24/07/2012

Di Tresette ce n'è uno, tutti gli altri son nessuno (1974 / Realizador: Giuliano Carnimeo)

Sempre achei que juntar comédia e western era algo que não combinava bem. É algo que nunca me agradou. Há exceções, nomeadamente as aventuras e desventuras dos maninhos Trinitá e Bambino, mas mesmo assim ainda estão bem longe do meu ideal de western.  

O realizador italiano Giuliano Carnimeo e o ator uruguaio George Hilton já tinham feito alguns anos antes duas insólitas (e patéticas) aventuras de “Aleluia”, o homem que disparava com uma máquina de costura. Apesar de tudo isso, ambos (Carnimeo e Hilton) devem ter percebido que ainda tinham mais ideias novas para produzir mais material novo para incluir em mais um filme novo recheado de parvoíces, estupidez e comédia bacoca que, além de não ter piada nenhuma, consegue alterar os nervos de uma pessoa!  


O tema deste filme é a procura da chave de um cofre que aparentemente desapareceu. Para conseguir essa chave, o protagonista e o seu sócio vasculham num hospital psiquiátrico onde tanto médicos como pacientes brindam toda a gente com as suas irritantes caras de parvos e interrogam gente completamente passada dos cornos! Num mundo cheio de parvalhões nem a Ku Klux Klan escapa ao ridículo. O resto do filme é feito à base de muitas chapadas na cara.  

Provavelmente estou errado mas fico com a ideia que George Hilton pretendia imitar Terence Hill e seguir os seus passos, ou seja, transitar de westerns violentos e sérios para ingressar em registos cómicos com muitas palhaçadas. Mas Hill manteve a dignidade, teve o carinho do público e continuou. Hilton não se safou. Depois dos westerns, o uruguaio dedicou-se ao “giallo” e bem, porque os seus trabalhos já tinham chegado a um ponto que até metiam medo! 


Não há a mínima dúvida que este western prejudica gravemente a saúde. Além de queimar neurónios e estupidificar o cérebro de um modo geral, há também o risco de urticária e poderá ser extremamente corrosivo para quem tiver contacto direto com o filme. Felizmente, o meu boletim de vacinas está atualizado e consegui passar incólume a toda esta fantochada!


Mais cenas desta fantochada:



Começa assim:

12 comentários:

  1. Completamente de acordo, Emanuel, em quase tudo o que disseste, confesso que gosto do primeiro Aleluia, apesar de alguns exageros como a máquina de costura metralhadora. O Tressete é realmente mau demais para ser verdade, mas foi a febre dos westerns spaghettis-comédia que apareceu depois dos Trinitá, Hilton não é Hill e Chris Huerta não é o Bud Spencer.

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  2. Amigo António, eu acho que esta fase dos westerns italianos cómicos não foi uma febre mas sim uma epidemia perigosa!

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    1. Sim, uma epidemia de febre tifóide ou de febre amarela, mas, na minha opinião, o género western em geral não é propenso à comédia, é um género que se pretende duro e aventuroso, mais ou menos psicológico. Um personagem ou uma ou outra situação cómica por vezes até é salutar, no momento oportuno.

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    2. É isso mesmo, António. Concordo totalmente. Acabaste de fazer um resumo perfeito do que deve ser o western.

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  3. Comprei o DVD da Titanus no ano passado quando fui a Florença mas confesso que não aturei mais do que as cenas iniciais, essas do vídeo aqui publicado.

    De resto junto-me ao António Rosa na defesa do primeiro filme da personagem Aleuia, que acho bastante divertido. Já a sua segunda parte reconheço que não vale um chavelho.

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://auto-cadaver.posterous.com

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  4. parece q algumas pessoas tem um ódio mortal por essa sátiras, mas o próprio Leone já dava um tom de deboche em Per Quache Dollaro In Piú (1965) e Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo (1966), meu único problema com esses Spaghetti comicos é se as piadas funcionam, eu achei q tanto no Aleluia quanto este aqui, a sátira funcionou bem.

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    1. São opiniões. A meu ver, nada funciona neste filme e o humor é tão infantil e patético que até mete dó!

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    2. Há casos e casos. As primeiras comédias que surgiram no género são boas, mas estamos a falar em western-spaghetti... é óbvio que com a exploração intensiva de mais um filão haveria de se fazer muita porcaria.

      --
      Pedro Pereira

      http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
      http://auto-cadaver.posterous.com

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  5. Coitado do Hilton. De todas as estrelas do Western Spaguetti, acho que foi a que mais se envolvera com filmes ruins; uma pena.

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    1. Ele é oficialmente o saco de pancada aqui do blogue...

      --
      Pedro Pereira

      http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
      http://auto-cadaver.posterous.com

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  6. É natural. O homem pôs-se a jeito...

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  7. Sei que isto é mau, mas tenho de confessar que gostei de ver esta história, ou melhor vi até ao fim, e não não estava sob o efeito de substâncias psicotrópicas, serei normal.
    Fazer comédia não é facil, nunca foi

    Abraço

    Vitor Louçã

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