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30/10/2012

Bandas sonoras | "E Dio disse a Caino..." de Carlo Savina

Apesar de ser um nome que passa despercebido a muita gente que segue os westerns-spaghetti, o compositor italiano Carlo Savina foi um elemento muito ativo neste género cinematográfico em particular e no cinema em geral. A sua primeira contribuição para os westerns europeus teve início em 1962 e findou em 1981. No final dos anos 1960, juntamente com o talentoso realizador Antonio Margheriti, contribuiu com um interessante trabalho musical para o filme “E Dio Disse a Caino”

Os ambientes góticos e noturnos apresentados na tela são bem complementados pela música. Esta sugere suspense, terror, misticismo e medo. Todas as faixas são instrumentais exceto uma. Aí, o compositor aposta na voz do cantor negro Don Powell, que interpreta a canção “Rocks, Blood and Sand” num estilo melódico e sentimental. Para concluir, dir-se-ia que esta banda sonora não está na galeria das mais geniais do vasto leque dos westerns-spaghetti mas conseguiu dar ao filme de Antonio Margheriti um ambiente ainda mais soturno.

12/07/2011

Joko invoca Dio... e muori (1968 / Realizador: Antonio Margheriti)

De gladiador a pistoleiro. É o que se pode dizer de Richard Harrison, ator americano muito popular em Itália nos anos 60, que abandonou as arenas, as togas, as sandálias e os gládios para colocar um chapéu e empunhar um colt. O realizador Antonio Margheriti era um apaixonado do cinema de suspense e terror mas fez alguns westerns patéticos por causa da mania de imitar o estilo americano. Quando se apercebeu que essa fórmula não valia uma beata tomou o caminho certo e fez a junção do terror com o western.

Muito tiroteio!

“Joko invoca Dio… e muori” seria um filme banal se não tivesse os elementos típicos do “giallo”. O tiroteio noturno cheio de sombras inquietantes e medos recíprocos; a mina de enxofre visualmente repugnante e decadente; um vilão de aspeto excêntrico, com roupas estranhas, mas que basta um olhar para perceber a sua astúcia, o seu calculismo e a sua crueldade! É um bom western que aos poucos se aproxima dos terrenos do terror! Dir-se-ia que este filme foi o prelúdio para o extraordinário “E Dio disse a Caino”, esse sim um assustador western gótico de grande qualidade!

Um vilão muito exótico!

O filme está subdividido em 5 atos, à semelhança de uma ópera ou peça teatral. Joko Barrett participou num assalto minuciosamente planeado pelo seu astuto sócio Mendoza e brilhantemente executado pelo ágil Ricky. Para não variar, há sempre algo que corre mal e tanto Mendoza como Ricky morrem e o dinheiro desaparece. Joko vai agora, um por um, desmascarar os traidores e enviar cordiais saudações em formato de balázios e murros no focinho! Mas o destino aguarda uma chocante revelação…

Joko encurralado na caverna.

Este filme tem vindo aos poucos a ganhar cada vez mais terreno e a ter um reconhecimento mais justo. O DVD talvez tenha contribuído para isso porque há muitas edições DVD em muitos países. Tenho a versão francesa intitulada “Avec Django, la mort est lá”, da editora Seven 7. Os extras ajudam a perceber melhor o trabalho de Antonio Margheriti, através dos depoimentos de Ruggero Deodato (Cannibal Holocaust, Uomini si nasce poliziotti si muore, etc.).


Uma tortura original.

É para ser visto e revisto pelos fãs que respiram westerns-spaghetti por todos os poros. Para os pseudo-intelectuais do cinema: Não se metam nisto! Continuem a vossa incessante busca pela verdade artística nos filmes de meninas que deixaram a claque da escola para casar com um príncipe encantado num mundo estupidamente cor-de-rosa!

08/03/2011

Joe l'implacabile (1967 / Realizador: Antonio Margheriti)

Antes de assinar duas das obras fundamentais que o western-spaghetti conheceu (“E Dio disse a Caino...” e “Joko invoca Dio... e muori”) Antonio Margheriti fez uma incursão humorística no género. Algo pouco habitual considerando o ano de lançamento do filme – 1967 – alguns anos antes da bem sucedida estreia do da saga Trinitá, “Lo chiamavano Trinità”.

O governo dos Estados Unidos da América sofre pesadas emboscadas aos seus carregamentos de ouro, assaltos que colocam em risco o normal funcionamento da sua economia. O problema leva a que seja agendada uma reunião de emergência entre o senador Sennet e os responsáveis pela extracção do minério. O caricato senador vai fazendo rabiscos elaborados enquanto ouve desinteressadamente as preocupações dos proprietários das minas, surgindo eventualmente com um elaborado plano. Um plano a executar pelo muito especial agente Joe Ford (Rik Van Nutter), um especialista no manejo de explosivos que todos reconhecem por Dynamite Joe. Alcunha que justifica, entrando na sala de reuniões depois de fazer ir pelos ares uma das paredes!


A ideia envolve algum risco, consistindo em movimentar as cargas de ouro de todas as minas de Mineral City num só carregamento, para tal o ouro será secretamente fundido e transformado numa aparentemente banal diligência da Wells Fargo. Mas um dos responsáveis das minas é afinal um vigarista que está por detrás dos assaltos, aproveitando a sua posição estratégica como vantagem no planeamento dos mesmos. O banqueiro local e o fora-da-dei El Sol também têm intenções de enriquecer rapidamente juntando-se à festa. Deles todos se ocupará o nosso galante herói Dynamite Joe.

As cenas explosivas e irrealistas (aqui e ali usando a infame técnica das miniaturas), embebidas num enredo com múltiplos twists e a presença constante de miúdas ciosas, parecem sacadas a ferros de um qualquer filme da saga 007. Infelizmente Rik Van Nutter fica a léguas da classe de um Sean Connery, jamais conseguindo ombrear a sua personagem com o famoso agente secreto britânico. Na verdade desenvolvi até uma certa animosidade pelo sorriso idiota que o personagem carrega durante quase todas as cenas do filme.


“Joe l'implacabile”, apesar de tragável é infelizmente bastante inferior aos dois westerns que Margheriti realizaria nos anos seguintes, roçando a mediocridade enquanto filme de acção e mesmo enquanto paródia é de fraco efeito. Algo que recomendaria apenas a fanáticos do género, a esses deixo a informação de que o filme está disponível em DVD no mercado espanhol.


Lobbys:








02/08/2010

E Dio disse a Caino... (1969 / Realizador: Antonio Margheriti)


Não acredito no amor à primeira vista mas com este filme foi quase isso! Foi o meu amigo Pedro Pereira que me facultou este excelente western e apenas precisei de três visualizações para concluir o seguinte: na primeira vez fiquei com a pulga atrás da orelha, na segunda vez classifiquei o filme de muito bom e na terceira vez constatei que corresponde sem dúvida ao meu ideal de western e consequentemente fará parte da minha exigente e restrita colecção de DVD. O tema é novamente a vingança e normalmente todo esse processo é acompanhado de violência, ódio, ganância e morte. Aqui não é excepção. Se acrescentarmos tudo isso num ambiente lúgubre, tanto melhor!

Um Klaus Kinski estranhamente contemplativo!

Após 10 anos de pena de prisão com trabalhos esforçados, o tenente Gary Hamilton (Klaus Kinski) é amnistiado. Uma vez que a sua condenação foi injusta, porque foi vítima de uma hábil conspiração, apenas tem uma coisa em mente agora que é um homem livre: tratar da saúde aos conspiradores! Com o pouco dinheiro que lhe resta compra um cavalo e uma espingarda e dirige-se à cidade onde os seus inimigos vivem à grande e à francesa!

Vende-me esta espingarda!

Estando cientes da chegada de Hamilton, o líder Acombar e os seus lacaios fazem uma espera à entrada da cidade para liquidar o protagonista. Contudo, uma forte tempestade cai sobre a cidade, dificultando a tarefa dos meliantes. Tudo acontece ao longo dessa terrível noite, com Hamilton a movimentar-se furtivamente pelos subterrâneos da cidade. Ao alvorecer, a sede de vingança é finalmente saciada!

Hamilton sempre alerta!

Antonio Margheriti (Joko invoca Dio... e muori), que assinou sob o pseudónimo Anthony Dawson, é um cineasta ligado aos filmes de terror e conseguiu fazer uma ponte perfeita entre dois géneros cinematográficos. E dio disse a Caino é um sinistro western sobrenatural, confinado a um espaço fechado e claustrofóbico e com uma mão cheia de mortes arrepiantes (enforcar um homem na corda de um sino, esmagar outro sob esse mesmo sino, etc.). A interessante partitura musical de Carlo Savina realça ainda mais o ambiente do filme. Klaus Kinski lidera o elenco de forma sólida, fugindo aos habituais papéis de vilão. Temos também a presença de Peter Carlsten, Marcella Michelangeli e Antonio Cantafora.

Acombar faz tiro ao alvo.

Na Europa, este filme está editado em DVD apenas na Alemanha e na França, o que me parece terrivelmente escasso. Tenho o DVD francês cujo título é “Et le vent apporta la violence”. Tem áudio em francês e italiano, legendas em francês e imagem no formato letterbox 2.35:1. Balanço final: Antonio Margheriti realizou uma extraordinária mescla de horror gótico e western violento e Klaus Kinski protagoniza um grande filme, mantendo-se como um dos reis do subgénero! Quando assim é, que mais um fã pode querer?