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30/06/2014

Sergio Leone: The Way I See Things



Deliciem-se com este interessante filme documentário de Giulio Reale. Resmas de testemunhos para satisfação das massas!

18/03/2014

Indio Black, sai che ti dico: Sei un gran figlio di... (1970 / Realizador: Gianfranco Parolini)

México, 1867. O Imperador Maximiliano governa o país com mão de ferro. As suas tropas e os seus espiões controlam tudo e todos. Benito Juarez, o chefe da resistência, coloca em Ocaño a responsabilidade de recrutar o maior número possível de combatentes para ajudar a derrubar os inimigos mas poucos homens aceitam a missão. De seguida encontram-se com o famoso pistoleiro Sabata / Índio Black (Yul Brynner) e com o seu sócio Ballantine (Dean Reed). O grupo une forças e dirige-se para o quartel-general de Skimmel, o implacável oficial europeu que opera naquela zona, a fim de roubar o ouro do governo para financiar a revolução. A partir daqui temos muito tiroteio, explosões de fazer tremer a terra, porrada que até ferve e arriscadas acrobacias de fazer pele de galinha! Além dos carismáticos Yul Brynner e Dean Reed, o elenco é preenchido pelo barrigudo Pedro Sanchez, o ágil Sal Borgese, o gélido Gérard Herter e ainda uma breve aparição da belíssima Nieves Navarro.


Este filme suscita-me várias interrogações: o protagonista chama-se “Sabata” ou “Índio Black”? Este filme faz parte da “trilogia Sabata” ou apenas os dois filmes com Lee Van Cleef é que contam? Se Yul Brynner é definitivamente Sabata então porque é que Lee Van Cleef não foi o escolhido, já que no ano seguinte voltou a encarnar o personagem também sob a batuta de Parolini? Será que foi uma questão de dinheiro? Mas então Yul Brynner, um dos mais bem cotados atores daquela época, era mais barato do que Lee Van Cleef? Não creio. Assim se mantém um cisma que nunca foi devidamente explicado.


Talvez a ideia inicial fosse que Índio Black desse origem a uma nova sequela / trilogia mas como o sucesso de “Hei amico, c’è Sabata… hai chiuso!” no ano anterior foi grande a produção decidiu mudar o nome Índio Black para Sabata para lucrar mais alguns trocos, especialmente no mercado internacional. Não há dúvida que Índio Black e Sabata têm várias coisas em comum: ambos são excelentes atiradores, são motivados pelo dinheiro, têm um parceiro mexicano gordo e barbudo e beneficiam da espetacular destreza de acrobatas ciganos. Um deles até consegue lançar pequenas bolas explosivas com extraordinária precisão apenas com a ponta da bota! Imaginem a carreira que este tipo poderia ter tido no futebol de alta competição…

Mais alguns lobbys:



Trailer:

28/05/2013

20.000 dollari sporchi di sangue (1968 / Realizador: Alberto Cardone)

Neste filme, Alberto Cardone demostra mais vez como se magica um western decente sem ter de levar as contas do banco a zeros. Rodeia-se antes de um punhado de actores de talentos comprovados (Brett Halsey, Fernando Sancho, Antonio Casas), prepara um bom argumento com alguns dos parceiros do costume (Ugo Guerra, Vittorio Salerno) e o resto vem com a capacidade de desenrascanço que lhe é conhecida. Afastando-se da linha mais comum do género, que também ele explorou nalguns dos seus primeiros westerns-spaghetti (L'ira di Dio, 20.000 dollari sul 7), encaminha desta vez a acção para os campos do thriller, abordando uma problemática bem mais contemporânea: o sequestro! 

Uma criança é sequestrada por um bando de encapuzados. A condição que os bandidos colocam para a sua libertação é a entrega de uma maquia de 20000 dólares. A mãe da criança acede imediatamente às exigências dos sequestradores mas as coisas complicam-se quando os homens encarregues de recolher o dinheiro do resgate são emboscados e a guita desaparece. Um desses homens é o alcoólatra Fred Leinster, que se havia associado aos bandidos sem imaginar que uma criança estava a ser usada no processo. Deixado para trás como morto, rapidamente é apontado como responsável pelo acto mas consegue ilibar-se e a consciência volta a fermentar-lhe o cérebro enfrentando ele próprio o bando de raptores.


Pessoalmente, não morro de amores por nenhum filme que tenha visito com Brett Halsey à cabeça (Roy Colt e Winchester JackOggi a me... domani a te!, etc.), creio mesmo que tenha sido uma das estrelas menos brilhantes que o western-spaghetti conheceu, mas estranhamente acho que ao menos desta vez conseguiu convencer no papel de Fred Leinster. Um antigo xerife que caí na desgraça depois de ser injustamente acusado pela morte da própria família. 


Sejamos claros, Cardone era um individuo competente e fez alguns westerns interessantes (Mille dollari sul nero, Sette dollari sul rosso), mas a maioria apenas supera ligeiramente a média de qualidade do género. E este “20.000 dollari sporchi di sangue”, tal como a maioria dos seus outros spaghettis jamais atingirá o estatuto de culto que muitos dos filmes dessa época têm vindo a ganhar décadas depois do seu lançamento original. Sobretudo devido ao seu ritmo, demasiado lento para um western à moda europeia, quase órfão de cenas de acção! Depois de “20.000 dollari sporchi di sangue”, Cardone colaborou ainda com John Guillermin em “El Condor”, e desligar-se-ia então de vez dos westerns.

01/03/2010

Ehi amico... c'è Sabata, hai chiuso! (1969 / Realizador: Gianfranco Parolini)

Eis o melhor “circus-western” (termo designado por Alex Cox) de Gianfranco Parolini, que costuma assinar sob o pseudónimo de Frank Kramer. Parolini foi o criador de duas personagens emblemáticas do universo dos westerns-spaghetti: Sartana e Sabata. Sinceramente, acho que não existem grandes diferenças entre ambos porque a atitude, a destreza no manejo das armas, as engenhocas e até o guarda-roupa parece ser o mesmo. Mas, pessoalmente, há algo que faz toda a diferença: Lee Van Cleef!

O grande Lee Van Cleef encarna o personagem Sabata.

Embora respeite e admire o trabalho de Gianni Garko como Sartana, só a presença de Van Cleef faz com que o filme valha a pena! Este filme representa provavelmente a consagração deste actor americano nos westerns italianos. Deu-se a conhecer em Por mais alguns dólares e desde então foi sempre a aviar! Descobri este western em inícios dos anos 90, quando a televisão generalista em Portugal ainda era alguma coisa de jeito e exibia bons filmes a horas decentes. Hoje, como toda a gente sabe, essa mesma televisão é um atestado de estupidez e piroseira!

A mortífera Derringer de Sabata.

Quanto ao filme, além do protagonista e da acção alucinante, houve algo mais que me marcou: um certo indivíduo que vestia umas calças com guizos, tocava banjo e esse mesmo instrumento musical escondia uma espingarda! Tudo isso era surpreendente para mim porque a minha infância tinha sido marcada essencialmente pelos westerns clássicos americanos à John Wayne. No entanto, nunca mais tive oportunidade de rever o filme, nem mesmo em VHS, e durante 15 anos caiu no esquecimento.

O piolhoso Garrincha.

Há alguns anos atrás, numa pesquisa na Internet, voltei a reencontrar Sabata e então pensei: “Tenho de ter este filme em DVD”! E assim foi! O enredo tem como pontapé de saída um assalto ao banco da cidade de Daugherty e Sabata envolve-se no assunto, distribuindo balázios aos seus adversários com a ajuda do mexicano Garrincha e do seu amigo acrobata. Enquanto isso surge Banjo, um vagabundo ganancioso que jogará dos dois lados da barricada.

Banjo e o seu precioso instrumento musical.

“Sabata” é um western repleto de acção, explosões, tiroteios e, claro está, acrobacias (imagem de marca dos filmes de Parolini). O elenco é liderado por Lee Van Cleef e apoiado por alguns suspeitos do costume nestas andanças: William Berger, Pedro Sanchez, Franco Ressell, Gianni Rizzo, Linda Veras e Robert Hundar. A cidade de Daugherty é o bem conhecido Elios Studio, na Cinecittà, Roma, mas muitas cenas foram filmadas no lindíssimo deserto espanhol de Almería.

Linda Veras bem boa!

Em suma, este western é o ideal para aqueles que querem acção do princípio ao fim sempre num ritmo rápido. Para mim, como sou um grande fã de Lee Van Cleef, o DVD já cá canta! Comprei a edição da MGM com várias opções áudio, sem legendas em português, sem extras e apresentado no formato widescreen 16:9 em 2.35:1.