Mostrar mensagens com a etiqueta Bud Spencer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bud Spencer. Mostrar todas as mensagens

2013/04/18

Fora de tópico | Lançamento "Eine Faust geht nach Westen"


Ora aqui está uma boa sugestão para um serão com toda a família em redor da televisão. "Occhio alla penna" é um produção tardia do género e como tal completamente debruçada para a comédia. Uma série de gargalhadas e tabefes para animar nestes tempos de crise!

O filme até já tinha algumas edições europeias mas a Universum anuncia uns minutos extra na sua versão, que podem pesar na escolha. Já está disponível nas lojas.

2011/09/20

Continuavano a chiamarlo Trinità (1971 / Realizador: Enzo Barboni)


Qual é a primeira coisa que nos vem à memória quando falamos de Mario Girotti / Terence Hill e Carlo Pedersoli / Bud Spencer? Cadáveres e muito sangue? Não! Violência extrema, sadismo e umas pitadas de sexo? Nem pensar! A especialidade destes dois atores italianos é a comédia, recheada de pancadaria, acrobacias, humor simples e algumas patetices.

Os westerns de Giuseppe Colizzi já davam sinais de mudança. Enzo Barboni assumiu a rutura de forma clara e resgatou a dupla de protagonistas para o seu filme. Após o grande êxito de “Trinitá, cowboy insolente”, algo que foi contra todas as expetativas, as pessoas queriam voltar a ver Trinitá e Bambino a aviar porrada nos seus adversários. O produtor Italo Zingarelli e o realizador Enzo Barboni (E.B. Clucher) fizeram-lhes a vontade. Não demorou muito a dar frutos: Foi um enorme sucesso de bilheteira na Europa, maior que o filme anterior. Mas foi também o canto do cisne porque a loucura dos westerns-spaghetti tinha acabado!


Concordo com Terence Hill, que muitos anos mais tarde afirmou que o grande mérito dos “Trinitás” foi o momento em que surgiram. O público queria algo diferente porque a enorme quantidade de westerns violentos com heróis sedentos de vingança tornou-se banal e pouco apelativo. Este filme desperta em mim sentimentos contraditórios: Pessoalmente, acho que os elementos cómicos arruínam o western. Por outro lado, divirto-me a ver Terence Hill a manejar o seu colt e Bud Spencer a “varrer” toda a gente com murros no toutiço e chapadas nas trombas. Deve ser porque a minha geração cresceu a ver em VHS os filmes desta dupla. Na minha opinião, enquanto comédia este filme alcança os objetivos. Enquanto western é uma desilusão.


A “inocente” junção de Hill e Spencer acabou por desencadear um fenómeno cinematográfico, dando origem a uma das mais carismáticas duplas da História do Cinema, uma parceria que iria durar até finais dos anos 80. Pelo caminho, ao longo de todos estes anos, muitas cenas de pancadaria cómica aconteceram, para gáudio das crianças e adolescentes de então. Aposto que Terence Hill e Bud Spencer ficaram com as mãos a arder após tantos anos a distribuir castanhas ao pessoal!


Mais algumas imagens do filme:



Trailer:

2010/08/09

Una ragione per vivere e una per morire (1972 / Realizador: Tonino Valerii)


Ainda me lembro do primeiro contacto que tive com Uma Razão para Viver, Outra para Morrer, foi num daqueles trailers promocionais que a maioria dos videoclubes dos anos 80 faziam incluir nos minutos iniciais das suas cassetes de aluguer. Eram quase sempre selecções avulsas e pouco criteriosas, que por regra levaram com um convincente fast-forward da minha parte, mas dessa vez a manobra de marketing funcionou. Devo ter revisto o trailer meia dúzia de vezes. Era puto, e Bud Spencer era ainda uma referência nas minhas escolhas devido aos filmes da saga “Trinitá” e a comédias de acção como O Xerife Quebra-Ossos. Os poucos minutos em que se sequenciavam brutais cenas de acção, pejadas de tiroteios, explosões e apenas alguns resquícios de humor, pareceram-me extremamente cativantes e fora da habitual matriz cómica que estava habituado a ver em filmes protagonizados pelo gorducho. Conseguir deitar a mão a uma cópia do filme seria por isso o maior objectivo por esses tempos!


Realizado e co-escrito por Tonino Valerii (Gigantes em duelo), o filme não é muito mais do que uma transposição do sucesso Os doze Indomáveis Patifes para os tempos da guerra civil americana. Aqui, o Coronel Pembroke (James Coburn), um oficial do Exército da União acusado de traição, recruta seis condenados à forca e um sargento corrupto para uma missão suicida: Atacar o impenetrável Fort Holmam! Fortaleza outrora sob mãos da União e comandada pelo próprio Pembroke, que por entre linhas percebemos ter sido entregue aos confederados em condições pouco explícitas. A inexpugnabilidade da fortaleza desencoraja a recaptura por parte do exército, mas com uma perca de recursos mínima o Major Charles Ballard (José Suárez) concorda em fornecer a Pembroke a carne para canhão necessária. As razões que levam Pembroke a iniciar tão arriscada missão acabam entretanto por se revelar meramente pessoais, mas sobre isso mais não poderei contar sob pena de retirar o elemento surpresa do filme!

Com o seu recém formado mini-exército de pulhas, Pembroke terá de lidar com adversidades várias e as deslealdades sucedem-se obviamente a bom ritmo. Pembroke cria no entanto a ilusão da existência de um grande carregamento de ouro confederado no interior da fortaleza o que eventualmente bastará para unir o grupo num propósito único. A acção do filme decorre quase sempre a um ritmo lento, despoletando-se finalmente no explosivo assalto à fortaleza. E que bela sequência de acção essa, do melhor que o euro-western terá alguma vez alcançado. Nota-se claramente que "Uma Razão para Viver, Outra para Morrer" terá gozado de um generoso orçamento, e Valerii não o fez desperdiçar!


O elenco aqui reunido inclui para além do “enorme” Bud Spencer (que até chega a fazer um hilariante sprint numa das cenas), um James Coburn acabadinho de protagonizar o zapata-western de Sergio Leone (Aguenta-te, canalha) e Telly Savalas (que curiosamente também fez parte do elenco de Os doze Indomáveis Patifes) no papel do maníaco Major confederado. Para além disso contam-se ainda meia dúzia de caras habituais nos filmes de Valerii/Leone. Destaque para o caricato Benito Stefanelli, que desempenha um dos delinquentes salvo da forca.

Tonino Valerii era um tipo com talento, os seus spaghettis foram quase todos grandes sucessos de bilheteira. Mas este filme é ainda hoje desprezado por muita gente, que o considera demasiado violento e sem grande desenvolvimento das personagens. Com estes concordarei apenas parcialmente, pois também eu creio que a figura do Major Frank Ward (Telly Savalas) é claramente metade do que devia ter sido. Mas se o filme peca em argumento ganha em acção, aqui mais explosiva do que em qualquer outro filme do realizador italiano. Pessoalmente continuo a crer que entre todas as abordagens que o tema “men on a mission” teve no spaghetti-western, este será o filme mais bem conseguido. O filme chegou mesmo a ser lançado em alguns países como “Massacre at Fort Holmam” o que faz justiça à brutal carnificina em que o filme capitula.

Este título não está infelizmente disponível em formato DVD no mercado Português, mas existem por aí bastantes edições. Por um golpe de sorte reencontrei-o há alguns anos atrás num dia de compras em Badajoz, ali do outro lado da fronteira. As especificações não são as melhores, resumindo-se à inclusão do filme em formato 4:3 num áudio mono e sem opções linguísticas para além da trilha em espanhol. Por isso recentemente resolvi fazer justiça à afeição que tenho pelo filme, adquirindo a edição americana da Wild East, que como habitual faz compilar às suas apresentações nos formatos originais, uma série de extras (galerias, trailer e outros vídeos promocionais). Recomendo!



Trailer

2010/03/14

Lo chiamavano Trinità... (1970 / Realizador: Enzo Barboni)


Sabata, o famoso circus-western de Gianfranco Parolini safou-se bem nas bilheteiras, La collina degli stivali idem e a coisa começou a tomar outras proporções. Enzo Barboni, o talentoso homem responsável pela direcção fotográfica de alguns dos filmes de Sergio Corbucci (Django, I crudeli, etc.), que até já tinha alcançado a realização de um filme (interessante mas não propriamente rentável), conseguia agora convencer uma produtora a lançar o seu grande - e supostamente antigo – projecto. O que lhe permitiria sair definitivamente de detrás das câmaras para assumir os comandos da “locomotiva”. Ao que parece Peter Martell e George Eastman, as estrelas dessa sua estreia enquanto realizador - Ciakmull - L'uomo della vendetta - estavam escalados para assumir o protagonismo de “Trinitá, Cowboy Insolente” (mais um brilhante título nacional). No entanto foi a dupla Terence Hill/Bud Spencer, já antes testada com sucesso na trilogia de Giuseppe Colizzi (Dio perdona... Io no!, I quattro dell'Ave Maria , La collina degli stivali), que ficou com os papeis de Trinitá e Bambino, respectivamente.


A história do filme gira em torno destes dois delinquentes que a páginas tantas acabam por salvar os indefesos agricultores locais da expropriação levada a cabo pelo corrupto vilão local. Nada de inovador portanto, dezenas de westerns americanos já haviam sido feitos com base neste modelo, mas Barboni renova a fórmula com o seu cunho pessoal. Os seus heróis são no mínimo improváveis: sujos, ladrões e devoradores de feijões! Na verdade, bastante muda com a batuta de Barboni: a violência gratuita e injustificada até agora habitual no género é reduzida a mínimos. No inicio do filme ainda vemos Trinitá e Bambino a despachar uns quantos, mas com o decorrer da acção as armas são despromovidas a simples acessórios e é ao punho e chapada que a patifaria acaba por ser enfrentada. O filme foi um sucesso, dentro do universo western-spaghetti registaria mesmo o maior encaixe financeiro do ano, dobrando os valores do segundo filme mais visto, Vamos a matar, compañeros (Corbucci), e deixando a léguas as sequelas das franchisings «Sabata» e «Sartana». A cena em que Terence Hill surge deitado numa esteira puxada pelo seu cavalo tornar-se-ia icónica, e uma sequela seria imediatamente forjada. ...continuavano a chiamarlo Trinità (1971) faria ainda maior furor nos cinemas e com este novo fôlego o spaghetti à italiana mudaria definitivamente de direcção.


Coincidência ou não, um dos maiores videoclubes da minha cidade natal, Portalegre (Alentejo, Portugal), chamava-se «Trinitá», foi lá que aluguei este filme por diversas vezes. Estas, somadas às inúmeras vezes em que o filme foi transmitido na televisão nacional, não me tiraram nunca a vontade de sorrir nas por vezes intermináveis sequências cómicas de pancadaria à Barboni. Mas com o passar dos anos olho agora de maneira diferente para “Trinitá, Cowboy Insolente”, analiticamente falando entendo agora o efeito trágico que a entrada em cena deste tipo de película causou. Ainda assim, ao contrário de muitos que têm acusado Enzo Barboni como responsável pela morte do western-spaghetti enquanto género, não consigo responsabiliza-lo pelo mal feito. Afinal de contas, em finais de 60 o género já mostrava uma grande saturação, a velha premissa «homem procura vingança» já havia sido explorada amplamente e o público do género ambicionaria agora alguma invenção. E foi isso que Barboni fez, faça-se-lhe por isso a merecida justiça. Com o modelo instituído no franchising «Trinitá» o cinema italiano ganhou mais um balão de oxigénio, o que inevitavelmente serviria apenas para que esses doidos italianos copiassem agora esta nova fórmula até à sua completa exaustão, e esses sim condenando o spaghetti-western à morte! Gente outrora conhecida pelas suas obras pessimistas e violentas, como Enzo G. Castellari ou Segio Corbucci tinham agora de adaptar o seu cinema a esta nova onda, produzindo películas a roçar a mediocridade, títulos como Tedeum ou Il bianco, il giallo, il nero, que ficaram para a posterioridade como notas negativas nos seus currículos.

“Trinitá, Cowboy Insolente” goza ainda hoje em dia de um estatuto especial sendo relativamente fácil encontrá-lo à venda. Em Portugal o filme gozou de uma edição em formato DVD pela mão da Prisvideo, a única editora nacional que ainda parece interessada em lançar filmes europeus de culto. O DVD goza de uma correcta qualidade de imagem, em widescreen 16:9, com áudio em Inglês e legendas opcionais em Português. Para além do filme, conte-se ainda com alguns extras, de onde se destaca entrevistas como a dupla Hill/Spencer. Ainda hoje em dia uma excelente opção para ver em família!

Nota:

Artigo originalmente publicado em The Spaghetti Western Database como parte integrante do destaque mensal de Março 2010: “Terence Hill & Bud Spencer – Special”. Link directo: http://www.spaghetti-western.net/index.php/Trinit%C3%A1_-_Cowboy_insolente


Trailer

2009/07/28

Dio perdona... Io no! (1967 / Realizador: Giuseppe Colizzi)


Não sei como justificar, mas a verdade é que vi este filme pela primeira vez apenas no final do ano passado. Em miúdo até fui apreciador da dupla Hill & Spencer, mas com o passar dos anos criei alguns anticorpos aos seus filmes e acabei por renegar a obra inicial destes. Não fora o gentil Scherpschutter - ávido divulgador do western spaghetti na internet, onde mantém forte colaboração nos excelentes The Spaghetti Western Database e Fistful of Pasta - ainda não seria desta que daria o benefício da dúvida a este filme. Cronologicamente, Dio perdona... Io no! (1967) surge depois de algumas investidas de Terence Hill e Bud Spencer noutras andanças, marcando assim o início da famosa dupla nos grandes ecrãs (permitam que desconte para esta contagem o épico Annibale (1959)). Este encontro poderia muito bem nem ter acontecido, já que segundo reza a história, Peter Martell terá sido o eleito para o papel de Cat Stevens, sendo substituído à última da hora por Hill, que à data não tinha protagonizado nada de grande interesse. E tudo isto, alegadamente, após uma perna partida de Martell e supostas agressões à sua namorada.


Dio perdona... Io no! serve também como pontapé de saída para a trilogia spaghetti de Giuseppe Colizzi. E desenganem-se aqueles que esperam ver aqui aquele punhado de cenas hilariantes e pancadaria à parva. Dio perdona... Io no! é acima de tudo um filme sério, violento e com um enredo muito bem esgalhado - cortesia do próprio Colizzi e de Gumersindo Mollo. Girando à volta das personagens Cat Stevens (Terence Hill), Hutch Bessy (Bud Spencer) e Bill San Antonio (Frank Wolff); e consistindo na demanda de um pistoleiro mal-encarado (Terence Hill) e de um agente contratado por uma seguradora lesada (Bud Spencer), em busca de um carregamento de ouro roubado de um comboio. Isto supostamente por um tal Bill San Antonio, a marca do “trabalho” assim o indica, mas há um pequeno problema que se coloca aos nossos dois heróis, já que Bill San Antonio teria supostamente morrido há muito pela mão do próprio Cat Stevens. E mais não digo! Apesar de um bom desempenho geral dos protagonistas deste spaghetti, à que reconhecer o papel de Frank Wolff (Il grande silenzio, C'era una volta il West, Ammazzali tutti e torna solo) na pele de vilão. Wolff apresenta-se em grande estilo e acaba por dominar o ecrã - esta é na minha opinião uma das suas melhores interpretações, se não a melhor de todas.


Ao que parece existem por aí algumas versões com dobragem bem deslocada das falas iniciais, levando o filme para o universo cómico que a dupla popularizou no grande sucesso de Lo chiamavano Trinità (1970) - deste vos falarei mais tarde. Felizmente a cópia Holandesa da DFW, que me veio parar às mãos, pelo trenó do “pai natal” Scherpschutter (muito obrigado amigo!), ainda que dobrada em Inglês, não opta por este caminho, mantendo a linha orientadora do projecto original. Posteriormente Colizzi voltaria por mais duas vezes às personagens Cat Stevens e Hutch Bessy, em I quattro dell'Ave Maria (1968) e La collina degli stivali (1969), mas o seu talento tem limitações óbvias e estes têm certamente interesse bem mais reduzido. Este é muito provavelmente o melhor filme da dupla Hill & Spencer. Recomendável!
Related Posts with Thumbnails