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2014/07/15

Fora de tópico | Lançamento "Die Koch Media Italowestern-Enzyklopädie No. 3"


Na primeira quinzena de Agosto chega ás lojas o terceiro volume da "Die Koch Media Italowestern-Enzyklopädie". Para não variar este volume também vêm carregado de bons westerns, incluindo os dois filmes da saga «Pecos», e o seminal "Mille dollari sul nero". A não perder!

2014/01/21

Gli Specialisti (1969 / Realizador: Sergio Corbucci)

Sergio Corbucci volta ao ativo! Desde 1964 que este prolífico cineasta não tem feito praticamente mais nada senão andar envolvido em westerns. Sempre com muito trabalho para fazer e envolvido em tantos projetos o homem andava sempre a mexer de um lado para o outro. Com Corbucci há westerns para todos os gostos: geniais, bons, razoáveis e maus. Este que vamos agora falar não passa do razoável. 

O xerife da cidade de Blackstone impôs uma nova lei: é proibido andar com armas de fogo na cidade e nos arredores. Os cidadãos ainda estão abalados com o recente assalto ao banco. O homem que alegadamente roubou o dinheiro é detido e imediatamente linchado pela população. O dinheiro desaparece. As pessoas ficam preocupadas com as suas poupanças e, pior ainda, temem o regresso de Hud, o pistoleiro. 


Enquanto que o xerife, o mexicano maneta El Diablo e Virgínia, a dona do banco, querem saber onde está escondido o dinheiro, Hud quer saber o que realmente aconteceu ao seu irmão Charlie, acusado de roubo e morto na forca. Inexplicavelmente, ao longo de todo o filme, deambulam quatro hippies que ninguém sabe de onde vieram e qual a sua utilidade no enredo (as drogas e o sexo não podiam faltar, obviamente).


Este “Gli Specialisti” é um daqueles westerns que não aquece nem arrefece. Conta com um elenco modesto composto por muitos franceses. A liderar está o lendário músico Johnny Hallyday, à época uma das grandes estrelas europeias e cujo sucesso na música lhe valeu o cognome de “Elvis Presley francês”. Em suma, dir-se-ia que os fãs de Johnny Hallyday vão gostar deste filme. Eu, enquanto admirador de Sergio Corbucci, acho que tinha obrigação de fazer muito melhor.




Trailer:

2013/11/26

Il prezzo del potere (1969 / Realizador: Tonino Valerii)

Estamos em Dallas, Texas, pouco depois do final da Guerra Civil. As feridas entre Norte e Sul ainda não sararam. O presidente dos Estados Unidos da América está de visita oficial à cidade. O ambiente que se vive é tenso. Os sentimentos dos cidadãos em relação ao homem mais importante do país são ambíguos. Os serviços responsáveis pela segurança do presidente suspeitam de um atentado mas não encontram indícios suficientes. Nos bastidores, entidades poderosas alinham estratégias para eliminar o presidente. O jovem Bill Willer salva o comboio da comitiva presidencial de um atentado bombista numa ponte próxima de Dallas. Apesar dos conselhos de Willer, o presidente insiste na sua campanha pela cidade mesmo sabendo que a sua vida corre perigo. Pouco depois, a comitiva desfila pelas ruas de Dallas em grande estilo. O presidente vai na carroça ao lado da sua esposa, ambos acompanhados por seguranças.


Ninguém se apercebe que há uma arma apontada ao presidente pronta a disparar. O atirador puxa o gatilho e acerta em cheio no alvo. O pânico e a confusão instalam-se. O corpo de segurança e os agentes de autoridade procuram o culpado e depressa detêm um homem, que se diz inocente. O pandemónio é geral. O presidente é levado para o hospital. A nação está em suspenso. Pouco depois, é oficial: o Presidente dos Estado Unidos morreu. Seguem-se as diligências necessárias para descobrir como foi possível o atentado, quem foram os responsáveis e porquê? Alguma semelhança com o célebre assassinato de John Fitzgerald Kennedy não é pura coincidência!


Com este filme, o realizador Tonino Valerii (I giorni dell'ira, Una ragione per vivere e una per morire, etc.) faz uma viagem no tempo e transporta para o Velho Oeste o drama que foi o assassinato do chefe da nação americana em 1963. A mesma cidade, o mesmo estado, os mesmos interesses obscuros de alguns notáveis, a cumplicidade das autoridades e dos serviços secretos, a detenção de um bode expiatório e a sua inexplicável morte, o mesmo desfecho trágico. Este western navega nas águas turbulentas da alta esfera da política americana. É uma narração sólida dos acontecimentos de Dallas em 1963 durante a administração Kennedy. Foi também um dos momentos mais chocantes da segunda metade do século XX e que Valerii captou e registou de forma inteligente.


Para ajudar, o projeto ainda contou com nomes de respeito como Giuliano Gemma, Antonio Casas, Van Johnson, Benito Stefanelli e Fernando Rey. Hoje, passados 50 anos, ainda não há certezas sobre o atentado mas uma coisa é certa: há uma linha muito ténue entre ser o homem mais poderoso do mundo e ser só mais um cadáver na morgue.


Mais lobbys germânicos:
 


Trailer:

2013/01/14

La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io (1969 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Já andava para ver este filme há muito tempo mas por alguma razão só recentemente o passei para o topo da pilha. Infelizmente não é um dos filmes mais fáceis de encontrar por aí, em DVD apenas se conhecem duas versões. Uma brasileira da Ocean Pictures e outra francesa da Gladiateur Films. Ora, como de francês pouco entendo e as editoras brasileiras nunca pareceram muito interessadas em exportar para a Europa, continuo sem um DVD na colecção. Encontrei sim, um DVDrip espanhol - "El Puro se sienta, espera y dispara" - num destes sítios de má fama. A imagem apesar de enublada até é aceitável, mas infelizmente o filme não aparece na sua duração original, que segundo li por aí devia roçar as duas horas. Tive de me contentar com cerca 82 minutos! Eu até já tenho assistido a muitos filmes cortados mas nunca numa duração tão grande, e a verdade é que com um delta destes não me é fácil tecer uma opinião muito bem formada sobre o filme. 

Os cortes são mesmo bastante evidentes nesta montagem castelhana. Quer na edição abrutalhada quer na incongruência de alguns dos diálogos. Mas entretanto descobri no Youtube a versão brasileira, dobrada em português, que apresenta uma montagem bastante mais aceitável. Por estranho que pareça as diferenças entre as duas versões são tais que em certos casos o diálogo chega a mudar ligeiramente. Também alguns pedaços de fita aparecem numa versão e não noutra (a "famosa" cena gay, por exemplo, foi retirada da versão espanhola). Não conheço a versão do DVD francês, mas acredito que para se conseguir assistir ao filme como deve de ser será necessário mesclar as várias versões existentes por aí, coisa que provavelmente alguém já terá feito mas não posso confirmar.


Robert Woods descreve justamente “La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” como um western budista. Aqui o actor norte-americano encarna um pistoleiro conhecido por El Puro - que também dá titulo à versão internacional do filme. Um criminoso procurado pela lei que vive agora incógnito numa cidade fronteiriça, onde se gladia com o temor pela morte, que qualquer pistoleiro «wannabe» lhe queira oferecer. Completamente acabado, vive agora com uma garrafa aos queixos, não se mostrando ameaça sequer ao barman do saloon, que não têm dificuldade em coloca-lo KO. Mas a sua cabeça continua a prémio e um bando de assassinos liderado por Gipsy - uma versão empobrecida do Índio de Por mais alguns dólares - está interessado em reclamar a soma e com isso tornarem-se eles próprios como os senhores da região. 

As parecenças de “La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” com os westerns de Leone não acabam por aqui. A maior de todas é mesmo a música, da autoria de Alessandro Alessandroni, ele que era justamente um colaborador habitual de Ennio Morricone. Alessandroni parece mastigar as trilhas que Morricone compôs para a trilogia do «homem sem nome» e produzir algo que quase roça o plágio. Mas comparações à parte o filme subsiste por si só. O ponto de inflexão na vida de El Puro será o assassinato da prostituta Rosie (Rosalba Neri), a única amiga do bebedolas na cidade. Qual fénix, o pistoleiro renasce da tragédia. Larga o álcool que lhe turvava as ideias e os reflexos, e enfrenta os meliantes. Embate que infelizmente não é um dos mais interessantes que o género viu, mas o twist guardado para o final salva-o. 


***Inicio de spoiler*** Como dizia, a versão brasileira que assisti no Youtube e que recomendo aos curiosos, está bastante mais bem editada que a espanhola, sendo inclusivamente ligeiramente maior. Porém o triste final que se abate sobre El Puro, baleado à distância pelo último pulha do bando, fica apenas sugerido nesta versão, sendo bastante mais poética na versão espanhola em que o pistoleiro morto pelas costas acaba estendido no chão. Um final desolador pouco visto no género. ***fim de spoiler*** 

“La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” não é um western-spaghetti fácil, mas nos últimos anos têm existido à volta dele um certo burburinho (o beijo gay dezenas de anos antes de “Brokeback Mountain” muito ajudou a tal), que o têm elevado à condição de filme de culto no género. Será mesmo o mais conceituado dos filmes de Edoardo Mulargia, que como muitos outros realizadores da época nunca tiveram à sua mercê os benefícios das grandes produções, mas que com alguma astúcia conseguiu lançar uma série de filmes razoáveis (“W Django!”, “Cjamango”, “Non aspettare Django, spara”, etc.). Com Robert Woods fez ainda mais um western, “Prega Dio... e scavati la fossa”, mas sobre esse falaremos outro dia!



Filme completo dobrado em português:

 

2012/12/15

Fora de tópico | Lançamento "Ehi Gringo, Scendi Dalla Croce"



Não param de chegar apelos natalícios ao nosso consumismo. Agora é a italiana Cult Media que resolve lançar o desconhecido "Ehi Gringo, Scendi Dalla Croce" (20.000 dólares por un cadaver). Produção espanhola de José María Zabalza, que aqui a equipa do blogue ainda não viu e teme mesmo fazê-lo, culpa dos comentários menos abonatórios do nosso amigo Jesus, que o considerou "uma obra de amadores". Cautela amigos!

2012/01/02

Garringo (1969 / Realizador: Rafael Romero Marchent)

Neste relativamente desconhecido psico-western, o espanhol Rafael Romero Marchent reúne sob o mesmo cartaz dois astros do género, o macambúzio Anthony Steffen (no papel de implacável Tenente Garringo) e o louro com cara de menino da mamã, Peter Lee Lawrence (enquanto Johnny, um assassino de militares). O filme sofre de diversas falhas rítmicas mas têm os seus trunfos e bem vistas as coisas acaba por ser minimamente interessante para vos poder recomendar para estes dias frios que aí estão à porta.

Via flashback ficamos a conhecer o passado de Johnny (Peter Lee Lawrence). Na sua infância Johnny assiste à execução do seu pai pela mão de um oficial do exército. Em choque a criança foge do local acabando por ser encontrado por Klaus (José Bodalo) que acaba por o salvar e adoptar. Mas a dramática cena marca-o profundamente e depois de crescido o seu lado mais psicótico vêm ao de cima abraçando o caminho dos fora-da-lei. Os seus actos criminosos dirigem-se especialmente para com os oficiais do exército, que pune brutalmente sem que tenham a mínima oportunidade de defesa. Depois de executadas todas e quaisquer fardas azuis que se lhe passem pelo caminho envia ainda sarcásticos recados às chefias do exército, subscrevendo-se em todas elas.


Decididos em terminar com os actos de Johnny, os cabecilhas do exército decidem dar uma segunda oportunidade ao implacável tenente Harris, que libertam da prisão militar com a missão de identificar e capturar o perturbado rapaz. Mesmo que para isso use os brutais métodos que o haviam colocado por detrás das barras do forte. Depois de quatro anos malvadez longe de casa, Johnny regressa para junto de Klaus que entretanto se tornou o xerife da cidade. O seu regresso não é no entanto inocente, na verdade apenas se deve a um golpe que planeia executar sobre um carregamento de ouro do exército que passará pelas redondezas. Mas Garringo segue as suas pistas alcançando os parceiros de Johnny, acabando por chegar finalmente perto do bandido.

Entre tantos e tantos westerns europeus, convenha-se dizer que nada aqui é realmente extraordinário, mas “Garringo” têm ao menos o privilégio de conter aquela que muitos consideram a melhor interpretação do austríaco Peter Lee Lawrence. O papel de vilão permitiu-lhe sair da habitual pele de pistoleiro bonzinho por quem as miúdas suspiram. Ele saca aqui uma interpretação bastante variada. Ora encarna o papel de simpático rapaz, aparentemente enamorado pela filha do novo médico da cidade, que numa cena algo comovente agracia a rapariga com um belo vitelo! Mas o mesmo rapazola é capaz de matar uma mão cheia de soldados sem pestanejar apenas pelo simples prazer de matar.


Surpreendentemente Marchent foge ao típico duelo entre o bom e o mau, acabando por colocar o louro doido nas mãos de um dos seus criminosos parceiros. Também os caracteres dos dois personagens principais são algo antagónicos. Johnny é um rapaz bem-educado, agradável ao olho mas completamente abrasado da cabeça, que mata oficiais e lhes retira as insígnias como troféu que guarda na campa do seu pai. Já o Tenente Garringo apesar de representar o lado da lei, julga-se acima dela usando todos os meios para eliminar a corja da sociedade. Os seus métodos são desaprovados pela lei militar e – ainda que temporariamente – até o levaram a ver o sol aos quadradinhos, mas mesmo depois de libertado não hesita em matar um homem indefeso. O que faz então os seus actos mais justificáveis que os de Johnny?

Os cenários utilizados são algo pobres mas ainda assim têm a curiosidade de contar com uma sequência rodada nas ruínas de El Cercón, mosteiro nos arredores de Madrid que ficou imortalizada no clássico do terror luso-espanhol “A noite do terror cego”. Em 1971 outro filme com «Garringo» no título chegou aos cinemas italianos – “Sei giá cadavere amico… ti cerca Garringo!” – mas não se trata de uma sequela. Na verdade o título original espanhol nem contém a menção a «Garringo», mas sim a um mais rentável herói do género: «Sabata». Anos loucos para o cinema europeu! Já a testada dupla Steffen e Lawrence voltar-se-ia a encontrar alguns anos mais tarde num western-spaghetti de contornos cómicos, bem diferente deste aqui. Filme que chegou a ser lançado nalguns países como “Arriva Garringo”, mas desengane-se também quem julgar que se trata de uma sequela.

“Garringo” está disponível em DVD através da editora espanhola Impulso Records, é mais um dos filmes incluídos na “La colección sagrada del spaghetti western”. Tem áudio em espanhol e imagem em widescreen.


Mais imagens do filme:



Trailer:

2011/05/10

Cimitero senza croci (1969 / Realizador: Robert Hossein)

Uma pérola preciosa num mar imenso. Um belo filme que sofre o estigma do (quase) anonimato. Um ator / realizador que nunca foi popular no subgénero. Uma produção humilde, com intervenientes pouco carismáticos mas que surpreendem e fazem algo que só está ao alcance dos mais inspirados: do pouco fazer muito!

É desta forma que classifico este western que, no meio de centenas, representa uma lufada de ar fresco. Os tiroteios, a rapidez, as brigas e as explosões em dose industrial chegam a um certo ponto que já chateiam! Também é bom saborear algo mais melancólico. Também é bom relaxar e apreciar tanto o ritmo lento como os personagens taciturnos.


A história deste filme é sobre Manuel, um pistoleiro que vive num povoado abandonado, que tenta atacar o rico rancheiro Will Rogers após este ter linchado o seu melhor amigo, o marido da sua (ainda) amada Maria. Um enredo simples, quase sem diálogos, assente em planos longos, bonitas paisagens desérticas de cores quentes e apoiados por uma partitura musical muito melancólica da autoria de André Hossein, pai do realizador / protagonista. O ritmo lento que Robert Hossein quis impor no filme não foi casual. Tratou-se de uma forma que o francês arranjou para homenagear o seu amigo de longa data Sergio Leone. Além da dedicatória final “Robert Hossein dedica este filme ao amigo Sergio Leone”, a silenciosa cena do jantar foi dirigida pelo italiano.


Como foi referido anteriormente, não temos grandes nomes consagrados. Temos gente competente que cumpre na perfeição o seu papel: Robert Hossein, Michele Mercier, Lee Burton, Daniele Vargas, Angel Alvarez e Benito Stefanelli. Este filme atípico no subgénero ainda continua na obscuridade porque as edições DVD são quase inexistentes. Nesse capítulo prefiro ser otimista e espero que brevemente surja uma editora europeia corajosa que lance o DVD numa edição decente. Se assim for, quase de certeza que perderei o amor ao dinheiro! Até lá, vou apreciando estes 90 minutos de bom cinema no meu computador. Aqueles que puderem façam o mesmo…


Trailer:

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