
Ao mesmo tempo que Sergio Leone filmava o seminal
Per un pugno di dollari em Los Albaricones (Almeria, Espanha), uma outra equipa trabalhava também no local.
Mario Caiano e seus comparsas rodavam por ali
Le pistole non discutono, um western europeu feito à imagem dos grandes clássicos americanos, com direito à famosa carga da cavalaria e até mesmo a tema cantado à lareira! Como protagonista deste intento Caiano contou com o canadense
Rod Cameron - estrela cadente do cinema americano série-B - que mais tarde voltaria a aceitar papeis em outras produções europeias tais como
Il piombo e la carne.

Bill (
Horst Frank) convencido pelo seu irmão George (
Angel Aranda) decide assaltar o banco de River Town, cidade natal de ambos, aproveitando o facto do xerife (Pat Garrett) estar afastado do local por se casar nesse mesmo dia. Com a quase totalidade da população dentro da igreja local e consequentemente com as ruas desertas, prevê-se um golpe fácil. Mas nem tudo corre como planeado e os dois pistoleiros são reconhecidos pelos homens do banco, conseguindo ainda assim fugir com o saque e procurar refúgio numa povoação do outro lado da fronteira. Ainda que sem jurisdição em território mexicano, o xerife Pat Garrett persegue e captura os bandidos. Os seus problemas estão ainda longe de ficar resolvidos uma vez que a vilanagem local liderada por Santero (
Mimmo Palmara) toma conhecimento da existência dos 30.000 dólares, tudo fazendo para lhe deitar a mão. Apesar da avançada idade, o “avozinho” Rod Cameron safa-se bastante bem nas cenas de pancadaria, nalgumas delas segundo reza a história prescindindo mesmo da utilização de duplos, mas é o então jovem Horst Frank que preenche o ecrã com uma interpretação de grande nível, coisa que nos habituaria nos filmes que protagonizaria mais tarde:
Preparati la bara!,
Quella sporca storia nel west, etc.

Ao contrário de “Per un pugno di dollari” - que marcou o inicio de uma época no cinema de acção de selo europeu - “Le pistole non discutono” apenas demonstrou que é possível reproduzir de um modo quase perfeito o western clássico americano sem ter de atravessar o Atlântico. Mario Caiano realizaria nos anos seguintes um punhado de westerns-spaghetti - muitos dos quais protagonizados pelo saudoso brasileiro
Anthony Steffen - nos quais se denota uma clara aproximação às características vulgarmente consideradas como chavões neste tipo de cinema. Filmes imperdíveis como é o caso do excelente zapata-western
Un treno per Durango ou
Una Bara per lo sceriffo. Merece por isso ser relembrado!