
Em 1970, o imenso balão de oxigénio da indústria cinematográfica italiana proporcionado pelos westerns estava a começar o seu ponto de declínio. Os grandes realizadores do género já tinham lançado as suas obras-primas, as fórmulas estavam mais do que gastas, os orçamentos já não eram tão generosos como anteriormente e, deste modo, o inesgotável filão era afinal esgotável! Surgiu uma nova fórmula apadrinhada por Enzo Barboni, Terence Hill e Bud Spencer, dando origem ao western cómico. Após o enorme sucesso dos filmes da dupla “Trinitá e Bambino” choveram várias cópias mal amanhadas para também encaixar mais dinheiro. No entanto,
Demofilo Fidani seguiu um caminho distinto. Este realizador tornou-se especialista em westerns de orçamento muito baixo, quase ridículo e inexistente! Assinava as suas obras sob diversos pseudónimos (neste filme foi Dick Spitfire), recorria essencialmente a duplos mas mesmo assim ainda cativou nomes como Klaus Kinski, Gordon Mitchell ou Ettore Manni.

Este
Chegam Django e Sartana… e é o fim! é claramente uma produção inferior em termos técnicos. Eu próprio tive uma reacção negativa, quando o vi pela primeira vez em formato VHS há mais de 10 anos, porque estava habituado a produções mais cuidadas. Fidani tentou jogar com a junção de duas personagens carismáticas (e em declínio) do western italiano (Django e Sartana) e talvez isso tenha feito com que os seus filmes não tenham caído no esquecimento total. A história do filme não tem nada de novo: A filha de um rico rancheiro é raptada pelos larápios de Burt Keller (
Gordon Mitchell), usando-a como refém para conseguir escapar para o México. Uma grande recompensa é oferecida pela captura dos malfeitores e os caçadores de prémios Django (
Hunt Powers) e Sartana (
Chet Davis) fazem o que lhes compete, vulgo despachar a vilanagem! Na minha opinião, as obras de Demofilo Fidani (
Giù la testa... hombre,
Era Sam Wallash... lo chiamavano 'Così Sia',
Per una bara piena di dollari, etc.) nunca podem ser vistas como material topo de gama mas a intenção nunca foi rivalizar com Leone ou Corbucci. Se o fizesse seria inevitavelmente derrotado. Mas, apesar de tudo, consigo ver alguma magia e humildade neste filme. Eu defendo que os westerns-spaghetti não se resumem única e exclusivamente às obras mais carismáticas e aos orçamentos gordos. Aliás, um fã deve sempre procurar mais informação além da que facilmente lhe é oferecida!

O elenco deste filme é composto por Hunt Powers, Chet Davis, Gordon Mitchell, Ettore Manni, Krista Nell, Simone Blondell e Dennis Colt. A música e a fotografia merecem ser destacados pela positiva. Há edições DVD à venda na Alemanha e na Espanha. Perdi o amor ao dinheiro e comprei a versão espanhola que é simples, agradável e contém o filme no formato 1.85:1. Este western é apenas para pessoal menos exigente ou para quem gosta de produções de série B, como eu. Dir-se-ia que foi uma de muitas tentativas que se fez naquela altura de reacender o entusiasmo pelo sub-género mas, naturalmente, falhou! Quem ficou a ganhar fomos nós porque a obra persiste, independentemente de ser série B, A ou Z.