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15/10/2018

Prega Dio... e scavati la fossa (1968 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Ainda hoje este filme é um aglomerado de interrogações, dúvidas e contradições. Não se sabe se o filme foi realizado por Edoardo Mulargia ou se por Demofilo Fidani. A esposa de Fidani, Mila Vitelli, diz que o marido foi apenas produtor. O protagonista, Robert Woods, diz que foi Fidani quem realizou. Então, em que é que ficamos?! Não há certezas absolutas porque as várias fontes e os diversos depoimentos registados são muito contraditórios. Eu acredito que Mulargia tenha dirigido mas Fidani prova que teve voto na matéria ao incluir alguns dos seus “afilhados” no elenco, nomeadamente Jeff Cameron, Simone Blondell, Cristina Penz e Celso Faria (e até o próprio Fidani fez um “cameo”).

O tema do filme é a época conturbada que se vivia no México do presidente Porfírio Diaz. Após muito tempo exilado nos Estados Unidos, Fernando regressa ao seu querido México. A sua família morreu mas o seu velho amigo Cipriano luta contra o sistema e é procurado pelos “federales”. Fernando quer liberdade e justiça. Cipriano quer continuar de rédea solta, ou seja, matar soldados e andar no gamanço.

O vaidoso Jeff Cameron exibe o cartaz de recompensa.

Don Enrique é o homem mais rico da região. Cipriano planeia raptar-lhe a filha. O melhor momento para isso é quando ela está na marmelada com o namorado. Don Enrique retalia que nem um touro bravo (de cabeça baixa e à bruta) e descarrega a sua fúria nos camponeses mexicanos, que não têm nada a ver com o assunto. Fernando não pode deixar que Cipriano continue a cometer crimes. Está na hora de lhe chegar a roupa ao pelo!

Robert Woods com um vistoso bigode à mexicano!

Os heróis neste tipo de westerns defendem sempre os mais pobres. Ao ver este filme o que me apetece dizer é que a dupla Mulargia / Fidani também foi solidária e apadrinhou um projeto pobre. Mas não… não é um filme disparatado e sem nexo! É apenas uma produção muito pobre.

27/08/2018

Non aspettare Django, spara (1967 / Realizador: Edoardo Mulargia)

E lá vamos nós em mais uma viagem pelo western-spaghetti de Edoardo Mulargia. Desta vez saiu na rifa este “Django Não Espera... Mata”, que incrivelmente passou recentemente na grelha da Fox Movies portuguesa. A história do filme é bastante intrincada, o que facilmente deixa o espectador menos atento a apanhar papéis. Foi o que me aconteceu, graças às birras intermitentes do membro mais novo da família, mas perdi a preguiça e voltei a ver os primeiros quinze minutos para me situar. Então vamos lá, o pai de Django fez um negócio com Don Alvarez, mas este encomenda um servicinho ao escroque Navarro, que já se está a ver, abate o velho e rapina o dinheiro da negociata. Ora para adensar ainda mais a trama, o filho deste último resolve desfalcar o pai e foge com o guito.

Está na hora de tirar a ferrugem a este artefacto.

Paralelamente Django fica a saber da patifaria e regressa a casa, e empunhando o colt do finado pai, promete vingança! Por esta altura é Fred Grey que está com o dinheiro, mas com o cerco que Django monta na cidade não vai ter hipótese de fugir com ele.

Podia ser um qualquer freguês da tasca do Porto da Boga.

Tinha visto este filme há uns anos valentes graças a um DVDr caseiro montado por um tal de Franco Cleef, de quem provavelmente já terão ouvido falar. Era uma versão com boa qualidade de imagem e com áudio inglês, mas felizmente a Fox respeitou o formato que mais vingou em Portugal e apresentou o filme com o áudio italiano. É outra fruta, e aqui o alentejano agradece. 

Ignazio Spalla empresta a sua persona do costume.

O filme não foge à regra da filmografia de Mulargia e facilmente agradará o fã de westerns simples e directos, mas na minha opinião está uns furos abaixo dos seus melhores trabalhos. Muito por culpa de alguns erros grosseiros, que escaparam ao olho do realizador (se estiverem atentos encontrarão postes de electricidade, casas sem telhado, etc.), mas sobretudo pelo desinteresse escarrapachado na cara de Ivan Rassimov. Tivesse isso sido corrigido e teríamos aqui filme…

22/08/2017

Quintana (1969 / Realizador: Vincenzo Musolino)

Depois de se aventurar na realização com a sequela da personagem Cjamango, “Chiedi perdono a Dio... non a me”, Vincenzo Musolino atira-se a um novo personagem. Desta vez presenteia-nos com um herói que tanto deve a Zorro como ao «homem sem nome». Num género repleto de pistoleiros trombudos saúda-se a introdução de um mexicano pé rapado como protagonista. O dito é Quintana, defensor da liberdade e principal oponente dos opressores locais. Qualquer semelhança com as aventuras originais de Zorro não será  coincidência. Mas curiosamente este Quintana prefere o poncho à capa negra, poncho esse que não difere por aí além daquele que Clint Eastwood usa na série dos «dólares», mais uma vez, não terá sido uma coincidência. Aliás, esta não é a única situação paralela com os westerns de Sergio Leone. A páginas tantas um trio de caçadores de recompensas surgem trajados com gabardinas, em tudo idênticas ás dos três assassinos que abrem as hostes em “C'era una volta il West”. Antes disso a câmara vai passeando pelas ventas destes numa tentativa descarada de replicar a mítica introdução do filme de Sergio Leone. O resultado não é brilhante, sublinhe-se.

Um Zorro sem capa nem espada, mas com poncho e revolver.

O enredo é preenchido com pitadas de romance e luta pelos valores da liberdade. O vilão de serviço é Don Juan De Leyra (Aldo Bufi Landi), que subjuga com mão de ferro a população de um vilarejo algures no México. Nos tempos livres Don Juan corteja a belíssima e riquíssima Virginia De Leon (Femi Benussi), que estando enamorada por Manuel (Celso Faria) está-se nas tintas para ele. O manhoso regente usa então o seu poder e influência para mandar prender o prometido da cachopa, Manuel, chantageando-a então para que aceite casar com ele.

Lamento Don Juan: O amor não está no ar!

Este foi o segundo e último western realizado por Musolino, que faleceria pouco depois do seu lançamento. Musolino produziu, escreveu e realizou durante a sua curta carreira, sendo porventura esta ultima função, aquela que menos dominou. Nota-se que tentou dar um toque diferente no uso de planos, usando abusivamente câmeras inclinadas e outros pormenores, mas depois perde-se no excesso de perseguições a cavalo. Nesse aspecto, tendo o filme sido rodado em Itália, nota-se claramente o défice de boas localizações para cenas de exteriores, o que faz com que frequentemente sejam aplicadas transições de cena completamente incoerentes, não muito melhores daquilo que nos habituamos a ver nos filmes de Demofilo Fidani ou Gianni Crea.

Onde é que já vi isto?

Actualmente existem várias formas de ver o filme, mas como as edições DVD parecem estar já fora de circulação e isto também não está para gastar dinheiro em parvoíces, recomendo uma passagem pelo youtube, por exemplo aqui.

28/07/2015

...e vennero in quattro per uccidere Sartana! (1969 / Realizador: Demofilo Fidani)


Imaginemos este cenário: dois amigos encontram-se. Ambos são fãs de westerns-spaghetti e estão num local a beber uns copos. Eis a conversa:

- Então pá, já viste o Sartana do Demofilo Fidani?
- Sartana? Qual deles? Não são dois?

- Sim, são dois. É aquele protagonizado pelo Jeff Cameron.
- Mas não são os dois com o Jeff Cameron?

- Pois é, tens razão! As minis já me estão a fazer efeito!
- Bebe mais um copo que isso passa!

- Dizia eu que o filme do Sartana é aquele em que aparecem quatro indivíduos para matar o Sartana.
- Ah, esse! Não, ainda não vi. É bom?

- Para quem gosta de westerns-spaghetti de série B não é mau.
- E quem são afinal esses quatro indivíduos que querem matar o Sartana?

- São quatro mercenários. Foram pagos por um tipo misterioso para limpar o sebo ao Sartana.
- Mas porquê? O Sartana fez mal a esse gajo?

- O gajo tem medo que o Sartana estrague os seus planos de rapto, extorsão e homicídio.
- Ele devia ter medo das autoridades em vez de ter medo do Sartana.

- Pelos vistos as autoridades pediram ajuda ao Sartana, já que o homem sabe o que faz quando se trata de despachar assassinos e vigaristas.
- Lá isso é verdade!

- Mais uma rodada, se faz favor! Certo?
- Sim, venham elas!

Jeff "Sartana" Cameron cheio de estilo.

- Como estava a dizer, o Sartana foi contratado pelo xerife para descobrir quem é o cabecilha deste complô e tem carta branca para fazer o trabalho.
- Já estou a imaginar balázios com fartura e sopapada que até ferve!

- Pois está claro! Isto é um western do Fidani, não é uma daquelas xaropadas “artisticamente bem estruturadas”!
- Artisticamente? “Vade Retro”, Satanás!!

- “Vade Retro”, não! Venham mas é mais umas fresquinhas, só por causa das tosses.
- Se faz favor! Mais do mesmo!

- E dizia eu que esse tipo misterioso…
- Mas é misterioso porquê?

- Porque fala com os seus capangas por trás de um quadro na parede. O quadro tem dois furos de onde só se vê os olhos.
- É estranho, realmente…

- E quando contratou os quatro mercenários para matarem o Sartana o gajo usou sempre uma capa preta, uma peruca comprida, um chapéu e nunca se vê a cara.
- E quem são esses quatro mercenários?

- Um é pugilista, outro anda com um chicote, outro é um “naifas” e o último é um pistoleiro que nunca dispara pelas costas.
- Está visto que não vai ser pera doce para o Sartana.

- Provavelmente. Terás de ver o filme para confirmar.
- Há algum DVD deste filme à venda?

- Infelizmente, não.
- Nem sequer na Alemanha ou na Itália?

- Não. Até à data ainda não. Em lado nenhum.
- É pena senão até comprava. Enfim, terei de ver o filme no computador. O ficheiro que tenho tem uma qualidade de imagem fraca mas é o que há.

- Bebemos mais uma, para a despedida?
- É capaz de ser melhor.

- Se faz favor! Duas!
- Quantas é que já bebemos hoje?

Um pugilista em ação.

- Nem sei. Já lhe perdi a conta.
- Não devem ter sido poucas.

- Porquê?
- Porque tanto paleio sobre um filme do Fidani só pode ser obra de tontos e de fracos do sentido.

- Alto lá! Eu não sou fraco do sentido!
- E tonto?

- Também não!
- Então já sei! Há um outro tipo de pessoas que falam dos westerns do Fidani como se de um génio se tratasse.

- Quem? Não conheço ninguém assim.
- Conheces, conheces.

- Quem?
- Alguém que anda na blogosfera a debitar baboseiras há mais de seis anos. Todos os meses escrevem baboseiras diferentes.

- Mas quem é essa gente?
- A equipa do blogue “Por Um Punhado De Euros”.

- Ena pá, essa dupla! Aqueles gajos não regulam bem, pois não?
- Quase de certeza que não. Quem é que no seu perfeito juízo tem um blogue sobre westerns-spaghetti? Hoje em dia os blogues de cinema são modernos e falam de temas modernos…

- Mas esses dois são da velha guarda, não são?
- São. Eles são tão antigos que, além de escreverem sobre filmes antigos, até compram DVD originais!

- É incrível! Isso já não se usa!
- E então, bebemos mais uma ou vamos embora?

- Vamos embora. A carga que levamos hoje já é mais do que suficiente…


29/11/2010

Quel maledetto giorno d'inverno... Django e Sartana all'ultimo (1970 / Realizador: Demofilo Fidani)


Como ponto de partida, é importante deixar bem claro, principalmente para aqueles que não estão a par, que os westerns realizados por Demofilo Fidani (aqui usou o pseudónimo de Miles Deem) estão despidos de genialidade! Os seus filmes tinham sempre o elenco habitual (Hunt Powers, Fabio Testi, Dennis Colt, Dean Stratford, Simone Blondell, Celso Faria), os tiroteios habituais, os locais habituais, o trabalho de duplos habitual e, naturalmente, o enredo habitual!

O nome “Django” deu muito lucro nos anos 60. O nome “Sartana” também. A Tarquinia Films, companhia rival daquela que produziu vários “Sartanas” com Gianni Garko, decidiu responder à concorrência ao fazer filmes sobre estes dois personagens para tentar o sucesso comercial no início dos anos 70. O objectivo nunca foi alcançado!


Fidani fazia dois tipos de westerns: os maus e os muito maus! Os filmes maus são comestíveis e ainda se aproveitam algumas coisas. Os filmes muito maus nem com molho de tomate conseguimos engolir tamanhas palhaçadas! Felizmente, este filme fica só nos maus! O enredo vai bater na mesma tecla, ou seja, Black City é dominada por dois grupos de malfeitores (mexicanos e americanos) que aterrorizam toda a gente. Sartana surge como xerife mas revela-se inicialmente inofensivo. Django junta-se à festa para saciar a habitual sede de vingança. Ambos unem forças e o resultado já se sabe!

A Wild East tem uma boa edição DVD deste filme, que vem juntamente com “Dead men don’t make shadows”, do mesmo realizador. Têm boa qualidade de imagem (1.85:1), sem legendas e áudio em inglês. Além disso, traz uma elucidativa entrevista com Hunt Powers, que conta muitos pormenores interessantes e fala sobre a sua experiência cinematográfica em Itália. Não obstante alguns pormenores (eu até gosto de alguns filmes do Fidani), trata-se claramente de um filme fraco. É a diferença entre aqueles que criaram obras magníficas com orçamentos ridículos e aqueles que nunca tiveram capacidade de ir mais além com os mesmos meios financeiros!


Para terminar, e usando a linguagem do futebol, nota-se perfeitamente a diferença entre um grande jogador e um perna de pau! Fidani é um perna de pau mas que de vez em quando até conseguia marcar um golo! Este foi um dos que entrou na baliza adversária! Menos mal…


Trailer:

10/11/2010

Sono Sartana, il vostro becchino (1969 / Realizador: Giuliano Carnimeo)

Como se sabe, vários heróis foram responsáveis pelo enorme número de cadáveres nos westerns-spaghetti. Alguns deles “limparam o sarampo” a mais malandros num só filme que todos os pistoleiros dos westerns americanos em toda a sua carreira! O carismático Sartana foi um desses heróis! Naturalmente, como é habitual à boa maneira italiana, a fórmula foi espremida ao máimo até à última gota! Em 1969, Clint Eastwood era sinónimo de “Homem Sem Nome”, Franco Nero “Django”, Giuliano Gemma “Ringo” e Lee Van Cleef “Sabata”. “Sartana” foi imortalizado pelo rosto e presença do actor Gianni (John) Garko! Este segundo filme da saga é para mim o momento mais alto mas a fórmula sempre teve a teimosa tendência para se tornar repetitiva!


Um grupo organizado consegue assaltar aquele que era tido como o banco mais seguro do Oeste. Além do golpe ter sido perfeito, o famoso pistoleiro Sartana foi identificado entre os demais! A urgência de recuperar o dinheiro roubado leva a que seja oferecida uma recompensa de 10 000 dólares pela cabeça de Sartana. Os melhores caçadores de recompensas fazem-se à estrada, ignorando um pormenor: Sartana não é culpado e o seu nome foi manchado indevidamente! A partir daí, o protagonista tenta descobrir pessoalmente a verdade, através dos habituais meios violentos. Este filme, que talvez para a maioria passe despercebido, conta com um rico leque de vedetas dos westerns-spaghetti. A saber: Gianni Garko, Klaus Kinski, Frank Wolff, Ettore Manni, Gordon Mitchell e José Torres.


Tudo resumido, “Sartana está de volta” (título em Portugal) é um filme que não desilude mas em muitos aspectos é, infelizmente, mais do mesmo! Para aguçar o apetite dos mais curiosos, uma nota: Há quem diga que a capa que Sartana veste (longa capa preta com a parte interior vermelha) foi inspirada em uma célebre personagem da BD, o ilusionista Mandrake! Não sei se é verdade ou não mas fica a ideia. Provavelmente só Gianfranco Parolini é que poderá revelar a verdade sobre o assunto!


Clip: