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08/04/2020

5 westerns-spaghetti para ajudar a superar a quarentena - Vol.2

A COVID-19 continua lá fora e a nós exige-se que sejamos responsáveis e fiquemos em casa. Assim, voltamos à carga com mais uma dose de westerns-spaghetti que vos aconselhamos para ajudar a passar o tempo nesta Páscoa de quarentena. E longe vão os tempos que para vermos estas pérolas tínhamos de recorrer a DVDs manhosos ou transferências de VHS gastas até ao tutano, hoje pelo contrário encontramos cada uma destas sugestões com qualidade cristalina. Procurem-nos nas lojas virtuais, ou alternativas para o povão. E já sabem, fiquem em casa!

1. Non aspettare Django, spara (1967 / Edoardo Mulargia)

O pai de Django Foster é agredido e morto por um vilão chamado Navarro. Logo depois, Navarro é enganado por seu próprio filho, que foge para uma cidade fronteiriça com dinheiro. Quando Navarro chega, o seu filho está morto e o dinheiro desapareceu. Agradável sotto-Django com direcção eficaz de Edoardo Mulargia.
[resenha aqui]

2. L'ultimo killer (1967 / Giuseppe Vari)

Os pais de Ramon são mortos por homens do ricaço John Barrett. Ao tentar vingar-se, Ramon é ferido. Rezza, um velho assassino, irá tomar conta dele tornando-se no seu implacável tutor. Um filme de baixo orçamento com elenco impecável com o gigante George Eastman (Cani arrabbiati) e Dragomir Bojanic-Gidra.
[resenha aqui]

3. Ammazzali tutti e torna solo (1968 / Enzo G. Castellari)

Clyde, um oficial do exército confederado, recebe ordens para apreender um depósito de ouro escondido num forte do exército do norte. Para consegui-lo contará com uma trupe de nada confiável. Provavelmente será o western mais bombástico de  Enzo Castellari, que imita descaradamente "Doze Indomáveis Patifes", mas o grande destaque é a presença de Chuck Connors no papel principal.
[resenha aqui]

4. Shalako (1968 / Edward Dmytryk)

Em 1880, no Novo México, um cowboy chamado Shalako trabalha como guia de um grupo de aristocratas europeus, que transitam em áreas desertas dominadas por índios. Este não é um spaghetti-western em toda a linha, a produção é do Reino Unido e o argumento não se enquadra no género, mas foi rodado em Almeria e merece uma olhada, nem que seja pela oportunidade de ver o Bond original num western!

5. Un fiume di dollari (1966 / Carlo Lizzani)

Ken e Jerry são dois bandidos que fogem para a fronteira mexicana depois de rapinar uma avultada soma ao governo americano. A cavalaria alcança-os mas Ken consegue fugir com o dinheiro. Após cinco anos de prisão, Jerry sai pronto para se vingar do seu ex-colega. Não é o melhor western-spaghetti do mundo, mas é o único em que podemos ver o grande Henry Silva (Nico - À Margem da Lei )!

06/10/2015

Fora de tópico | Lançamento "Requiescant"


Estamos a menos de uma semana da data de lançamento da edição da Arrow para o clássico "Requiescant" (ler resenha aqui). Tal nas mais recentes investidas da editora, o filme aparecerá em dois formatos, DVD e blu-ray. Alegrem-se por isso fãs da alta definição. Conheçam as especificações:

New 2K restoration of the film from the original camera negative
High Definition Blu-ray (1080p) & Standard Definition DVD
Optional English and Italian soundtracks in uncompressed PCM mono audio
Newly translated English subtitles for the Italian soundtrack
Optional English subtitles for hard of hearing for the English soundtrack
An all-new interview with Lou Castel, recorded exclusively for this release
Archive interview with director Carlo Lizzani; Theatrical Trailer
Reversible sleeve featuring original and newly commissioned artwork by Gilles Vranckx
Illustrated collector’s booklet containing new writing on the film by Pasquale Iannone

06/10/2013

Morreu Carlo Lizzani

O seu amigo Mario Monicelli suicidou-se a 29 de Novembro de 2010, saltando da janela do Hospital San Giovanni, em Roma, onde dera entrada dias antes para tratamento a um cancro na próstata. Sábado, Carlo Lizzani, realizador, argumentista, actor, “homem do cinema”, resumia o La Reppublica, escolheu o mesmo fim. Aos 91 anos, o realizador de Banditi a Milano, saltou da varanda do terceiro andar que habitava em Roma. Enquanto o presidente italiano Giorgio Napolitano, citado pela AP, destacava a contribuição de Lizzani para "o cinema, a cultura e o desenvolvimento democrático do país”, o realizador Ettore Scola declarava simplesmente “este é um momento de grande tristeza”. Paolo Baratta, presidente da Biennale, destacou a forma como Lizzani deu nova vida ao Festival de Veneza durante os anos (de 1979 e 1982) em que foi seu director. “Ele soube como criar um núcleo de jovens estudantes e especialistas que representariam no futuro a verdadeira elite. O mundo do cinema italiano deve-lhe muito”, cita a AP.
PÚBLICO 06/10/2013

21/10/2012

Fora de tópico | Lançamento "Mögen sie in Frieden ruhen"


Já está disponível mais uma edição do euro-western de culto "Requiescant". Esta nova proposta é lançada pela editora alemã Koch Media que inclui ainda no pacote: galerias, trailers e duas featurettes. Uma delas com o realizador Carlo Lizzani e uma outra com o investigador Antonio Bruschini, que recentemente rumou também para a colina das botas. RIP.

O nosso amigo Alexander Fischer já teve a oportunidade de deitar a mão ao DVD e fez o favor de descriminar a sua opinião num artigo que poderão ler neste link.

06/12/2011

Requiescant (1967 / Realizador: Carlo Lizzani)

Uma criança é o único sobrevivente de um traiçoeiro massacre da população mexicana. O ataque é executado pelos homens do poderoso sulista George Bellow Ferguson, que pretende ocupar as terras que por direito pertencem aos mexicanos. O menino é acolhido por um pastor protestante e pela sua família. Os anos passam e a educação deste jovem regeu-se por uma matriz religiosa e puritana, algo que não agrada absolutamente nada a Princy, a filha do pastor e irmã adotiva do rapaz.

Esse laçarote fica-te bem!

Fascinada pelo mundo do espetáculo e das artes, aparentemente cheio de cor, música, dança e alegria, Princy foge da sua família para alcançar o seu sonho. A sua ingenuidade fê-la cair no mundo obscuro da exploração sexual de mulheres e no consumo de drogas. Num gesto de boa fé, Requiescant vai à procura da sua irmã para a trazer de volta mas depara-se com obstáculos muito perigosos! No seu estilo desajeitado, com roupas sujas e rasgadas, o protagonista traz um coldre e uma pistola presos à cintura por um cordel. Ferguson e Requiescant vão reencontrar-se mas resta saber quem levará a melhor…

Vai haver tiroteio.

Se há filme rico em simbologia, é este! O nome do protagonista (do latim Requiescant In Pace / R.I.P.); Muitas alusões a símbolos religiosos (sinos, bíblias, crucifixos, cemitérios, rezas); Insinuações homossexuais de Ferguson; A corrupção das entidades notáveis da cidade (juiz, médico, advogado); O fetiche sexual de um pistoleiro que brinca com uma boneca; A tortura física e psicológica contra mulheres; Abordam-se questões políticas sobre a revolução mexicana, a guerra civil americana e a escravatura. O vilão racista, com um visual semelhante a um vampiro, faz questão de afirmar a sua superioridade enquanto aristocrata; Vê-se pessoas numa tarefa macabra de recolha de ossos dos cadáveres antigos…

O vampírico Mark Damon!

Mas porque é que Carlo Lizzani fez um western tão estranho? Será que foi influência do seu amigo Pier Paolo Pasolini? É verdade que o muito polémico cineasta italiano participou como ator, interpretando o papel de um sacerdote mexicano. Mas isso não será uma contradição? Pasolini não era conhecido pelos seus ideais de esquerda e pela sua feroz aversão à religião? Então, porque é que participou num filme que transborda religião por todos os lados? E ainda por cima encarnando o papel de um clérigo? Talvez porque “Requiescant” é uma parábola cínica sobre religião, cheia de símbolos religiosos e repleta de personagens loucos! E quem sabe minimamente de cinema, sabe que loucura, cinismo e violência fazem parte da filmografia de Pasolini. Aparentemente, o seu amigo Carlo Lizzani pegou em alguns destes conceitos e colocou-os num western.

Muitos mexicanos!

Quando estreou, como era de esperar, a censura de vários países cortou as cenas mais violentas e mais uma vez estragou tudo! Felizmente, hoje é possível ver a versão integral do filme no seu formato original e com imagem cristalina. O melhor DVD é o da editora americana Wild East, que reeditou o filme este ano (2011) sob o título “Kill and Pray”.