto Alentejo sabem do que eu estou a falar!

14/02/2017

El sabor de la venganza (1963 / Realizador: Joaquín Luis Romero Marchent)

Com um título como este, não é preciso ter bola de cristal para adivinhar o que o futuro nos reserva, vingança, pois claro! Três irmãos assistem ao assassinato do seu pai às mãos de quatro foragidos. Os rapazes fazem-se homens mas a sede de vingança constantemente atiçada pela sua mãe, consome-os. A vingança pode ter vários sabores, Jeff (Richard Harrison) tenciona encontrar os bandidos que escaparam e levá-los à justiça, os outros dois preferem a simplicidade das leis do povão, justiça pelas próprias mãos. Tais desvios de identidade provocam grandes quezílias internas, que progressivamente afastam os irmãos. 

A gota de água dá-se quando uns bandidos lhes roubam algumas cabeças de gado. Os rancheiros interceptam facilmente os gatunos mas não lhe dão hipóteses de serem levados perantes os homens da lei, são antes selvaticamente mortos por Chris (Robert Hundar), que não está para aturar merdas. Jeff decide então abandonar o rancho para se tornar agente da lei. Na mesmíssima noite, Chris, embriagasse e acaba por abater um homem indefeso, não tendo outro remédio senão pôr-se na alheta. Separados, os irmãos seguirão diferentes pistas, atingindo eventualmente os mesmos resultados e o reencontro torna-se inevitável. A vingança será saboreada mas o seu gosto é amargo.

 Richard Harrison com cara de poucos amigos.

Esta produção ítalo-espanhola surge numa fase precoce do género, pelo que se entende as vénias feitas aos westerns americanos, cumprindo uma porrada daqueles clichés enfadonhos da corrente mais clássica. Muitas cenas de pancadaria, cowboys cantores, rodeos e afins. Já tenho dito, e por isso colecciono alguns inimigos, que esta é uma área onde normalmente não me misturo, mas admito que de quando a quando me cruzo com alguns exemplares bastantes eficazes, e deste gostei razoavelmente. 

Não faltaria trabalho a Fernando Sancho nos anos que se seguiriam.

Joaquín Luis Romero Marchent, hoje em dia notável pelo horror-western “Condenados a vivir” foi um dos primeiros a realizar westerns na europa (estreou-se com “El Coyote”, de 1954), aqui realiza uma história que escrita a meias com o irmão, e também ele realizador, Rafael Romero Marchent. A estrela da companhia é o americano Richard Harrison, que não abraçou à primeira esta ideia de fazer westerns em Espanha, voltando par as sandálias de gladiador. Só depois de Leone acender o rastilho é que mudaria de ideias, aí sim, ficaria de pedra e cal até que a coisa deu o pifo. Já Joaquín Luis Romero Marchent não demoraria muito a meter-se noutra, reunindo grande parte deste cast e equipa técnica, realiza “Antes llega la muerte”, outro a não perder!

30/08/2016

Fora de tópico | Lançamento "Die unerbittlichen Vier (I quattro inesorabili)"


Muitos não saberão mas Adam West, o Batman dos anos sessenta , também fez uma perninha no western europeu. O filme é este "I quattro inesorabili", que agora volta a estar disponível em DVD via Wild Coyote. Audio em inglês e alemão. Nas lojas a 30 de Setembro.

23/09/2015

Filme completo | Il mio nome è Shangai Joe (1973)



Shanghai Joe é um emigrante chinês em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos da América. Mas chegado ao destino encontrará tudo menos calorosas recepções. Aproveitem e vejam ou revejam "Il mio nome è Shangai Joe", um dos mais infames filmes de Mario Caiano, que infelizmente nos abandonou por estes dias. RIP.

25/05/2014

Fora de tópico | Lançamento "Gunfight At High Noon" & "His Name is King"



O catálogo da Wild East contará brevemente com mais algumas adições. O número cinquenta deve chegar ás lojas em Junho e trará dois títulos que interessarão aos mais fanáticos do western europeu. O primeiro é "Lo chiamavano King", um western carregado de acção de que já falámos dele por aqui há uns meses valentes. O segundo é "El sabor de la venganza", um western madrugador de Joaquín Luis Romero Marchent, um titulo que provavelmente deixará um amargo de boca aos menos aficionados da vertente clássica americana mas que julgamos valer a pena descobrir. Nos extras contém ainda com entrevista a Richard Harrison.

16/04/2012

Condenados a vivir (1971 / Realizador: Joaquín Luis Romero Marchent)

Classifico este filme com uma só palavra: brutalidade! É brutalidade em 90 minutos de filme. Começa, continua e termina com situações de brutalidade extrema. O realizador Marchent conseguiu fazer um retrato gélido de um mundo cruel, inóspito e violento. 

O sargento Brown, acompanhado pela sua filha, lidera uma escolta de prisioneiros para uma penitenciária. A viagem tem forçosamente de passar pelas perigosas montanhas geladas da região. O grupo sofre uma emboscada, alguns guardas morrem e os agressores fogem. Mas agora já não têm carroça nem cavalos, o que dá início a uma longa e penosa marcha pela neve. Os sete detidos estão acorrentados uns aos outros e não têm hipótese de escapar. O sargento Brown sabe que um desses homens é o responsável pelo homicídio da sua mulher mas não sabe qual.  


Ao longo da viagem, essa corja de jagunços, cada um mais bruto que o outro, vai revelar comportamentos primitivos animalescos com o intuito de sobreviver e ao mesmo tempo garantir a liberdade. Mas um facto importante vai alterar muitas coisas: as pesadas correntes que carregam são feitas de ouro! O dilema agora é: abandonam as correntes e garantem a salvação ou ficam com o ouro mas arriscam-se a morrer no intenso nevão!  

Este filme tem um estilo muito diferente da maioria dos westerns europeus. Além das bonitas paisagens geladas há também muito gore, tripas, homicídios, sadismo, ódio e violações. Todo o filme transmite desespero, pessimismo, frio e basta olhar para os intervenientes para termos a sensação de sujidade e desprezo por autênticos animais irracionais que ao mínimo deslize atacam como lobos esfomeados!


Muitas vezes rotulado de “o western europeu mais violento de sempre”, conclui-se que não há meio-termo neste filme… é tudo à bruta!

06/09/2010

California (1977 / Realizador: Michele Lupo)


Nesta fase do cinema italiano, o ponto de saturação já tinha sido mais do que ultrapassado, no que toca às produções western. Este tipo de filmes surgia a conta-gotas porque os estúdios e os produtores já estavam virados para outros géneros mais rentáveis, nomeadamente os policiais, os “giallo” e o erotismo. Mesmo assim, dentro desta atmosfera crepuscular, surge este muito interessante western protagonizado por Giuliano Gemma (Il ritorno di Ringo, I giorni dell'ira), à data o astro maior dos actores italianos. Esta época revelava uma nova face do western europeu. Já não se assistia a cenas de mortes em massa ou tiroteios alucinantes! Agora tínhamos ritmos mais contemplativos, momentos mais íntimos e expressava-se abertamente o estado de alma dos personagens.


A Guerra Civil Americana terminou e os soldados derrotados têm a difícil tarefa de regressar a casa, submetendo-se às novas leis da União. Entre eles está Michael Random “Califórnia” (Giuliano Gemma), um tipo fechado e misterioso, o que não o impede que fazer amizade com o jovem soldado sulista Willy Preston (Miguel Bosé). Durante a viagem de regresso, Willy é barbaramente assassinado após uma estúpida rixa! “Califórnia” dirige-se à casa da família do seu amigo para informar o triste fim que teve! A angustiada família Preston acolhe-o, para se dedicar a uma nova vida de paz, tranquilidade e amor. Mas os negócios sujos do caçador de recompensas Rope Whitaker (Raimund Harmstorf) vão interferir na vida desta pacata família, culminando no rapto da filha do casal Preston! O choque é demasiado grande e “Califórnia” sabe que a única forma de resgatar a jovem é recorrer aos meios que ele tão bem conhece e que tentou evitar: a violência pura e dura!


O compositor Gianni Ferrio oferece-nos ao longo de todo o filme uma partitura musical muito sentimental e de grande talento. Aqui, o termo “crepuscular” não significa falta de qualidade. Significa sim uma outra maneira de ver a mesma coisa. Conclui-se portanto que Michele Lupo assinou um belo western que foge substancialmente ao habitual do subgénero. Foi um risco mas foi bem sucedido!


Trailer:

16/05/2010

Il mio nome è Shangai Joe (1972 / Realizador: Mario Caiano)


Ainda não fez muito tempo que recebi via EUA uma das edições “Spaghetti Westerns” da Mill Creek Entertainment. Esta editora tal como a infame Videoasia têm primado pelas suas económicas edições compilatórias, em grande parte preenchidas por alguns dos piores euro-westerns jamais filmados, coisas que só o mais ávido coleccionista quereria ter nas suas prateleiras. Ora, quando se paga menos de 10 euros por uma caixa com 5 DVDs preenchidos com 20 filmes, qualidade de imagem e som é algo que não se pode exigir. As versões aqui incluídas são claramente transferências manhosas de antigas cassetes VHS, mas ainda assim são um belo meio para quem quer conhecer “tesourinhos deprimentes” como este “Meu nome é Shangai Joe”!

Sozinho contra o mundo.

O filme foi lançado em 1972, ano em que a popularidade dos westerns de produção europeia decrescia a passos largos. As direcções apontadas pelo bem sucedido Trinitá, Cowboy Insolente de Enzo Barboni pareciam ser a salvação para as bilheteiras, mas houve quem apostasse noutra direcção, cruzando o mundo das artes-marcais – então popularizado pelos filmes de Bruce Lee – com o western-spaghetti. Mario Caiano, nome responsável por um dos primeiros westerns rodados em Almeria (Le pistole non discutono) seria também o primeiro a realizar um “kung-fu spaghetti”! A acção do filme gravita em torno de Shanghai Joe (Chen Lee), um imigrante chinês que chega ao oeste selvagem em busca de melhor vida. Já em São Francisco, Joe recusa trabalho numa lavandaria e compra bilhete para o Texas, onde se deparará com o racismo, escravatura e demais injustiças sociais da época. Obrigado a viajar junto às bagagens da diligência e abandonado num inóspito posto de paragem, o nosso herói é imediatamente troçado por um bando de saloios racistas locais. Não se conseguindo manter indiferente às provocações, distribui as primeiras doses de cacetada e segue caminho.

Este chinês está em apuros.

Joe procura então trabalho como vaqueiro, mas mais uma vez o preconceito racista leva-o a desancar mais uns quantos coirões. Tais feitos dão-lhe reputação na região e acaba por ser contratado pelos lacaios de Spencer (Piero Lulli), mas afinal o emprego não consistiria em conduzir gado, mas sim em transportar mão-de-obra escrava desde o México até às terras de Spencer. No momento em que Joe se começa a aperceber do que se passa, surge o alarme da presença do exército mexicano e os bandidos apressam-se em eliminar todas as testemunhas. Tomando parte pelos mexicanos, Joe ganha um lugar especial na lista negra de Spencer, que o manda capturar.

Klaus Kinski ensaia mudanças de visual.

Numa das melhores cenas do filme, Shanghai Joe é colocado numa arena, em que mesmo amarrado terá de enfrentar um magnífico touro bravo! As habilidades marciais permitem-lhe pôr a besta em KO e sequestrar Spencer, que deixará algures no deserto. Spencer que tem o xerife local no bolso, fica impune às denúncias feitas por Joe e prontamente recruta quatro bandidos do piorio para por termo à vida do chinês: Pedro 'the Cannibal' (Claudio Undari), Burying Sam (Gordon Mitchell), Tricky (Giacomo Rossi-Stuart) e Scalper Jack (Klaus Kinski). Todos eles vão sendo eliminados à medida que entram em cena, e os associados de Spencer persuadem-no na contratação de um outro mestre das artes-marciais.

Se não o podes vencer de forma honrada...

"Il mio nome è Shanghai Joe" (titulo original italiano) não é um bom filme, muito longe disso, respira no entanto “exploitation” por todos os poros o que lhe confere algum interesse mediático. Como qualquer filme digno de ser colocado nesse pútrido saco, prima pela violência exagerada. Aqui vale mesmo tudo, até arrancar olhos! As cenas de pancadaria parecem hoje bastante datadas, mas agradarão pela certa aqueles que guardem alguma nostalgia pelos filmes de kung-fu lançados no inicio dos anos 70. O cruzamento entre o western-spaghetti e as artes-marciais não ficaria por aqui, uma vaga de filmes medíocres se seguiram. Daqueles que tive a oportunidade de assistir, este será o mais gore de todos. Para estômagos fortes!

01/03/2010

Ehi amico... c'è Sabata, hai chiuso! (1969 / Realizador: Gianfranco Parolini)

Eis o melhor “circus-western” (termo designado por Alex Cox) de Gianfranco Parolini, que costuma assinar sob o pseudónimo de Frank Kramer. Parolini foi o criador de duas personagens emblemáticas do universo dos westerns-spaghetti: Sartana e Sabata. Sinceramente, acho que não existem grandes diferenças entre ambos porque a atitude, a destreza no manejo das armas, as engenhocas e até o guarda-roupa parece ser o mesmo. Mas, pessoalmente, há algo que faz toda a diferença: Lee Van Cleef!

O grande Lee Van Cleef encarna o personagem Sabata.

Embora respeite e admire o trabalho de Gianni Garko como Sartana, só a presença de Van Cleef faz com que o filme valha a pena! Este filme representa provavelmente a consagração deste actor americano nos westerns italianos. Deu-se a conhecer em Por mais alguns dólares e desde então foi sempre a aviar! Descobri este western em inícios dos anos 90, quando a televisão generalista em Portugal ainda era alguma coisa de jeito e exibia bons filmes a horas decentes. Hoje, como toda a gente sabe, essa mesma televisão é um atestado de estupidez e piroseira!

A mortífera Derringer de Sabata.

Quanto ao filme, além do protagonista e da acção alucinante, houve algo mais que me marcou: um certo indivíduo que vestia umas calças com guizos, tocava banjo e esse mesmo instrumento musical escondia uma espingarda! Tudo isso era surpreendente para mim porque a minha infância tinha sido marcada essencialmente pelos westerns clássicos americanos à John Wayne. No entanto, nunca mais tive oportunidade de rever o filme, nem mesmo em VHS, e durante 15 anos caiu no esquecimento.

O piolhoso Garrincha.

Há alguns anos atrás, numa pesquisa na Internet, voltei a reencontrar Sabata e então pensei: “Tenho de ter este filme em DVD”! E assim foi! O enredo tem como pontapé de saída um assalto ao banco da cidade de Daugherty e Sabata envolve-se no assunto, distribuindo balázios aos seus adversários com a ajuda do mexicano Garrincha e do seu amigo acrobata. Enquanto isso surge Banjo, um vagabundo ganancioso que jogará dos dois lados da barricada.

Banjo e o seu precioso instrumento musical.

“Sabata” é um western repleto de acção, explosões, tiroteios e, claro está, acrobacias (imagem de marca dos filmes de Parolini). O elenco é liderado por Lee Van Cleef e apoiado por alguns suspeitos do costume nestas andanças: William Berger, Pedro Sanchez, Franco Ressell, Gianni Rizzo, Linda Veras e Robert Hundar. A cidade de Daugherty é o bem conhecido Elios Studio, na Cinecittà, Roma, mas muitas cenas foram filmadas no lindíssimo deserto espanhol de Almería.

Linda Veras bem boa!

Em suma, este western é o ideal para aqueles que querem acção do princípio ao fim sempre num ritmo rápido. Para mim, como sou um grande fã de Lee Van Cleef, o DVD já cá canta! Comprei a edição da MGM com várias opções áudio, sem legendas em português, sem extras e apresentado no formato widescreen 16:9 em 2.35:1.