2014/02/11

Ciakmull - L'uomo della vendetta (1970 / Realizador: Enzo Barboni)

Depois de fazer carreira enquanto responsável de fotografia, Enzo Barboni lançou-se por conta própria neste “Ciakmull - L'uomo della vendetta”. Um western-spaghetti, está claro! Barboni tinha já por esses tempos uma ideia distinta do tipo de western que queria rodar, mas tratando-se este de um projecto adjudicado por Manolo Bolognini não pôde fazer muitas ondas (reza a história Bolognini até já havia despedido Ferdinando Baldi das funções de realizador). Com tal clima não é de admirar que Barboni não tenha conseguiu embutir o seu cunho pessoal no filme, firmando um western muito distante da paródia desmiolada que o notabilizariam. Não obstante, a música ritmada e engraçadinha do recém finado Riz Ortolani já parecia fazer a ponte para os dois mundos. 


Na acção do filme acompanhamos as peripécias de um grupo de pistoleiros não muito diferentes daqueles que vimos por exemplo no mais conceituado “Oggi a me... domani a te!”, filme com o qual comunga também de uma certa atmosfera outonal. Ora, um grupo de bandidos incendia um asilo como manobra diversão que lhes permitirá distrair os guardas de um carregamento de ouro acabadinho de chegar à cidade. Alguns dos prisoneiros do asilo safam-se do «barbecue» e esgueiram-se do local. É aí que um dos gatunos dá de caras com um dos fugitivos do asilo, que reconhece e chama pelo nome: “Ciakmull”! 


Desconhecedor do próprio nome o evadido fica meio atarantado pelo encontro. Percebemos então que Ciakmull sofre de amnésia, um lugar comum nos papeis encabeçados por Leonard Mann, se nos recordarmos de “Il pistolero dell'Ave Maria”. Em busca do seu passado, ele e os seus companheiros são levados até Osaka onde se depararão com uma cidade subjugada por duas famílias rivais. Aproveitando o facto de que Ciakmull nada recorda do seu passado, os Udo fazem-se passar por seus familiares atiçando o amnésico contra o seu verdadeiro pai, Caldwel. Felizmente para ele, o seu comparsa Hondo (George Eastman) detecta o cheiro a esturro e investiga a situação, evitando a tragédia. Irado com o sucedido Ciakmull põem a cidade a ferro e fogo.


Não se tratando de um western soberbo, não admira que tenha feito uma carreira modesta nas bilheteiras europeias, julgo possuir um ou outro motivo de interesse. Desde logo o elenco, liderado por Leonard Mann, George Eastman, Peter Martell e Woody Strode; entre outros suspeitos do costume. A história do filme é creditado a Franco Rossetti (Django, El Desperado) mas parece que a coisa não estava ao jeito pretendido e foi o próprio George Eastman (aka Luca Montefiori) que se agarrou à papelada e rescreveu parte do material. Não será fácil saber hoje qual a extensão da participação de Montefiori no argumento final do filme mas a verdade é que progressivamente o actor tornar-se-ia num reconhecido argumentista, tendo escrito por exemplo o western crepuscular “Keoma” e o infame horror canibalista de “Anthropophagus”.


Mais alguns lobbys do país das salsichas:



Filme completo:

2 comentários:

  1. Finalmente a resenha deste filme vê a luz do dia! Andou tanto tempo armazenada que até já devia ter caruncho!
    Quanto ao filme concordo com tudo o que é dito, não é de facto um western memorável mas é interessante. Como curiosidade eu não sabia que George Eastman tinha escrito o argumento de "Keoma".

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  2. Afirmativo. Esta resenha carunchosa estava para ali escrita no velho caderno preto desde 6 de Março de 2011. Algum dia havia de ver o dia...

    Este fim-de-semana vi por acaso um filme com o magano do George Eastman que gostei e aproveito para recomendar, "Blastfighter" um quase-clone de "First Blood". Realização do Bava junior. Vale a pena.

    --
    Pedro Pereira

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